Introdução à
físico-química das soluções
10a. parte
Alberto Mesquita Filho
C-8 GASES DISSOLVIDOS NO PLASMA SANGUÍNEO
Na bio-físico-química sanguínea, o gás carbônico e o oxigênio são convenientemente estudados em concentrações diversas da fração molar x. A lei de Henry deve então ser adaptada a essas condições.
a) Gás carbônico
A concentração plasmática de CO2 é expressa em concentração molar. Para obter a expressão da lei de Henry devemos, então, efetuar a conversão de xg em cg (equação 1-8 em A-2), obtendo-se, de (1-45):
pg = (
) cg
ou
|
cg
= ( |
(1-47) |
ou
|
cg = ag pg |
(1-48) |
em que ag é o fator de solubilidade para a concentração expressa em concentração molar. ag depende não apenas do gás considerado, do solvente e da temperatura,mas também do número de moles de outras substâncias presentes na solução. Tratando-se de soluções diluídas, nt é praticamente igual ao número de moles do solvente e esta dependência torna-se desprezível
A pressão parcial do gás carbônico no plasma é expressa em mmHg, podendo-se também utilizar unidades MKS (ou SI) de pressão: 1 pascal = 1 Pa = 1 newton/m2; e a concentração molar em mol/l ou, mais freqüentemente, em mmol/l (concentração milimolar).
Utilizando-se cg em mmol/l e pg em mmHg, o coeficiente de solubilidade para o gás carbônico no plasma sanguíneo, determinado experimentalmente, é igual a:
|
aCO2
= |
(1-49) |
à temperatura de 37°C. Esse valor pode ser utilizado para o cálculo de cCO2 quando a pCO2 é conhecida. Exemplo: Para a pCO2 = 40 mmHg temos:
cCO2 = 0.03×40 = 1.2 mmol/l
b) Oxigênio
A concentração de oxigênio é freqüentemente expressa em vol/ml (vO2), a qual tem o significado de volume de O2 liberado de 1 ml de solução, em condições especiais de pressão e temperatura da fase gasosa após a liberação do O2. Em pressões próximas à atmosférica o comportamento do oxigênio aproxima-se do comportamento do gás ideal (figura 14) e podemos escrever para vO2:
|
vO2
= |
(1-50) |
em que nO2 é o número de moles de O2 dissolvidos em 1 ml de solução. Efetuando-se a conversão de nO2 em xO2 (equação 1-7 em A-2) e substituindo-se o valor encontrado em (1-50), temos:
nO2 = xO2nt
.
|
vO2
= |
(1-51) |
Substituindo-se o valor de xO2, obtido de (1-51), na expressão da lei de Henry (1-45):
pO2 = (
) vO2
ou
vO2 = (
) pO2 .
p e T são as condições em que o gás liberado de 1 ml da solução fornece o volume vO2. Se o coeficiente de solubilidade assim definido (ntRT/Kgp) for determinado de forma que p = 1 atm e T = 273.15 K, ele recebe o nome de coeficiente de absorção de Bunsen (aO2) e seu valor é:
|
aO2
= |
(1-52) |
Mais freqüentemente vO2 é determinado a 37°C (310.15 K) e 1 atm, e o coeficiente de solubilidade SO2 nestas condições é:
|
SO2
= |
(1-53) |
e a lei de Henry pode ser então expressa por:
|
vO2(37°C) = SO2pO2 |
(1-54) |
Nota-se que vO2 é o volume do gás liberado em condições especiais de p e T as quais não têm nada a ver com a pressão e temperatura da solução.
A determinação experimental de SO2 para o plasma a 37°C é igual a:
|
SO2 = 0.00003 ml/mmHg |
(1-55) |
Mais freqüentemente, utiliza-se para expressar a concentração de oxigênio o volume de O2 liberado por 100 ml de plasma a 37°C e 1 atm de pressão. Este volume é representado como vol% de O2. A equação (1-54) então fica:
vol% de O2(37°C) = 100 vO2(37°C) = 100 SO2pO2
e substituindo-se o valor de SO2 dado em (1-55), temos:
|
vol% de O2 = 0.003 pO2 |
(1-56) |
observando-se que na falta de referência o gás foi liberado a 37°C e 1 atm de pressão e a temperatura do plasma prévia à dosagem era igual a 37°C. Desta forma, para uma pO2 igual a 100 mmHg teremos:
vol% de O2 = 0.3 ml%
A relação entre SO2 e aO2 pode ser obtida dividindo-se (1-53) por (1-52):
SO2 / aO2 = 1.135
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