From: Alberto Mesquita Filho Newsgroups: pt.ciencia.geral Subject: Re: Velocidade da luz... Date: 28 Sep 2000 08:05:58 +0100 "SMMT" escreveu > > > Einstein dizia que era impossível a um corpo acelerar até à > > > velocidade da luz. > > Eu diria que a coisa é um pouquinho mais complicada. Segundo os > > postulados de Einstein, e em relação ao que poderíamos chamar, > > talvez impropriadamente, "referencial da luz", seria impossível > > qualquer corpo simplesmente acelerar, pois este "referencial" (ou a > > luz, como queira) permaneceria, em relação ao objeto considerado, > > sempre a uma "velocidade" constante e igual a c. > Das duas uma, ou não precebeste o postulado de Eisntein , ou estás a > extrapolá-lo demasiado. Porque em demasia? Ou o postulado é verdadeiro ou é falso. E se for verdadeiro deve arcar com todas as conseqüências. E estou lidando com uma conseqüência fundamental e tão fundamental que, parafraseando Newton, diria "que acredito que homem algum que tenha em questões filosóficas competente faculdade de pensar" deveria colocá-lo debaixo do tapete. > O postulado de Eisntein é :" A velocidade da luz , no vacuo , é > constante em todos os referenciais" ou seja, "não se pode acelerar > a luz , no vácuo para além de c" Pois a premissa (A velocidade da luz, no vácuo, é constante em todos os referenciais) tem implicações muito maiores do que a simples conclusão (não se pode acelerar a luz, no vácuo, para além de c). > Isto não tem nada a ver com o problema do oz , que era uma > particula , que não o fotão, acelerar até a sua velocidade ser igual > à da luz no vacuo. Pois eu estava apenas chamando a atenção para o fato de que as dúvidas do oz tinham razões de natureza epistemológicas que iam muito além do que ele estava imaginando. > Sabemos que a velcodiade de um corpo é dada por dE / dp Equações são equações, nada mais que equações, ainda que bastante úteis. A esse respeito, cheguei a comentar sobre os "construtos de alto nível" da seguinte maneira: "Construtos de alto nível: São artefatos ou algoritmos, via de regra matemáticos e/ou lógicos, destinados a representar uma realidade experimental. São extremamente úteis no sentido de propiciarem a síntese de uma certa área do conhecimento em poucas palavras ou em expressões matemáticas. Exemplos: força, energia, entropia, campo elétrico, campo magnético etc. Com freqüência costuma-se dizer que toda a teoria eletromagnética de Maxwell está contida em 4 equações de campo, o que não deixa de ser uma verdade, obviamente para quem conhece não apenas o significado das equações mas também a sua operacionalidade. Ainda que se possa expressar uma hipótese científica através de construtos de alto nível, o processo em si nada mais é do que uma tática operacional destinada a economizar palavras e a facilitar a memorização de conceitos pelo especialista da área." (vide "Física e Teorização em www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/Materia/cap01.htm) > No caso da luz , E = pc ( ou vamos duvidar do trabalho do senhor > Plank e companhia ?) Como cheguei a ler em outra mensagem que enviastes para esta thread: "uma coisa só é impossível, até que alguém duvide e acabe provando o contrário". Porque utilizar agora o critério da autoridade? Aliás, e a bem da verdade, a constância de c não foi atribuída por Einstein como algo a justificar os trabalhos de Planck e sim a justificar aspectos fundamentais relacionados à teoria eletromagnética de Maxwell-Lorentz e o porquê havia uma certa incompatibilidade entre os referenciais mecânicos e aqueles previstos pela teoria eletromagnética. As hipóteses de Planck encaixaram-se como complementares, sem interferir com os postulados da relatividade. > > Não obstante, em relação a outros referenciais comuns o corpo > > seria acelerado. Em relação a estes outros referenciais é que o > > corpo seria incapaz de ultrapassar a velocidade da luz (ainda > > que em teoria pudesse atingí-la). Não há como entender o processo. > Isso é pq esse processo não existe :-) > Como é que se acelera uma particula ? > Aplica-se-lhe uma força , certo ? > certo. > então f = dp / dt > E = pc ; p = E / c > f = (1/c )* d E / dt A matemática aceita tudo mas creio que você não entendeu meus argumentos iniciais. A teoria de Einstein é "relativa" apenas em seu título, pois admite um "referencial" absoluto, intocável e inatingível. A esse respeito Garbedian afirmou: "Sua Majestade a Luz é, por ela mesma, uma lei, uma constante universal que sem cessar singra o espaço a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, velocidade à qual nenhuma força conhecida pelo homem pode fazer a mínima oposição" (em Einstein, o Criador de Universos, tradução, Liv.José Olympio Ed., Rio de Janeiro, 1942, p.77). Força alguma conseguirá imprimir aceleração alguma capaz de nos aproximar deste "referencial". Um corpo, sujeito a qualquer força, por maior que seja, estará sempre com uma aceleração zero em relação a este hipotético e absurdo observador fixo a um fóton e/ou a surfar sobre uma "onda eletromagnética". Não há como aplicar equações nestas condições. Onde a matemática termina começa a filosofia natural, algo que Einstein, Maxwell, Heisenberg e tantos outros conheciam muito bem mas que os físicos dos dias atuais deixaram de lado. > Eu gosto da logica da natureza,sempre que é logicamente explicada :-) Parabéns :-) > A ciência em geral vai contra o senso comum :-) > Esta "contrariedade" não existe , depende do conehcimento adquirido > pela pessoa. Por trás do argumento que adotas está implícito o critério da autoridade. "Conhecer", sob esse ponto de vista, seria submeter-se à autoridade do especialista? Por outro lado, e com relação ao senso comum costumo dizer: Nem tudo o que é óbvio é certo mas tudo o que é certo tem seu lado óbvio. Ainda não vi obviedade nenhuma na física moderna, apenas resultados que contemplam previsões estabelecidas através do emprego sofisticado de determinadas equações. E, como disse Schrodinger: "Esperamos que a vacilação de conceitos e opiniões signifique apenas um intenso processo de transformação, que conduzirá finalmente a algo melhor do que as confusas séries de fórmulas que cercam o nosso tema" (em Problemas de Física Moderna, tradução, Ed. Perspectiva, São Paulo, 1969, p.46). > Um aluno de fisica do primeiro ano da faculdade não pode > dizer "desculpe professor mas isso é uma treta pq vai contra o senso > comum" quando lhe são msotradas as provas experiemntais Experiências exigem uma interpretação que via de regra seguem os paradigmas da moda. Modifique os paradigmas e não será impossível a experiência mostrar-lhe exatamente o oposto. Por outro lado, paradigmas são quase dogmas aceitos por consenso e às vezes até mesmo por conveniências político acadêmicas. Para entender como paradigma e dogma são equivalentes leia "A função do dogma na investigação científica" de Thomas Khun em em "A Crítica da Ciência" (organizador: Jorge Dias de Deus), texto n.º 2, Zahar Editores, Rio, 1974, pp. 53-80.]. Neste artigo, de forma descarada e despudorada, Khun defende o seguinte argumento: "A minha posição ficará ainda mais clara se eu agora perguntar o que é que fica para a comunidade científica fazer quando existe um paradigma. A resposta - tendo em vista a resistência a inovações que existe e que é escondida freqüentemente debaixo do tapete - é que, dado um paradigma, os cientistas esforçam-se, usando todas as suas capacidades e todos os seus conhecimentos para o pôr cada vez mais de acordo com a natureza." Em síntese: "Os alunos de fisica do primeiro ano da faculdade" estão simplesmente sendo preparados para a lavagem cerebral que lhes será imposta nos anos seguintes. E ninguém está realmente preocupado com a experimentação que tanto defendes sem entendê-la devidamente, posto que fostes treinado para colocar as dúvidas "debaixo do tapete". > Contra factos não ha argumentos , e muito menos , senso comum :-) Contra a autoridade acadêmica não há o que fazer a não ser pregar a revolução permanente proposta por Popper em seus trabalhos. > (o senso comum explica pq a agua roda para um lado no hemsifério sul e > para outro no norte ? ) Não confunda senso comum do leigo com senso comum do especialista. O especialista sabe perfeitamente que o fenômeno citado não vai contra o seu (dele) senso comum e isso não tem nada a ver com a física moderna que vai contra o senso comum até mesmo dos que a defendem (a esse respeito procure ler os magníficos trabalhos de Bohr, um utilitarista confesso). Como disse acima, nem tudo o que é óbvio é certo mas tudo o que é certo tem pelo menos um lado óbvio. > Referencial da Luz, não é um termo improprio. Não só é impróprio como absurdo, relativisticamente falando. Estude um pouquinho de história da teoria da relatividade e perceba que aos 15 anos de idade Einstein chegou a essa conclusão e, a partir deste insight, publicou, 10 anos mais tarde, a sua teoria a retratar esse absurdo em seus postulados. Deixe as equações de lado e procure entender o real significado dos postulados. > já que em Relatividade não ha Absolutos Certamente não a entendestes, ainda que consigas manipular suas equações. Aliás, o termo relatividade era mal visto por Einstein que apenas o utilizava para "seguir a onda" ou a moda. Para Einstein sua teoria seria melhor definida como teoria dos invariantes. > a velocidade sempre foi , sempre ha de ser , medida em relação ao > observador E é por isso que digo que segundo a relatividade o referencial da luz é um termo impróprio pois a teoria "proibe" que um observador acompanhe um fóton, logo não há como se colocar um referencial lado a lado com um fóton. > A relatividade não é um "non-sense" , isso é masi piadas inglesas , e > o Eisntein não era inglês. Desconheço a piada inglesa (se é que inglês sabe fazer piadas) mas digo que a relatividade vai contra o senso comum e isto é profusamente repetido em inúmeros livros de especialistas no assunto (por exemplo, o de French do MIT). E não se trata do senso comum do leigo, como ingenuamente chega a ser interpretado por alguns. > O Eisntein não era genial , a maioria das pessoas é que teima em não > entender o que ele disse :-) Com efeito, não era um gênio. Era simplesmente um homem comum que aprendeu a "contestar as evidências", coisa que as escolas insistem em proibir, apoiando-se atualmente na pseudo-filosofia de Thomas Khun a propugnar pela dogmatização da ciência. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm Sent via Deja.com http://www.deja.com/ Before you buy.