> > O que pretendo dizer é que a ciência evolui e aproxima-se da
> > verdade.
> Esta é uma afirmação otimista.
> A ciência não prova que seja verdade.
Eu diria que posso me dar ao luxo de fazer ciência por amor a ciência,
privilégio este que não tive em minha juventude acadêmica. Atingido esse
status, não há porque não ser otimista. Quanto à verdade, ela é como a
felicidade: Está ao alcance de todos, mas nunca a buscamos onde efetivamente
ela está. Pois aprendi que o importante não é ser feliz, mas viver em busca
da felicidade. E em ciência o importante não é ser dono da verdade, mas ser
dono de si mesmo; e, cientificamente falando, ser dono de si mesmo significa
confiar no seu potencial de se aproximar da verdade, mesmo sem encontrá-la.
É assim que penso.
> A ciência evolui na medida em que é útil. E assim, a tecnologia, é
> como bem dizes, o termômetro da ciência.
Pois essa verdade é irrefutável e foi atingida graças à ciência.
Conseguimos hoje estabelecer um debate transatlântico numa velocidade jamais
sonhada pelos grandes físicos que abriram as portas para essa realidade.
Sim, não conhecemos exatamente o processo em sua natureza íntima e isso
talvez seja mesmo impossível. Mas a verdade é que estamos evoluindo na
direção dessa verdade inatingível. E não é impossível que venhamos, no
futuro, a construir um modelo para cada realidade, com cada um a se mostrar
como o único modelo exeqüível. Significaria isso que atingimos a verdade?
Não! Significaria que conseguimos eliminar (ou falsear) todos os demais
modelos e, também, que esgotamos o nosso potencial para a criação de novos,
talvez porque realmente não existam mais essas possibilidades. Isso seria
equivalente a chegar ao "fim da linha", condição em que, na visão de
Hawking, "o espírito humano definharia e morreria". Esse é o limite que me
imponho e esse limite situa-se no território da física. A partir daí, tudo
será metafísica.
> Essa é a realidade física.
> A electricidade é uma realidade física. Mas essa realidade foi
> alterada durante milênios. (...)
> Antes era uma diversão, hoje é uma necessidade.
Pois então concordas comigo que há uma evolução na direção de um progresso.
Estamos percorrendo um caminho e a cada dia estamos mais próximo... de quê?
Eu diria que estamos mais próximos da verdade, no sentido em que estamos
mais próximos do dia em que construiremos um modelo físico para o
eletromagnetismo tal que não seja mais possível construir outro melhor. A
isso eu chamo de verdade, ou de realidade ou, quem sabe, e mais
apropriadamente, de "verdade científica" última ou final. A outra verdade
seria a verdade metafísica, mas essa é própria dos deuses, não está a nossa
disposição e pode, quando muito, ser objeto de discussões filosóficas,
quando treinamos a criatividade. É a "verdade científica" que coloco como
limite, e até mesmo esta creio ser inacessível para nós (lembre-se que,
sob esse aspecto, sou popperiano). Ou seja, não sou tão otimista assim.
> Hoje temos as eq de Maxwell na sua generalização da MQ, que nos dizem
> que tudo nasce de uma única função, e não de duas, como Maxwell
> precisava. Uma função algo metafísica, sim. De facto, mas como disse,
> é preciso forçar as fronteiras.
> E acho que é neste "excessivo" esforço que colides com as idéias da
> MQ. Não?
A coisa é mais complexa, mas a origem talvez esteja na interpretação que
Maxwell permitiu que se desse ao eletromagnetismo que sintetizou. Vejo o
modelo de Maxwell excelente para o macrocosmo. Vejo com um certo grau de
desconfiança a interpretação que se deu, na época, à constante
eletromagnética c, se bem que a última palavra a respeito não tenha sido de
Maxwell. E vejo com bastante incredulidade a tentativa de Lorentz em
expandir o modelo de Maxwell para o microcosmo, por motivos que já expus
inúmeras vezes aqui na Ciencialist.
Perceba então que para ser contra a mecânica quântica eu nem precisaria
conhecer a mecânica quântica, seria suficiente conhecer o terreno onde ela
foi construída. Todos nós sabemos que o deserto não é o melhor lugar para se
cultivar frutas tropicais. Mas, e como disse, o assunto é bem mais complexo
e diria que quando comecei a estudá-lo, ou seja, quando tive o insight
inicial, sequer estava preocupado com a existência dos elétrons. Sequer
estava com minha atenção voltada para o microcosmo, mas para uma direção
totalmente oposta, qual seja, a fuga das galáxias e/ou dos quasares de um
hipotético centro do Universo. Já comentei ligeiramente isso num diálogo que
mantive com o Manuel Bulcão na lista de discussão Acrópolis). O interessante é
o poder da física em nos levar do macro ao microcosmo ou vice-versa; e é
isso o que nos faz crer, como teorizadores, que de alguma maneira desconhecida
estamos de posse de uma pequena, porém estratégica, peça do quebra-cabeças e
que, embora pequena assume um papel fundamental. O que em hipótese alguma
significaria estarmos de posse da verdade, mas de algo que dá certo sem que
saibamos exatamente como ou porquê. E a função do teorizador é, ao meu ver
e acima de tudo, tentar explicar esse como e esse porquê. E é nessa hora que
a matemática poderá ou não revelar-se útil. E é nessa hora que inventamos
a matemática que dá certo, obviamente seguindo regras lógicas. As idéias,
não obstante, precedem e de muito a matemática. E é por isso que eu procuro
chamar a atenção dos jovens para o cultivo da criatividade; e ser criativo
significa estar aberto a idéias novas. Chega de idealizar equações! É hora de
equacionar idéias novas.
O curso de medicina, por exemplo, não tem aula alguma de Cálculo. Não
obstante, na pós-graduação de determinadas disciplinas, como Fisiologia,
Bioquímica, Biofísica etc, qualquer aluno consegue utilizar-se de todo o
ferramental matemático necessário e/ou indispensável para o estudo. Mesmo
porque, se ele não conseguir será convidado gentilmente a procurar outra
especialidade. Eu, por exemplo, quando recém formado em medicina, utilizava
com grande freqüência as transformadas de Laplace, para o estudo de análise
de compartimentos, e sabia exatamente o que estava fazendo. A necessidade
nos leva ao aprendizado da matemática e esta é uma verdade que tenho notado
que poucos físicos se dão conta. É óbvio que para trabalhar em Clínica
Médica ou Cirúrgica, essa matemática faz pouco sentido.
Posteriormente fui estudar transporte através de membranas e, além de uma
termodinâmica pesada, a incluir a termodinâmica dos processos irreversíveis,
fui também apresentado aos formalismos de Euler e de Lagrange, da forma como
são utilizados pelos físicos em mecânica dos fluidos. Na década de 90 fui
estudar mecânica dos fluidos, no curso de física do Ifusp, e percebi que ela
comportava uma matemática mais fácil do que aquela que me fora apresentada
no passado, através dos artigos de Biofísica. Mesmo porque, os fluidos
biológicos não são, via de regra, fluidos newtonianos (no sentido em que não
se sujeitam às simplificações newtonianas).
> > > Espero pelo dia em que um ET qq nos dirá que eles tem outro modelo
> > > diferente. Igualmente "bom" do ponto de vista das previsões.
> > Sim, mas certamente esse ET, caso mais evoluído cientificamente do
> > que nós, não deverá ter um modelo de Universo a ignorar a existência do
> > átomo de Dalton.
> Estás a supor que ele percorreria os mesmos passos que a humanidade
> percorreu.
Não, mas estou a supor que ele chegaria à mesma realidade a que chegamos,
independentemente dos passos que viesse a dar. Mesmo porque podemos chegar
ao atomismo por uma infinidade de experiências diferentes, e nenhuma chega a
negar a outra em seus fundamentos. Quando muito, uma revela um átomo mais
refinado do que a outra, mas todas adequam-se à descontinuidade da matéria.
> (...) Nada nos diz que sim, nem que não, e por isso não estou tao
> confiante que eles tenham que passar pelo átomo de Dalton.
> (se pensarmos em quarks e eletróes, o modelo do átomo com neutros e
> protoes não faz muito sentido...apenas sentido histórico, pq
> aprendemos esse modelo primeiro)
Todos os caminhos levam a Roma. Quando falo em átomo de Dalton estou apenas
reverenciando Dalton. Obviamente, estou me referindo aos elementos químicos
que sabemos existirem como hidrogênio, oxigênio, etc. A visão de Dalton era
outra, mas os átomos estão aí e não creio que nenhuma teoria virá a provar
que eles não existem. Quando muito, essa teoria virá para decifrar segredos
outros que residem por trás da estrutura dos átomos, jamais para negá-los.
Podemos estudar o Universo dizendo, por exemplo, e simplificadamente, que
ele é formado por galáxias. Isso é uma verdade incontestável. Outros, no
entanto, poderão dizer que não, que o Universo é formado apenas por estrelas
e planetas. Ora, mas o que é uma galáxia, senão um aglomerado de estrelas e
planetas? Perceba então que, sob esse aspecto, o que estamos discutindo não
é um problema nem físico nem metafísico, mas de natureza lingüística. No
momento que unificarmos o significado dos termos perceberemos que estamos
dizendo a mesma coisa e a torre de Babel desfar-se-á.
> > A realidade de hoje não é a mesma de ontem nem será a mesma do
> > amanhã.
> A realidade física não. Mas a realidade pura, essa é imutável. Se não
> o fosse era inútil tentar procurá-la.
Bem, então concordas comigo que podemos pelo menos tentar procurá-la. Mas...
a quem cabe procurá-la? Apenas os filósofos? Porque não os físicos?
> Por isso, não me apresso a dizer que a alquimia foi um fracasso.
Digamos que fui infeliz na exemplificação. Nada contra os alquimistas.
> O calórico, essa entidade que viaja entre corpos "quentes"
> e "frios"...o que é a Energia [em especial a térmica], se não isso?
> Tlv o nome seja diferente, e nas nossas mentes o conceito seja
> díspar, mas no fundo, o idéia de algo que "viaja" entre os corpos
> mantém-se.
Aí eu já discordo, mas teríamos que discutir o que é energia e as coisas
iriam talvez se complicar. Sob o ponto de vista da física "moderna"
realmente não vejo muita diferença entre os conceitos de energia e de
calórico. Aliás, prefiro os ectoplasmas do Léo que acredito que se
encaixariam muito bem na física moderna
. Lembro apenas que a semelhança
entre calórico e energia não é uma imagem clássica, no sentido newtoniano do
termo, ou seja, da física que se apóia no modelo de Newton, com novas idéias
sim, mas sem deturpações ideológicas e a desconfigurarem-na.
> E aqui é que está a diferença.
> Todas elas começam em idéias, passam por modelos e algoritmos de
> resolução. Mas apenas aquela que der melhores resultados será
> escolhida como aquela que mais se aproxima da verdade.
Hummm!!! A teoria de Ptolomeu dá resultados excelentes. Creio que foi em
condições como esta que começou-se a se pensar na navalha de Occam. Lembro
no entanto que a navalha de Occam é um artifício lógico e facilitador,
jamais um argumento 100% científico (com a permissão do Jocax
).
Por outro lado, para dizermos se uma teoria dá ou não melhores resultados do
que outra, precisamos testar as duas. Já disse que a matemática não dá a
primeira palavra e digo agora que ela é fundamental, mas também não dá a
última palavra. Quem dá a última palavra é a experimentação. E o ato
experimental em si nem sempre precisa do Cálculo avançado e muito menos de
formalismos sofisticados. Ora, mas como comparar resultados de testes entre
duas teorias numa comunidade física que adota o regime do partido único, ou
do Partidão? Via de regra aceita-se uma teoria por consenso e coloca-se a
outra na gaveta e, eventualmente, no lixo. Leia Thomas Kuhn e perceba que
ele narra exatamente isso ao se referir à história da ciência e até mesmo
defende essa conduta espúria. Conseqüentemente, o que você disse ¾aquela
que der melhores resultados será escolhida¾ é muito bonito em teoria, mas
não funciona na prática. Pois na prática as teorias alternativas sequer
serão submetidas a testes. Serão "falseadas" por decreto, como era praxe em
política na Rússia do Partidão ou em qualquer outro regime ditatorial.
> > Meu limite é a verdade, a realidade. Qual
> > seria o teu limite, se é que, de facto, assumes essa posição?
> Eu não assumo uma posição de limite; mas de comparação.
> Eu espero que por comparação eu ache o limite sem saber qual ele é.
> [conheces o método dos quadrados mínimos?]
Já utilizei esse método para calcular limites.
> > Volto a dizer: estou caminhando no interior de um túnel e
> > convicto de estar a cada vez mais próximo da verdade, mas não enxergo a
> > luz do fim do túnel e nem sei se esta luz aparecerá algum dia.
> Não. Quando dizes, que a MQ assenta em idéias erradas, estás a falar
> como aquele que chegou ao fim, viu a verdade, e agora se volta para
> trás e diz: "A verdade não é nada disto".
Fica difícil contestar essa idéia se você não aceitar o que comentei
anteriormente. Ora, afirmo que a verdade vai se nos mostrando aos poucos, e
que hoje estamos mais próximos da verdade do que estavam os homens de 1000
anos atrás. Não preciso conhecer a verdade última para suspeitar que a
mecânica quântica apóia-se em alicerces condenados ou então que foi
construída num terreno inadequado.
> > Diria então que o potencial gravitacional, a exemplo do potencial
> > eletromagnético, deve apresentar um efeito retardado, (...)
> > a relatividade de Einstein não respeita os axiomas da física de Newton,
> > ainda que chegue aos mesmos em condições limites; e os axiomas da física
> > newtoniana não curvam o espaço, que é absoluto, enquanto a propagação
> > da informação é relativa.
> Pois. Mas ai entra o factor "Escândalo".
> Como disse antes, se não tivesse sido experimentalmente observado que
> um feixe de electrões tinha comportamento de onda, a idéia de De
> Broglie ia directamente para o mesmo sitio que foram os potencias
> retardados.
Os potenciais retardados não foram abandonados, eles são utilizados ainda
hoje em eletromagnetismo e quero crer que em MQ também. Onde eles nunca
foram utilizados foi em gravitação, e foi aí que Einstein "compensou" o
efeito com sua relatividade geral. Ou seja, Einstein procurou unificar
eletromagnetismo e gravitação utilizando-se de pesos diferentes, e foi por
isso que precisou entortar o espaço gravitacionalmente, mas não
eletromagneticamente. Mas se o potencial retardado existe em
eletromagnetismo, porque não haveria de existir em gravitação? Mas se ele
existir em gravitação, a relatividade tanto a restrita quanto a geral perdem
sua razão de ser. Durma-se com um barulho desses!
> > Pois bem, como é que você informa o
> > algoritmo hamiltoneano que não está desprezando esse efeito?
> Tem que aparecer lá um factor k.
> Quando k < infinito. Então temos a física da não propagação instantânea.
> Quando k = infinito, então temos a física das aproximações especificas
> em casos particulares.
> A questão não é como se informa, mas como se coloca lá, na expressão
> matemática, esse factor k.
Força de expressão. Onde se lê informar, leia-se colocar k ou algo
equivalente.
> Um Físico moderno usaria uma qq expressão da Relatividade de Einstein.
> Já que a de Galileu-Newton, não possui, matematicamente, esse factor.
Mas nem podia! Quando Hamilton nasceu, Galileu-Newton já haviam morrido.
Isso em hipótese alguma significa dizer que a física newtoniana ignora um
efeito que foi pela primeira vez comentado exatamente por Newton, a não
instantaneidade da ação à distância. Perceba então que estão utilizando o
hamiltoneano não na física newtoniana mas na "física clássica na visão de um
físico moderno"; e é por isso que esta física não dá certo. Estão
simplesmente conseguindo falsear aquilo que "a priori" está errado. Isso
soa-me como redundância, e redundância soa-me como desperdício de tempo e
dinheiro.
> Se a física newtoniana está bem
> estabelecida. Então agora, como evolui a ciência?
> Ela deve procurar o q? Usar a Física de Newton em todos os casos e
> procurar um onde não dê certo?
Este foi o grande erro cometido por alguns físicos do século XIX, o de achar
que a física newtoniana estava bem estabelecida. Não, a física newtoniana
ainda é, até hoje, uma teoria incompleta e isso chegou a ser referido por
Newton de inúmeras maneiras, dentre as quais destaco a seguinte: "Não sei de
que modo o mundo me vê; mas a mim mesmo pareço ter sido apenas um menino
brincando na praia, entretendo-me com encontrar de quando em quando um seixo
mais liso ou uma concha mais bela do que o ordinário enquanto todo o vasto
oceano da verdade jazia inexplorado diante de mim."
Ou seja, os físicos do século XIX não se deram conta de que a física
newtoniana era uma teoria incompleta; e os físicos do século XX tentaram
completá-la despersonalizando-a totalmente. MQ e TR refletem essa
despersonalização. E a genuína física clássica, coitada, foi parar na
gaveta, onde reside há mais de 100 anos, a espera de ser completada. É um
erro pensar que a física moderna representa a evolução da física de Newton.
Não, a física moderna nega acintosamente, e com ar de desprezo, o que de
mais belo e importante Newton nos legou, ainda que chegue a equações
semelhantes em condições limites.
> > Em mecânica clássica existem: 1) o formalismo a apoiar-se nas três
> > leis como enunciadas por Newton; 2) o formalismo a apoiar-se diretamente
> > nos princípios de conservação; 3) o formalismo lagrangeano; 4) o
> > formalismo hamiltoneano; etc.
> Mas pelo que me foi informado todos eles são equivalentes, embora
> matematicamente distintos reproduzem as mesmas idéias físicas. Não?
Perfeitamente. Se bem que na utilização dessa equivalência deva-se tomar
muito cuidado, o que nem sempre é feito.
> Mas nunca me disseram que em Mecânica Clássica se
> consideravam casos em que não se desprezasse a não instantaneidade da
> acção.
Mas, por incrível que pareça, nunca dizem isso para ninguém. Não obstante,
todos os grandes físicos sabem que a física clássica newtoniana não assume a
ação a distância como instantânea. Newton simplesmente utilizou-se de uma
aproximação válida para a resolução de problemas que o preocuparam na época,
mas não generalizou essa aproximação. Quando os matemáticos criaram os
demais formalismos, continuaram a efetuar a aproximação preconizada por
Newton, e que dá certo na grande maioria dos casos. Mesmo porque, isso
simplifica sobremaneira o formalismo (não creio que, do contrário, a coisa
se resolvesse apenas com a introdução de um fator k, como você propõe).
O problema é que em determinadas condições a aproximação não se justifica, e
percebe-se que as coisas se complicam bastante. Isso está relacionado ao que
chamo por localidade virtual: "a localidade virtual relaciona-se ao conjunto
das propriedades manifestadas por um objeto a um observador, e passíveis de
modificações decorrentes, única e exclusivamente, de sua localização
espaço-temporal em relação à localização espaço-temporal do observador."
Discuto alguma coisa sobre isso em "O Espaço Curvo Euclidiano e a
Relatividade Galileana", no meu site.
Nestes casos em que o problema não dá certo, ninguém quer assumir o erro e
dizem então que o erro foi cometido por Newton. E a partir daí começam a
enganar os jovens e a prepará-los para a lavagem cerebral que será
completada com a apresentação da física moderna.
> Existem os potencias retardados, é certo. Mas eles baseiam-se na
> velocidade finita da luz, e não da informação.
> O postulado que a velocidade da luz é a velocidade da informação é de
> Eisntein.
Mas estou me referindo a potencial gravitacional e a física clássica. A
física clássica não nega mas também não apóia-se nas idéias de ondas
eletromagnéticas e muito menos de ondas gravitacionais. Por outro lado,
velocidade da informação é algo extremamente variável: som, internet, luz,
ondas aquáticas, campos gravitacionais, correio, sexo etc, tudo isso
transporta informação. Einstein simplesmente priorizou a luz, dizendo-a
dotada de velocidade máxima de informação. E máxima não sob o aspecto da
fonte emissora, mas sob um aspecto absolutista total, a incluir o
referencial. A teoria da relatividade de Einstein a rigor deveria ser
chamada teoria do absolutismo, pois não existe nada mais absoluto do que a
velocidade c da luz, ou a velocidade máxima da informação, se quiser.
Aliás, Einstein deu-se conta disso e, após a apresentação da mesma, tentou
proclamar a teoria como teoria dos invariantes, nome esse que não vingou.
> > > >Experimentalmente já está mais do que comprovado que esses
> > > > osciladores não existem.
> > > Por que experiência?
> > A mesma que falseou o átomo de Thomsom (modelo em pudim de passas).
> E qual foi essa mesmo?
Quero crer que a experiência crucial teria sido a de Rutherford. Não
obstante, lembro que quase nenhum dado científico é construído com base em
uma única experiência, mas na análise de uma experiência crucial sob o
conhecimento de achados outros e a se apoiarem em experiências anteriores ou
acessórias. Do contrário ficaríamos com a impressão de que a experiência de
Rutherford apenas descobriu que o átomo tem núcleo.
> > Digamos que o "campo de efeitos elétricos" de um elétron, situado na
> > superfície de um condutor, seria o vetor cujo módulo é igual ao produto
> > escalar do gradiente de f, no ponto considerado, por um versor
> > perpendicular à superfície;
> Isto sempre me fez muita confusão....
> O gradiente é um vector. Um versor tem modulo 1.
> O produto escalar dos dois é igual ao modulo do vector gradiente.
Sem dúvida, mas esse produto escalar é um escalar. Estou me referindo a
outra coisa, ao que chamo "produto VETORIAL interno", e o resultado deste
seria um vetor. Isso você não irá encontrar em livros de matemática, pois
foi algo que precisei inventar para desenvolver a minha teoria. O produto
vetorial interno é um vetor cujo módulo é igual ao produto escalar e a
direção é aquela do segundo vetor.
Seja Ä o símbolo a ser utilizado para o produto vetorial interno. Neste
caso, X = AÄB seria um vetor cujo módulo é o do produto escalar entre A
e B e a direção é a do vetor B (o sentido será o mesmo do vetor B se o
produto escalar for positivo e o oposto no caso negativo). Observe que AÄB
é diferente de BÄA.
Chamo de produto vetorial "interno" por dois motivos: primeiro, porque o
produto escalar é também conhecido como produto interno entre dois vetores;
e segundo para distinguí-lo do produto vetorial propriamente dito, que
costumo chamar como produto vetorial "externo" para evitar confusões; e
seria "externo", também, porque está fora do plano dos dois vetores que lhes
dão origem.
Rigorosamente falando, o produto vetorial interno surgiu numa segunda etapa
da matematização da minha teoria. No início eu tinha apenas o translacional
de um vetor, que seria uma divergência vetorial, ou seja, um vetor com o
módulo da divergência e com a direção do próprio vetor. Isto também pode ser
pensado como uma derivada direcional de um vetor segundo as suas linhas de
campo, e daí o nome translacional: seria como se estivéssemos transladando
pelas linhas de campo enquanto efetuamos a derivação.
A rigor nada disso teria sido necessário pois, como disse em outra mensagem,
a matemática nada mais é senão uma linguagem útil e a simplificar as coisas.
E, com efeito, essa idéia de translacional e/ou de produto vetorial interno
surgiu quando quase toda a minha teoria do elétron estava já sedimentada.
Mas trata-se de um algoritmo bastante interessante e a dotar a minha teoria
de uma simetria sem igual. Eu sentia a sua existência, sem saber na
realidade o que seria, o que fui descobrir alguns anos mais tarde. Consigo
então, com um único campo vetorial A (ou, de maneira equivalente, com um
campo escalar f) dizer que os efeitos elétricos seriam conseqüentes à
aplicação do translacional sobre A (ou do produto vetorial interno já
apresentado) e os efeitos magnéticos seriam conseqüentes à aplicação do
rotacional sobre A (esse último já é feito na teoria de Maxwell, se bem que
na minha teoria possa utilizar também o produto vetorial relacionado a f,
que na teoria de Maxwell relaciona-se ao potencial elétrico, se bem que
sejam coisas diferentes). A minha teoria resume-se, portanto, em apenas uma
equação, a equação do vetor A (ou então do escalar f) e que seria A = w/r,
em que w seria uma propriedade vetorial do elétron e relacionada a sua
estrutura (provavelmente um giro em torno de si mesmo, mas não exatamente um
spin no sentido quântico do termo).
> > e a direção seria a deste versor (isto é o que chamo de produto
> > vetorial interno). Se você integrar esse campo garanto que chegará
> > na lei de Coulomb.
> A lei de Coulomb é aquela que diz que a força entre duas cargas é
> F = k Qq /r², né?
> Eu cheguei à conclusão
> C = - K / r²
> à parte do sinal, que é convencional, o resto parece bem.
> É isto?
Bem, aí já não sei o que você fez, pois a lei de Coulomb, expressa em termos
de forças, deveria comportar duas integrações: uma para cada uma das cargas
levadas em consideração. Na primeira integração você deve calcular o campo
elétrico de uma carga esférica assumida como composta por N elétrons
orientados na sua superfície; na segunda, calcular a força que esse campo
causa sobre uma segunda população de n elétrons (a outra carga também
esférica). Certamente você chegará na expressão F = k Nn /r². Mas essa é a
lei de Coulomb expressa em número de elétrons que compõem a carga. Se quiser
substituir N e n por Q e q, tudo bem, matematicamente dá certo, mas
fisicamente, e supondo-se que você tenha efetuado a integração, perceberá
que estará cometendo um erro de lógica. A integração está exposta no item 4
do artigo "A equação do elétron e o eletromagnetismo", do meu site. A
primeira integração está no item 4.2.1 e a segunda no item 4.3.1.
> Não sei muito bem como se escreve a lei de Ampère matematicamente.
Existem várias maneiras de se referir à lei de Ampère, mas estou
considerando aqui um fio retilíneo e, portanto, é a mesma lei como foi
observada experimentalmente e descrita por Ampère, e expressa em termos de
forças.
> > Gosto não se discute. Mas daí a dizer que a MQ tem sido útil para
> > alguma coisa vai uma distância muito grande.
> Não entendo. Então ela não foi útil para saber os valores
> energéticos, os níveis orbitais, e toda essa tralha, dos átomos?
> Acaso a química de hoje não é entendia com base nessa física?
> Se não for assim, fui mais uma vez enganado...
Deixo a resposta para os químicos. A maioria dos que conheci utilizam
algoritmos sem saberem exatamente o que estão fazendo, ao contrário dos
físicos que aparentam saber o que estão fazendo mas não conseguem convencer
ninguém dessa "verdade". Na realidade, o que existem são espectros
explicáveis por essa ou aquela teoria. Se explicar através de gnomos é ser
útil, então não está mais aqui quem falou. Mas que se deixe bem claro,
especialmente para os jovens universitários, que esta é a única virtude
comprovada da MQ. E que se apontem também as suas falhas e que são muitas.
> > > Sim, muito bem. então onde na perspectiva de Newton entra a
> > > velocidade máxima da informação.
> > Não existe uma velocidade máxima no
> > sentido relativístico (de Einstein) que se dá ao termo. (...)
> Tudo isso é muito certo, mas não respondeste à pergunta.
Como não? "Não existe uma velocidade máxima no sentido relativístico (de
Einstein) que se dá ao termo." Em outro sentido, depende do tipo de
informação, da fonte e do observador. Por exemplo, o som propaga-se em nossa
atmosfera em 340 m/s. Para quem estiver em repouso na Terra, essa é a
velocidade máxima do som no local especificado (aliás, localmente falando é
a única e, portanto, é meio sem sentido falar-se em máxima). Não obstante,
para um observador em movimento esse valor pode ser bem diferente, e não há
como calcular um máximo. O mesmo se diga para a luz, para as informações
transmitidas pelos campos, etc. Jamais, seguindo-se a física newtoniana,
alguém estará autorizado a dizer que essa informação dá-se instantaneamente
(no tempo zero); a menos que se consiga viajar a uma velocidade infinita
em direção à informação, mas isso é utopia.
Por outro lado, se você me perguntar qual é a velocidade com que uma
partícula, presente num meio que transporta o som, emite a informação que
fará a sua vizinha mais próxima entrar em vibração, aí sim diria que será
algo da ordem de c. Seria esta o que chamas velocidade de informação? Se for
diria que esta é a velocidade do que Newton chamou por "espírito da matéria"
e que nada mais é senão aquilo que gera os campos de força ou campos de
comunicação (transporte de momento). E quero crer que este "espírito da
matéria" possua uma velocidade a submeter-se à relatividade galileana e,
portanto, sem velocidade máxima absoluta (independente do referencial). Foi
isso que pretendi dizer com "Não existe uma velocidade máxima no sentido
relativístico (de Einstein) que se dá ao termo."
> > No caso da vara eu não tenho a menor idéia, pois o problema existe
> > na tua cabeça, não na minha, e não tenho os detalhes do que você está
> > realmente imaginando.
> Bom, uma vara não é assim tão difícil de imaginar...
e ela
> rodando inclinada de um ângulo em torno de um eixo, tb não.
> Não ha mais detalhes.
Sim, mas você está imaginando a existência de uma vara inacessível a
qualquer observação que não seja a da sua sombra. Você está me "proibindo"
de examinar a vara por outras experiências que não aquela que apenas mostra
a sua sombra. Não é a natureza que está me impondo limites, logo o problema
não é físico e sim matemático. Fosse este um problema físico, eu poderia,
por exemplo, e mesmo sem enxergar a vara, utilizar um sonar e concluir que
posso visualizar algo mais do que a sombra (um morcego pressentiria a
existência da vara desta maneira).
No caso do átomo também. Numa experiência eles mostram o que estaria a
justificar a idéia de vibrações (espectro da luz emitida) e, talvez, o
análogo à sombra; em outra experiência mostram algo mais e a justificar que
o átomo tem um núcleo e uma eletrosfera (experiência de Rutherford). A
partir daí poder-se-ia construir um modelo a se utilizar também das
experiências do eletromagnetismo macroscópico e a justificarem a
estabilidade dos elétrons na eletrosfera através de órbitas. Mas existe
ainda uma outra experiência a mostrar que se todas as anteriores forem
verdadeiras (ou seja, se o elétron for realmente uma carga elétrica), o
elétron deveria irradiar energia, o que comprova-se experimentalmente não
ocorrer. Que fazer então? Continuar com a idéia de vibrações? Aceitar as
órbitas permitidas? Transformar as órbitas permitidas em equações a
retratarem algo que ninguém sabe o que é? Procurar novas explicações a não
se apoiarem na idéia de elétron-carga?
Ora, o que tudo isso tem a ver com a vara que roda em torno de um eixo?!!!
Isso pode ser um belo exercício matemático, mas não tem nada de física
experimental aí.
> Apenas aquele de que, apenas podes observar a sua projecção vertical.
> Tipo, sombra chinesa...
Isso porque você quer que seja assim, mas a física não se constrói a nosso
bel-prazer. Sim, a sombra vertical retrata meia-verdade sobre o movimento da
vara e se você me proíbe de pesquisar, através de uma experimentação mais
sofisticada, o movimento como um todo, então eu diria "cessa tudo o que a
antiga musa canta que um valor mais alto se alevanta". Vamos então criar uma
"física moderna" para explicar a matemática de uma vara que não existe.
> E a pergunta é: que dizer das projecções horizontais?
As projeções horizontais retratam a outra meia-verdade sobre o movimento da
vara. Aquela meia-verdade que me proibes de pesquisar.
> Esta é sim, uma indeterminação, i.e. não se pode determinar,
> calcular, saber.
Eu sabia que íamos chegar no Heisenberg
> Contudo todos sabemos que aquelas sombras existem.
> Donde não ha real indeterminação, mas incerteza. O método de medida
> não é bom para isso.
Eu ainda acho que existe uma meia-cegueira ou meia-proibição. Você está me
proibindo de olhar o movimento da vara e apresentando-me apenas a sua
sombra. No caso do átomo a natureza tem se mostrado mais generosa. O
motivo da incerteza de Heisenberg, a meu ver é outro e não está relacionado
a proibições naturais mas a supostas interações entre o aparelho de medida e
o objeto de estudo. Ou seja, Heisenberg assumiu que a posição de uma
partícula somente podia ser determinada através de um choque dessa com
outra, seguido da observação de propriedades da segunda partícula.
[ ]'s
Alberto