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Mensagem 158
30/05/2002
Olá Lígia
e olá demais Livre-Pensadores
Permitam-me
nadar sobre as águas desse oceano ainda que, como diria o Michael (msg
154, apud autor desconhecido), sob o risco de ser afogado.
Vou iniciar pelo final da msg
149 e perdoem-me os demais pelo comprimento da mensagem, mas o tema é
muito interessante. Você conclui a msg 149 com o seguinte
questionamento: Como se dá o materialismo e como alguém consegue
ser espiritualista mesmo vivendo num mundo de aparência
material...?
Começarei
dizendo que a vida colocou-me desde cedo frente a um dilema: Ou eu adotava o
materialismo como um ideal de vida, ou poderia deixar de lado todas as minhas pretensões de
transformar-me um dia em um cientista de
fato. Isso é simples de explicar e a resposta está implícita em seu questionamento. O cientista é aquele que procura decifrar os segredos
que jazem por trás desse mundo de aparência material, logo não
há como descartar essa realidade aparente. Costumo dizer que esta
realidade aparente manifesta-se através da regra da repetitividade (vide
Teoria Sobre o Método Científico)
e Popper, por razões equivalentes, considera esta realidade como aquela a sujeitar-se
à falseabilidade experimental.
Seria isso equivalente a desprezarmos o espiritualismo? Seria o
materialista um ser a abominar o espiritualismo? Quero crer que não. Para o cientista
e, em particular, para aquele que está estudando dados exclusivos a
justificarem esta realidade aparente ¾pois existem também aqueles que se
preocupam com as inter-relações mundo material - mundo espiritual¾, o espiritualismo
não é negado, simplesmente é deixado momentaneamente de lado. Só não
enxerga esta verdade aquele que dificilmente consegue agregar algo de útil à ciência:
os papagaios-cultos, ou os falsos céticos, ou os "céticos de
carteirinha", ou os filósofos da mediocridade e/ou do que tenho chamado por
"Inquisição dos Tempos Modernos"... Enfim, todos aqueles que leram Hume e não
o entenderam, que leram Sagan e não o entenderam... Pois o cientista é
um ser que "duvida para acreditar" e estes fanáticos do ceticismo são indivíduos
que duvidam com finalidades outras. Quem sabe para se promoverem e desta
forma garantirem suas bolsas em pesquisas que não levarão a nada, a não
ser preencher o espaço de revistas até mesmo sérias mas que, por motivos
políticos (diplomacia científica), aceitam algo em torno de 10 a 50%
de artigos de baixa qualidade (a porcentagem varia de revista para revista)
desde que se tratem de artigos não comprometedores. Não por outro
motivo Thomas Shott (1993) assim se referiu a nossa triste realidade: Nenhum
cientista brasileiro figura entre os cerca de três mil mencionados como
'principais contribuidores' ou "significativamente influentes"
em um
survey de cientistas realizado fora do país.
Se existe um fanatismo
associado ao ceticismo, existe também o seu oposto:
aqueles que querem acreditar que tudo é ciência. Em meio a estes existem até
mesmo aqueles que costumo chamar por religiosos de pouca fé. E
porque seriam de pouca fé? Porque a verdadeira fé não necessita da ciência. A
ciência
é muito frágil e não nos garante nada a não ser a satisfação pessoal por
termos aberto uma porta de um mundo novo e a ser explorado ou, então, a de
fecharmos uma porta que descobrimos não dar em lugar algum (um beco sem
saída). Sim, é verdade, a ciência apóia a tecnologia e isso, ao lado
de maravilhar-nos, acaba por nos emburrecer e a nos levar a uma
confiança excessiva na ciência.
Costumo dizer que a fé, tanto a fé religiosa quanto a fé científica
(fé em uma teoria), é uma questão de opção e creio que o primeiro a dizer
algo desse tipo teria sido Pascal (parece-me que alguém já comentou isso
nesta lista). Ora, como posso negar um dado opcional senão através de outra
opção que faço? A única diferença entre fé religiosa e fé científica, a
esse respeito, é que a segunda sujeita-se à experimentação e, em decorrência,
à falseabilidade. Mas até que seja falseada, qualquer teoria aceita é
aceita pela fé. Dirão que uma teoria científica é aceita pela razão, porém
em suas origens íntimas essa razão esbarra em uma opção por uma ou outra
explicação a justificar um dado observacional. E esta opção, por mais racional
que seja, justifica-se única e exclusivamente pela fé ou pela crença
nesta teoria em detrimento de outra(s).
Ao lado desta fé religiosa, existe ainda a fé no misticismo, e
deixarei o esoterismo de lado, pois essa efetivamente não é a minha praia. O
misticismo também não precisa da ciência para se justificar. Aliás, digo que ciência
nenhuma justifica misticismo algum. Porque então se procura com tanta
ênfase embasar o misticismo na ciência? De três uma: ou são místicos de
pouca fé, para não dizer ignorantes em termos de misticismo, ou são charlatões
a tentarem vender gato por lebre, ou ainda são ignorantes em termos de ciência
e, em virtude disso, valorizam excessivamente a ciência. Com grande freqüência costumam apelar
para o misticismo de Newton (por ex.,
"O espaço é o sensório de Deus), ou de Einstein (Deus não joga dados), ou de Bohr
(taoísmo), como se isso bastasse para cientifizarmos o
misticismo. Ora, o grande cientista, em especial o teorizador, é um ser altamente
intuitivo e por ser intuitivo conserva a seu lado um poderoso ferramental místico.
A ciência, por mais que digam o contrário, começa pela intuição e a
intuição não se encaixa no método científico, pelo menos nesse método científico
dos livros atuais. Mas isso não é o mesmo que dizer que a ciência apóia-se
no misticismo e/ou que apóie o misticismo. Isso significa dizer que o verdadeiro cientista é um homem sem preconceitos e, como tal,
utiliza-se de todo o ferramental que encontra a sua disposição, até mesmo o
misticismo. Mas sempre, sempre, sempre, consegue de alguma forma separar o joio do
trigo. Newton jamais utilizou-se de hipóteses sobrenaturais a
justificar seus argumentos científicos, simplesmente fez comentários paralelos e
interessantíssimos, talvez com finalidade didática, talvez para
demonstrar a seus leitores que um ceticismo exagerado é deletério para a ciência
em sua fase inicial, a fase intuitiva, exatamente aquela que responde pela
evolução das ciências, exatamente aquela lamentavelmente desprezada por Thomas
Khun no que chama de período de ciência normal, se bem que, e
de maneira bastante feliz, tenha sido valorizada por
Popper com seu lema "revolução permanente". Einstein também procurou dar
um valor didático ao seu comentário sobre a aversão divina para atividades lúdicas. E
Bohr meramente apoiou-se na complementaridade yin-yang, algo que na época
estava na moda, como ponto de partida para que chegasse a seu princípio
da complementaridade. De minha parte costumo dizer que...
...em misticismo, como em física, gosto de ser
autodidata. Porém com uma
diferença: não faço nenhum esforço para
compreender coisas místicas. Não
gosto de estudá-las e sim de senti-las. (vide o romance de minha autoria
"Chamberland e o
Paraíso Perdido").
Vou parar por aqui pois estou fugindo muito do que pretendia
inicialmente escrever. Comecei com a idéia de esboçar uma ponte entre o
materialismo e o espiritualismo mas acabei por ficar apenas na introdução. De qualquer
forma, creio que valeu, e deixarei o restante para outra oportunidade.
[ ]´s
Alberto
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O materialismo mecanicista clássico
O materialismo mecanicista de Einstein
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Mensagem 173
30/05/2002
Olá, Júnior,
olá Lígia, olá demais Livres-Pensadores
Júnior, na mensagem
161 escreveu:
Creio que a visao espiritualista do homem nao deve estar condicionada a
preceitos místicos e esotéricos. A verdadeira espirtualidade, é o
conhecimento que temos de nós mesmos, é a nossa essencia do bom viver.
Pois é.
Vou aproveitar o gancho para verificar se consigo agora ir ao cerne da
questão. Direi antes que o misticismo a que me refiro, e que acredito
fazer parte do ferramental utilizado pelos grandes cientistas, se bem
que não seja exatamente isso, pelo menos relaciona-se bastante com o
que você tem chamado por uma verdadeira espiritualidade. Seria
então um misticismo amenizado e a retratar a crença de que o ser
humano, de alguma maneira, sofre e/ou exerce efeitos sobre o restante do
Universo. E, por meios não bem conhecidos, os mais intuitivos
conseguiriam captar o que está no ar. Pode parecer bobagem, pode ser
tolice, pode ser mera imagem de espírito, mas a intuição,
assim como os insights dela decorrentes, quase sempre deixa na
mente daqueles que a sentem, a idéia da captação de algo, a
caracterizar um verdadeiro nirvana. E muito provavelmente está
também relacionada com aquilo que o físico David Bohm teria chamado
por ordem superimplícita, se bem que esta idéia tenha sido
apresentada no contexto do estudo de partículas elementares. Acho mesmo
que essa intuição é inerente a todos os homens, está presente na infância
e acaba sendo bloqueada no aprendizado, não apenas escolar mas, até
mesmo, no aprendizado da primeira infância, com os próprios pais. O
homem nasceu para ser livre, para livre-pensar, e a sociedade teima em
querer colocá-lo nos trilhos. Com isso destruímos o que temos de mais
importante, exatamente aquilo que nos diferencia dos demais animais: o
potencial criativo, crítico, inquisidor, pesquisador... Obviamente
alguns conseguem driblar esse vício escolar e acabam sendo confundidos
com gênios. Há quem diga que Einstein não se conformava com o fato de
considerarem-no um gênio, pois isso, na sua maneira de ver, diminuia
sobremaneira seus méritos. Ao que parece, ele costumava dizer que era o
produto de muito esforço, de muito trabalho, de muita dedicação, ao
passo que um verdadeiro gênio não precisaria de nada disso. E eu
costumo dizer que, acima de tudo, Einstein era o produto da muita fé
que depositava em si mesmo, algo que a escola que freqüentou não
conseguiu destruir.
Como então
controlar essa captação cósmica? [evidentemente não astrológica e
sim física, do tipo da ordem superimplícita de Bohm]. Como vir a ser
realmente intuitivo? Como driblar o aprendizado mediocrizante
imposto pela nossa sociedade? Como andar fora dos trilhos, no bom
sentido do termo? Por um lado, eu já respondi a tudo isso e outros também
já disseram o que pensam a respeito aqui na lista. E a resposta é
simples: Trata-se de uma questão de confiar em si mesmo, de não se
acovardar frente aos desafios e de buscar por saídas novas, por mais
esdrúxulas ou esquisitas que possam parecer de início. E isso seria
uma maneira de avançar em direção ao auto-conhecimento e à essëncia
do bom viver, a que você acertadamente chamou por verdadeira
espiritualidade. Mas existe um outro lado e, como cientista
naturalista, é aquele que mais se identifica com o que tenho procurado:
O que seria essa captação cósmica? E admitindo que exista: Como
reproduzir esse fenômeno, se não no laboratório de física, pelo
menos no laboratório da vida? Como medir ou mesmo estimar, se é que
seria possível, alguma propriedade relacionada a esse fenômeno à
primeira vista abstrato e não-científico, no sentido estrito do termo?
Até que ponto eu estaria permanecendo fiel aos cânones científicos
e/ou até que ponto eu não estaria sendo dominado por aquele filósofo
que transportamos dentro de nós e que, com maior ou menor propriedade,
insiste em nos apontar caminhos que sabemos nos levar a mundos repletos
de perguntas mas praticamente sem resposta alguma?
Segundo o
artigo apresentado pela Lígia, na msg
6, lê-se:
Newberg
defende que a fabulosa REALIDADE SUPERIOR é "Tão real quanto
'qualquer objeto material' (ao apontar para uma mesa...).
E o artigo prossegue sugerindo
provas experimentais sem dúvida interessantes, porém pouco
convencedoras. E porque? Afinal, uma experiência bem feita e reprodutível,
é ou não é algo de natureza inquestionável? Talvez sim, talvez não.
A história das ciências mostra-nos grandes decepções a respeito e a
confirmarem a idéia de que a experiência é essencial mas não é
tudo. Do contrário a idéia de átomo não seria atribuída ao químico
Dalton e sim aos físicos Boyle, Bernouilli e Herapath. Falta aí alguma
coisa e, como teorizador que sou, diria que falta o embasamento teórico
a incorporar essas experiências. E mesmo que exista esse embasamento teórico,
talvez falte tempo de latência e/ou disposiçção para que os
cientistas valorizem a idéia apresentada. Com efeito, a ciência não
é feita aos saltos, mas lenta e progressivamente, algo também ignorado
pelos falsos céticos. E como teorizador diria também: lenta demais
para o meu gosto, pois eu gosto de uma ciência mais aguerrida, no
sentido popperiano do termo. Mas, enfim, a ciência a ser corporificada
como tal não é minha nem sua, mas trata-se de um bem social, e nós
somos apenas pequenas formigas a reunir os fragmentos destinados a
alimentar o nosso formigueiro.
Como
justificar então essa captação do que estaria no ar sem apelar
para o sobrenatural? Obviamente, teremos que dar aqui um embasamento físico.
Muitos já tentaram apelar para a mecânica quântica mas... Que dizer
de uma teoria física que não consegue sequer explicar o que seja um
sistema de dois ou mais elétrons? Como pode uma teoria que, na visão
de Alan Sokal, nem os físicos tem certeza do que ela significa,
explicar aquilo que sequer sabemos se existe ou não? Sem dúvida, que
me perdoem os quânticos, mas o caminho não é por aí. A saída a meu
ver está muito mais próxima dos ensinamentos de Newton do que de
qualquer dos físicos do século XIX ou XX, por mais que eu nutra uma
profunda admiração por muitos deles (Maxwell, Planck, Einstein, Bohr,
etc).
Vou parar
por aqui, pois a msg já está de bom tamanho. Quem sabe eu possa
continuar a partir do gancho fornecido pela Lígia em msg
mais recente desta thread, onde teria dito: Entretanto, existe um
certo "apelo" no que se refere à "essência da matéria"
e o que se postula em Física Quântica. Já li na ciencialist o
seu comentário a respeito desse ramo da física e assim, sei que você
não concorda com esses postulados em princípio. Você poderia explicar
o motivo aqui nesta lista também?
Por ora
digo apenas que a resposta, a meu ver, relaciona-se muito ao seguinte
pensamento de Einstein: Assim, o alvo de construir uma teoria de
campo eletromagnético da matéria permanece inatingível por ora,
embora em princípio nenhuma objeção possa ser levantada contra a
possibilidade de vir a se alcançar tal objetivo. O que reteve qualquer
tentativa posterior nessa direção foi a falta de qualquer método
sistemático que levasse a uma solução.
[ ]´s
Alberto
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Intuitivismo vs intuicionismo
A importância da intuição
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Mensagem 181
31/05/2002
Olá Lígia
e olá demais livres-pensadores
Lígia, na mensagem
172, escreveu:
Muito obrigada por fazer os meus pensamentos legíveis para mim naquilo
que você escreveu!!
Talvez eu
tenha captado o que estava no ar ou, quem sabe, o que você escreveu nas
entrelinhas. Aliás, esta lista está sendo útil para que, dentre
outras coisas, eu reveja os meus conceitos e/ou a minha maneira de ser
e/ou de encarar a própria ciência. Não foi por outro motivo que na
minha estréia postei um artigo de Popper (msg
98), onde ele enfatiza o papel do diálogo e da crítica na produção
de conhecimento.
Alberto, msg
anterior:
O misticismo também não precisa da ciência para se justificar. Aliás,
digo que ciência nenhuma justifica misticismo algum. Porque então se
procura com tanta ênfase embasar o misticismo na ciência? De três
uma: ou são místicos de pouca fé, para não dizer ignorantes em
termos de misticismo, ou são charlatões a tentarem vender gato por
lebre, ou ainda são ignorantes em termos de ciência e, em virtude
disso, valorizam excessivamente a ciência.
Lígia:
É nisso que eu me perco... eu tendo a buscar conciliar as
duas coisas, talvez eu seja mesmo ignorante a respeito do que a ciência
é, ou do que o misticismo seja, ou de ambos, mas sempre procuro fazer a
separação dentro de mim do que é científico e do que seja místico.
Sim, mas
nesse caso você não está sendo ignorante mas está agindo exatamente
da maneira que eu relatei ao descrever o comportamento dos grandes
pensadores (Newton, Einstein e Bohr dentre outros). Sob certos aspectos
diria que ciência e misticismo não se misturam, porém se
complementam. Não chegam a ser o que chamo complementares próprios, da
dialética oriental, mas de alguma maneira chegam a se relacionarem,
pelo menos na etapa inicial da produção de conhecimentos (a chamada
fase intuitiva). O fato de não serem miscíveis também enfraquece a
dialética, no sentido em que não propiciam uma síntese, na verdadeira
acepção da palavra.
Lígia:
Entretanto, existe um certo "apelo" no que se refere à
"essência da matéria" e o que se postula em Física Quântica.
Já li na ciencialist o seu comentário a respeito desse ramo da física
e assim, sei que você não concorda com esses postulados em princípio.
Você poderia explicar o motivo aqui nesta lista também?
Eu vou
tentar mas não vai ser fácil resumir o que penso em poucas palavras.
Eu diria que a dificuldade em entender a física, qualquer que ela seja
(clássica ou moderna), começa pelo conceito de campo. E, no entanto, o
que é o campo, seja ele eletromagnético ou gravitacional? Eu costumo
responder ironicamente da seguinte forma: É algo que não sabemos o que
é e que de alguma forma também desconhecida dá origem a fenômenos
que julgamos conhecer. E esses fenômenos que julgamos conhecer na
realidade são o testemunho físico-experimental de que a matéria se
comunica, ou seja, de que há uma informação passando de uma particula
para outra, ou de um corpo macroscópico para outro. Pergunto então:
Qual é a teoria física que fala em informação como algo fundamental?
Simplesmente nenhuma. Talvez a que mais tenha chegado próxima disso foi
a física de Newton do século XVII, se bem que a idéia de informação
não chegou a emplacar e a física clássica dos séculos
seguintes praticamente ignorou essa idéia de Newton, a meu ver
fundamental para que possamos explicar quase tudo o que afirma-se, de
maneira errada, ser inexplicável pela física clássica.
Newton
comenta sobre isso que chamo informação com outros nomes. Em alguns
trechos de sua obra fala em vibrações emanadas pelos corpos; em
outros, em espírito da matéria. E onde mais deixa nítido o
parentesco entre esse espírito da matéria com o que hoje
chamamos campo (após Faraday) está relatado em uma carta que escreveu
a seu amigo Bentley e no qual trata essa informação como sendo alguma
coisa imaterial emitida pela matéria e a atuar sobre e afetar
outra matéria sem contato mútuo.
Eu diria
que essa informação é inerente a todos os fenômenos e não apenas ao
que classicamente chamamos campo elétrico, magnético e gravitacional.
O som, por exemplo, nada mais é senão uma maneira dessas informações
transmitirem vibrações de uma partícula para outra sem que nenhuma
delas se toque (contato mútuo, como disse Newton) no verdadeiro sentido
do termo; o transporte de momento entre fluidos viscosos também é algo
desse tipo. No mundo das partículas elementares não existe trombada
mas tão somente ação a distância e mediada por essa alguma coisa
de natureza imaterial definida por Newton.
A idéia
de algo de natureza imaterial, e portanto de conteúdo mássico bem como
energético nulos, nunca foi bem vista entre os físicos, nem mesmo os
contemporâneos de Newton. Não obstante, nenhuma física até hoje
conseguiu se sustentar sem a introdução de algo se não do tipo dessas
informações, pelo menos de natureza parecida. Na antigüidade
acreditava-se numa quintessência, a completar a quádrupla terra-ar-fogo-água.
Os físicos pós-newtonianos tentaram assumir a existência de um ether,
também imponderável e, portanto, muito provavelmente imaterial. Ora,
é tão absurdo pensarmos num continente imaterial (ether) quanto
num conteúdo imaterial (informação) a viajar por um espaço vazio.
Porque então julgar que a informação seria absurda, mas o ether
não?
A física
moderna aboliu o ether da física clássica, mas substituiu-o por
outras entidades hipotéticas equivalentes. Einstein assumiu a existência
de um ether relativístico (vide http://www.tu-harburg.de/rzt/rzt/it/Ether.html),
de natureza matemática mas não física; e a curvatura espaço-tempo é
algo a mascarar esse ether. O problema é que isso, por si só, não
tem se mostrado suficiente e a física moderna criou inúmeras outras
entidades estranhas e de natureza imaterial como as partículas virtuais
(fóton virtual, gráviton e partículas da cromodinâmica quântica),
ou então o vácuo quântico, local em que matéria e antimatéria
formar-se-iam a partir do nada. Tudo isso é muito estranho além do
fato de os físicos modernos terem multiplicado de maneira excessiva o número
de entidades hipotéticas, sem que no entanto isso tivesse colaborado
para que pudessem entender a estrutura íntima da matéria. Afinal, o
que é o spin? O que é a dualidade partícula-onda? O que é a
incerteza? Para que criar tantos gnomos quantum-relativistas se é possível
explicar quase tudo tão somente lançando mão do espírito da matéria
newtoniano? Seria isso tão esquisito assim? Pois então que expliquem
de uma forma decente o que é o spin, o que é a dualidade, o que
é a incerteza, o que o espaço curvo... Pois tudo isso eu tenho
explicado única e exclusivamente lançando mão das informações do
movimento da matéria, algo imaterial, sem massa e de conteúdo
energético nulo, porém que se manifesta através de campos e que pode
ser mensurado indiretamente através das forças que transmite.
Em síntese
é isso aí. Em verdade, eu disse tudo e não disse quase nada. Se alguém
quiser conhecer em maiores detalhes as minhas idéias diria que em meu
website existe um grande número de artigos, alguns bem elementares,
outros a exigir conhecimentos mais aprofundados de física e/ou de cálculo,
e podem ser acessados a partir de http://ecientificocultural.com/ECC2/fisica.htm.
As teorias principais são discutidas nos seguintes artigos:
- A
equação do elétron e o eletromagnetismo
- Sobre a natureza físico-matemática
do elétron
- O elétron emissor de informações
eletromagnéticas
- O espaço curvo euclidiano e
a relatividade galileana
- Variáveis escondidas e a
termodinâmica
- Calor específico e física clássica
- Considerações sobre a
incerteza
- Explicação clássica para a experiência da
dupla fenda
- O fenômeno luz e as falácias
relativas às relatividades
- O que são ondas eletromagnéticas?
- O spin que não é giro
- Resolução clássica do paradoxo da carga
acelerada
- Similaridades entre campos de
velocidade e o campo eletromagnético
Para
qualquer dúvida que surja entre o que relatei nesta msg ou então na
leitura de algum desses artigos, estou aqui para o que der e vier.
Desnecessário seria dizer que nenhuma dessas teorias chega a ser muito
bem vista nos meios acadêmicos, seja do Brasil, seja do exterior.
[ ]´s
Alberto
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A quintessência do Universo
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Mensagem 225
01/06/2002
----- Original Message -----
From: "ligia5555"
Sent: Saturday, June 01, 2002 10:17 AM
Subject: [livres-pensadores] Re: O Ego e o materialismo...
Alberto, msg
anterior:
Eu costumo responder ironicamente da seguinte forma:
[O campo] ...é algo que não sabemos o que é e que de alguma forma também
desconhecida dá origem a fenômenos que julgamos conhecer. E
esses fenômenos que julgamos conhecer na realidade são o testemunho físico-experimental de que a matéria se comunica, ou seja, de
que há uma informação passando de uma particula para outra, ou de um
corpo macroscópico para outro.
Lígia, na mensagem
211, escreveu:
Interessante é justamente isso. Daí vem o
conceito espiritualista, ou Panteísta que prega que tudo está interconectado
em níveis sutis, o que possibilitaria essa "intercomunicação"
entre os corpos. O problema todo seria "achar" fisicamente
indícios dessa intercomunicabilidade, ou do "espírito da matéria" de
Newton, conceito sobre o qual você discorre mais tarde nesse texto.
Perfeito! Pois eu diria que em termos de partículas elementares os indícios
foram já todos apresentados, a começar por Newton e a terminar nas experiências que deram origem à física quântica.
Lamentavelmente a física quântica surgiu para embotar o raciocínio crítico, para nos confundir e
para matematizar a natureza de uma maneira tal a deixar de lado a essência que
reside por trás de um punhado de equações que em condições muito
especiais dão certo sem que se saiba como e nem porquê. A experiência da dupla
fenda, por exemplo, que muitos fazem questão de dizer não ter explicação clássica
nenhuma, é uma das provas incontestáveis de que a matéria emite alguma
coisa de natureza imaterial e que, após ser refletida na fenda, exerce sua ação
sobre a partícula que a emitiu. O próprio princípio de Heisenberg pode
vir a ser explicado como uma falácia a se justificar pelo efeito das informações
elementares associado ao que chamo teorema da
indeterminação, um teorema
tão óbvio quanto desconhecido.
Evoluindo em direção do tema que me propus discutir inicialmente
¾ciência, materialismo e
espiritualismo¾ diria que o assunto envolve outras
complexidades. Em primeiro lugar não sei até que ponto poderia dissociar
esse espírito da matéria newtoniano do materialismo clássico
e/ou até que ponto o espiritualismo poderia ser fundamentado a partir desse conceito.
Pois esse espírito, a que chamo de informação, pertence ao
nosso Universo físico e, embora autônomo, uma vez emitido pela matéria não
deixa de necessitar da matéria tanto para existir quanto para se consumir (quando
exerce um efeito, por exemplo). Diria que esse espírito da matéria
não é alheio ao materialismo mecanicista dos físicos dos séculos
XVIII ou XIX e é por isso que o chamo por informação do movimento da matéria.
Por outro lado, ele é tão real quanto a matéria que o emite e seria, portanto, a
quintessência do Universo, e não uma substância de natureza divinal
como se pretende assumir por exemplo para a alma, supondo-se que ela exista como
descrita pelos teólogos. Aliás, na mensagem primeira dessa thread você cita
um texto de Newberg que também defende essa natureza real para esse espírito,
mas eu não sei até que ponto seria o mesmo espírito da matéria
descrito por Newton.
Deixando a possível existência da alma de lado, bem como a história da
vida eterna, podemos pensar nesse espírito da matéria físico
como algo a relacionar-se com alguns fenômenos que até os dias atuais situam-se no
terreno da paranormalidade como, por exemplo, a telepatia, a fotografia Kirlian ou ainda as
imagens descritas por Newberg. Sem dúvida são especulações e não disponho de nada para justificar
essas idéias. Não obstante, se as partículas elementares se comunicam e se os corpos
complexos são formados por partículas elementares, não é impossível que as partículas
constitutivas desses corpos assumam disposições tais a potencializarem
os efeitos tanto de emissão quanto de recepção de informações que estão
vagando pelo espaço e emitidas por corpos semelhantes. Repito, são especulações
infundadas, alheias a qualquer de minhas teorias mas, de qualquer forma,
de natureza apaixonante e quero crer que valha a pena meditar bastante sobre
isso no sentido de se procurar por algo concreto e a justificar tais incucações.
Lígia:
Só por curiosidade, você por um acaso já leu isso: http://home.ism.com.br/~pauloaf/Materia.html
Ainda não, mas vou tentar estudar o assunto deixando de lado alguns dos
preconceitos que ainda carrego em meu interior.
Lígia:
O autor é espírita, então muitos dos termos são espíritas, mas
eu pediria a você lesse esse texto caso nunca o tenha lido
anteriormente e me dissesse o que acha dele. Eu fiquei pensativa depois que
li... e se a resposta fosse assim tão simples? O engraçado é que o
autor enviou esse texto a vários físicos, mas nenhum deles decidiu lê-lo
e comentá-lo por alegarem:
a. falta de tempo;
b. falta de interesse...
Eu diria que ao lado dessa falta de tempo existe também muito
preconceito. Um texto bem escrito é sempre digno de ser lido, ainda que contenha
bobagens segundo o nosso ponto de vista. Aliás, costumo dizer
que aprendi mais lendo livros de autores de quem discordei do que o contrário.
Lígia:
Bem, como essa "intercomunicabilidade" é sensível, antes
que mensurável, eu posso dizer que eu a sinto. E, em parte isso é
o que me desperta um sentimento de amor profundo por tudo. Sentir em
mim que tudo faz parte de tudo...
Neste caso, vou concluir com um texto que escrevi há muito tempo (1983) e
que para muitos não tem significado algum mas que para mim significa
muito. Quando o escrevi estava saindo de um estado de êxtase total, um
verdadeiro nirvana que durou cerca de 15 dias e sem a necessidade de droga alguma.
¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤
FOI UM SONHO
Sim! Foi um sonho!
Acordei para a realidade, mas nem tanto. Ainda sob o
efeito do transe hipnótico por que passara, rememorei o estranho monólogo que
testemunhara. Um átomo se me mostrara tal como é. Senti-me pequeno frente ao menor
constituinte químico da matéria. Senti-me um nada. Restara-me o consolo
de saber que eu era um ente material, formado por átomos. Havia algo de bom
em mim.
Transmitira-me o diminuto corpúsculo uma mensagem de
amor. Sim, os átomos não pregam a paz, pois que não vivem em guerra. Os átomos não
brigam, não colidem, não explodem. Os átomos amam. E amam seus semelhantes como
aqueles que entram na nossa constituição. Obedecem, por instinto, ao princípio da conservação da matéria, um dos mandamentos da Lei de Deus
para os átomos. Não choram, não sofrem, não matam e não mentem.
Não existe a explosão atômica. O que vimos em
Hiroshima e Nagasaki nada mais foi que uma ilusão. Ali, onde tantos sofreram, os átomos amaram. Um
mundo estava em guerra enquanto outro, indiferente ao ódio que reinava, festejava a paz. Uma paz duradoura. Uma paz eterna.
Sim, os átomos também amam; ou melhor, apenas amam.
Como o sol, como a flor, como a luz... Sim, felizmente não existe a explosão atômica. A
desgraça que testemunhamos em 1945 foi uma festa entre os átomos. Não
foi programada pelos mesmos, nem tão intensa quanto teriam desejado que o
fosse, mas... foi uma festa. Onde eles se amaram com a mesma intensidade com que
se amam nas estrelas.
Sim, os átomos também amam. E fazem questão de
festejar este amor. E transmitem ós corpúsculos de Newton, partes do seu ser, pelo espaço;
para que se testemunhe este amor e para que átomos distantes participem deste
amor. Amam a distância indiferentes à mesquinharia existente no mundo
mau que os cerca. E numa intensidade muito bem dosada. Jamais criaram, por si
sós, qualquer poluição radioativa num espaço destinado a nós. Pelo contrário: sempre nos forneceram a energia que necessitamos para
sobreviver: esta nos é dada como um subproduto do amor entre um átomo solar e o de
uma molécula de clorofila terrestre.
Sim! Foi um sonho! Acordei para a realidade absurda em
que vivemos. Recebera uma mensagem vinda do quase nada e nada tinha para responder.
Como responder a uma mensagem de amor? Não fui preparado para isto. No mundo
em que vivemos é tão raro pregarem o amor! Pensei num trecho bíblico, numa
Palavra do Cristo... Mas qual? São todas muito bonitas e no século XX
ainda se repete o que o Cristo falou. Mas quantos vivem a Palavra do Cristo? Não!
Não podia responder a uma mensagem tão bonita com uma mentira. Deveria
ser autêntico. E me calei.
Sim, foi um sonho, acordei. E já totalmente desperto
me vi cantarolando algo cujo significado jamais houvera me tocado tão fundo. Encontrei nos
versos do imortal Vinícius a resposta que deveria ter dado ao ínfimo ser
irracional:
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver!
Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar,
Uma cidade a cantar,
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de Amar,
Como o sol, como a flor, como a
luz,
Amar, sem mentir nem sofrer.
Existiria a Verdade,
Verdade que ninguém vê,
Se todos fossem no mundo
Iguais a você!
Sim, foi um sonho, acordei. Mas acordei para uma
realidade nova. Agora estava feliz. Encontrara um ser racional que em pleno século XX pregou o
amor. E concluí:
¾
Nem tudo está perdido.
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Alberto
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Mensagem 244
02/06/2002
Lígia, na mensagem
237, escreveu:
[...] tem uma tal de equação Psi que me
deixou tonta durante a faculdade...
Em 1987 eu cheguei a escrever o
seguinte a respeito dessa equação, num texto meio sério / meio cômico
e destinado ao leigo no assunto:
Não espere que eu defina a função
de onda psi de Schrödinger. Se é que lhe interessa, esta função ficou
engasgada por cerca de 30 anos na garganta do pai da teoria da
relatividade. Matematicamente falando ela é mais simples que a teoria da
relatividade generalizada; mas fisicamente falando ela é mais absurda que
a teoria da relatividade restrita. Aqueles que tentam engolir a função
psi não conseguem. Mas o chato é que após a tentativa a gente não
consegue mais botá-la para fora. Notem que ela lembra o formato de um
anzol ou ainda o de um tridente; ou mesmo daquele aparato utilizado pelos
alpinistas para fixar uma corda. Uma das maneiras de eliminá-la seria
botar pra fora também alguns assuntos que já estão cicatrizados na
garganta dos cientistas há quase 200 anos; pois é justamente aí que o
anzol-tridente se fixa.
Alberto, msg
anterior:
O próprio princípio de Heisenberg pode vir a ser
explicado como uma falácia a se justificar pelo efeito das informações
elementares associado ao que chamo teorema da indeterminação, um teorema
tão óbvio quanto desconhecido.
Lígia:
Você está falando do Princípio da Incerteza?
Sim. Na mesma época em que escrevi o
texto acima, e no mesmo contexto, cheguei também a escrever:
Heisenberg admitiu implicitamente
em sua teoria que a posição de uma partícula (por ex., a de um elétron) somente podia ser determinada
através do choque seguido da observação de propriedades de outra partícula (por ex., um fóton). Acredito que ninguém o criticou
por este ângulo, pois este 'a priori' é aceito inconscientemente por quase todos
os físicos modernos que estudam partículas. Eliminado este 'a priori' este tipo de indeterminação cai por terra.
Este segundo texto está em meu website
na parte III de Considerações
sobre a Incerteza.
Alguns anos após (1992) consegui
desfazer-me definitivamente deste a priori. Desnecessário seria
dizer que o caminho então utilizado foi por demais elementar e a
relacionar-se à informação a que me referi na mensagem anterior, ou o espírito
da matéria newtoniano, dotado agora de uma personalidade real e não
mais espiritual no sentido místico do termo. Simplificadamente diria que
se esta informação existir e se ela for realmente imaterial e dotada de
conteúdo energético nulo, poderemos, pelo menos em teoria, determinar a
posição de uma partícula, antes que ela sofra os efeitos dessa medida
de sua posição, simplesmente captando o campo associado à informação
emitida por essa partícula. Não há lugar algum neste raciocínio a
incorporar uma incerteza do tipo daquela descrita na física quântica,
qual seja, uma incerteza a caracterizar os chamados pares conjugados de
entidades físicas. Com efeito, a conjugação assim referida retrata a
ignorância neste ente real a que chamo por informação do movimento
da matéria. O mais representa a adequação da matemática a essa
ignorância, o que foi feito de maneira brilhante por Schödinger e
Heisenberg.
Em outras palavras, diria que o espírito
da matéria newtoniano é um forte candidato a ocupar o lugar a ele
destinado por muitos dentre os físicos mais ou menos heréticos do
século XX e que andaram procurando pelo que chamaram variáveis
escondidas da física quântica. Se bem que esse espírito da matéria,
à medida em que preenche esta lacuna, paradoxalmente acaba por condenar a
física quântica a passar para a história da ciência ao lado das
teorias do flogisto e do calórico. Aliás, Bohr, como grande teorizador
que era, sabia intuitivamente que o desfecho seria esse, razão pela qual
defendeu com unhas e dentes a compleitude da física quântica. Na sua
maneira de encarar o problema não havia, na mecânica quântica, lugar
para mais nada que não acabasse por descaracterizar totalmente a teoria,
e isso ficou muito bem nítido no duelo que manteve com Einstein por ocasião
do Congresso do Instituto Solvay (1935).
Lígia:
Ao que tudo indica, enquanto não se estudar a
natureza da matéria a ponto de entender como a energia se transforma em
átomos e partículas, esse princípio vai continuar desconhecido, já que
ninguém sabe ainda com o que se está lidando...
Sem dúvida. E eu iria além: ninguém
sabe ainda o que seria essa misteriosa energia que, admitem,
transformar-se-ia em matéria segundo a equação de Einstein, E = mc².
Esta nada mais é senão mais uma equação que dá certo sem que se saiba
como e nem porquê. Eu comento alguma coisa a respeito desse assunto, de
maneira bastante light, em dois artigos que escrevi recentemente e
durante diálogos como este, que mantive com net-amigos: Considerações
sobre os essenciais naturais e A
energia da física moderna.
Lígia:
Nossa, Alberto! Que idéia! Estou
gostando muito de pensar nisso, sabia? [...] Não quero delirar em
cima dessa sua idéia, portanto eu peço encarecidamente que você me
ponha de volta à realidade dos fatos caso eu esteja fugindo dos mesmos...
Não há como não fugir e também não
há como não delirar. Como eu já afirmei em mensagem anterior, na fase
intuitiva da teorização vale tudo e a fuga acaba sendo necessária e, até
mesmo, conveniente. O difícil é saber depois separar o joio do trigo,
mas isso de alguma forma deve ser feito. Existe muita coisa que eu escrevi
em 1983, quando comecei a teorizar em física, que hoje eu não consigo
entender. Sem dúvida, eu estava viajando. E escrevi também muita
coisa que hoje me soa como um absurdo total. Não obstante, sinto que
jamais chegaria onde cheguei se não assumisse provisoriamente tais
absurdos como verdades provisórias. Para ser sincero, também não estou
tão certo de estar próximo a um porto seguro, mas sem dúvida alguma já
naveguei bastante e sozinho por mares bravios e sem naufragar. Como diria
o poeta português: Navegar é preciso, viver não é preciso.
Hoje, graças à Internet, consigo não me sentir tão sozinho assim. Esse
é o lado bom da Internet, a contrastar com seu lado mau, muito bem
descrito pelo Júnior ao solidarizar-se comigo, através da Ciencialist,
na mensagem
14583, quando recebi alguns comentários desairosos relativos a meu
website (vide mensagem
14576).
Lígia:
O que Newberg defende é que o nosso cérebro 'tem
condições de acessar o Divino simplesmente por suprimir-se,
voluntariametne ou não, a ação direta do centro de orientação.
Não há como comprovar-se que Deus existe por intermédio do que ele,
Newberg faz e atesta, mas antes de explicar-se o porquê de tantas pessoas
alimentarem a fé em algo que é intangível... do que eu pude
entender do que li por lá, quando o centro de orientação é privado de
sua atividade, nós nos sentimos parte de um todo maior... enfim, a
trancendência.
É esse todo que me escapa, pois quero
crer que estou navegando no sentido oposto de Newberg, da parte para o
todo, ou das partículas elementares para o ser em sua totalidade e/ou
para o Universo como a totalidade dos seres. Quero crer que o restante de
sua mensagem refira-se a esse todo que entendo, embora sem compreender
e, portanto, fica muito difícil acrescentar
qualquer coisa a seus pensamentos. Enfim, estou há mais de 20 anos
navegando por um oceano imenso e ainda assim dou-me freqüentemente com a
sensação de que a viagem mal começou, se é que consegui avançar além
do quebra-mar. Contento-me então em observar que homens muito mais
sábios do que eu tiveram essa mesma sensação, como por exemplo Newton,
ao afirmar: Não sei de que modo o mundo me vê; mas a mim mesmo pareço
ter sido apenas um menino brincando na praia, entretendo-me com encontrar
de quando em quando um seixo mais liso ou uma concha mais bela do que o
ordinário enquanto todo o vasto oceano da verdade jazia inexplorado
diante de mim.
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Alberto
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Mensagem 274
03/06/2002
Olá Lígia
e demais Livres-Pensadores
Quero crer
que nosso debate esteja convergindo para um dos problemas cruciais da
epistemologia, qual seja, uma oposição aparente entre a
abordagem holística, via de regra defendida pelos estudiosos das ciências
humanas e a priorizar o entendimento integral dos fenômenos, e a
abordagem analítica, mais a gosto dos cientistas que trabalham com menor
número de variáveis os quais, em determinadas etapas de seus estudos,
sentem-se na obrigação de separar o todo das partes. Por motivos
ignorados, boa parte destes últimos apóiam seus estudos em métodos analíticos
e acabam por perder a visão do todo. Mas essa não é a regra entre os
bons cientistas como Newton, Maxwell, Planck, Schrödinger, Bohr,
Heisenberg, Einstein etc, se bem que não se possa dizer o mesmo com
respeito a seus seguidores ou, como costumo dizer, seus falsos
seguidores. Pois um cientista, acima de tudo, não deixa tão somente
teorias mas, principalmente, um exemplo a ser seguido. Não foi por outro
motivo que Kant apoiou boa parte de sua filosofia da ciência na contemplação
e análise do comportamento de Newton. Cassirer parece ter feito o mesmo
com relação a Maxwell e Popper com relação a Einstein.
Lígia, na mensagem
258, escreveu:
Interessante notar que quando uma idéia como a da
FQ entra no rol das "aceitáveis" fica difícil descartar-se dos
meios acadêmicos, ainda que com toda disposição em provar-se o contrário.
É a tal da falta de parâmetros. Como eu falei antes, ninguém sabe
com o que está lidando...
Pois é.
Isto caracteriza a perda da visão no todo. Note que são raríssimos os físicos
quânticos que estão satisfeitos consigo mesmos, a comprovar que
realmente existe essa "disposição em provar-se o contrário"
por parte dos acadêmicos. Mas a verdade é que Bohr demonstrou que estava
sacrificando alguma coisa ao adotar seus famosos "critérios de
utilidade". Dizer que a FQ possuía variáveis escondidas, para Bohr
não significava nada, pois ele não sabia o que isso poderia significar.
Pois ninguém, durante toda a sua existência (Bohr faleceu em 1962),
colocou nada que fizesse sentido no lugar dessas famigeradas "variáveis
escondidas". Nem mesmo David Bohm, pois este decifrou uma parte do
mistério mas, pelo visto, criou mais problemas do que soluções, a
culminarem nas desigualdades de Bell a darem origem à experiência de
Aspect e que, como afirmei recentemente (msg 4790 da
Ciencialist), tem
servido apenas "como critério para escolha entre o roto e o
esfarrapado, qual seja, entre as teorias locais e as não-locais".
Por outro lado, os seguidores de Bohr não entenderam o sacrifício e
procuram hoje entender o que não tem explicação alguma, aceitando os
"critérios de utilidade" única e exclusivamente por falta de
algo melhor.
Alberto, msg
anterior:
...Aliás, Bohr, como
grande teorizador que era, sabia intuitivamente que o desfecho seria esse,
razão pela qual defendeu com unhas e dentes a compleitude da física quântica.
Na sua maneira de encarar o problema não havia, na mecânica quântica,
lugar para mais nada que não acabasse por descaracterizar totalmente a
teoria, e isso ficou muito bem nítido no duelo que manteve com Einstein
por ocasião do Congresso do Instituto Solvay (1935).
Lígia:
E como uma Teoria condenada ao fracasso pode ser
aceita? A impressão que dá é que ela permite "forçar"
os dados para que eles caibam convenientemente na aplicação prática...
Sem dúvida,
mas essa história começou exatamente com Bohr ao assumir o que chamou órbitas
permitidas para os elétrons. Ou seja, Bohr admitiu, com a finalidade
única de adequar-se a uma matemática que dava certo, que os elétrons
estavam autorizados a desobedecerem as equações de Maxwell,
quando situados na eletrosfera dos átomos. Ora, ou a teoria de
Maxwell-Lorentz é verdadeira para os elétrons ou não é, e não há
meio termo quando raciocinamos sob o ponto de vista da metodologia científica.
Não obstante, quem era o jovem Bohr em 1913 para ir contra
os leões, por exemplo Lorentz, a afirmarem que a teoria de Maxwell
dava certo para os elétrons? Lembro que o conceito de elétron como o
entendemos hoje é posterior a Maxwell. Perceba então que muito
sutilmente o jovem Bohr tentou driblar os donos da física
da época, fazendo afirmações que iam contra suas idéias mas, ao mesmo
tempo, criando hipóteses ad hoc a justificarem as idéias de
Lorentz. Pois a física quântica evoluiu a partir desta falácia e Bohr
acabou se contentando com as hipóteses ad hoc como tais. A partir
daí não lhe restou outra saída a não ser criar os critérios de
utilidade e a justificarem que a boa teoria é aquela que
matematicamente se justifica, mesmo verificando-se que quando
dá certo o faz sem que se saiba como e nem porquê. E isso é o que hoje
se aceita e a justificar a física quântica remodelada nos anos que se
seguiram, em especial na década de 30. Perceba então a incoerência: A física
quântica, mesmo aquela dos dias atuais, ao mesmo tempo em que apóia-se
na negação da teoria de Maxwell-Lorentz, está toda ela construída em
cima da teoria de Maxwell-Lorentz. Durma-se com um barulho desses.
Lígia:
É, pelo jeito foi isso mesmo. Os números
casam com os experimentos, o que não quer dizer que a teoria seja a mais
correta... Se essa "coisa" do "espírito da matéria"
fosse levada a sério, parece que não estariam batendo cabeças até hoje
na formulação da Great Unification Theory, ou a GUT. Você tem
alguma idéia do porquê de não estarem revisando tudo? Ou será
que já estão mas não dão o braço a torcer?
Eu costumo
dizer que a física caiu num atoleiro há cerca de 100 anos e a partir de
então a única coisa que se tem feito é pisar no acelerador. Os físicos
acreditam que a física moderna representou uma evolução, para melhor,
das idéias da física clássica e acreditam que existe uma física mais
sofisticada e que seria uma evolução, para melhor, das idéias da física
moderna. Ninguém quer admitir que a física tenha caído nesse atoleiro e
aí permanecido por mais de 100 anos. Afinal, 100 anos equivalem a pelo
menos cinco gerações de cientistas. Em virtude disso eles estão
procurando por algo que não existe e, em decorrência, estão a criar hipóteses
ad hoc em série e a justificarem todas as experiências que no
dia-a-dia vêm falseando a física moderna, uma física que já nasceu ad
hoc, como mostrei acima.
Alberto, msg
anterior:
Quero crer que o
restante de sua mensagem refira-se a esse todo que entendo, embora sem
compreender :-)) e, portanto, fica muito difícil acrescentar qualquer
coisa a seus pensamentos.
Lígia:
Esse "TODO" eu assimilo intuitivamente,
Alberto. É como pensar que meu corpo é composto por células, cada
célula por corpúsculos menores, cada corpúsculo por moléculas, cada
molécula por átomos, cada átomo por sub-partículas... e então
de mim para o alto, meu corpo em um planeta de um sistema solar, em um braço
de galáxia, dentre tantas outras... Quando eu estou em estado
"alterado" eu posso dizer que eu sinto isso tudo e é como se
tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. A sensação é de um
amor profundo e contemplativo, não sei como descrever melhor...
Pois é. E
é por isso que digo que entendo sem compreender, pois a visão de
como funciona o todo é intuitiva e não sei se dispomos de métodos a nos
conduzirem em direção à racionalidade através de uma abordagem holística.
Já o nosso cérebro parece possuir alguns atalhos, e é através desses
atalhos que passamos da intuição ao insight ou ao
"Eureka!" de Arquimedes. Mas nesse caso não estamos
apoiando-nos num método e sim na intuição. Metodologicamente parece-me
que somente caminhamos em direção à racionalidade à medida em que
assumimos uma abordagem analítica. E foi por isso que disse em mensagens
anteriores que o cientista teorizador não deve ser preconceituoso, ou
seja, não deve desprezar nada que a primeira vista possa fazer sentido,
mesmo se dotado de aparentes características paranormais. Mesmo porque na
prática a teoria é outra e em sua fase inicial a teorização apóia-se
quase que totalmente na intuição, pois é através da intuição que
captamos novas idéias. Diria então que o nosso cérebro tem o poder de
penetrar no todo (abordagem holística) e a transferir a nossa
mente detalhes de maneira a que possamos reconstruir partes desse todo
(abordagem analítica, montagem do quebra-cabeças). É assim que vejo o
início da teorização, é assim que, a meu ver, o cientista consegue
reunir forças para se aventurar a navegar por mares nunca dantes
navegados.
A título de
curiosidade, diria que o insight que me levou ao nirvana de
15 dias, em 1983 (vide final da mensagem 225), surgiu
quando eu estava estudando o macrocosmo. Na época eu estava preocupado em
escrever o capítulo introdutório de um texto de Biofísica para meus
alunos (algo que a partir de então foi interrompido e nunca mais me
animei a retomar). Queria fazer alguns comentários a respeito da origem
da vida e procurei também introduzir alguns parágrafos a respeito da
origem do Universo. Fui então estudar o Big-Bang, e foi em meio a isso
que tudo começou. De repente eu percebi que tudo o que havia estudado
sobre a teoria da relatividade poderia ser explicado de outra maneira,
caso aceitasse que a nossa Galáxia estivesse viajando no Universo
exatamente na velocidade c, a que se dá o nome de velocidade da luz e
que, neste caso, nada mais seria senão a velocidade da Galáxia, ou seja,
a velocidade da fonte da luz que estudamos no laboratório, quando
referida a um... referencial absoluto newtoniano!!!? Foi aí que eu
comecei a viajar e comento alguma coisa a respeito disso numa
mensagem que escrevi para a lista de discussão Acrópolis (msg 3612) sob
o título Do
micro ao macrocosmo ou vice-versa.
Lígia:
[...] O fato é que esse todo é intuitivo e talvez
uma forma de compreendermos o seu significado seja justamente começar a
compreender como a mente de cada um o pressente.
Essa parece
ter sido a preocupação de alguns dentre os filósofos da modernidade ¾Kant,
Cassirer e Popper¾
que tentaram compreender como funcionava a mente dos cientistas Newton,
Maxwell e Einstein.
[ ]´s
Alberto
Temas relacionados:
Questionando a física quântica
Sobre as origens da física moderna
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Mensagem 490
08/06/02
Lígia, na mensagem
399, escreveu:
Maravilha! A impressão que dá é que pelo fato de mostrar-se
útil, a FQ conseguiu ser "aprovada" sem ter respostas dignas
para as questões da "criação" da matéria. Você sabe me
dizer se tem gente fazendo esse mesmo questionamento que você faz?
Digo, gente tentando reformular a FQ?
Existem
muitos e não é de hoje. Aliás, dentre os construtores da mecânica quântica,
muitos tentaram reformulá-la, como por exemplo Planck, Einstein, De
Broglie e Schrödinger, dentre outros. Planck jamais se conformou com a física
quântica, razão pela qual costumo chamá-lo como o último dos grandes
clássicos, ainda que ele aceitasse a teoria da relatividade numa boa
e, portanto, não seria, sob esse aspecto, 100% clássico. Einstein passou
a maior parte de sua vida tentando encontrar aquela que viria a ser a sua
verdadeira física e percebe-se, de seus escritos, que essa não seria, em
absoluto, a física quântica de seu tempo e muito menos a atual, com
todos os ad hoc incorporados a superprotegerem-na de falseamentos e
a impedirem essa evolução. De certa feita ele afirmou:
Os físicos
teóricos da nossa geração estão esperando o surgimento de uma nova
base teórica para a Física.
Ou seja, ele sabia que os
fundamentos, ou os alicerces sobre os quais se apoiava toda a física
moderna, estavam condenados. Apenas não conseguiu colocar nada no lugar.
Acredito que Einstein esteve muito próximo de construir essa nova física,
pois ele visualizou-a de maneira intuitiva. Mas acredito que não tenha
conseguido ir além disso pois um pai dificilmente mata um de seus filhos
e um destes filhos, no caso, seria a teoria da relatividade. Não
obstante, percebe-se que quando procurou pela teoria do campo unificado
esteve muito próximo de substituir não apenas a física quântica, mas
também a sua relatividade, por algo muito mais geral e livre dos gnomos
quantum-relativistas e a apoiar-se em fundamentos bem mais sólidos.
Quanto a Schrödinger costumo citar este seu pensamento e perdoem-me
aqueles que já o encontraram em vários de meus textos:
Esperamos
que a vacilação de conceitos e opiniões signifique apenas um intenso
processo de transformação, que conduzirá finalmente a algo melhor do
que as confusas séries de fórmulas que cercam o nosso tema".
Lembro
que a fórmula que mais se aproxima dessa série de confusões nada mais
é senão a sua própria equação, aquela que tem fascinado todos os
jovens que se iniciam no estudo da física moderna, aquela que costuma ser
utilizada para definir a famosa função de onda psi.
Na
atualidade existem muitos outros físicos revolucionários. Um passeio
demorado por arXiv.org e-Print archive
poderá confirmar o que digo. Não obstante, e como afirmei na mensagem
anterior, a grande maioria acredita que existe uma física mais
sofisticada e que seria uma evolução, para melhor, das idéias da física
moderna. Poucos estão preocupados em revisar os alicerces em que se
apoiou a física moderna, a exemplo do que tentaram fazer Planck,
Einstein, De Broglie, Schrödinger e David Bohm, dentre outros e que, como
dei a entender, sabiam que tais alicerces estavam podres e definitivamente
condenados, se bem que não soubessem o que fazer a respeito. Em resumo,
os físicos "modernos" estão tentando ressuscitar um cadáver
e/ou ignorando aquela máxima que muitos de meus professores citavam nas
faculdades de medicina de meu tempo de estudante: Há que se distinguir
entre prolongar a vida e prolongar a morte. Sim, você me dirá que no
caso da teoria em decadência não há o sofrimento pessoal, mas eu lembro
que no caso em apreço quem paga por esse desleixo é a sociedade. E o que
tem sido gasto em defesa de teorias que todos sabem não levarem a nada é
uma verba absurda, muito grande e, quiçá, da ordem daquela que daria
para livrar o terceiro mundo da fome, da desnutrição, da desidratação,
mortalidade infantil etc. Nada contra a verba que todo país deve gastar
em ciência a qual, no Brasil, é muito pouca, por sinal. Apenas acho que
deve-se distinguir entre fazer ciência e "fazer ciência".
Entre os
poucos verdadeiros revolucionários, que acima deixei implícito
existirem, poderia destacar o físico canadense Paul Marmet, que apesar de
ter sido considerado no passado, e em seu país, um físico notável, caiu
em desgraça em virtude de estar atualmente procurando por novas saídas.
Ou seja, foi pego pela Inquisição dos Tempos Modernos,
aquela mesma que, acredita-se, teria levado Boltzmann ao suicídio e David
Bohm ao ostracismo e a inúmeros lamentos. Nem mesmo a universidade
onde Marmet fez uma carreira brilhante, e que é uma das universidades de
ponta do Canadá, respeita suas idéias revolucionárias atuais. Suas
teorias estão em http://www.newtonphysics.on.ca/index.html.
Outro físico revolucionário e também canadense é J. L. Gaasenbeek,
cujas teorias podem ser encontradas em http://www2.rideau.net/gaasbeek/.
No site alemão Boundaries of Science (Fronteiras da Ciência) ¾
http://www.borderlands.de/linklist.php3
¾ existem mais de
500 teorias catalogadas e muitas propondo-se como alternativas à física
moderna, incluindo as minhas teorias. Lembro, no entanto, que dentre essas
teorias, a exceção das minhas, não conheço nenhuma outra a propor um
retorno completo à física newtoniana, seja através da
eliminação de detalhes criados pelos maus seguidores de Newton, seja
pela procura de uma melhor definição para alguns conceitos que Newton
deixou vagando pelo ar, para que fossem melhor estudados por seus
seguidores como, por exemplo, o espírito da matéria. Sob esse
aspecto, ou muito me engano ou estou sozinho.
Pergunto então:
Em qual faculdade de física se ensina essa realidade aos universitários?
Qual é a universidade brasileira que ensina a seus alunos que existem
outras teorias alternativas a essa física moderna que não consegue
sequer se sustentar por suas bases, seus alicerces, seus fundamentos?
Simplesmente em nenhuma! Ao contrário, ensina-se ao jovem estudante de física
que temos uma física sadia e, não obstante, quase todo o físico
"moderno" que milita nas academias está ciente de que esta física
está capengando, prestes a sucumbir e a ser condenada a passar para a
história ao lado das teorias do flogisto, do calórico, dos epiciclos...
E os lamentos pairam por aí, muitas vezes sob a forma de brados de alerta
como aquele pronunciado pelo eminente físico brasileiro Mário Schenberg:
É
sempre na violação do que é considerado certo, que nasce o novo e há
a criação. E este espírito deve ser redescoberto pela juventude
brasileira.
Mas como atender a esse lamento numa
época em que a própria escola teima em levar seus alunos a andarem
nos trilhos e a abominarem o livre-pensar, em prol da falsa
filosofia dogmática preconizada por Thomas Khun?
Alberto, msg
anterior:
[...] Perceba então a incoerência: A física quântica,
mesmo aquela dos dias atuais, ao mesmo tempo em que apóia-se na negação
da teoria de Maxwell- Lorentz, está toda ela construída em cima da
teoria de Maxwell-Lorentz. Durma-se com um barulho desses. :-)
Lígia:
Wow... que coisa! Nunca soube disso e
parece que tem muito mais por saber. Seria o fato de a FQ estar
condicionada a ser uma espécie de "tapa-buracos" o que a faz tão
"eloquente" para alguns físicos como Capra e Goswami, por
exemplo?
Não conheço
os trabalhos de Goswami, mas com respeito a Capra faço apenas um comentário.
Ele valorizou demais a física quântica e de menos a filosofia oriental.
Ao que parece ele não entendeu a física quântica, mas isso não é demérito
algum, pois ninguém até hoje a entendeu. Como ele parece não ter
entendido também a filosofia oriental, na realidade o que ele fez foi
comparar a física quântica com o misticismo e/ou esoterismo oriental,
jamais com a genuína filosofia oriental. Volto a dizer que não tenho
nada contra o misticismo e acredito mesmo, como já manifestei em outras
mensagens, que na fase intuitiva da teorização o misticismo pode até
mesmo desempenhar um papel importante. Digo também que li Capra há muito
tempo e que portanto ao escrever estas linhas estou apelando para a minha
memória e para a impressão que na época (logo após o primeiro de seus
livros, O Tao da Física, ter sido editado, creio que em 1975) ele me
causou.
Capra notou
que a física quântica confundia-se com o misticismo ocidental, o que não
deixa de ser uma grande verdade, e tentou compará-la com o que viu de
pior nos livros de filosofia oriental que estudou. E isso não é difícil,
pois são pouquíssimos os livros que tratam da filosofia oriental sem
misturá-la com fortes condimentos místicos. É muito difícil fazer a
distinção, por exemplo, entre a genuína filosofia taoísta de Lao Tse,
que na realidade é bem anterior a Lao Tse (tem coisa de 5000 anos) ¾e
que deu origem ao chamado princípio unificante da filosofia oriental¾
e o taoísmo religioso, a apoiar-se nos ensinamentos de um dos discípulos
de Lao Tse cujo nome não lembro no momento. Com respeito ao confucionismo
a coisa complica-se ainda mais.
Alberto, msg
anterior:
[...] Ninguém quer admitir que a física tenha caído
nesse atoleiro e aí permanecido por mais de 100 anos. Afinal, 100 anos
equivalem a pelo menos cinco gerações de cientistas. Em virtude disso
eles estão procurando por algo que não existe e, em decorrência, estão
a criar hipóteses "ad hoc" em série e a justificarem todas as
experiências que no dia-a-dia vêm falseando a física moderna, uma física
que já nasceu ad hoc, como mostrei acima.
Lígia:
Mas isso é um caso sério... justamente a ciência
que se vangloria de partir sempre para a busca de evidências acaba abraçando
a causa de quem não parte de evidências... Mais uma vez aqui cabe
a pergunta: há os que estão fazendo esse mesmo questionamento que
você faz?
Em termos de
ciência creio que mais de 90% dos cientistas que encontrei por aí adotam
o seguinte lema: Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.
A expressão que mais utilizam para justificar seus atos é método
científico. E quando falam em método científico, com grande freqüência
defendem as seguintes normas, que a meu ver estão corretas:
-
não desprezar dados
experimentais confirmados;
-
não preencher lacunas teóricas
com conceitos experimentalmente controvertidos;
-
não proteger teorias
obsoletas, ainda que dotadas de elegância e beleza matemáticas;
-
não salvar equações que se
mostraram incompatíveis com a experimentação, por mais que nos
sejam simpáticas e/ou abrangentes;
-
tornar explícitas as metas a
serem alcançadas em cada etapa da teorização;
-
propiciar revisões de
resultados obtidos em etapas anteriores;
-
propiciar o desenvolvimento de
teorias gerais (não ser limitante);
-
propiciar condições para que
as teorias sejam passíveis a críticas;
-
dotar as teorias desenvolvidas
de coerência interna;
-
abominar todo e qualquer tipo
de preconceito.
E no entanto, conforme escrevi em
trabalho anterior ao citar estas regras: Os cientistas em geral
concordam, defendem e enfatizam estas regras. Por motivos ignorados,
raramente as seguem.
Lígia:
Uma das coisas que me fascina é pensar na
diversidade das formas de vida e na forma como cada espécie encontra
meios de adaptação ao meio em que vive. O homem parece ser um dos únicos
que adaptam o meio aos seus fins. Parece que nesta característica
humana encontra-se uma outra base para o que se postula em ciência: a
adaptação de recusros para o entendimento de algo.
Sem dúvida.
Costumo dizer que o que a principal característica a diferenciar o
comportamento do homem com o dos demais animais é o fato de o homem ser
pesquisador por sua própria natureza. O homem nasce pesquisador. Essa idéia
adaptei de uma palestra (1995) do professor Wilson Luiz Sanvito, da
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo quando, como
escrevi em um de meus editoriais, expôs,
de maneira magnífica, ser parte da natureza humana o cultivo da
generalização e do conhecimento global dos fatos. O ponto culminante de
sua tese, e que empolgou sobremaneira os presentes, foi quando em meio à
temática, e num lampejo de rara felicidade, fez ver a todos que a
especialização é uma peculiaridade dos animais irracionais, como a
abelha, o pica-pau, a formiga etc.
Lígia:
[...] Se ao invés de buscar "adaptar" os
recursos, a ciência buscasse uma forma de "ser" esses recursos
(como Einstein ao se imaginar um raio de luz) acredito que muita coisa sem
explicação no momento encontraria formas mais dignas de serem abordadas
e compreendidas.
Einstein
valorizava bastante esse suposto encontro com a realidade através do que
chamava imagens de espírito, e muito de suas críticas à escola
apoia-se no desestímulo a essa maneira de aprender a realidade das
coisas.
Lígia:
[...] O fato é que esse todo é intuitivo e talvez
uma forma de compreendermos o seu significado seja justamente começar a
compreender como a mente de cada um o pressente.
Alberto:
Essa parece ter sido a preocupação de alguns dentre os filósofos da
modernidade
¾Kant, Cassirer e Popper¾
que tentaram compreender como funcionava a mente dos cientistas Newton,
Maxwell e Einstein.
Lígia:
Não estava dizendo de casos isolados, mas da forma
como a mente humana opera, da forma como o raciocínio é criado, da forma
como se pode abstrair. Da forma como o espaço-tempo nos afeta...
a criação das sequências que chamamos de "realidade" é algo
que me fascina e pressinto um grande mistério a ser resolvido a partir do
momento em que se compreenda a maneira como eventos isolados tornam-se a
realidade que se vive. Entender como o presente torna-se futuro,
como o tempo segue seu curso, de que forma ele poderia ser alterado e de
que forma esta alteração nos afetaria a todos. Em última análise,
de que forma a consciência opera, de que forma ela interage com o Todo,
de que forma cada consciência isolada tem o poder de pertencer à
realidade do Universo...
Quero crer
que o que você está propondo seria a verdadeira meditação
transcendental, algo pouquíssimo valorizado nos meios científicos.
Fica-nos então a impressão, assimilada nos meios acadêmicos, de que
isso é coisa ou de malucos ou de crackpots (aqueles que, de alguma
forma, procuraram revolucionar a ciência de seu tempo), ou de gênios
(aqueles que efetivamente conseguiram revolucionar a ciência de seu
tempo). Sob esse aspecto, perceba que é muito difícil distinguir um
cientista maluco de um crackpot e de um gênio, conquanto nenhuma
dessas categorias exista efetivamente como tal.
[ ]´s
Alberto
Temas relacionados:
Novas teorias
Ensaios sobre filosofia e ciência
orientais
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Mensagem 566
15/06/02
Lígia, na mensagem
515, escreveu:
É eu que fui "alertada" pelo Fernando SK e outros céticos
uma vez, de que não existem dogmas nem dogmáticos na ciência...
Em teoria ele
está certo mas na prática a realidade é outra e não por culpa dos
verdadeiros cientistas. Mas os verdadeiros cientistas não ficam por aí
pregando o ceticismo ou então a congregarem adeptos para que venham a
cultuar ídolos de barro. Simplesmente adotam uma postura cética sem
fanatismos se e quando a problemática do dia-a-dia assim o
exigir. Fazer ciência é procurar pela verdade, é duvidar para
acreditar, e este é o único ceticismo que os cientistas professam. Já
os céticos de carteirinha e/ou os burocratas da ciência
parecem estar procurando pela mentira: vendem imagens distorcidas e
cultuam frases extraídas da literatura científica, interpretando-as em
um contexto diverso ao daquele em que foram escritas. Sinceramente, sou cético
quanto a esse ceticismo deturpado a acobertar uma ignorância e a
desencaminhar os jovens. Sim, é verdade, os céticos de carteirinha
não pregam a guerra e aparentemente não fazem mal a ninguém, à exceção
daqueles que são expulsos de seus terreiros por dizerem o que não convém
que seja dito. Não obstante, e apesar dessa aparente inocuidade,
prestam-se como inocentes úteis aos burocratas, quando não a justificar
o charlatanismo de terceiros, posto que, e como você já constatou, eles
são muito nerds. E, como diz o velho ditado da filosofia oriental:
No extremo o yin se transforma no yang.
Sou cético
quanto a muita coisa que não conheço como, por exemplo, a homeopatia.
Mas não fico por aí a iludir os jovens de que sou o dono da verdade.
Pois apesar de graduado em medicina, não entendo nada de homeopatia.
Desta forma reconheço que esse ceticismo ingênuo apenas colabora para
que em momentos de lucidez eu consiga flagar em ação aquele ignorante
que também carrego em meu interior. Percebo então que essa ingenuidade
tem suas raízes em preconceitos que adquiri em alguma etapa da minha
existência, preconceitos esses dos quais não consegui ainda me
desvencilhar. Sim, é verdade, não podemos acreditar em tudo e a vida nos
ensina que em muitas situações devemos ficar com um pé atrás
para evitar dissabores. Mas ficar com o pé atrás não é o mesmo
que se postar como dono da verdade absoluta, principalmente quando se
desconhece o terreno em que se está pisando. Quem se diz cético com relação
àquilo que ignora, na realidade é ignorante com relação ao ceticismo
que professa.
Procurar pela
verdade não é uma tarefa fácil. Exige muita paciência, muito
despreendimento, muita atenção, muito desapego aos bens materiais,
muitos combates que travamos em nosso interior e tantos mais quantos mais
preconceitos tivermos enraizados em nossas mentes. E é também, para
aqueles que não entendem as regras do jogo, uma tarefa bem pouco
gratificante, posto que a verdade jamais se nos mostrará de maneira
absoluta. Procurar pela verdade significa seguir o Tao ou o Caminho que a
vida nos aponta. Mas jamais saberemos se estamos no Caminho certo pois... O
Tao que pode ser expresso não é o Tao Absoluto (Lao Tse).
O
"cientista" que prega o ceticismo não é um verdadeiro
cientista. Quando muito é um ser a projetar em seus semelhantes a
insatisfação por um desassossego inerente a sua compreensão do que seja
ciência. Muitos dentre esses falsos céticos negam a psicanálise não
porque ela seja cientificamente inconsistente
¾e talvez o seja¾ mas tão
somente para se justificarem, pois de alguma forma temem que essa projeção
que manifestam possa ser patológica, ou seja, algo que só Freud
explica. Em outras palavras, trata-se de um mecanismo de defesa e,
em maior ou menor intensidade, todos nós já passamos por isso. Não estão
negando a psicanálise, mas suas próprias fraquezas. Não negam o
misticismo, o esoterismo, o ocultismo, mas sua incompreensão para aquilo
que, pelo menos até o momento, não tem explicação racional alguma. A
bem da verdade, diria que são indivíduos insatisfeitos consigo mesmos e,
em virtude disso, precisam brilhar, precisam ser notados, precisam se
mostrar, mas... por não serem verdadeiros cientistas, não estão à
"procura da verdade". Conseqüentemente, não visualizam caminho
algum. Que fazem então para serem notados? Eu já disse:
especializaram-se em projeções ou em reunirem-se em grupinhos a
proferirem elogios mútuos; ou então em combaterem aqueles que não
compactuam com sua pobreza de espírito. Mal sabem eles que...
O sábio não se exibe, e por isso
brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo, ninguém no mundo pode competir com ele.
Lao Tse
Diria então
que o verdadeiro ceticismo científico é algo a retratar posturas momentâneas
adotadas por um verdadeiro cientista, mas é algo que, via de regra, não
chega a preocupar a mente do verdadeiro cientista. Ceticismo como tal, e
como disciplina, é algo que pertence à seara do filósofo, do estudioso
da epistemologia ou da teoria do conhecimento; ou ainda, quem sabe, e como
você afirma em algum local de sua mensagem, do psicólogo; ou ainda do
sociólogo; ou seja dos estudiosos do comportamento humano, seja em nível
individual, seja em sociedade. Mas esses indivíduos que produzem
contribuições significativas na área da epistemologia, da psicologia ou
da sociologia não vivem por aí a pregar o ceticismo. Simplesmente o
estudam com finalidades outras e coerentes com suas maneiras próprias de
procurar pela verdade. Em síntese: quem prega o ceticismo não é
cientista, não é filósofo, não é psicólogo... Na realidade são
evangelizadores procurando congregar as massas para a religião do "não
senso", o cientificismo.
Lígia:
A Inquisição Científica é fato e ela tem como
alvo todo e qualquer cientista que ouse pensar diferentemente dos
postulados vigentes... o interessante é que a Igreja também não
reconhecia que houvesse uma tal de Inquisição caçando as bruxas. Tanto
assim que nem constam dos autos, menções às torturas ou a quaisquer
outros tipos de meios utilizados para arrancar confissões...
Eu não conheço
em detalhes a Inquisição religiosa mas lembro que o ensino e a ciência
da época estava nas mãos de religiosos. Via de regra eu me pergunto qual
teria sido o papel da religião em si. Será que essa Inquisição também
não representou algo a retratar a política universitária da época e
que, no caso, estava nas mãos de padres? Ora, os padres são homens e
sujeitos aos mesmos vícios e defeitos próprios aos demais membros da
sociedade em que vivem. Será que a Inquisição religiosa não teria sido
um movimento a prenunciar a chegada de uma nova era, a era da vitória do
cienticifismo?
Lígia:
Meus colegas me chamavam de louca... Eu queria
descobrir um meio matemático para a Iluminação espiritual e isto em
1986... Fico imaginando o que eles dizem de outros loucos que pensam da
mesma forma agora e que já fazem públicos os seus trabalhos...
Todo esse tipo
de loucura, de uma forma ou de outra, será recompensado. Os trabalhos de
valor, permanecerão; e até mesmo aqueles que não vierem a corresponder
com a realidade, de alguma forma passarão para a história da ciência.
Mas... "o que eles dizem", o que dizem esses céticos de
carteirinha, se dissipará e o tempo se incumbirá disso, de maneira
tal a não permitir que permaneça palavra ao lado de palavra. Afinal,
alguém aqui saberia citar quais foram os inquisidores que mandaram
Galileu para a prisão e Bruno para a fogueira?
Lígia:
Eu estou abismada com o que se "prega"
nessas seitas científicistas! Alegam que a ciência é tudo e vão em
frente... Infelizmente Mario Schemberg e outros que tenham o desejo de ver
"livres pensadores" atuando em Universidades, terão que esperar
muito, ou pelo menos até que a mediocridade bitolante do modo como a ciência
é ensinada seja reformulada em essência... Como ousar "pensar"
se só o que se tem são fórmulas e equações a serem equacionadas,
experiências a serem experimentadas? É o conceito de preparação de
bolo a partir de receita de bolo... e quando se quer preparar torta, ninguém
sequer concebe alterar a ordem dos ingredientes para tanto!
Procuro sempre
ser otimista, mas frente a realidade político-educacional dos dias atuais
isso não é nada fácil.
Lígia:
Meditação Transcendental, na verdade, é o que
prepara a consciência para a compreensão do que lhe cabe realizar...
Veja que já conversamos e trocamos idéias a respeito do que a Física
Moderna perde por admitir conceitos que só se justificam pela utilidade.
Agora, e quanto ao que o ser humano vem perdendo por não saber
utilizar-se do bem mais precioso de que dispõe? A Consciência é legada
ao último plano no que se refira à ciência! Vem todo o formulário
antes, todo estofo, toda a burocracia... e nada de consciência! E ao que
tudo indica é ela a responsável até pela criação da matéria a partir
da Energia... Energia esta desde aquele momento lá atrás, do "fiat
lux" e o Big Bang, até os dias de hoje. Nem se admite que a
psicologia seja uma ciência, não há respaldo científico para qualquer
pesquisa no campo da consciência e ELA é tudo o que importa no final das
contas! Quando é que a ciência vai compreender isso? Rotula de
"espiritualismo" e engaveta, joga nas lixieras...
As vezes
procuro justificar meu otimismo dizendo que a evolução da humanidade dá-se
de maneira semelhante a da propagação de uma onda dotada de três
componentes cujos picos e vales se alternam seqüencialmente. Com essa
imagem em mente, noto que o século XVIII foi o século da filosofia, o século
XIX o século da ciência e o século XX o século da tecnologia. Iludo-me
então ao acreditar que o século XXI passará para a história como o século
do retorno à filosofia e do encontro do homem consigo mesmo e com seus
ideais nobres. E é só desta forma que consigo enxergar um mundo melhor
para os meus netos. Quem sabe eu esteja projetando para os meus netos
aquilo que meu pai, em sua juventude acadêmica, preconizou para a minha
geração com as seguintes palavras:
... E o século XX ou será o século
da síntese ou não será nada; ou
culminará na adoção de uma filosofia ou de uma idéia diretriz ou então,
a exemplo dos anteriores, continuará a trajetória infeliz e irritmada
que se vem observando em toda a parte, desde que o mundo perdeu a fé na
inteligência. (Alberto Mesquita de Camargo em "As virtudes do
passado",
1934)
[ ]´s
Alberto
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Mensagens de outras threads porém
relacionadas ao assunto em pauta
Mensagem 588
17/06/02
Olá,
Vera.
Dentre as
mensagens que nos tocam profundamente, existem aquelas que acabam por nos
deixar sem respostas, seja por nos induzirem recordações, seja por nos
identificarmos com o que foi transmitido ou, ainda, por sua "compleitude
sintética". A sua
mensagem está dotada de todas essas virtudes. Vou então apenas
reproduzir um pequeno texto que escrevi há muito tempo, meio poesia e meio
prosa, e que, dentre as recordações referidas, me veio à cabeça ao lê-la.
A ÁRVORE DA VIDA
Enquanto existir uma criança com um estilingue na mão a
se deliciar com
a matança dos pássaros...
Enquanto as nações se prepararem para a guerra e os
homens de boa
vontade se preocuparem com a
paz...
Enquanto Liberdade for apenas o nome de uma estátua...
Enquanto democracia e socialismo necessitarem de arsenais
atômicos para
sobreviverem...
Enquanto o sucesso de uns justificar a desgraça de
outros; a fome
justificar o crime; a fartura
justificar o desemprego; a Economia
justificar a corrupção; a indústria
farmacêutica justificar a
"indústria da doença"...
Enquanto não iluminarmos "a face oculta da ciência"...
Enquanto houver a preocupação de se fincar uma bandeira
na Lua ou nos
polos...
Enquanto persistir a demência do delimitar "o que
é meu", esquecendo o
homem que por detrás dessas
fronteiras existirá sempre um mundo
melhor e maior "e que é
nosso"...
Enquanto o homem não provar a si próprio que foi feito
à imagem e
semelhança de Deus...
...que não se diga que ele desvendou segredo algum.
Sequer conseguiu
decifrar o significado da palavra Universo. Sequer fez
por merecer um
milésimo do presente que Deus lhe legou.
¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤
Aviso aos "céticos"
e/ou ateus: Entendam por Deus o que melhor lhes convier, pois nem mesmo eu,
ao escrever, sabia exatamente a quê estava me referindo. Só não digam que
poderia substituir por Nada, pois o nada, no caso em apreço, não faria
sentido algum. 
[ ]´s
Alberto
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Mensagem 614
17/06/02
Fernando, na mensagem
605, escreveu:
Olá a todos e ao Alberto em particular...
O apelo ao "nada" é inegável, e seu pedido não é razoável.
Mas se substituir por "nada" não faria sentido, eu digo que nem
é preciso substituir para que essa passagem não tenha qualquer
significado prático, pragmático ou utilitário, mesmo se tomado em
sentido figurado. Ela me soa como uma apelo em última instância à
valores morais que, implicitamente, estariam (ou deveriam) estar ancorados
na alusão divina, e esse gancho é circular até mesmo pelo você disse:
"(...) nem mesmo eu sabia ao quê estava me referindo.". Essa
passagem ficaria bem mais significante se fosse "cortada" até o
trecho que eu reproduzi aqui, pois, nesse caso, tem-se uma mensagem sobre
valores. É o que me parece...
Caro Fernando
Se a mensagem é ou
não sobre valores, deixo isso a critério de meus leitores. Posso até mesmo
discutir esse aspecto mas lembro que não sou especialista no assunto e quero
crer que existam aqui outros que poderiam comentar o assunto com mais
propriedade.
Já disse, em
outras mensagens desta lista, que sou um cientista. De certa feita cheguei
também a sugerir que transportamos um fílósofo dentro de nós (mensagem
173) e, de outra, identifiquei-me também com aquele ignorante que também
transportamos em nosso interior (mensagem 566). Aliás,
costumo dizer, não sei se com propriedade ou não, pois não sou psicólogo,
que não há mal algum em se ter várias personalidades. O patológico, a meu
ver, seria deixar uma dessas personalidades tomar conta das demais.
No caso em apreço
lembro ter dito que estava apresentando um pequeno texto que escrevi há
muito tempo, meio poesia e meio prosa. Ou seja, ao escrever o texto
apresentado estava assumindo a personalidade daquele literato que
transportamos em nosso interior. Em sua crítica quero crer que você esteja
assumindo que o texto teria sido escrito pelo cientista, aquele ser preocupado
em transmitir algo dotado de "significado prático, pragmático ou utilitário".
Não, esse não foi o caso. O texto também não foi escrito pelo filósofo, e
este sim, quero crer, poderia ou não se preocupar em deixar claro se seus
valores morais estariam ou não ancorados em algum porto seguro. Não, o texto
foi escrito pelo literato medíocre que sou, mas que apesar disso aprendeu com
o Medina, um professor de Literatura para ninguém botar defeito, que
literatura é ficção. Isso não é o mesmo que dizer que essa ficção não
possa simular uma realidade mas, como disse acima, deixo isso a critério de
meus leitores. Em textos literários nem sempre é o autor quem deve se
preocupar em ancorar seus conceitos morais mas, em muitas ocasiões, deve
deixar isso a critério do leitor.
Respondo agora a
questão: Quando disse pois o nada, no caso em apreço, não faria sentido
algum, estava referindo-me a sentido do ponto de vista literário.
Não é exatamente a mesma coisa mas seria algo no estilo da chamada
liberdade poética. O rigorismo, se houver, ou se for o caso, é algo a
ser assumido pelo leitor e não pelo autor do texto. Assim sendo, permito-lhe
que, em sua leitura, corte o trecho que lhe desagrada.
Enfim, embora tenha
sido aluno do Medina durante um ano, o literato que transporto em meu interior
é tão medíocre quanto o filósofo e tantos outros e, portanto, espero que não
leve ao pé-da-letra o que estou afirmando aqui.
[ ]´s
Alberto
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