From: "JM Albuquerque" Newsgroups: pt.ciencia.geral Subject: Re: Velocidade da luz... Date: 3 Oct 2000 01:01:22 +0100 "SMMT" wrote: > > Ver em camera lenta não é o mesmo que a luz ser lenta. > Ver em camera rápida não é o mesmo que a luz ser rápida. Não sei se estás a pensar numa câmara de filmar ou se estás a pensar na verdadeira "realidade". A "realidade" não é uma câmara de filmar. Para ser mais preciso, o que eu digo é o seguinte: - Ver a realidade de uma forma lenta é oo mesmo que a luz ser lenta. - Ver a realidade de uma forma rápida é o mesmo que a luz ser rápida > É supondo a iguladade da velocidade da camera à velocidade da luz , que > concluis que a velocidade da luz é mais rápida para o observador em > movimento... > É esta igualdade que eu não vejo muito bem como será justificável. E por > isso ao me parece linear a conclusão. O que eu digo é que os dois observadores não vêem a realidade que se está a passar com a mesma velocidade. Nisto, penso que tu já concordaste. Ou não? Agora a questão é a seguinte: Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? Tu dizes-me que foi o tempo. Certo? Vou demonstrar aqui que o tempo também não pode ser, pois se fosse havia uma nova contradição. > > No final, vamos concluir que cada observador vai ver essas imagens com > > intervalos de tempo diferente. > > Um vê o filme mais depressa e o outro vê mais devagar. > > Repara no que escreveste : > "Cada observador irá ver essas imagens com intervalo de tempo diferente" > (1) Aqui estou a referir-me ao "frame rate", não à "realidade". > Esta é a conclusão , que tu proprio fazes , que Eisntein tb fez , que o > levou a considerar que o intervalo de tempo não é uma constante , mas > depende da velocidade do referencial ... ou seja, o tempo não é absoluto. > E isto é a base para Tempo Proprio , T; tempo observado pelo observador , > Tempo relativo , t , tempo observado por outro observador noutro referencial > , dilatação do tempo : conclusão devida a t > T pq segundo a metemática > relativista t = gamma T . > O gamma é um factor encontrado depois . Mas o mecanismo leva-nos a concluir > que t e T são diferentes. > Ou seja, os intervalos de tempo para o observador na terra são diferentes > dos do observador em movimento.(digamos que está numa nave , não me lembro > se referias onde ele estava ) Então, estás a dizer que o tempo para o observador em movimento passa mais devagar, de forma a que os dois observadores vejam a realidade da mesma forma (com a mesma cadência). Não pode ser. Aqui passa a haver um outro problema. Porque é que se eu for a conduzir a 300 km/h vejo a "realidade" mais depressa do que se for a conduzir dentro dos limites de velocidade permitidos? Porque é que o tempo não variou aqui? > Das duas uma , ou a velocidade é constante , ou não é :-) A propagação da velocidade da luz é constante no meio em que ela se desloca, mas a velocidade da luz que cada um dos observadores mede é diferente. Ou seja, a velocidade com que cada um dos observadores vê a realidade é diferente. Para mim isto está demonstrado no enunciado do problema. Para mim é absolutamente claro que, se a velocidade com que cada um dos observadores vê a realidade é diferente, então a velocidade da luz que é medida por cada um dos observadores tem se ser diferente. Então o segundo postulado da TR está errado. Tu dizes que não. O que varia é o tempo. Vou tentar demonstrar que o tempo não varia. > Se não é , e depende da velocidade , então c tem de ser função de v > > c=f(v) > > O que acho que te referes é à velocidade da luz observada no referencial > em movimento c' > No referencial Terra , a velcodiade da luz é c , mas no referencial em > movimento é c'. > Tu dizes que c' é diferente de c. > certo ? Certo. É isso que eu digo. > > O que está em questão é a velocidade medida por cada observador, que a > > TR diz ser sempre igual, independentemente da velocidade do observador. > > Essa é que é a grande questão. > > Vejamos... > Na Terra > > Seja L a distância entre a terra e o centro da galáxia > > a luz demora T tempo a viajar de lá até cá. > a velocidade é portanto c = L / T > > Na Nave > > A luz demora t tempo a atingir a nave > Mas a distância percorrida não é L , é L-vt > portanto a velocidade da luz é Não podes fazer estas contas porque o observador em movimento não tem maneira de medir distâncias. Isto é fisicamente incorrecto. A prova disso é o teu resultado final. > c' = (L - vt) / t) = L/ t - v > > Acho que concordarás. Não concordo. > Acho que concordarás tb que é por esta razão que dizes que c' é > diferente de c. Não é por esta razão. Não quero meter matemática no assunto. Não posso tirar conclusões com base em resultados matemáticos se não estiver perfeitamente claro o significado Físico de cada termo. > Mas é que t não é igual a T .. tu mesmo concluiste isso.. donde t / T não > é 1 > > e portanto > > c' = c T / t - v > > Do enuciado v = k c , k = 0,5 > Mas das conclusões do teu raciocinio a taxa de imagens , o "frame rate" , > é tb 0.5 , 50% > donde > > c ' = c 0.5 - 0.5 c = 0 > A velocidade da luz para o observador em movimento é nula ... estranho... > não ? É mais do que estranho. Na minha opinião está errado. Para o observador aqui em causa, a viajar a 0,5c, ele mede que a velocidade da luz é 1,5c. O resultado está no enunciado original da seguinte forma: Em 6 anos, o observador na Terra viu 6 "frames" e o observador a viajar à velocidade de 0,5c viu 9 "frames". Portanto, o resultado correcto é 9/6c=1,5c. O observador na Terra mede "c", como é óbvio. > É que dizes que " Cada observador irá ver essas imagens com intervalo de > tempo diferente" (1) > e depois falas da diferença da velocidade da luz... > Das duas uma , ou é o tempo ou é a velocidade , que é diferente.... Exactamente, das duas uma, ou é a velocidade da luz medida pelo observador que varia (não é a velocidade no espaço), ou é o tempo para o observador que varia. A TR diz que o tempo varia para o observador em movimento e diz que a velocidade da luz medida por esse observador é c. Eu digo que para o observador em movimento a velocidade varia e o tempo não varia. No fundo, é isto que o exercício que apresentei demonstra. > Eisntein manteve a cosntancia e alterou o tempo de absoluto para > relativo. (corte) > O meu problema é que não identifico a velocidade da camara com a > velocidade da luz , mas sim com a "velocidade temporal". ( 1 s/s ) ... > talvez por isso não tenha percebido a historia do "integral do frame rate" > E por isso a tua conclusão não me parece evidente , nem linear. > Como é que justificas que a "velocidade da camara" mede a velocidade > relativa da luz ? Muito bem. Vou por fim discutir a questão do tempo. Tu dizes (e o Einstein também) que o tempo para o observador em movimento passa mais devagar, de forma a que os dois observadores vejam a realidade da mesma forma (com a mesma cadência = mesma velocidade da luz medida). No fundo, tu estás a dizer que o observador em alta velocidade é mais novo, ou envelhece mais lentamente do que o observador que está parado na Terra. Isto é o "paradoxo dos irmãos gémeos". (Desabafo: Com a TR não conseguimos sair dos paradoxos. Como é que eu vou dar a volta a isto?) Para mim a questão é muito clara. Eu coloquei um problema real na nossa Galáxia (Via Láctea). Temos a Terra a uma distância fixa do centro da galáxia. Há um observador na Terra e outro que se desloca da Terra em direcção ao centro da Galáxia. Ambos estão a observar "explosões" que estão a acontecer no centro da galáxia. (Os observadores vêm os acontecimentos em momentos diferentes. Isto não está aqui em questão). Acrescento ainda que todo este cenário está a ser observado por um terceiro observador situado na galáxia Andromeda, através de um telescópio. Em 6 anos de tempo absoluto para o observador em Andromeda, o observador na Terra viu 6 "frames" do acontecimento e o observador viajando a 0,5c viu 9 "frames" do mesmo acontecimento. Portanto, para o observador que viaja a v = 0,5c o "frame rate" do filme é 50% superior ao do outro observador na Terra. Ou seja, "frame rate" = 1,5. Há duas hipóteses: 1 - A análise ponto-por-ponto que eu fiz e que demonstra que os dois observadores não vêm a "realidade" no centro da galáxia com a mesma cadência de acontecimentos. O observador em movimento vê a "realidade" de uma forma acelerada, logo a velocidade da luz por ele medida é maior que "c", é "c+v", ou seja, "c+0,5c=1,5c". 2 - A hipótese da TR diz que ambos os observadores vêm a realidade com a mesma cadência (nem mais rápido, nem mais lento) com a mesma velocidade "c". No entanto, para que isso aconteça o tempo para o observador em movimento passa mais lento, sendo t' = t (1-v^2/c^2)^1/2 = 0,866 t. Isto é a chamada "dilatação no tempo" da TR. 1.ª QUESTÃO: Para que ambos os observadores vejam os acontecimentos com a mesma sequência (mesmo "frame rate" da máquina de filmar), qual é a relação que o tempo deve ter para o observador que viaja a v=0,5c? Terá de ser t' = 1/1,5 t = 0,6666 t Ou seja, para que o "frame rate" seja igual para ambos a relação entre os tempos teria de ser t' = 0,666 t Conclusão: Empiricamente t' = 0,666 t Relativisticamente: t' = 0,866 t Portanto, a "dilatação no tempo" relativistica não é suficiente para explicar que os dois observadores vejam os acontecimentos com a mesma cadência. Ainda assim o observador a v = 0,5c vai relativisticamente ver os acontecimentos de uma forma acelerada. Portanto, o observador em movimento continua a medir uma velocidade da luz superior. Certo? 2.ª QUESTÃO Qual é o truque mágico que existe dentro da nossa Galáxia que faz com que o os dois observadores vejam os acontecimentos com a mesma cadência de forma a que possam medir a mesma velocidade da luz? Enfim, isto é tudo uma grande confusão para a minha cabeça. Por isto tudo é que eu digo que não há lógica nenhuma na Teoria da Relatividade. Cumprimentos, JM Albuquerque