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Mensagem 20943
18/02/2003
----- Original Message -----
msg
20897
From: "Ligia Amorese"
Sent: Monday, February 17, 2003 5:12 PM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica
Olá Lígia
Dividi a mensagem em duas partes, pois a resposta ficou muito comprida.
A segunda parte seguirá amanhã ou depois.
1ª. Parte
Lígia: [...]
agora, voltando ao que um fóton possa
"carregar" a fim de provocar algum distúrbio digno de nota quando da interação com anteparos de duplas fendas, você afirma que tal
"carregamento" advém do campo eletromagnético ou algo que o valha que o está
veiculando, certo?
Antes de responder a questão, deixemos um pouco o fóton de lado e
vamos raciocinar com o significado desse "carregar", no
sentido em que a expressão costuma ser utilizada. Não sei se o "carregar"
seria hoje em dia um termo adequado, se bem que seja bastante utilizado. A
origem da
expressão deve-se aos primórdios do eletromagnetismo, quando pensava-se em
"corpo carregado de um fluido elétrico". Por razões históricas fala-se
ainda em "corpo carregado de eletricidade", mas isso hoje teria o
significado de corpo com excesso (ou carregado) de partículas negativas (elétrons) ou
positivas (prótons). Ora, se um corpo está "carregado" de elétrons,
o elétron estaria carregado de quê? De microelétrons? Existem microelétrons?
Essa é a grande dúvida que tenho levantado e nenhuma física, dessas
que estão por aí, responde de maneira satisfatória sem retratar uma
tremenda confusão entre o todo e suas partes. O "carregar" é então
um resquício dos tempos em que acreditava-se em fluidos elétricos, e os físicos
modernos ainda convivem com essa crença, se bem que poucos se dão conta disso,
pois encapuzaram seus fluidos com belíssimas equações despersonalizantes.
Eu costumo dizer que uma partícula constituinte da matéria,
independentemente da necessidade de estar ou não carregada, emite para
o espaço "alguma coisa" a relacionar-se com o seu movimento. A
menos que se pretenda dizer que ela esteja "carregada" de movimento, não
vejo necessidade dela estar carregada de mais nada. Mesmo porque, ela emite essa
"alguma coisa" continuamente e sem se descarregar. Sequer seu movimento
chega a ser alterado em virtude dessa emissão. Ela não perde matéria nem energia,
pois essa "alguma coisa" é imaterial, logo não transporta energia
(pensada como um conceito clássico).
Esse movimento da partícula, como um todo, poderia ser chamado
movimento externo (giro ou translação), a contrastar com o movimento relativo de
suas partes entre si, que poderia ser chamado movimento interno (de natureza
muitas vezes complexa). O movimento interno seria algo a se exteriorizar
através de um hipotético zoom (isto é uma analogia, bem entendido) e retrataria o
movimento (que agora já poderia ser pensado como externo)
das partículas que constituem o que chamamos partículas elementares. Essas
partículas menores seriam o "elementar do elementar", e esse
zoom poderia ser novamente aplicado até chegarmos no átomo de Demócrito, que
acredito existir fisicamente como tal.
Estou usando o significado consagrado à expressão elementar (partículas
sub-atômicas), mas essa idéia não é livre de críticas tratando-se
de um nome impróprio, da mesma forma que átomo (no sentido de sem partes, ou
indivisível) é hoje um termo impróprio, mas também consagrado como
tal. Em quântica essa impropriedade não se verifica com respeito à
elementaridade, mas é bom lembrar que estou me referindo à física clássica. A
elementaridade absoluta foi descrita por Newton com as seguintes palavras:
Parece
provável para mim que Deus no começo formou a matéria em partículas movíveis,
impenetráveis, duras, volumosas, sólidas, de tais formas e figuras, e
com tais outras propriedades e em tal proporção ao espaço, e mais
conduzidas ao fim para o qual Ele as formou; e que estas partículas primitivas, sendo
sólidas, são incomparavelmente mais duras do que quaisquer corpos
porosos compostos delas; mesmo tão duras que nunca se consomem ou se quebram em
pedaços; nenhum poder comum sendo capaz de dividir o que Deus Ele próprio,
fez na primeira criação.
A citação de Deus era costume entre os cientistas crentes da época de
Newton, mas antes que os céticos chiem, diria que a idéia em si não
implica na existência de Deus. Aliás, Newton não só era um crente como também
chega a ser citado como o último dos magos. Mas apesar disso sabia separar a
sua ciência do seu misticismo, uma característica em geral compartilhada
pela maioria dos grandes cientistas. Estes últimos não são (ou não
foram), via de regra, considerados magos mas são bastante intuitivos, e valorizam
sobremaneira essa intuição, por mais que ela esteja dotada de um sabor
sobrenatural ou místico. Aliás, fazer ciência sem um bom aparato intuitivo é
tão difícil quanto aprender a nadar sem se molhar. Nada é mais
importante para o progresso da ciência do que a intuição, e nada é mais
fundamental para o "cientista produtor de conhecimentos científicos" do
que o discernimento necessário para que consiga separar o joio do trigo.
Mas voltemos ao que interessa. Essa "alguma coisa" emitida
para o espaço em virtude do movimento, chamo por "informação do movimento da matéria".
Trata-se de uma entidade de natureza imaterial, não tem massa e
portanto não pode conter energia sob o ponto de vista da física clássica.
Lembro que energia é uma entidade definida pela física clássica e até Maxwell
significava algo transportado pela (ou contido na) matéria.
Será que essa "alguma coisa" existe? Eu diria que sim, pois
acredito que o campo é a maneira como essa "alguma coisa" se manifesta. Todo
campo que se manifesta através de forças é, em última análise, uma região do
espaço por onde trafegam "informações do movimento da matéria".
Campos
eletromagnético e gravitacional são casos particularíssimos, e creio que não retratam
um décimo do que existe de fato na natureza. Costuma-se dizer, por
exemplo, que a matéria se mantém coesa graças unicamente ao campo eletromagnético
de Maxwell, mas isso é uma simplificação por demais excessiva. A
realidade parece-me ser de outro tipo. Os campos parecem ser mais complexos no
macrocosmo, e bem mais simples no microcosmo; e tanto mais simples
quanto maior for o zoom hipotético aplicado (acima referido). A unificação
dos campos de força deve levar em consideração todos esses campos, e não
apenas os quatro campos badalados. Por falar nisso, o campo de interações
fortes, para alguém que realmente aceita a física clássica, não passa de uma
ficção desnecessária, o que não significa que não existam outros campos de
natureza diversa a manter a estrutura nuclear.
Sob essa maneira de pensar, e raciocinando-se classicamente, nenhum
campo contém energia. Maxwell pensava de maneira diversa, mas considerava-se
fiel aos cânones clássicos graças à suposição de um éter material e
como tal capaz de transportar energia. Ou seja, se quisermos conservar a física
clássica sem deturpações ideológicas, de duas, uma: Ou (1)
existe, conforme aceito por Maxwell, uma quintessência capaz de transportar e/ou de
conter energia (o éter de Maxwell) e a se manifestar como um campo; ou
(2) existe uma quintessência imaterial (o espírito da matéria de Newton, a que
estou chamando por informação) que não transporta energia, mas que exerce
um efeito sobre a matéria, dando-nos uma testemunha de sua existência
através dos campos que constatamos existirem de fato através da experimentação.
Como a energia NÃO é um essencial da física newtoniana, mas uma
entidade secundária (constructo de alto nível, como dizem alguns filósofos da
ciência), não chega a ser nenhum sacrilégio afirmarmos que ela passa
de uma partícula para outra sem, em nenhum momento, ocupar posições
intermediárias entre uma e outra. Isso não é equivalente a um salto quântico,
pois a energia pode ser pensada como uma propriedade da matéria, mas não é
um essencial em si. A conservação da energia é um achado, é produto de
uma matemática (constructo energia) que dá certo, mas não retrata a
conservação de uma entidade em si, a exemplo da conservação da matéria. Perceba
que a conservação da matéria é bem mais intuitiva do que a conservação
da energia. Uma é lógica, a outra é produto da observação. Tanto assim é que
no passado muitos cientistas sérios chegaram a procurar pelo moto perpétuo de
primeira espécie, e não sei se algum desses chegou a procurar pela criação da
matéria a partir do nada (pelo menos até surgirem os quânticos com seu vácuo
miraculoso).
Importante [estou aqui me referindo aos demais, pois creio que essa
mensagem não será lida apenas pela Lígia]: Que ninguém diga que estou aqui
propondo a descaracterização do princípio da conservação da energia. O que
estou afirmando é que a energia não precisa viajar pelo espaço para passar
de uma partícula para outra. Se "uma" partícula está no campo de
informações de "outra", essa "outra" também estará no campo de
informações da "uma", logo elas podem alterar seus conteúdos energéticos a um só tempo, e a
energia se conserva sem necessidade para apelarmos para nenhum princípio da
incerteza. Sem dúvida o assunto é um pouco mais complexo, mas não há porque ir
além no momento. No passado já discuti algo a esse respeito aqui na
Ciencialist, na msg
13904, mas o Takata acabou partindo para a gozação em cima da idéia,
então não fui muito além e deixei o dito pelo não dito.
Continuando:
A carga elétrica,
segundo Maxwell e muitos dentre os clássicos de sua
época, gera um campo que contém energia. Se a carga estiver em repouso em um
referencial inercial, este campo irá conter parte da energia desta
carga. Pense na "criação" de uma carga a partir do nada (experiência
de pensamento). À medida que seu campo vai crescendo, parte da energia da
"criação" vai se distribuindo pelo espaço. Se após a
distribuição (campo tendendo a extensão infinita) a carga sofrer uma aceleração por um
intervalo de tempo curto, o seu campo irá se alterar, novamente na direção da
carga para o infinito. Isso caracteriza um tipo de onda eletromagnética
de Maxwell. A onda seria representada por uma região do campo que está se
atualizando (está tomando ciência de que a carga foi acelerada). Na
teoria de Maxwell essa onda contém energia que se propaga pelo campo. Ou seja,
existe uma energia própria ao campo estacionário pré-existente e
existe uma energia própria à onda eletromagnética, e que está se propagando
pelo espaço e delimitando duas regiões de campos estacionários distintos.
Se pensarmos numa quintessência imaterial, tentando adaptar as
idéias
de Newton ao eletromagnetismo, as coisas serão bem diferentes. A carga elétrica
em repouso emite informações (a quintessência) relacionadas ao giro
dos elétrons (giro clássico, mas não "spin" quântico). Se a
carga for acelerada, o campo também irá se atualizar no decorrer do tempo,
porém graças tão somente a esse processo não haverá energia se propagando. Suponha, no
entanto, que por algum motivo relacionado à natureza íntima do elétron,
essa aceleração faça com que o mesmo emita corpúsculos de Newton (corpúsculos
de luz). Esses corpúsculos são materiais e portanto transportam energia
no sentido clássico do termo. Ou seja, o campo do elétron em repouso contém
informações emitidas constantemente, e não dotadas de energia alguma.
Quando o elétron é acelerado, uma certa região desse campo irá conter
informações diferentes das anteriores e a testemunharem que num determinado momento
de seu passado esse elétron foi acelerado. Nessa mesma região podem
existir corpúsculos de Newton que foram emitidos em virtude da aceleração (a
velocidade das informações e dos corpúsculos é a mesma). Se
existirem corpúsculos, essa radiação será energética; caso contrário teremos
uma radiação de conteúdo nulo de energia. Essa possibilidade de energia
nula já está comprovada tanto na prática quanto em teoria, mas as explicações
que são dadas ao fenômeno via de regra são estratosféricas e quase
sempre a se apoiarem na pura ficção, pois firmam-se na idéia de que para ser clássica,
a explicação deveria se justificar através do argumento apresentado no
parágrafo anterior (teoria da luz de Maxwell).
É interessante notar que essa região do espaço a conter os corpúsculos
de luz, na realidade contém três entidades diversas e não apenas duas.
Existem os corpúsculos, existe o campo emitido pela mesma fonte que emitiu os
corpúsculos, e existe o campo emitido pelos corpúsculos (pois estes
também são materiais e informam o seu movimento à vizinhança). Os dois
primeiros viajam juntos, mas o terceiro espalha-se a partir de um corpúsculo que
esteja viajando a uma velocidade clássica igual a c. Ou seja, os corpúsculos
de luz emitem informações a uma velocidade igual a c em relação a
eles próprios, e a uma velocidade igual a 2c em relação à fonte de luz.
Lembro que este c é clássico, e não deve ser interpretado com as mesmas
restrições e/ou com o absolutismo inerentes à relatividade moderna.
Voltemos ao elétron: Se a aceleração for do tipo do salto do elétron
de uma órbita de um átomo para outra mais estável, o número de corpúsculos
de Newton emitidos será fixo e a caracterizar o que os físicos modernos
chamam fóton. Ou seja, um fóton seria um conjunto de corpúsculos de Newton
emitidos seqüencialmente, um atrás do outro, e com seu número fixado pelo
estado inicial e final do elétron no átomo considerado. E esse estado é
regulado pelos campos que mantém a estabilidade da dupla elétron-próton no átomo,
e de alguma maneira a relacionar-se com a constante de Planck. Lembro que
esse campo não é um campo de Coulomb, pois isso já foi demonstrado por
Bohr (1913) incompatibilizar-se com a física clássica. Do contrário, teríamos
que inventar uma física a burlar alguns aspectos da teoria de Maxwell, e
essa física nada mais é senão a mecânica quântica.
Perceba então que o corpúsculo de Newton seria um pequenino pedaço do
elétron, ou seja, uma dentre as milhares de partículas idênticas que constituem o elétron. Um elétron nada mais é senão
uma infinidade de corpúsculos de Newton dispostos caprichosamente no espaço. Posso até
descrever como imagino essa estrutura em detalhes íntimos, mas diria
que a imagem, ainda que dotada de lógica, tem forte teor especulativo.
Descrevi essa natureza íntima do elétron em um livro que escrevi em 1983 e
publiquei em 1985. De lá para cá mudei muito pouco essa imagem, mas ainda não
tenho certeza de que ela se justifique plenamente.
Ora, se o elétron é constituído por corpúsculos de Newton e o fóton
é uma coleção desses corpúsculos lançados pelo elétron e alinhados, não
é absurdo pensar na existência de uma propriedade comum a elétrons e fótons. O
que o elétron informa (informação do movimento da matéria) nada mais é
senão a somatória dos efeitos de seus inúmeros corpúsculos. Se o campo
de um
elétron é diferente do campo de um fóton, isso se deve tão somente a
caprichos relacionados ao movimento relativo dos corpúsculos de Newton ser
diferente de um caso para outro. Mas a origem é uma só e o campo individualizado
é o mesmo, apenas a somatória dá um resultado diferente. Em nenhum dos
dois casos estaremos frente a um campo da teoria de Maxwell, pois este
somente surgirá quando agruparmos um grande número de elétrons na superfície
de um condutor. Somente aí surgirá a lei de Coulomb. Ou seja: 1) existe um
campo emitido por cada corpúsculo de Newton, em virtude de seu movimento; 2)
existe um campo emitido por agrupamentos desses corpúsculos, e
diferente conforme o agrupamento seja um fóton ou um elétron; e 3) existe um
campo, agora de Coulomb, emitido por agrupamentos de elétrons dispostos na
superfície de um condutor. Existirá coisa mais simples em teoria? Pois
a minha teoria trata exatamente desses campos e como explicar os fenômenos
físicos utilizando-se dessas informações do movimento da matéria.
Fora disso não existe mais novidade na "minha" física que já não
tenha sido descrita sobejamente por Newton. Ou seja, a "minha" física tem muito
pouco de "meu" que não seja a redescoberta de uma genuína física newtoniana. O maior
desafio, a meu ver, seria explicar a gravitação às custas desse mesmo
campo elementar (campo de informações), mas creio ser perfeitamente possível,
e acredito já ter chegado a esse requinte, restando-me algumas poucas dúvidas
a respeito. Mas esse é um assunto que pode ser deixado para uma outra
vez.
Ufa! Espero ter respondido a pergunta, mas...
Qual era a pergunta mesmo?
. Fique a vontade
para rebater, pois
apesar de a resposta ter sido longa, procurei sintetizar ao máximo, e queimei
muitas etapas.
Temas relacionados:
A Natureza da Luz e o Princípio da
Superposição
A energia da física moderna
Considerações sobre os essenciais
naturais
O que são ondas eletromagnéticas?
O elétron emissor de informações
eletromagnéticas
A equação do elétron e o
eletromagnetismo
Lígia:
Perguntinha primaríssima: onde dentro da física clássica pode-se construir um modelo para tais
campos e representar convenientemente as partículas a ele associadas? O mesmo
pode ocorrer com o elétron?
Creio que respondi acima, mas certamente ficaram muitas coisas
pendentes. Em caso de dúvidas coloco-me a disposição até mesmo para fazer um
update ou uma versão atualizada dessa explicação. ;-)
Alberto (msg
20853): se quisermos utilizar aquele artifício de aproximar uma solução
da dinâmica de baixas velocidades (quase-estática) para a dinãmica
de altas velocidades, isso fará sentido se, mas somente se, efetuarmos
essas correções contidas nas entrelinhas de toda a obra de Newton
e totalmente previsíveis utilizando-se a relatividade de Galileu.
Lígia:
Segundo um professor meu de Estrutura da Matéria,
Einstein teria sido um grande oportunista e bastante popular apesar de
(talvez por) suas esquisitices... agora, a partir dessa sua explicação começo a descortinar o porquê...
:) Aparentemente desde que a física foi instituída como a conhecemos hoje, já continha os
esboços finais de tudo o que veio a ser postulado a partir do início do
sec. XX, fazendo com que as conquistas da física moderna sejam meramente questões de ajuste matemático a partir de certas considerações
que ainda necessitavam de reajustes. Agora mais uma pergunta:
é nisso que você se baseia para a luta armada como defensor da Ordem Newtoniana?
Não sei se entendi, então vou responder sem ter muita certeza a
respeito do questionamento.
Quando percebi que a física moderna estava errada, cheguei a pensar que
estava frente a uma nova física. Com o tempo acabei concluindo que a física
que procurava já existia e estava perdida no tempo, pois o que se diz
hoje ser física newtoniana apóia-se na negação das principais idéias
de
Newton. Pessoalmente falando, admiro muito mais Einstein do que Newton.
Einstein, *como cientista* simbolizou a humildade e deu um exemplo a ser seguido
por todos os jovens que pretendem se dedicar a ciência; já o Newton foi
muito arrogante e egocêntrico para o meu gosto. Noto, no entanto, que a física
de Newton é perfeita e a física de Einstein está errada. Aliás o próprio
Einstein sabia que sua física estava incompleta (coisa que poucos
entenderam na época, e creio que a maioria não entende até hoje), e se não
conseguiu completá-la foi, a meu ver, porque estava se apoiando em postulados
falsos.
Lígia:
Por falar em Newton: assisti um programa da série "Experimentos que Mudaram o Mundo" da
National
Geographic em que a história de Newton é contada em seus nuances menos
explorados... dizia que Newton como outros brilhantes matemáticos
e filósofos e astrônomos (como Kepler ) acabava suas aulas nas
salas de Cambridge falando só: seus alunos não assimilavam suas
idéias e abandonavam-no antes mesmo do final das explicações. Fiquei
pensando na solidão experimentada pelos grandes cérebros...
Apesar da arrogância e do egocentrismo, ele pagou um preço caro pela
glória, e não tenho dúvidas que essa glória foi merecida. Isso que você
comenta provavelmente ocorreu na fase em que ele ainda era desacreditado. Aliás,
dizem que a obra de Newton só foi publicada graças à insistência e
ao financiamento de seu amigo Halley (o mesmo que deu o nome ao cometa), e
só fez sucesso muito tempo após e no continente europeu. Só depois disso
foi que a Inglaterra começou a acreditar no seu mais brilhante súdito de
todos os tempos. Creio que a glória subiu-lhe a cabeça, pois ele abandonou a
ciência para se dedicar à política. O Newton arrogante e egocêntrico
parece-me ter sido o Newton político. É bom lembrar que Einstein foi convidado para
ser o primeiro presidente (ou cargo equivalente) de
Israel e não aceitou. Certamente a recusa não se deu por não gostar de Israel,
mas por não se considerar a melhor pessoa para ocupar o cargo.
Alberto: Se dissermos que a partícula é puntiforme, estaremos
cometendo um erro infinitesimal capaz de se propagar numa integração, por
exemplo, de maneira a se traduzir num erro resultante brutal.
Lígia:
Entendo. Qualquer detalhe omitido ou acrescentável
pode resultar num absurdo ao final da calculeira... então seria o
caso de "achar-se" a massa de um foton, o que já foi possível,
além de um tamanho considerável em termos estruturais. Ao que tudo
indica não se está longe disso... Assim, a partir de possíveis dimensões
de um fóton, você considera que a Física Clássica possa vir a ser utilizável para fenômenos somente explicáveis pela MQ?
Esse é um requinte teórico que acredito somente a física clássica
poderá chegar. Mesmo porque a quântica já selou uma impossibilidade nesta
direção. Para ser coerente com ela mesma creio que ela não poderá chegar na
dimensão do fóton a menos de uma incerteza "bem determinada".
Existem
ainda as implicações relativistas a complicarem bastante o processo.
Lígia:
(msg
20835) O "campo" gerado por tal movimento é o que você
está considerando como "campo de informações
emitidas" por ele?
Alberto (msg
20853): Sim. Esse seria, a meu ver, o campo mais elementar e, ao mesmo tempo, a razão de ser de
todos os demais campos relacionados
a forças. [...]
Lígia:
Que interessante. E é engenhoso também.
Agora, pergunto: o que seria deformado/movimentado a partir da ação desse
"empurrão à distância"?
Se a partícula realmente for elementar (como acredito sejam os corpúsculos
de Newton) ela não se deforma, simplesmente se desloca sob o efeito da
ação a distância (como um corpo rígido reage a um campo do tipo
gravitacional, por exemplo
¾ele simplesmente cai se estiver em repouso, ou modifica
sua trajetória se estiver em movimento). Se a partícula não for tão
elementar, digamos um elétron ou mesmo um átomo, as deformações, via de regra,
serão do tipo elástica, e o efeito final será como se não houvesse deformação
alguma. Existe uma exceção importante a essa regra, mas não sei se seria o
caso de ser discutida aqui. Refiro-me a situações relacionadas ao que poderíamos
chamar termodinâmica de partículas elementares. O importante é
perceber, como disse ao responder à primeira pergunta, que a partícula pode
reagir de duas formas: ou simplesmente altera seu movimento, ou então emite também
partículas que entram na sua constituição. Se essas partículas saírem
como fótons, teremos uma situação perfeitamente elástica e reversível.
Do contrário entramos no terreno da termodinâmica dos processos irreversíveis.
Lígia: No caso de um elétron, até admite-se que haja um campo elétrico, ou mesmo magnético a ser
deformado pela ação do
movimento de translado do elétron... e um fóton, como ficaria? A
quais campos ele "deformaria"?
Como dei a entender acima, campos elétrico e magnético são campos
complexos, somatória de campos mais simples. O que existe na realidade é esse
campo elementar a se manifestar muitas vezes por efeitos complexos (empurrões
complexos, como a repulsão entre duas cargas elétricas de mesmo
sinal). Pela minha teoria não é sempre que dois elétrons se repelem, há condições
em que eles chegam a se atrair. Com o fóton a situação também é
complicada. Se eu afirmo que o elétron é um agrupamento de corpúsculos de Newton,
certamente esses corpúsculos de alguma forma se atraem, pois do contrário o elétron
se esfacelaria em virtude de seu giro e da inércia. Não é impossível
chegar a equações a retratarem esse fenômeno, o difícil está na aceitação
da hipótese de trabalho, e que reside tão somente na aceitação do campo mais
elementar e o único que efetivamente existe no nosso universo, o "campo de
informações do movimento da matéria". Os demais campos nada mais são que
somatórias particulares desse único campo efetivamente existente. Assim como
podemos construir objetos extensos com uma única peça Lego, também é
possível
se pensar em campos complexos gerados pela somatória de um único campo
elementar. Aliás, os físicos estão há séculos procurando por esse
campo, e ele está bem debaixo do nosso nariz.
Lígia:
Ou você apenas considera a interação de tal fóton/empurrão-à-distância-do-mesmo com as
superfícies e possíveis campos associados às moléculas que o componham?
Eu interpreto esse empurrão (ou puxão) a distância como equivalente
àqueles efeitos macroscópicos aos quais damos os nomes gravitação, efeito elétrico
e efeito magnético. Eles ocorrem a distância sem que vejamos nada. Solto
meu lápis e ele cai numa direção bem definida, como se soubesse que a
Terra está abaixo. Ou seja, o lápis sofre um puxão a distância do mesmo tipo de
todos esses outros puxões ou empurrões. De alguma maneira ele foi
"informado" pela Terra que a Terra estava abaixo dele. O mais é especulação. Eu tanto
posso dizer que trata-se de um efeito transportado por um éter (segundo
Maxwell), como por um vácuo quântico sofisticado e a fabricar partículas
virtuais (segundo os físicos modernos) ou por um nada (espaço absoluto) onde
viajam essas informações (segundo Newton).
Uma coisa é certa: Existe uma quintessência do universo, e nenhuma física
consegue sair do papel e ir para o laboratório se não assumir essa existência. O problema é descobrir qual dessas
quintessências é a
mais lógica. Escolhida uma, não há mais porque se pensar nas outras, a
menos que a teoria se mostre inconsistente e/ou a menos que se queira repensar a
lógica adotada. Talvez fosse o caso de os incrédulos utilizarem-se da navalha de Occam. Seguindo-se a
física newtoniana, podemos pensar tão somente em uma única entidade imaterial. Nada nessa
mão e nada na
outra. Segundo a física quântica existem incontáveis entidades estratosféricas
(partícula sem massa, partícula com massa, partícula sem massa mas
com energia, partículas virtuais, spin que não é giro, incerteza, salto
quântico, cordas vibrantes, anti-matéria, dualidade, colapso,
descolapso, táquions, não-localidade, universos paralelos, ...). Porque não
pensar em uma não-partícula sem massa nem energia a que Newton teve a infeliz idéia
de chamar por "espírito da matéria"? Garanto que não será
preciso pensar em mais nada, e a comunidade dos físicos, trabalhando em conjunto em cima
dessa idéia, que não é minha mas de Newton, conseguirá fazer a física
evoluir 200 anos em menos de cinco. Quanto ao tempo perdido no século
XX...! Digamos
que o XX passará para a história como o século da mentira. Mas ciência
é isso mesmo. Alguém tinha que explorar esse labirinto que hoje sabemos não
dar em lugar algum.
Continua na 2ª. Parte.
[ ]´s
Alberto
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Mensagem 20948
19/02/2003
----- Original Message -----
From: "Ligia Amorese" - msg
20897
Sent: Monday, February 17, 2003 5:12 PM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica
2ª. Parte
A primeira parte desta mensagem é
a msg 20943
Lígia:
Sim, mas ainda eu me atenho à idéia de que para um fóton, nada
estaria diretamente associado a ele além de sua própria velocidade da
ordem de c e da energia que ele "carregue" no movimento.
Realmente
não é fácil abandonar essa idéia. Eu estou propondo uma teoria há
20 anos e ainda hoje, e com freqüência, me flagro
"visualizando" coisas que só existem adotando-se os modelos
da física moderna. Se alguém for analisar tudo o que escrevi desde então
irá notar uma alternância incrível na imagem que durante esses anos
fui fazendo até chegar na visão atual que tenho sobre a natureza da
luz. E no entanto, trata-se de algo por demais elementar, tão elementar
que custo a crer que a verdade seja tão somente esta, e que tudo no
universo possa ser descrito tão somente com quatro essenciais. Veja que
até mesmo o termo quintessência é inapropriado, pois a rigor a
"informação" seria a quartessência da física newtoniana.
As outras três são espaço, matéria e movimento. Quintessência é
coisa do tempo dos gregos antigos, quando as outras quatro eram terra,
ar, fogo e água.
Alberto (msg
20853): É importante perceber que Planck nunca se conformou com
esse algoritmo, e é importante perceber que ninguém melhor do que ele
sabia o que poderia representar fisicamente esse algoritmo que dava
certo. Era uma coincidência fantástica, nada mais do que isso.
Lígia:
Nossa! A coincidência é tida por algo descartável... e
como foi que nos pilares quânticos tal possibilidade de encarar-se uma
"coincidência" com peso de "verossímil" pôde ser
considerada?
Eu diria
que naquela época não seria possível se pensar em nada diferente.
Afinal, o modelo matemático de Planck caia como uma luva na teoria da
luz de Maxwell e na experiência de Hertz com osciladores. E mais ainda:
havia o modelo atômico de Thomson e os supostos elétrons oscilantes de
Lorentz. Ora, que outras grandes autoridades nesta área da física teórica,
além de Thomson e Lorentz, existiam na época de Planck (além também
do próprio) após a morte de Maxwell, de Clausius e do descrédito em
que caiu Boltzmann? Talvez Poincaré, mas parece-me que este seria uma
autoridade para nós, que admiramos o seu trabalho.
Planck
simplesmente construiu uma matemática em cima dessas idéias, mas
jamais se conformou com o resultado que dava certo. Mas ele estava
sozinho nesta empreitada, pois ninguém, além de Planck, teria coragem
para enfrentar, sem bases experimentais outras, os leões
(Thomson e Lorentz) do final do século XIX e início do século XX. Em
cima disso as coisas foram se acumulando, ou seja, erros em cima de
erros. Qualquer idéia diferente
somente poderia vir a ser pensada, com base na experimentação que
estava por vir, através da experiência de Geiger e Marsden realizada
em 1909 e que deu origem ao modelo de Rutherford. Assim mesmo, somente
após a interpretação de Bohr (1913). É muito curioso que ninguém
tenha se preocupado em deixar de lado os elétrons oscilantes em troca
por elétrons em órbita. Como já comentei em outra mensagem, a projeçao
de um movimento circular é um movimento oscilatório, conforme mostra a
figura ao lado,
portanto a matemática é muito semelhante.
Bohr
chegou a receber, imediatamente após a publicação de seu trabalho,
uma carta de Oseen (1913), onde este diz o seguinte:
Como
muito bem sabe, a sua teoria levanta várias questões de diferentes
espécies. Uma é evidentemente a questão dos espectros. Outra é a
de saber como deverá ser modificada a teoria de Maxwell-Lorentz
para que um átomo do tipo que propõe possa existir. É
principalmente com esta última questão que tenho estado ocupado.
Até aqui só posso dizer que cada vez vejo melhor quão profunda
deverá ser essa modificação. Mas creio que é necessária.
Isso foi
escrito em 1913 e até hoje, ao que parece, ninguém teve a coragem de
continuar os trabalhos de Oseen. E a teoria de Maxwell está aí imutável,
funcionando no macrocosmo mas totalmente incapaz de justificar a existência
do átomo. E sem que se promova uma adaptação *decente* a ponto de que
possa vir a funcionar no microcosmo. Alguns que lêem essa carta, à luz
do que aprendem nos livros de física moderna, acreditam que Oseen
estava propondo essa balbúrdia que está por aí sob o nome de mecânica
quântica e que ninguém entende o que seja.
Pelo
visto, a autoridade de Lorentz, não só com a idéia de elétrons
oscilantes, mas principalmente com sua teoria dos elétrons livres (também
chamada teoria dos fluidos elétricos incompressíveis, aceita até
hoje como tal) deve ter inibido o jovialíssimo Bohr de pensar em algo
mais lúcido do que as famigeradas órbitas permitidas. Como um jovem de
28 anos de idade poderia pensar em fazer carreira universitária
desafiando ao mesmo tempo os dois veteraníssimos Lorentz e Thomsom?
Afinal, Rutherford já havia abalado o modelo de Thomson, logo convinha
não mexer com o outro leão da física da época. É incrível,
mas a história da ciência tem muito disso. E o mais incrível é que
se eu estiver certo em minhas críticas, esses absurdos continuaram se
propagando por mais de 100 anos, indiferentes a todos os gnomos
quânticos que foram criados em série e com a maior naturalidade nesse
tempo. Mesmo porque o cordeiro (Bohr) um dia acabou transformando-se em leão,
como não poderia deixar de ser. Sem dúvida, após terem levado a sério
essa idéia de órbitas permitidas, a conviver com os elétrons
oscilantes compatíveis somente com um modelo que já havia saído de
moda (Thomson) e a ignorar a existência de órbitas, não restava mais
nada a fazer senão despersonalizar toda a física dos séculos
anteriores.
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A Natureza da Luz e o Princípio da
Superposição
Lígia:
Nós já discutimos sobre isso lá na lista Livres-Pensadores...
e ainda é uma incógnita para mim. Ainda mais porque sou sempre rechaçada
pelas minhas idéias "místicas"... :)
Não vejo
mal nenhum nesse misticismo, desde que saiba se delimitar a linha divisória
entre o que é ciência e o que é misticismo. O misticismo de hoje pode
vir a ser a ciência do amanhã, mas não podemos pensar nisso como algo
inevitável e sim como uma remota possibilidade. Por outro lado, não
sei porque os místicos se encantaram tanto com a mecãnica quântica.
Ela é ficção pura, e aqueles que realmente entendem de misticismo
sabem que misticismo não é tão somente ficção pura. A maior crítica
que fiz ao livro de Capra (O Tao da Física) foi que ele cometeu uma
verdadeira heresia com a filosofia oriental. A meu ver filosofia
oriental é coisa séria, e física quântica é brincadeira, é piada
que já perdeu a graça. Não há como traçar um paralelismo entre as
duas.
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Ciência, materialismo e espiritualismo
Lígia:
A idéia nem é de "quebra" de tais moléculas, Alberto.
Se eu me recordo bem da explicação de meu saudoso Toshio, professor de
quântica, tal branqueamento dá-se pela emissão de fótons em efeito
"rebote"... sem comentários.
Deixemos a quântica para os quânticos.
Eu me contento em admitir a existência de uma explicação clássica.
Lígia:
Bem...
*SE* a energia fosse propagada continuamente, penso que a superfície exposta/bombardeada por tal emissão contínua
estaria sujeita a uma desestruturação contínua nas camadas de última
valência de suas moléculas superficiais sem nem ser necessário levar-se
em conta que haja diferenças de ângulo/estrutura das mesmas.
Parece que isso seria de pouca importância e é nesse aspecto que os quânticos
se revezam dando a entender que o branqueamento seria
"imediato"...
Gostei do *SE*. Pelo visto, os quânticos desconhecem esse vocábulo
quando se referem à física clássica. Meu avô costumava dizer que SE a avó
dele tivesse rodas seria uma carroça. Os quânticos não estão muito longe disso:
SE a física clássica fosse o que eles admitem, a única alternativa que nos
restaria seria irmos trabalhar no teatro de comédia que eles criaram.
Lígia: [...} É um angu, sim... mas dá estrutura para
o argumento do OMO e a camiseta do Guilherme ficando branquinha num átimo!
Sem dúvida. Eu diria que isso relaciona-se àquele algo mais (ou ad
hoc) que só a quântica consegue nos proporcionar.
Lígia:
Só um parêntesis: a idéia de tais elétrons
oscilantes é a que estipula a existência de orbitais?
Pelo contrário. Eu diria que a idéia de órbitas (sem i) [da teoria quântica
primitiva de Bohr a apoiar-se no modelo atômico de Rutherford] contrapõe-se
ou deveria ter substituído a idéia de elétrons oscilantes (de Lorentz
e compatível com o modelo atômico em pudim de passas de Thomson). Não
obstante, manteve-se as duas idéias, e em meio à confusão reinante
alguém fez uma salada mista criando os orbitais matemáticos. Esses seriam órbitas
que não são órbitas e onde os elétrons poderiam oscilar e/ou orbitar
e/ou saltar daqui para lá conforme a necessidade do freguês. Se nada disso
der certo, existe ainda a possibilidade de se pensar nos elétrons *livres*
oscilantes de Lorentz, também a gosto do freguês. Em quântica tem
sempre um jeitinho pra tudo, até mesmo para se criar novos ad hoc's sempre que
necessário for.
Lígia:
E de que tipo de carga elétrica estamos falando
quando falamos em elétrons?
Eu prefiro dizer que o elétron, ao emitir informações de seu
movimento, gera concomitantemente um campo de efeitos elétricos (bem diferente do campo
de Coulomb) e um campo de efeitos magnéticos (bem semelhante ao campo da
lei de Biot Savart). Não vejo necessidade nenhuma de dotar o eletron de um
nome a retratar esses efeitos. Carga elétrica é apenas um nome a retratar
um
efeito comum a determinados objetos macroscópicos. Ela serve apenas para
caracterizar o que há de comum a esses objetos. O elétron já tem um
nome, logo não há porque criar outro, e não há porque considerar esse
efeito como a caracterizar uma carga. Afinal, ele estaria carregado de quê?
O importante é perceber que o elétron ao se dispor na superfície de
um condutor dá origem a um campo de Coulomb, é suficiente efetuar a
integração do seu campo de efeitos elétricos. E se um grande número desses elétrons
trafegarem por um fio condutor, a integração de seus campos dará como
resultante a lei de Ampère. Toda essa matemática eu já cheguei a
checar e a demonstração está em meu website, mas não é fácil expor em
linguagem txt. Se houver interesse, poderei reproduzir a demonstração aqui, mas
precisarei recorrer a inúmeras figuras gif.
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A Equação do Elétron e o
Eletromagnetismo
Lígia:
Então, mãos à obra! A GUT merece ser
Newtoniana! :)
Sem dúvida, se existir será.
Lígia:
E se houver mesmo tal "espírito da matéria"?
Eu fissurei nessa idéia, desculpe... mas seria algo muito interessante
criar uma matemática com bases na lebre que Newton levanta como possibilidade não apenas matemática.
Eu diria que qualquer teoria de campos de interações cedo ou tarde
esbarrará nessa obrigatoriedade de levar em consideração o "espírito da
matéria" newtoniano, seja com o nome que quiserem dar. Conseqüentemente, toda
matemática de campos de interações acabará se traduzindo no que
poderíamos chamar "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural",
vulgarmente conhecido por Principia. Ou seja, o que estou propondo seria um
update, ou uma
versão atualizada, e adaptada ao nosso tempo, da genuína física newtoniana.
Lígia:
Alberto! Você é muito gentil. E eu sou
intuitiva se não posso ser culta, certo? Meus conhecimentos são parcos, só
me restando portanto uma mente aberta, uma vontade muito grande de entender as traquinagens da vida... além de uma curiosidade compulsiva.
Eu acho que o ser intuitivo não precisa
se preocupar em ser mais nada,
é suficiente deixar o barco correr e saber separar o joio do trigo.
Lígia:
Nunca peguei você de jeito antes porque fiquei penalizada de imaginar o quão cansativo seria ter
que me "aguentar"...
Então estamos empatados. Se é pra cansar é comigo mesmo.
O
Colucci, por exemplo, não me güenta. Toda vez que ele responde alguma mensagem
minha ele solicita que eu não seja "caudaloso" ou outros bichos. :-) Já
pensou se eu respondo para ele em duas mensagens quilométricas? Cruiz, credo! Ele se
naturaliza americano rapidinho.

Lígia:
...além do fato de eu querer entender o porquê do pessoal ficar jogando pedras antes mesmo de
argumentar com você.
Eu já nem sei como começou essa história, mas é anterior à
Internet. A Internet contribuiu apenas para transformar o efeito em bola de neve.
Mas eu estou aí para isso mesmo, quem sai na chuva é para se
molhar.
Lígia:
Agora, dado o tempo em que já nos vemos pelas órbitas da
internet, achei que já seria possível começar o bombardeio...
:)
Após esse primeiro bombardeio eu diria que entre mortos e feridos
escaparam todos.
Quiçá a guerra do Bush fosse assim.
[ ]´s
Alberto
Para
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da tabela no final desta página
Mensagem 20971
20/02/2003
-----
Original Message -----
From: "Ligia Amorese" - msg
20953
Sent: Wednesday, February 19, 2003 4:29 PM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica - 1ª Parte
Lígia:
O que eu entendo por "carregar" nesse sentido é o mesmo
que "estar provido de", ou em outras palavras, o que o fóton
em questão "traria/teria consigo" que seria capaz de
interagir com a superfície em questão. No caso de um fóton,
como eu já disse antes, imagino-o "provido" da velocidade com
a qual ele se "locomova", esta sim determinante da energia que
ele consiga liberar.
Perfeito.
Foi mais ou menos nesse sentido que disse em algum lugar da msg
20943 que poderíamos pensar que a partícula estivesse
carregada de movimento, pois "ela está provida de movimento".
A proposição básica seria então relacionada àquela idéia de que
"tudo é decorrente do movimento da matéria". Einstein
simplificou, a meu ver de maneira indevida, para "tudo é
movimento", dando a entender que até mesmo a matéria microcósmica
seria conseqüência desse único essencial einsteiniano. A matéria
seria o movimento de um "não sei o que". A idéia é bonita,
mas está faltando aí algum ingrediente que Einstein não conseguiu
"inventar", tanto é que a hipótese não saiu do papel.
Na física
newtoniana: 1) existe um espaço imutável e absoluto; 2)
existe a matéria que em sua expressão mais simples seria composta por
tijolos elementares (átomos de Demócrito); e 3) existe o
movimento absoluto. Existe também o movimento relativo, mas estaria
relacionado a como nós sentimos o deslocamento de um objeto em um espaço
a nossa volta e que estaria (esse hipotético espaço relativo) em
repouso em relação a nós.
Pense no
seguinte questionamento: Porque o movimento absoluto era tão importante
para Newton? Apenas para contentar seu ego? Apenas para que ele pudesse
esbanjar erudição, criando experiências de pensamento (balde e globos
giratórios)? Não! Qualquer um que se dê ao trabalho de ler os
Principia ou a Óptica perceberá que não há nada defendido com mais
ênfase do que essa idéia do absolutismo do espaço. Porque? Em que
isso interfere com suas quatro leis (mecânica + gravitação)? Em quase
nada! Tanto assim é que seus sucessores deixaram esse absolutismo de
lado e usaram e abusaram das quatro leis, e sob certos aspectos os físicos
modernos continuam fazendo o mesmo, se bem que em condições limites.
Mas esses seus seguidores acabaram criando uma física que não deu
certo. Ou como disse o Colucci, "começou a fazer água" no
final do século XIX e começo do século XX.
Do ponto
de vista epistemológico (teoria do conhecimento) o espaço absoluto
representava, para Newton, uma das essências de seu trabalho, e as
quatro leis algo de valor tautológico (redundante) ou meramente
decorrente de um melhor entendimento desta essência. Tanto é que ao
final de sua Óptica (Questão 31 da Óptica III), ao comentar sobre sua
mecância chega a dizer:
E portanto, não
tenho escrúpulos em propor os princípios de movimento, sendo eles
de uma extensão muito geral, e deixar suas causas serem
descobertas.
Ora,
porque haveria ele de ter escrúpulos ao propor as três leis de
movimento? E porque ele não teve escrúpulos ¾muito pelo contrário,
defendeu com unhas e dentes¾ quando propôs a idéia de espaço
absoluto? Algo à primeira vista muito mais esquisito do que as leis que
davam certo! Sinceramente, essa história está muito mal contada. O que
vingou, e que acabou "fazendo água", não foi em absoluto a física
de Newton, mas o menos importante de sua monumental obra.
Supervalorizou-se aquilo que era decorrente de uma essência e
desprezou-se a essência.
Perceba
que as coisas estão se entrelaçando. Que causas seriam essas a que
Newton se refere como a "serem descobertas" e a justificarem
as três leis do movimento? Pois as leis ele já havia descoberto e até
mesmo percebido que seus campos de atuação não seriam irrestritos,
como de maneira errada hoje insistem em afirmar. Mas para efetuar essa
depuração, para entender devidamente qual seria de fato o campo de
aplicação das leis de seu modelo que dava certo, ele insistia que se
perseguisse suas causas. Que físico, após Newton, seguiu essa sugestão?
Pelo visto, suas palavras foram jogadas no vazio por mais de três séculos,
e se alguém se dispôs a valorizá-las, a voz desse alguém foi
esmagada. E eu sei com que intensidade, pois estou passando por esse
esmagamento há cerca de 20 anos.
Acrescente
agora, aos três essenciais acima citados, mais um: 4) existe a
"informação do movimento da matéria", algo que Newton
deixou no bolso do colete sob o nome de "espírito da matéria".
Só nos resta agora completar o quebra-cabeças para concluirmos que as
causas a responderem pelas três leis foram enfim descobertas,
podendo-se até mesmo intuir em que condições essas leis não irão
funcionar, *da maneira como foram propostas*. Obviamente, "informação"
implica em "ação", ou seja, um campo de informações nada
mais é senão um local onde os elementos materiais trocam movimentos
entre si em um ritmo alucinante.
Mas... Se
a matéria informa que está em movimento, e essa informação é um
essencial de uma física coerente... Que raios de movimento ela está
informando? Não seria um movimento absoluto? Pois do contrário a
informação não poderia ser nunca um essencial! Para cada referencial
ela seria diferente, pois o movimento relativo seria diferente! Dá para
perceber a genialidade newtoniana? Suspeitar, no século XVII, aquilo
que quase ninguém suspeitou nos dois milênios anteriores, bem como nos
três séculos seguintes! E neste último caso, ninguém suspeitou por não
terem entendido o que Newton não só deixou escrito, mas também
defendeu com um vigor ímpar. Percebe porque é que eu digo que a física
moderna é brincadeira? Quem dirigiu uma Ferrari jamais se conformará
em ter que voltar para o seu fusquinha, por mais que ele funcione e nos
leve a qualquer lugar. Pois a física moderna nada mais é senão esse
fusquinha com pneus recauchutados (ad hoc) de tempos em tempos.
E a física newtoniana é uma só, a apoiar-se em quatro essenciais
perenes e absolutos, e quase nada mais; e coloco aí um
"quase" porque o que há a mais pode sempre ser relativizado,
a exemplo da energia.
Alberto: os físicos modernos
ainda convivem com essa crença, se bem que poucos se dão conta disso, pois encapuzaram seus fluidos com belíssimas
equações despersonalizantes.
Lígia:
Bem, no campo das equações eu não entrei ainda...
mas a idéia de partículas estarem portanto alguma coisa que as permitam interagir com o meio de forma efetiva não me parece de
todo
absurda. Todo "corpo estranho" a um ambiente quando arremessado a
este ambiente, modifica-o.
É verdade. O único cuidado que devemos tomar, ao levar essa analogia
para o microcosmo, é que no dia-a-dia trabalhamos com campos bem conhecidos,
pois os demais interferem pouco com o resultado. Já no microcosmo não
podemos desprezar as interações entre as partículas. Por exemplo, quando
estudamos o choque entre duas bolas de bilhar podemos sossegadamente desprezar a
atração gravitacional que há entre elas. No microcosmo nem sempre isso pode ser
feito sem nos levar a erros, a menos que venhamos a pensar em algo do
tipo da incerteza ad hoc de Heisenberg. A idéia de Heisenberg não deixa de
ser genial, mas acaba se esfacelando à medida em que introduzimos na física
o conceito de informação.
Lígia: Mas não é justamente a energia potencial de uma
partícula que determina o "estrago" que ela possa provocar em um
ambiente, tanto maior quanto maior for sua massa e as devidas proporções? O
que um meteorito "carrega/porta" consigo senão a energia
potencial transformada em cinética que permite o choque? Penso nisso
quando penso em partículas colidindo, por exemplo.
Tudo isso é verdade. Mas o que seria essa energia potencial?
Macroscopicamente poderíamos utilizar a analogia de um sistema dotado
de molas. Mas e no microcosmo? Se duas partículas estão presas, uma em órbita
da outra, e não enxergamos esse movimento orbital, podemos pensar que
se conseguirmos soltá-las, as suas energias (até então ocultas) se
mostrarão para nós como energia cinética. Mas o que é que estava prendendo
essas partículas? Não seria um campo de informações? Pois esse campo não
precisa ser energético, simplesmente ele deve colaborar para que a energia cinética,
que cada partícula já possuia, fique oculta ou mascarada, como se o
conjunto de duas partículas em órbita fosse uma partícula só em repouso (pois
o centro de massa do conjunto está em repouso). Existem situações bem
mais complicadas (a energia potencial de um campo, por exemplo), mas quero
crer que a solução apóie-se sempre em idéias simples e do tipo apontado.
Lígia: Daí a grande "felicidade" em ler que já foi detectada a
massa de fótons. Uma lacuna na minha concepcção de Universo foi preenchida.
Essa massa tem um sabor de massa da física moderna, a se confundir com
energia. Tanto é que os físicos modernos afirmam que o fóton, como
tal, teria massa, mas a sua massa de repouso (obviamente no vácuo) *deveria*
ser nula. Isso soa até esquisito, pois como é que uma coisa que em teoria
está proibida de permanecer em repouso *no vácuo* (decreto de Einstein)
poderia ter alguma propriedade estimável nesta condição proibida? Isso seria
impossível até mesmo pensando-se como um limite, pois o decreto não
permite que essa velocidade c seja reduzida de fator nenhum, logo não há o que
ser extrapolado. Enfim, é o que procuram nos fazer engolir, mas isso não
me desce redondo nem mesmo acompanhado pela Skol.
Sem dúvida, em física clássica podemos perfeitamente pensar em massa de fótons, mas precisaríamos
primeiro caracterizar bem o significado de massa em nível microcósmico
e, a seguir, conceituar bem o que seriam esses fótons (creio que já cheguei
a situar de leve esse problema).
Alberto: Esse movimento da partícula, como um todo, poderia ser
chamado movimento externo (giro ou translação), a contrastar com o
movimento relativo de suas partes entre si, que poderia ser chamado
movimento interno (de natureza muitas vezes complexa). O movimento
interno seria algo a se exteriorizar através de um hipotético zoom (isto
é uma analogia, bem entendido) e retrataria o movimento (que agora já
poderia ser pensado como externo) das partículas que constituem o que chamamos partículas elementares.
Lígia:
Isso levando-se em conta que tudo deva estar em
movimento.
Perfeito. E vou além: movimento em relação a um referencial absoluto,
único e imutável. Por exemplo, o referencial de um *hipotético* big-bang clássico.
Alberto: Essas partículas menores seriam o "elementar do
elementar", e esse zoom poderia ser novamente aplicado até chegarmos no átomo de Demócrito,
que acredito existir fisicamente como tal.
Lígia:
O "Indivisível"? Você está se
reportando a um hipotético "tijolo" da matéria? O que Demócrito
acreditava é que havia uma entidade indivisível quando tudo o que pudesse ser
dividido já o tivesse sido. A isso ele chamou de átomo... mas
o que se concebe por átomo atualmente está longe de ser indivisível...
Na sua opinião, o que seria tal "tijolo"?
Algo do tipo expresso por Newton (vide
abaixo, na reprodução a seguir da msg 20943). Realmente seria o indivisível, em acordo com a
concepção de Demócrito. A matéria em
sua expressão mais simples.
Alberto: A elementaridade absoluta foi descrita por Newton com as
seguintes palavras: "Parece provável para mim que Deus no começo
formou a matéria em partículas movíveis, impenetráveis, duras, volumosas, sólidas,
de tais formas e figuras, e com tais outras propriedades e em tal
proporção ao espaço, e mais conduzidas ao fim para o qual Ele as
formou; e que estas partículas primitivas, sendo sólidas, são
incomparavelmente mais duras do que quaisquer corpos porosos compostos delas; mesmo tão
duras que nunca se consomem ou se quebram em pedaços; nenhum poder comum sendo capaz de dividir o que Deus Ele próprio, fez na primeira criação."
Lígia:
Esse trecho dá uma idéia do que é o determinismo.
Gostei da sua citação. Mas isso também dá a idéia de
imutabilidade... o que não coaduna com a idéia de "matéria" uma vez que
tudo
está em movimento e em constante processo de mudança e reaproveitamento. Disso
Newton ainda não sabia, ou demonstra não ter conhecimento
no trecho que você cita...
Mas a idéia de matéria para Newton não era muito diferente, em essência,
do conceito macroscópico associado a corpos rígidos. Essa comparação,
à primeira vista, é bastante pobre. Mas enriquece-se profusamente quando
percebemos a necessidade de um "cimento" a manter esses
tijolos unidos. Esse cimento seria a "ïnformação", e isso tudo (tijolos +
cimento) faz parte da matéria macroscópica. A dissociação tijolo/cimento só faz
sentido no microcosmo. Ou seja, a matéria no microcosmo não é exatamente idêntica
à noção intuitiva que temos de matéria macroscópica, mesmo porque são
poucos os campos de informação (cimento) bem conhecidos e que concebemos em
nossa imaginação (por exemplo, as ligações atômicas através de pares
de
elétrons - ligações covalentes).
Por outro lado, nessa história de que tudo é movimento, está faltando
alguma coisa. Movimento de quê? Relativo a quê? Segundo a física newtoniana
existiriam os tijolos que estariam em movimento e em virtude desse movimento gerariam o cimento (informação) a agruparem esses
tijolos
numa complexidade crescente até chegarmos na matéria macroscópica. Seria
o yang gerando o yin e o yin gerando o yang, em sua mutação sem fim.
Sem dúvida, tudo isso retrata um determinismo teórico microcósmico,
mas não sei se nessa evolução do simples para o complexo não haveria um ponto
de quebra desse determinismo. Talvez quando a termodinâmica começar a
entrar em ação. Até um certo nível de elementaridade (creio que até o
surgimento dos elétrons) os processos parecem ser reversíveis. Aliás, acho que
tanto
no microcosmo (em sua expressão mais simples) quanto no macrocosmo (em sua
expressão mais ampla) os processos são totalmente reversíveis. É aí
que "aposto" em uma outra de minhas teorias a concluir que o
universo é eterno, sem princípio nem fim.
Lígia:
Uma idéia bonita para a matéria e tudo o que seja formado dela é a de "babuska", uma coisa
dentro de
outra, dentro de outra... e as vezes eu me pergunto quais seriam as implicações
de tal processo extendendo-se ad infinitum... sem nenhuma pedra fundamental suportando o resto.
A idéia realmente é bonita, mas acho que inevitavelmente acabaremos
por chegar num átomo de Demócrito. O que não se pode é deixar de lado a
necessidade do cimento, pois como diria Poincaré, um conjunto de
tijolos não é uma casa.
Lígia:
Deus não é descartável, nem precisamos dele para a compreensão das coisas... portanto
tanto faz. Os céticos
ateus que me perdoem mas penso que pelo fato de estarmos "imersos/contidos" em Deus, mesmo a não crença nele não representa risco
:))
Concordo e acho mesmo que o cientista,
enquanto tal, deve deixar todas
as suas crenças de lado, até mesmo a crença no ateísmo. Nas horas vagas
o cientista poderá crer no que quiser, pois não existe uma conduta que
seja mais científica do que a outra. Sinceramente, a ciência não está com
toda essa bola, como pretendem os cientificistas, sejam eles crédulos, sejam
ateus.
Alberto: ..."informação do movimento da matéria". Trata-se de uma entidade de natureza imaterial, não
tem massa
e portanto não pode conter energia sob o ponto de vista da física clássica.
Lígia:
Mas a partícula que comporte tal "alguma
coisa" tem energia, ou não? Veja que deslocando o foco do "continente"
ao "contido" o quadro não muda muito de figura: tudo o que
importa é a
energia que permite que as reações aconteçam.
Eu penso na energia como uma expressão do movimento da matéria. A
energia não deixa de ser um artefato útil, mas é um artefato. O que existe é
movimento, e esse é a meu ver absoluto. Um objeto, mesmo macroscópico,
somente estará em repouso absoluto se estiver no referencial de um hipotético big-bang clássico. Ora, a nossa Galáxia move-se no
Universo numa velocidade muito próxima (se não igual) à velocidade da luz em
relação a um possível referencial fixo nesse hipotético ponto singular. Não
obstante, qual é a energia cinética de um objeto em repouso na Galáxia?
Depende do referencial! No referencial fixo à Galáxia essa energia é
nula. Ou seja, a energia é um artefato útil na resolução de problemas do
dia-a-dia, mas em teorização ela passa por totalmente desnecessária
ou redundante, pois os essenciais espaço, matéria, movimento e informação
(todos absolutos) já nos definem todas as demais propriedades físicas
do universo em consideração.
Lígia:
Sem tal "energia", nada estaria acontecendo.
Concordo, mas poderia dizer a mesma coisa de outra forma: "sem
movimento da matéria nada estaria acontecendo". A diferença está somente na
fixação dos essenciais a serem aceitos como tais.
Lígia:
Algumas vezes, em alguns devaneios, eu vejo a origem do Universo como a origem do movimento
e do constante aproveitamento energético desencadeado pelo "empurrão" inicial.
Nada de misterioso, só algo que não para porque ainda tem energia... E aí,
como ficamos?
Cientificamente falando eu não consigo ver nem início nem fim para o
Universo. Extra-cientificamente falando, diria que ou ele sempre existiu
como tal, ou então ele foi criado por um ser superior. Com respeito a
seu destino: ou ele sempre existirá como tal, ou ele será destruído por
um ser superior. Em resumo: Não acredito nem em um efetivo big-bang e nem em
um efetivo big-crunch. Obviamente eu tenho que resolver esse problema sob o
ponto de vista da termodinâmica, mas não me parece ser nada impossível.
Acredito mesmo já ter chegado à solução e não me parece ser uma hipótese
ad hoc, mas uma hipótese necessária: a da existência dos entropinos, que
acredito serem os próprios neutrinos [Espero que os quânticos não
venham me cobrar royalties por isso.
]. Seriam corpúsculos de Newton atípicos
e em essência idênticos àqueles que entram na constituição dos fótons,
mas propagando-se de maneira atípica e, em virtude disso, incapazes de
entrarem num elétron, proeza essa que os fótons realizam com a maior
facilidade.
Temas relacionados:
Variáveis escondidas e a
termodinâmica
Lígia:
A grande dificuldade em achar uma "pedra"
de apoio para a compreensão do Universo é a diversidade. Dá-se logo de
cara com "infinitas" partes contidas/contendo tantas outras
infinitas porções e seus campos de atuação. Mas há um jeito de
simplificar tal quadro e é justamente projetar para as demais partes o que uma só parte, ou grupo de partes, represente. É mais ou
menos nisso
que se apoiam os físicos que defendem o Universo Holográfico. Você
acha que tal idéia é baboseira?
Nada contra uma idéia nascente, muito pelo contrário. Acho que uma das
falhas da nossa escola é inibir o potencial criativo dos jovens. Por
outro lado, como eu critico adoidado a física quântica, muitos me confundem
com um cético ingênuo, a combater o que não entende. O problema é que a
teoria quântica está por aí há mais de 100 anos e ainda não justificou um
por cento da fortuna que já se investiu nessa idéia, além do que os próprios
quânticos de respeito vivem repetindo que não a entendem, enquanto outros ficam
enganando a mídia e a população com milagres que efetivamente não aconteceram. Ora, creio não existir nada de natureza tecnológica
produzido no século XX que não seja passível de uma explicação através de
uma física clássica genuinamente newtoniana. Logo não devemos confundir progresso
tecnológico com progresso de uma disciplina que ainda não conseguiu se
justificar com tal.
Essa história da holografia eu entendo pouco, e o pouco que li foi de
um livro e de alguns artigos do David Bohm. A idéia não me parece má,
mas não chegou a me convencer. É como aquela história do "tudo é
movimento" de Einstein (aliás, a idéia de Bohm tem muito a ver com seus
diálogos
com Einstein na década de 50). Está faltando aí alguma coisa de muito
essencial, e o trabalho do Bohm deu-me a mesma impressão. Ele parece ter
visualizado alguma coisa que ele próprio não conseguiu entender. Isso é muito
comum ocorrer apos um insight, mas o tempo passa e as coisas
tendem a clarear, ou surgem pistas novas. Não sei se surgiu algo desse tipo
em cima dessa idéia, mas parece-me que não, pois do contrário teriam botado a boca
no trombone e muito provavelmente isso teria me chamado a atenção. O que
eu li depois disso não me pareceu esclarecer nada.
Alberto: Como a energia NÃO é um essencial da física newtoniana, mas
uma entidade secundária (constructo de alto nível, como dizem
alguns filósofos da ciência), não chega a ser nenhum sacrilégio
afirmarmos que ela passa de uma partícula para outra sem, em nenhum momento,
ocupar posições intermediárias entre uma e outra. Isso não é
equivalente a um salto quântico, pois a energia pode ser pensada como uma
propriedade da matéria, mas não é um essencial em si.
Lígia:
Isso! É bem mais coerente! E é bem mais
coerente ainda com a idéia de "imersão" em algo como Deus, por exemplo, ou
Consciência, como diria um Goswami da vida.
A esse respeito eu diria que a ciência é neutra. A boa teoria não
implica em sua potencialidade em nos aproximar de Deus. A esse respeito já citei
aqui na Ciencialist que um professor chegou a criticar com veemência a minha
teoria pois ele já havia concluído que a teoria quântica seria a única
capaz de justificar a sua crença na existência de Deus, dando a entender que
ao desafiar a teoria quântica eu estava me postando como um herege no
sentido religioso do termo. Pobre coitado! Sua fé é tão grande quanto seus
conhecimentos em mecânica quântica, e quero crer que pela primeira vez
os quânticos irão concordar comigo
. Por outro lado, e como já
afirmei, todo teorizador deve ser intuitivo, e isso implica em conseguir, de alguma
maneira, se comunicar com o cosmo. Mas não vou além disso, pois não
sei o que seria essa comunicação, e pode bem ser um fenômeno ilusório.
"Deus, oh Deus, onde estás que não respondes!" (Castro Alves). Seria essa
comunicação uma resposta? Sinceramente não sei e não vejo como saber, a não ser
através da fé e de mais nada.
Lígia:
Veja que quem admite a idéia desse vácuo gerador de pares de partículas está na realidade
negando veementemente uma intervenção externa
ao processo criativo do Universo. Existe um algo mais que está
sendo terminantemente negado com tais idéias de "auto-suficiência"
da matéria.
Mas não deixa de ser uma negação boba. Eu não afirmo que Deus existe
nem que não existe, mas se existir espero pelo menos que seja mais
inteligente do que eu. Ora, esses indivíduos, se assim são, estão se iludindo com
a inexistência de um Deus que, caso existisse, seria mais imbecil do que
eles. Pobres coitados! Que falta de imaginação para criar um Deus
inteligente!

Lígia:
Interessante... mas qual a natureza de tais
corpúsculos? Um fóton é um fóton... :) E um
corpúsculo de Newton
seria o que? Qual analogia seria aplicável aqui? Seriam o mesmo que
fótons?
Ou estariam intimamente relacionados ao "espírito da matéria"
sendo portanto emanações físicas da mesma?
Quero crer que as respostas estão implícitas no restante da msg e pela
primeira leitura rápida que fiz parece-me que você foi entendendo à
medida em que ia lendo o texto. Se eu notar que persistiu alguma dúvida
retornarei ao tema.
Lígia: [...]
A idéia de corpúsculos de Newton é
interessante sob o prisma de aceitar-se o espírito da matéria. Mas peca pelo
fato de já ter sido possível detectar-se fótons e atribuir-se massa a
eles. Bem... a idéia de um único fóton ser uma sequência de
corpúsculos de Newton em número fixo de acordo com os estados iniciais e finais
de um elétron não soa tão "distoante" assim... mas abre brechas para a expeculação de como tais corpúsculos estariam dispostos...
em qual sequência e assim por diante. Ao invés de simplificar acaba
complicando mais.
A figura
abaixo talvez possa ajudar. A figura não é de Newton e o giro dos corpúsculos também
não, mas ela foi imaginada tomando-se os argumentos de Newton e contemporizando-os à nossa
época.

Temos aí quatro corpúsculos de
Newton propagando-se pelo espaço. Seus giros estão alternadamente em oposição.
Pense, por exemplo, no comprimento de onda dessa "luz" como sendo a
distância entre o primeiro corpúsculo representado e o terceiro
(aquele que gira no mesmo sentido). A freqüência dessa "luz" decorre
também desse argumento. O que seria então um fóton? Seria um conjunto semelhante a
esse com 4 corpúsculos, porém com um número "x" (creio que bem
maior do que 4) que seria ditado pela quantidade de corpúsculos que saíram de
um elétron quando este saltou de uma órbita para outra mais estável. Se esse
mesmo elétron receber a mesma quantidade "x" de corpúsculos de luz
alinhados (ou seja, algo idêntico ao fóton que emitiu), ele saltará de volta para a
órbita de menor estabilidade.
Vou agora tentar avançar um pouco rumo à especulação. O que irei
citar agora não é para ser levado muito a sério, mas também não é para ser
desprezado como idéia. Veja a figura ao lado. Num exame rápido tem-se a impressão que seria a mesma figura anterior
apenas com os corpúsculos viajando segundo uma circunferência. Mas perceba
que não é exatamente isso. Agora os corpúsculos estão viajando segundo uma
circunferência, mas numa direção perpendicular à anterior. Ou seja,
na figura acima os corpúsculos propagam-se numa direção perpendicular ao
eixo de giro e na figura ao lado os corpúsculos propagam-se segundo
o eixo de giro. Só para provocar os quânticos (e em particular o Colucci
que me acusou de copiar coisas quânticas), vou dizer que no primeiro caso
os corpúsculos propagam-se na forma bosônica (obviamente, seriam bósons
clássicos), enquanto na figura seguinte eles são apresentados como se propagando na
forma fermiônica (ou de férmions clássicos). As duas
figuras são portanto coisas totalmente diferentes, embora constituídas por
agrupamentos de uma mesma partícula.
Esta segunda figura
apresentada pode ser pensada como sendo uma aliança de dedo. Nesta figura
estão representados oito corpúsculos. Imagine agora essa aliança com
centenas ou milhares de corpúsculos idênticos a esses (obviamente também
milhares de vezes
menor em tamanho, para uma circunferência de tamanho proporcional). Isso seria, a
meu
ver, um *quase*-elétron. Pegue agora uma aliança, imagine-a como sendo
dotada desses corpúsculos em órbita, segure-a com o polegar e o indicador, e
gire-a em cima de uma mesa. Se a rotação for razoável, a aliança irá se
assemelhar visualmente a uma bolinha girante. Se adicionarmos a essa bolinha
girante toda aquela complexidade já descrita [corpúsculos girando sobre si
mesmos + corpúsculos em órbita segundo mostrado na figura + órbita (aliança)
girando sobre si mesma] o resultado será aquilo que eu concebo como sendo um
elétron, aquela partícula que segundo o Colucci seria proibida pela termodinâmica colluciano-quântica (termodinâmica
esta a apoiar-se provavelmente no modelo e/ou equação de Lorentz-Dirac, com suas mil e
uma hipóteses ad hoc associadas).
Vamos continuar especulando. Se você conseguir
imaginar esse conjunto, perceberá que esse hipotético elétron [ou essa "bolinha"
girante - giro clássico], está dotado de algumas particularidades geométricas
interessantes. Por exemplo, se por um motivo qualquer o conjunto todo for impelido a
girar mais rápido, e de maneira tal que isso possibilite a liberação de
alguns de seus corpúsculos, pergunto: Qual seria o corpúsculo mais propenso a
escapar desse elétron? Não seria aquele situado no equador do elétron? E qual
seria o segundo? Não seria aquele que está do outro lado da aliança, também
no equador e em oposição ao primeiro? Isso está representado na figura
ao lado (a figura não está muito boa, trata-se apenas de um rascunho, mas
acho que dá para perceber o
que estou propondo). Compare agora o conjunto de corpúsculos que é lançado
pelo elétron com aquele mostrado na primeira figura acima. Ou seja, é assim
que vejo um elétron emitir um conjunto de corpúsculos de Newton, que poderá
ser um fóton se a emissão ocorrer num salto do elétron de uma órbita atômica
para outra (estou falando em orbita clássica, não em orbital quântico).
Bem, geometricamente falando é isso, mas
fisicamente não é fácil
comprovar a estabilidade dessa partícula. Mas também não deve ser nada impossível.
Infelizmente fui obrigado a deixar essa comprovação de lado, pois
coisas mais importantes estão a espera de solução e estou sozinho nesta
empreitada (lembro ainda que a conservação de momento deve ser observada
no lançamento do fóton, mas como não fixei a causa, não há como se pensar no
efeito).
Alberto: Descrevi essa natureza íntima do elétron em um livro que
escrevi em 1983 e publiquei em 1985. De lá para cá mudei muito pouco essa
imagem, mas ainda não tenho certeza de que ela se justifique plenamente.
Lígia:
E o que daria a "consistência" corpuscular
a um único elétron tomando-se este modelo composto, por assim dizer? Que tipo de
forças estariam envolvidas? Qual a natureza dessas mesmas forças?
Seriam forças do tipo que escrevi
mensagem 20853, quando fiz a analogia com o "andar no
vácuo". Do ponto de vista matemático
isso é uma verdadeira loucura, mas não tenho dúvidas de que mais cedo ou mais
tarde chegaremos a um equacionamento a constatar se essa partícula imaginária
pode ou não ser estável, a despeito do que afirma a termodinâmica quântico-colucciana.
Lígia:
...mas mesmo assim a minha dúvida permanece: de qual
ordem seria a força a unir tais corpúsculos de forma tal a obter-se um fóton,
ou um elétron, ou prótons e nêutrons?
Bem, não respondi de maneira satisfatória, apenas forneci um caminho a
ser seguido por cima de uma especulação a meu ver bem fundamentada. Quanto
a prótons e nêutrons as coisas se complicam bastante. Perceba que
estamos falando na estrutura íntima da matéria e até agora não apareceu nada
a sugerir a existência de um campo gravitacional. Não é estranho isso?
Onde está a gravitação afinal? Não é uma propriedade da matéria? Mas a
partir de que nível da estrutura da matéria? Eu diria que a gravitação está
relacionada à complexidade estrutural do nêutron. Este, por outro
lado, guarda um parentesco íntimo com o próton que, por sinal, em sua
estrutura grosseira (num primeiro zoom após a "visualização do átomo)
assemelha-se muito com o elétron (principalmente pelo fato de ser uma partícula
também girante). Mas eu acho que para seguir esse caminho teríamos que
discutir muitas outras coisas.
Queria apenas chamar a atenção para um fato citado por Newton: A
gravitação "não é uma propriedade inata, inerente e essencial à matéria".
Se isso for verdade, e não tenho dúvidas que é, nem todas as partículas ditas
elementares geram campos gravitacionais, o que *não é o mesmo que
dizer que não tenham massa inercial*. Putz! Você está afim de destrinchar todos
os detalhes íntimos da minha teoria?
Para mim seria ótimo, mas quero
crer que se eu continuar expondo minhas heresias mais extravagantes, muito em
breve acabaremos sendo expulsos da Ciencialist. :-) ou seria :-( ?
Lígia: [...]
Mas veja que a natureza de tais partículas ou corpúsculos
de Newton deve estar bem estruturada a fim de dar sustentação a seus argumentos.
Sem dúvida. Esse é o caminho que devo seguir e deveria ser o ponto
fundamental a orientar meus críticos. Não obstante eles preferem me
criticar porque as "minhas" partículas contrariam os postulados da física
moderna. Ora, e eu com isso! Quem tem que dar conta desses postulados absurdos são
eles, não eu. Minhas hipóteses são outras. Sem querer bajular, esta
é a primeira vez que estou recebendo uma crítica aprofundada e ao mesmo
tempo decente.
Lígia:
Afinal, como uma idéia transforma-se em teoria e daí para Lei?
Sei, sei, tem muita coisa escrita aa esse respeito, mas gostaria da sua opinião.
Essa resposta realmente é longa, e comento alguma coisa a respeito no
artigo A práxis científica, em especial no item 3.2 - A espiral
da práxis. *Muito* resumidamente diria que "teoria é um conjunto de hipóteses
coerentemente interligadas, tendo por finalidade explicar, elucidar, interpretar ou
unificar um dado domínio do conhecimento". Uma hipótese
"comprovada" através de uma observação controlada (teste e/ou experiência) nos permite
suspeitar, através de um raciocínio indutivo (do singular para o geral), sua
condição de lei. Um outro artigo no qual comento alguma coisa a esse respeito é
Teoria sobre o método científico.
Lígia:
Nossa! Lendo isso dá até a impressão de que
Heisenberg só formulou seu princípio da incerteza para salvaguardar a natureza íntima da matéria de expeculações...
:))
Por incrível que pareça, gosto muito do Heisenberg. Ele não tem culpa
nenhuma de ter tido tão mal seguidores, como esses que andam por aí.
.
Ele simplesmente procurou por uma saída, e acabou se perdendo num
labirinto. Mas fazer ciência é isso mesmo. O que não podemos é ficar
parados
nesse labirinto. Creio que Bohr incentivou bastante o Heisenberg a prosseguir
por esse caminho que não iria dar em lugar algum.
Alberto: Pela minha teoria não é sempre que dois elétrons se
repelem, há condições em que eles chegam a se atrair.
Lígia:
E quais seriam tais condições? Acho
interessante a forma como sua teoria casa com certos princípios que fazem parte de
outro ramo de conhecimento ancestral que diz que "semelhante atrai semelhante"...
Neste caso vou responder mostrando como seria o casamento da minha
teoria com a lei de Ampère. Vou apelar para uma figura do meu website,
exposta abaixo

e vou reproduzir aqui o texto que a acompanha:
A força magnética que surge entre
duas correntes elétricas é conseqüência da somatória dos torques
orientacionais. A figura mostra como dois elétrons de uma corrente elétrica agem
sobre um elétron de outra corrente. Graças à simetria do sistema, o efeito
resultante é uma atração dos fios condutores. A essa força resultante dá-se o
nome de força magnética.
Neste caso, a atração entre os semelhantes dá-se
pelo que eles têm de diferente, como mostro na figura seguinte.

Ou seja, essa idéia casa-se com o conhecimento ancestral que você
expôs sem ir
contra o também ancestral princípio oriental a dizer que yin repele yin e
yang repele yang.
Temas
relacionados:
O elétron segundo Lao Tse
Lígia:
Fico imaginando a "papa" primordial logo no
início do Universo, se é que ele teve algum. Baseando-se nisso que você
diz, como você imagina tal início?
No passado eu já cheguei a me preocupar com isso, e cheguei a
bolar
alguns modelos. Mas desisti a partir do momento que conclui que o Universo é
eterno, sem princípio nem fim. O big-bang não existiu, ele existe
ainda hoje, e tem a função de realizar a negüentropia do Universo. É por
isso que digo que a entropia do Universo não aumenta. A entropia aumenta no
Universo que enxergamos, mas esse aumento se desfaz com a reestruturação da matéria
em seu estado primordial. A nossa Galáxia vai se consumindo em
entropinos à medida em que viaja para os confins do Universo, mas outras galáxias são
reconstruídas a partir desses entropinos que realimentam eternamente o big-bang.
Alberto: Solto meu lápis e ele cai numa direção bem definida, como
se soubesse que a Terra está abaixo. Ou seja, o lápis sofre um puxão a
distância do mesmo tipo de todos esses outros puxões ou empurrões. De
alguma maneira ele foi "informado" pela Terra que a Terra estava
abaixo dele.
Lígia:
Como se houvesse um meio unindo "ambas as
extremidades" de um mesmo ato?
Se entendi a analogia, acho que é isso mesmo. A informação é emitida
continuamente pelas duas partes, logo é como se algo estivesse unindo
os corpos.
Bem, espero ter respondido o principal. É possível que eu demore um
pouco para responder a outra parte, pois amanhã estarei em um simpósio que
provavelmente me tomará o dia todo.
[ ]´s
Alberto
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