Introdução à
físico-química das soluções
4a. parte
Alberto Mesquita Filho
B-3 INTERVALO MATEMÁTICO. GRÁFICO DE UMA FUNÇÃO
A temperatura em grau Celsius é função da temperatura absoluta:
t = f(T) = T - 273.15
e a função inversa será:
T = f-1(t) = t + 273.15.
Numa transformação tipo Charles temos:
V = g(T) = CT.
Logo:
V = g[f-1(t)] = C( t + 273.15).
Vamos então estudar graficamente um caso particular dessa expressão, aquele em que C = 0.6. A expressão será então:
V = 0.6t + 164
(1-16)
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O gráfico de uma função definida por V = F(t) é uma representação pictórica da função, o que pode ser obtido demarcando-se, num sistema de coordenadas retangulares, os pontos definidos pelos pares de números (t, V) ou [t, F(t)]. Se (1-16) for a expressão matemática para essa função, o gráfico obtido será aquele mostrado em vermelho na figura 5, ou seja, uma reta. A função é dita linear. Uma variável é função linear de outra quando ambas estão relacionadas por uma função da forma
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em que a e b são constantes. Para o exemplo da figura 5, a = 0.6 e b = 164. |
Figura 5: Gráfico da
função V = at + b em que |
A equação (1-17) e a figura (1-5) nos mostram o significado de a e b:
b é o valor de V quando t é igual a zero;
a é igual à relação (V-b)/t e verificamos que para qualquer ponto P do gráfico é possível construir um triângulo retângulo tal que (Vi-b)/ti, em que i = 1, 2, 3, ..., seja a relação entre o cateto oposto e o cateto adjacente ao ângulo a formado entre a reta representativa da função e uma paralela ao eixo de t (vide figura 5).
Portanto:
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a = tg a |
(1-18) |
e a é chamado coeficiente angular ou inclinação da reta V = at + b.
A função de Charles V = CT é um caso particular de função linear do tipo V = aT + b, em que b = 0 e a = C. A figura 6 mostra o gráfico de várias destas funções, que diferem entre si pelo valor de C, ou seja, pelo coeficiente angular. Como b = 0, quando T = 0 teremos V = 0 e, portanto, todas as retas passam pela origem.
Como a transformação de Charles é a pressão constante, é costume chamar tais retas de isóbaras, correspondendo cada uma delas a um valor de P.
B-4 EQUAÇÃO GERAL DE ESTADO
As leis gerais dos gases nos fornecem três equações de estado úteis para o estudo de transformações de estado particulares. Interessa-nos obter relações entre propriedades de estado para uma transformação qualquer. A situação mais geral é a transformação de um sistema constituído por um gás nas condições p1, V1, T1, m1 e M1 em outro também constituído por um gás, porém nas condições p2, V2, T2, m2 e M2. A maneira como a transformação ocorreu não nos interessa. Interessa apenas estabelecer relações entre as propriedades no estado inicial (1) e no estado final (2). Para tanto podemos utilizar um artifício supondo que a transformação global tenha ocorrido em três etapas a respeitarem, em cada uma delas, uma das três leis gerais que estudamos no item B-2. A figura 7, apresentada a seguir, fornece esse raciocínio de maneira esquemática.
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Figura 7: À procura da equação geral de estado. . |
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Substituindo o valor de V' dado pela lei de Boyle como apresentado na figura 7, na expressão da lei de Charles, e substituindo-se o V'' assim obtido na expressão da lei de Avogadro, chegamos a uma relação entre todas as variáveis de estado consideradas para os estados 1 e 2:
Esta é a equação de estado procurada. Lembrando que n = m/M, e generalizando a expressão para um estado qualquer, temos:
ou, como é mais conhecida:
pV = nRT |
(1-19) |
em que R é a chamada constante dos gases.
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Variáveis | Constantes | Equação de Estado |
| Boyle | p, V | T, m, M | pV = mRT/M = B |
| Charles | V, T | p, m, M | V/T = mR/pM = C |
| Avogadro | V, m, M | p, T | VM/m = RT/p = A |
| Tabela 4: Casos particulares da equação geral de estado. | |||
As três leis gerais dos gases estão implícitas na equação (1-19) e os significados matemáticos das constantes B, C e A estão representados acima na tabela 4. B, C e A são constantes apenas para transformações específicas e seu valor depende do estado inicial. Já havíamos admitido esta dependência para C no item B-3, ao discutir a figura 6. Vemos agora, pela tabela 4, que C é uma função de três variáveis: C = f(m, p, M). A e B são também funções de estado dadas por: A = g(T, p) e B = F(m, T, M).
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