Subject: Re: Velocidade da luz... Newsgroups: pt.ciencia.geral From: "JM Albuquerque" Date: Fri, 06 Oct 2000 11:39:26 GMT "SMMT" wrote: > > > Agora a questão é a seguinte: > > Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? > > > > Tu dizes-me que foi o tempo. Certo? > > sim. Mas eu demonstrei que a variação no tempo não era suficiente para explicar a variação da cadência com que os observadores viam a realidade. Por isso a questão mantem-se. Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? > A proposição " A velocidade com que cada um dos observadores observa a > realidade é diferente" é perfeitamente aceite por mim. > O que eu não entendo é pq assumes que "velocidade da 'realidade' = > velocidade da luz " > > > Para mim é absolutamente claro que, se a velocidade com que cada um dos > > observadores vê a realidade é diferente, > > Até aqui tb é claro para mim. > > > então a velocidade da luz que é > > medida por cada um dos observadores tem se ser diferente. > > é este "então" que eu não compreendo. E ainda não me disses-te pq , na tua > ideia, isto tem de ser assim. Porque é a única explicação possível. Ainda estou à espera de uma explicação alternativa. Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? Já vimos que o tempo não é uma explicação suficiente. > > O resultado está no enunciado original da seguinte forma: > > Em 6 anos, o observador na Terra viu 6 "frames" e o observador a viajar > > à velocidade de 0,5c viu 9 "frames". > > Portanto, o resultado correcto é 9/6c=1,5c. > > hum... > o observador move-se no sentido , digamos Terra-Galáxia , e a luz no > sentido oposto. > > ||Terra ||-> v=0.5c c<-|| > > Classicamente V (A,B) = V(A,C) + V(C,B) sendo V(x,y)= - V(y,x) > Portanto , V(observador , luz ) = V ( observador , Terra ) + V ( Terra , > luz ) = V ( observador , Terra ) - V (luz, Terra ) > > Ou seja , V(observador , luz ) = 0.5 c - c = - 0.5 c > Ou seja, ele vê a luz aproximar-se ( significado físico do sinal menos ) a > uma velocidade 0.5 c > (ele vê a luz mais lenta , mas as imagens a passar mais depressa , repara > que isso é verdade se o intervalo de tempo aumentar) Bom, acabas-te de provar porque a matemática é perigosa. É preciso primeiro entender Fisicamente e só depois fazer contas. Temos de criticar o resultado de forma a evitar os enganos. Pensa no seguinte: Vão dois carros em sentido contrário. Um deles a 100 km/h e outro a 50 km/h. Os carros chocam de frente: Qual é a velocidade a que colidiram? É evidente que os carros colidiram a 150 km/h. Mas pelas tuas contas eles colidem a 50 km/h. Por absurdo, se ambos os carros fossem a 100 km/h chocavam de frente e tu ias dizer-me que a velocidade da colisão era zero. Bolas. No caso do problema da luz é exactamente a mesma coisa. Temos "c + v" e não "c - v". > Relativisticamente > > V (A,B) = [ V(A,C) + V(C,B) ] / ( 1 + V(C,B)*V(A,C) / c^2 ) > > fazendo a mesma resolução que antes e sabendo que V(x,y)= - V(y,x) então > > V( observador , luz ) = ( 0.5 c - c ) / (1 - 0.5) = c (0.5- 1 ) / (1-0.5) > = - c ( 1-0.5) / (1-0.5) = - c > > O observador vê a luz dirigir-se para ele ( significado físico do sinal > negativo ) a uma velocidade c > ( e com a dilatação simultânea do espaço e do tempo , c permanece > constante. A diferença está em que, classicamente, o espaço permanece > constante ) > Isto tudo para dizer ,que nem clássica , nem relativististicamente se > obtém 1.5c Medir uma velocidade negativa significa ver a luz a deslocar-se em sentido contrário o que obviamente não faz sentido. Não há buracos negros neste problema. > > Exactamente, das duas uma, ou é a velocidade da luz medida pelo observador > > que varia (não é a velocidade no espaço), ou é o tempo para o observador > > que varia. > > > > A TR diz que o tempo varia para o observador em movimento e diz que a > > velocidade da luz medida por esse observador é c. > > sim. > > > Eu digo que para o observador em movimento a velocidade varia e o tempo > > não varia. No fundo, é isto que o exercício que apresentei demonstra. > > Mas o que apresentas-te e que escreves-te mostra que concluis TAMBÉM que o > tempo varia. Eu não disse que o tempo varia. O que eu disse que varia é o intervalo de tempo. É muito diferente uma coisa da outra > Aliás é isso que concluis em primeiro lugar. E usas isso para dizer que a > velocidade da luz varia , fazendo "diferente cadência temporal" = > diferente velocidade da luz. > > > > Muito bem. Vou por fim discutir a questão do tempo. > > > > Tu dizes (e o Einstein também) que o tempo para o observador em > > movimento passa mais devagar, de forma a que os dois observadores > > vejam a realidade da mesma forma (com a mesma cadência = mesma > > velocidade da luz medida). > > Não. > É aqui que está o bug. > A cadência é DIFERENTE , isso significa que a realidade é vista de forma > diferente. > cadência destingue-se de velocidade , porque cadência não tem unidades > físicas. > > 1 s/ s é cadência , 1 m / s é velocidade , 1 frame por segundo é > velocidade > Um cadência não pode ser igual a uma velocidade. Cadência = imagem na unidade de tempo A imagem é um pacote de luz a deslocar-se no espaço Logo, para mim cadência é sinónimo de velocidade da luz. A questão é a seguinte: Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? > A realidade é vista pelos observadores a ritmos diferentes , cadências > diferentes > No exemplo do vídeo, se eu o coloco em FFw a cadencia temporal altera-se e > eu vejo o filme acontecer num intervalo menor. Vejo o filme em menos tempo > pq acelerei (mudei ) a sua cadência temporal. > > Isto em nada se relaciona com a velocidade da luz. > Eu pelo menos não vejo como. > > Portanto , Ninguém disse que os intervalos de tempo são diferentes pq a > realidade tem de ser vista de forma diferente. Nop. O que se evidencia , > por experiências conceptuais como a tua ou a do relógio na torre de > Eisntein , é que a cadência temporal é diferente para objectos a diferentes > velocidades. > > E , mas importante. Nunca ninguém disse que "com a mesma cadência = mesma > velocidade da luz medida". > > cadência é : Tempo / Tempo. Não. Cadência = imagem na unidade de tempo A imagem é um pacote de luz a deslocar-se no espaço na unidade de tempo. > Eisntein postulou que "Todos os relógios se comportam da mesma forma , > inclusive os biológicos" > Eu não estou de acordo com o "inclusive os biológicos" > Biologia ainda não é Física. ou virce -versa > A Física não tem a variável "Vida" > > Isto pertence ao mundo a ficção cientifica. Bom , então a Física moderna é ficção científica porque eles acreditam realmente que o tempo biológico é alterado pela velocidade. > A "realidade" teve 13 frames > A terra observou 6 /13 e a nave 9 / 13 Em 6 anos a realidade teve 6 frames por definição da velocidade da luz constante "c", que foi no nosso caso "uma frame por ano". Lembras-te? > > Há duas hipóteses: > > > > 1 - A análise ponto-por-ponto que eu fiz e que demonstra que os dois > > observadores não vêm a "realidade" no centro da galáxia com a mesma > > cadência de acontecimentos. O observador em movimento vê a "realidade" > > de uma forma acelerada, logo a velocidade da luz por ele medida é maior > > que "c", é "c+v", ou seja, "c+0,5c=1,5c". > > não sei pq somas as velocidades , se elas se dão em sentidos contrários. Pelo mesmo motivo do problema dos carros. É apenas uma questão de interpretar correctamente a Física. > > 2 - A hipótese da TR diz que ambos os observadores vêm a realidade com a > > mesma cadência (nem mais rápido, nem mais lento) com a mesma velocidade > > "c". > > Nop. > Ela diz que vêm mais lento ou mais rápido consoante a velocidade que têm é > isso que significa a formula que escreves abaixo. > E c é invariante > > > No entanto, para que isso aconteça o tempo para o observador em movimento > > passa mais lento, sendo t' = t (1-v^2/c^2)^1/2 = 0,866 t. > > Isto é a chamada "dilatação no tempo" da TR. > > Bom , assim seria contracção do tempo. :-))) É dilatação no tempo que se chama, porque o tempo passa mais devagar, logo fica dilatado. > > Ainda assim o observador a v = 0,5c vai relativisticamente ver > > os acontecimentos de uma forma acelerada. > > Não é "ainda assim" é "de facto ele vê" > > > Portanto, o observador em movimento continua a medir uma velocidade da > > luz superior. Certo? > > humm?! ... não . Qualquer observador , em qq referencial , mede o mesmo > valor de c. Porque c é invariante. > Isto é mais "forte" que ser constante A velocidade da luz é invariante em relação ao meio em que se desloca. No entanto, um observador que se desloca nesse meio passa a ter uma velocidade em relação ao meio. No entanto, a TR diz que as velocidades não se somam e que o observador que se desloca no meio em que a luz se desloca continua a medir a velocidade da luz constante. Isso é FALSO e é aqui que eu quero provar. > > 2.ª QUESTÃO > > Qual é o truque mágico que existe dentro da nossa Galáxia que faz com > > que o os dois observadores vejam os acontecimentos com a mesma cadência > > de forma a que possam medir a mesma velocidade da luz? > > Acho que o teu "problema" é igualares "cadência temporal"="velocidade da > luz" > E ainda não percebi , em que te baseias para afirmar isso. .. será um > postulado ? :-)) Porque é a única explicação possível. Ainda estou à espera de uma explicação alternativa. Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? Já vimos que o tempo não é uma explicação suficiente. Cumprimentos, JM Albuquerque