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Mensagem 21001
22/02/2003
----- Original Message -----
msg
20956
From: "Ligia Amorese"
Sent: Wednesday, February 19, 2003 11:04 PM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica 2ª.Parte
Lígia: Olá de novo, Alberto!
Olá, Lígia.
Ói eu aqui trá veiz!
Alberto
(msg 20948): ... trata-se de algo por demais elementar, tão elementar que
custo a crer que a verdade seja tão somente esta, e que tudo no
universo possa ser descrito tão somente com quatro essenciais.
Lígia: Já disseram que a verdade liberta, não? E que
quando esta fosse realmente percebida, a simplicidade da mesma seria
"gritante". Se não me engano foi Kalil Gibran quem disse algo
parecido :))
Pois é. Alguém também já disse que a natureza é simples e o homem a
complica.
Alberto: até hoje ao que parece ninguém teve a coragem de continuar
os trabalhos de Oseen. E a teoria de Maxwell está aí imutável,
funcionando no macrocosmo mas totalmente incapaz de justificar a existência
do átomo. E sem que se promova uma adaptação *decente* a ponto de que
possa vir a funcionar no microcosmo.
Lígia:
Mas modificando-se teorias não se está incorrendo
no mesmo que Plank fez? E veja que o mingau começa da água...
e está dando no que deu...
Sem dúvida a analogia é boa, mas não consigo responsabilizar Planck
por isso. É verdade, ele pensou na existência de minúsculos osciladores
de Hertz como sendo fontes de radiações pensadas como ondas de Maxwell.
Concluiu então que a energia desses osciladores deveria ser quantizada para que
conseguisse chegar na lei de Wien. Não havia como se pensar na época
em outro tipo de fonte de radiações. Coincidentalmente Planck estava ratificando a idéia de elétrons
oscilantes da teoria de Lorentz, mas
ele chega a afirmar que não partiu dessa hipótese. Na realidade a preocupação
de Planck era a de chegar na demonstração da natureza não-estatística
da segunda lei da termodinâmica, dedução esta a apoiar-se no
eletromagnetismo de Maxwell.
Até então a teoria de Maxwell não estava em xeque. O panorama começou
a se modificar em 1905, com a interpretação de Einstein do efeito fotoelétrico.
Foi essa interpretação, amplamente refutada por Planck, que empacotou
as ondas eletromagnéticas em fótons (o termo fóton parece-me que não é
de Einstein). Qualquer semelhança entre os quanta de Planck e os fótons
(ou pacotes de luz) de Einstein é mera coincidência.
O passo seguinte veio com a interpretação que Bohr deu ao modelo atômico
de Rutherford. Essa interpretação mexeu com todas as bases do
eletromagnetismo, até então não comprometido (a não ser no seu capítulo acessório
relacionado à natureza da luz). A denüncia de Oseen refere-se à constatação
desse rebuliço acontecido na teoria. Por outro lado, ao mesmo tempo em que não
se modificou de maneira decente a teoria de Maxwell, passou-se a despersonalizá-la totalmente. O
que era uma teoria física de fato,
regrediu! Transformou-se em um modelo a dar certo em condições macroscópicas!
Um mero conjunto de algoritmos a darem certo. Ou seja, com isso a física
involuiu, caindo naquele atoleiro que já citei e onde permanece até hoje.
Alberto: Alguns que leem essa carta, a luz do que aprendem nos livros
de física moderna, acreditam que Oseen estava propondo essa
balburdia que está por aí sob o nome de mecânica quântica e que ninguém
entende o que seja.
Lígia:
A balbúrdia é mais resultado de uma espécie de
"faça você mesmo" do tipo: já que não tem alguma coisa séria
para dar bases às idéias, vamos contruir algo...
De fato. A física saiu da era das grandes "descobertas" e
entrou para a era das "invenções" (e infelizmente não posso dizer que sejam
grandes, pelo menos no sentido nobre do termo).
Lígia:
Misticismo, no meu entender, é algo que permite ao
ser humano contemplar o "algo" que nos une, não só à natureza
como ao próprio Universo. As práticas místicas são uma forma de
treinar a
mente para perceber que não somos partes isoladas de algo exterior mas partes
de um todo que pode ser percebido nas partes que o compõem, inclusive
em nós mesmos.
É uma pena que tão poucos consigam entender isso que você diz. Via de
regra, confunde-se misticismo com charlatanismo, e esses que confundem não
percebem que ingenuamente estão favorecendo o charlatanismo. Seriam os inocentes úteis a, paradoxalmente, facilitarem a
proliferação daquilo
que supostamente estariam atacando.
Lígia:
O que fascina os místicos quando lendo sobre a quântica é que ela dá margem para interpretação
de que há uma
"intervenção direta" do observador com relação aos fenômenos, como é o
caso do colapso da função de onda... no mais, é só isso associado
a outras vertentes dentro da própria quântica que defendem o holismo, ou a aplicação dos fractais para a compreensão do que ocorre
a nível
sub-atômico e no nosso nível de existência sendo interpretados como Universo
Holográfico... Isso, sem os aparatos científicos,
já é "conhecido" dos místicos desde que os primeiros
shamans decidiram contar aos demais o que eles viam em seus sonhos. E eles viam
que tudo está unido em um nível subjacente, obedecendo a uma espécie
de comando "interior" que se estende aos confins de tudo...
Pois eu acho que estão se iludindo com as invenções dos quânticos. A
física de Newton tem tudo isso e muito mais, e Newton, como místico que era,
soube separar o joio do trigo, criando uma verdadeira ciência. Como eu disse,
o misticismo de hoje pode vir a ser a ciência de amanhã, e acho que essa
é uma condição necessária, mas não suficiente. Será que os místicos da
atualidade não estão tentando inverter o processo? Estariam pretendendo partir da
quântica, uma "ciência" inventada na obscuridade, para
construir um novo misticismo? Eles que me perdoem, mas parecem estar caindo no mesmo
atoleiro. Esse misticismo não dará bons frutos, pois é estéril.
Alberto:
Meu avô costumava dizer que SE a avó dele tivesse rodas
seria uma carroça. Os quânticos não estão muito longe disso: SE a física
clássica fosse o que eles admitem, a única alternativa que nos
restaria seria irmos trabalhar no teatro de comédia que eles criaram.
Lígia:
Estão representando o papel deles... uma idéia
atraente e que dá certo quando submetida a testes acaba sendo sedutora, não? Parece aquela história da mulher fatal que envolve seus
amantes e estes, quando se dão conta, percebem que perderam tudo, nada mais restando do que
permanecerem à mercê da vontade de sua
"dona"...
Vou guardar essa idéia para provocar meus amigos quânticos.
Eles merecem. Por incrível
que pareça eu tenho amigos quânticos
.
Alberto:
O importante é perceber que o elétron ao se dispor na superfície
de um condutor dá origem a um campo de Coulomb, é suficiente
efetuar a integração do seu campo de efeitos elétricos. E se um grande número desses elétrons trafegarem por um fio condutor, a integração
de seus campos dará como resultante a lei de Ampère. Toda essa matemática
eu já cheguei a checar e a demonstração está em meu website, mas
não é fácil expor em linguagem txt. Se houver interesse, poderei
reproduzir a demonstração aqui, mas precisarei recorrer a inúmeras
figuras gif.
Lígia:
Gostaria muito de ver. Está lá no seu site sob
qual título?
A teoria está publicada sobre o título
A equação do elétron e
o eletromagnetismo (na página linkada está o índice do artigo,
podendo-se daí ir para os capítulos ou subdivisões). A demonstração da compatibilidade com a
lei de Coulomb está no capítulo 4. A
demonstração propriamente dita começa no item 4.2.1 e termina no 4.3.1 (inclusive).
A lei de Ampère eu nem precisei me dar ao luxo de demonstrar, pois ela sai
quase que diretamente do que chamo "equação do elétron", que é
apresentada no capítulo 6 (lembro que a lei de Ampère pode ser obtida a partir da
integração da lei de Biot Savart). Um resumo do trabalho pode ser lido em Sobre a natureza físico-matemática do elétron". Um outro artigo
bastante relacionado ao que estamos discutindo é O elétron
emissor de informações eletromagnéticas.
Lígia: PS: Não querendo desfazer de sua boa vontade em explicar
tudo de forma tão eloquente, eu me vi quase que na obrigação de
responder a esta mensagem "amputando-a" em alguns trechos já vistos
na primeira parte, bem como alguns trechos em que você explica o que ocorreu durante os
primeiros respiros da quântica pelo fato de eu ter lido
e compreendido não havendo portanto necessidade de maiores elucidações. Senão iríam sugerir minha expulsão da
lista... :)) É que fica tão difícil ter que cortar trechos... só
amputando mesmo. Por mim eu manteria todos os parágrafos... mas ficaria muito
longa a nossa conversa.
Por mim, sem problemas. Eu também tenho feito
isso. No verdadeiro diálogo não há porque se preocupar com trechos cortados, pois o interesse na
captação da verdade é sempre recíproco. Se um deixar de lado algum
detalhe, supostamente importante, o outro poderá lembrar e isso não será
interpretado como uma cobrança ofensiva. Como a turma aqui mais briga
comigo do que dialoga, eu acabo me enfezando quando propositalmente cortam um
detalhe importante para depois afirmarem que eu não disse o que disse. Entende como é? Isso creio que seria quase
impossível acontecer entre
nós. Pode me cobrar a vontade pois eu tenho a certeza que isso somente servirá
para enriquecer o diálogo. Quanto aos seus cortes e/ou amputações,
creio que foram bem aplicados.
[ ]´s
Alberto
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Mensagem 21065
24/02/2003
----- Original
Message ----- msg
21022
From: "Ligia Amorese"
Sent: Sunday, February 23, 2003 6:47 PM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica - 1ª Parte
Olá, Lígia
Lígia: *OBS:
Note que o número de pontos de exclamação está aumentando...
:))
Fico satisfeito com isso, mas
ao mesmo tempo bastante preocupado, pois quando chegar em !!! vão nos
convidar para dialogar em outra lista.

Alberto
(msg 20971): Einstein simplificou, a
meu ver de maneira indevida, para "tudo é movimento"...
Lígia: Não
sei se estou redondamente enganada, mas penso que Einstein provavelmente
leu e não compreendeu o significado de "espiritus", ou
"Atman", ou "Ruash" hebráico que numa tradução
grosseira seria o mesmo que "sopro", ou "aquilo que põe
em movimento". Da mesma forma que o Chi chinês, o tal
"vapor", sopro é referente ao Espírito que é o que faz tudo
se mover... Dizer que tudo é movimento, nesse caso está errado
também, já que para haver movimento precisa haver "o que há a
ser movido". Questão transcendente esta... daqui a
pouco me defenestram :))
Não conheço a fonte
inspiradora de Einstein, mas é bem possível que tenha sido algum
desses textos considerados apócrifos no Olimpo Acadêmico.
Lígia: Bem...
ou muito me engano ou ele, Newton, estava a procura do
"Espiritus", ou "do que move". Seria
isto um movimento absoluto? Olhando assim, sem muito compromisso,
parece mesmo que Newton estava interessado no que move o Universo.
Não apenas no movimento em si, mas A origem do movimento, a causa
primeva... e fechar os olhos para isso parece que teve consequências
um tanto nefastas, não?
É interessante notar que o
Universo conhecido no século XVII era bem diverso do atual. Havia
naquela época a idéia de um território de estrelas fixas, como que a
representar um possível repouso absoluto. Newton freqüentemente
refere-se a esse território como a sede de um repouso absoluto, mas
esse possível não é invenção minha, é o que se lê
nos Principia. Hoje sabemos que esse território das estrelas fixas é
aparente, pois as galáxias estão se afastando, logo nada está fixo no
Universo. Mas isso não muda em nada a física newtoniana, pois Newton não
se comprometeu com essa região de repouso absoluto. Simplesmente ele
assumiu a existência de um espaço absoluto, em relação ao qual
poderia em teoria imaginar esse repouso absoluto. Esse repouso absoluto
poderia estar lá, no território das estrelas fixas, mas poderia também
não estar (daí o possível). O importante não era a
localização, mas o testemunho de sua existência. E esse testemunho é
descrito através de forças de interação:
The causes which
distinguish true motions from relative motions are the forces impressed
upon bodies to generate motion.
O exemplo típico encontrado por
Newton relaciona-se à rotação através de duas experiências de
pensamento: os globos girantes presos a uma corda e a experiência do
balde. Fixando-se tão somente na rotação, construiu um argumento de
maneira a poder utilizar o território das estrelas fixas como algo a
representar um provisório repouso absoluto. Hoje poderíamos pensar
nesse repouso absoluto como algo fixo em um big-bang clássico, um
verdadeiro centro do Universo numa conturbação de violência tal que
corpo algum estaria efetivamente em repouso. Ao contrário daquele
marasmo próprio ao imaginário território das estrelas fixas, o
repouso seria agora tão somente de natureza teórica, onde um hipotético
observador, alheio às forças aí existentes, constataria a fuga das
galáxias de uma região ultra-privilegiada, e que poderia ser chamada o
zero absoluto do Universo.
Alberto:
Do ponto de vista
epistemológico (teoria do conhecimento) o espaço absoluto
representava, para Newton, uma das essências de seu trabalho
Lígia: Acho
que não consegui alcançar o ponto nevrálgico: como Newton
definia tal "espaço absoluto"? Algo imutável, estanque
e que necessitaria do "movimento" para estar sujeito às Leis
que ele elaborou?
O espaço absoluto era um
essencial necessário a sua física, assim como ponto, reta e plano são
essenciais necessários à geometria euclidiana. O ponto nevrálgico a
meu ver não reside na definição, mas no porque ele seria necessário,
pois se é essencial não há como definí-lo. Antes de chegar as suas
leis, em um dos scholia de sua obra, Newton chega quase que a
enunciar um princípio da conservação do movimento absoluto, e a negar
a conservação do movimento relativo (isso deve ser interpretado com
muito cuidado, pois a noção de conservação de movimento é diferente
daquela que utilizamos na atualidade ¾abaixo mostrarei a diferença).
Vou reproduzir aqui esse trecho de sua obra, lembrando que para Newton
os termos "absoluto", "verdadeiro" (true) e
"matemático" são utilizados quase como sinônimos, quando
referidos a seus essenciais. O texto é o seguinte (em inglês):
True
motion is neither generated nor changed except by forces impressed upon
the moving body itself, but relative motion can be generated and changed
without the impression of forces upon this body.
Vamos pensar, por exemplo, em
um corpo em movimento em relação às estrelas fixas (suposto
referencial em repouso absoluto). O movimento absoluto (em relação às
estrelas fixas) somente será alterado se alguma força agir sobre o
corpo. É interessante notar que Newton está assumindo isso antes mesmo
de enunciar a lei da inércia, se bem que já tivesse feito menção no
item "definições". Aqui ele está simplesmente querendo
conceituar o espaço absoluto e o movimento absoluto, mas já está
antevendo que existe alguma coisa que poderia pensar como sendo uma
conservação desse movimento absoluto. Deixemos agora de lado as
estrelas fixas (não vamos mais olhar para elas, mas apenas para o
corpo). Suponha então que de repente percebemos que o corpo está se
movendo de maneira estranha, seguindo uma trajetória não mais retilínea.
O que será que aconteceu? De duas, uma: 1) Esse corpo está agora sob a
ação de uma força; 2) Nós estamos numa nave espacial, o corpo está
fora da nave, e esta nave começou a se mover. No primeiro caso, uma força
modificou o movimento absoluto do corpo. No segundo caso o movimento
absoluto é o mesmo, mas o movimento relativo se modificou (o nosso
referencial agora é outro). Foi através de alguma idéia desse tipo
que Newton enunciou o principio da conservação do movimento,
independentemente de seu modelo de três leis (obviamente ele usou a noção
de inércia e o conceito de força).
Porque eu disse que deveríamos
ter cuidado com essa interpretação? Porque da maneira como utilizamos
a conservação do movimento na atualidade, fixamos antes um
referencial. Ganhamos em um lado (o lado matemático, na resolução de
problemas) mas perdemos de outro (deixamos de perceber uma importante
diferença, a caracterizar o quanto é importante o movimento absoluto
para a física newtoniana). E porque ele é importante? Muito simples:
as forças de interação modificam tão somente o movimento absoluto. E
o que são essas forças de interação? Lembro que até chegar nesse
princípio, Newton ainda não fez a apresentação oficial de suas leis.
Essas forças representariam nada mais, nada menos, do que a maneira
como a matéria se comunica, ou como a matéria se interage. Nada numa mão,
nada na outra.
Estou falando do "espírito da matéria newtoniano", o outro
de seus essenciais a que chamo por "informação do movimento da
matéria". Newton não previu que seu espírito da matéria fosse
decorrente única e exclusivamente do movimento da matéria, mas previu
a sua existência. E se ele teve escrúpulos em não declarar de maneira
acintosa a existência desse espírito da matéria (pelo menos em seus
textos científicos), certamente isso se deve a ele não ter conseguido
reunir na época razões suficientes a relacionarem causa (movimento)
com efeito (também movimento).
Um pouco abaixo da citação
relatada, Newton conclui explorando o princípio sob um outro enunciado,
ligeiramente diferente, mas não em conflito com o que enunciou
anteriormente:
Again, true motion is always changed by forces
impressed upon a moving body, but relative motion is not necessarily
changed by such forces.
Isto complementa sua maneira não usual de
enunciar o princípio da conservação do movimento (como disse, válido
na sua maior generalidade, a levar em conta mudanças de referencial).
Lembro-me que recentemente
discutiu-se muito aqui na Ciencialist o problema das forças fictícias
ou virtuais. Visto pelo prisma atual, eu diria que qualquer força que NÃO
possa ser pensada como decorrente do "espírito da matéria"
newtoniano seria uma força fictícia ou virtual. Seria uma força
incapaz de promover uma modificação do movimento absoluto de um corpo,
modificando tão somente o movimento relativo. Se o nome fictícia ou
virtual está certo ou errado, eu não sei dizer. Sinceramente, acho
esquisito dizer que fulano foi hospitalizado após ter recebido uma
pancada virtual ou fictícia.
Não obstante, rigorosamente falando essa força não existe, pois...
...relative
motion can be generated and changed without the impression of forces
upon this body.
Na realidade o indivíduo foi hospitalizado não
pela ação da força virtual, mas pelo choque, ou pancada real, com o
outro corpo (por exemplo, o parabrisas de um automóvel) que teve seu
movimento absoluto alterado pela ação de uma força real.
Lígia: [...]
sinceramente eu não entendo: tendo em mãos uma forma de alcançar
respostas simples a questões simples, qual o porquê da insistência em
continuar buscando respostas cada vez mais complexas para as mesmas
questões "simples"?
Talvez um pensamento de
Einstein caia bem aqui:
A história das descobertas científicas e técnicas
revela-nos quanto o espírito humano carece de idéias originais e
de imaginação criadora. E mesmo quando as condições exteriores e
científicas para o aparecimento de uma idéia já existem há muito,
será preciso, na maioria dos casos, uma outra causa exterior a fim de
que se chegue a se concretizar. O homem tem, no sentido literal da
palavra, que se chocar contra o fato para que a solução lhe apareça.
Verdade bem comum e pouco exaltante para nosso orgulho.
Lígia: Enfim
ELE, o espírito da matéria! O representante direto do absoluto
para o movimento! Que não me "escutem" agora...
Sem dúvida, não poderia ter
dito melhor: "o representante direto do absoluto para o
movimento."
Lígia: O
que eu percebo é algo que pode-se estender para muito além do que
os movimentos corriqueiros de anda e pára, mexe, não mexe a que
estamos sujeitos. Ao assumir-se que há tal movimento
absoluto, assume-se que tal movimento é absoluto de acordo com o
referencial?
Eu acho que isso está aquém
da conceituação de referencial. O movimento absoluto seria aquele
relativo ao espaço absoluto. Newton concebeu logicamente esse movimento
absoluto, mas não conseguiu localizá-lo. Para sua época, o mais próximo
disso seriam as estrelas fixas. Mas ele conseguiu chegar a um
absolutismo light, através do que chamamos referencial inercial
da física clássica. Com o princípio da equivalência de Einstein,
esse parentesco entre o referencial absoluto newtoniano e o referencial
inercial ficou um pouco obnubilado. Podemos hoje, segundo Einstein,
pensar em um referencial inercial mesmo estando dentro de uma nave
acelerada, basta considerar a aceleração como sendo um campo
gravitacional. Ou seja, Einstein também descaracterizou o parentesco
entre o referencial inercial e o referencial absoluto. Para Einstein, o
único absoluto é Sua Majestade a Luz, a Rainha do espaço e do tempo
da sua física.
Na minha teoria sobre o elétron
(item 7.2) eu consigo prever a
possibilidade da constatação experimental da existência desse
referencial absoluto newtoniano. Não creio que seja uma experiência
muito fácil de ser feita, mas sem dúvida trata-se de uma experiência
crucial. O conceito que está por trás da idéia é muito simples: um
corpo em repouso absoluto não emite informações. Se for um elétron,
seu campo de efeitos elétricos deverá ser nulo; se for um corpo dotado
de massa gravitacional, seu campo gravitacional também deverá ser nulo
(e essa nulidade é absoluta e válida para qualquer referencial, pois o
corpo não emite nada, logo, *enquanto assim permanecer*, não exercerá
efeito algum sobre o restante do Universo). Obviamente não precisamos
chegar nesse referencial de campos nulos, e creio mesmo que isso seria
impossível. Será suficiente mostrar que as "constantes" do
campo (qualquer que seja o campo) variam regularmente com a velocidade
(ou seja, não são constantes universais). Por extrapolação podemos
até mesmo localizar esse referencial do repouso absoluto, pela observação
da tendência a zero da "constante" considerada.
Lígia: Eu
tenho alguns problemas em pensar sobre isso. Veja: se há
apenas o campo de informação e há a energia decorrente do mesmo
"inserida" no conjunto e ou nas partículas unitárias
envolvidas em movimento "recíproco", como é que a
energia cinética pode ser "mascarada" se há movimento?
A energia cinética não é a que determina o movimento a que partículas
em um sistema chegam a desenvolver? Tudo bem, isso é macroscópicamente
falando... mas se a física Newtoniana pode ser aplicável a
partículas a nível atômico, ela deve manter suas características
mesmo quando em circunstâncias tais como as referentes ao mundo
muito pequeno... ou não?
Você está absolutamente
certa. O problema não está em poder ou não aplicar a física
newtoniana. O problema está em visualizar ou não a estrutura interna
das partículas. Se soubermos que existem duas partículas em órbita, o
problema está resolvido, é só considerar as energias cinéticas
individuais. Mas e se isso não for possível com a tecnologia atual?
Vemos apenas uma partícula ¾cuja estrutura interna é
desconhecida¾
aparentemente em repouso. Por um motivo qualquer, notamos que a partícula
se desfaz e transforma-se, por exemplo, em duas partículas em movimento
(portanto, com energia cinética diferente de zero). Como a energia cinética
inicial foi pensada como igual a zero, dizemos que a partícula estava
dotada de uma energia potencial, quando na realidade era uma energia cinética
interna. Rigorosamente falando não existe neste caso transformação de
energia potencial em cinética.
Alberto:
Sem dúvida, em física
clássica podemos perfeitamente pensar em massa de fótons, mas
precisaríamos primeiro caracterizar bem o significado de massa em
nível microcósmico e, a seguir, conceituar bem o que seriam
esses fótons.
Lígia: Bem,
se por fótons entende-se um conjunto de corpúsculos de Newton, a
primeira coisa a ser feita seria: encontrar tais corpúsculos
e achar-lhes a massa... caso contrário não poderiam ser
classificados por corpúsculos, já que um corpo por definição
apresenta massa e volume. O que fazer então?
Em primeiro lugar precisaríamos
caracterizar muito bem os campos que agem sobre esses corpúsculos. Que
eles existem eu não tenho a menor dúvida. A difração, a refração,
o efeito Malus... são todos efeitos originados por algum(ns) campo(s)
de força agindo sobre esses corpúsculos. Mas isso não é tudo, pois
se conseguirmos caracterizar um desses campos, ficaremos com uma relação
do mesmo tipo da e/m da experiência de Thomson. Não é nada fácil,
mas não creio que seja impossível. O quase impossível, a meu ver,
seria fazer com que uma fração significativa de físicos, tanto
teorizadores quanto experimentais, acredite nessa idéia, pois isso
é um trabalho para ser feito por muita gente e sem nenhuma garantia de
sucesso. No caso do elétron, esse trabalho começou com Faraday (meados
do século XIX) e terminou com Millikan (século XX). No caso do corpúsculo
de Newton, o trabalho ainda nem começou, e creio que as dificuldades
serão bem maiores.
Lígia:
Isso levando-se em conta que tudo deva estar em movimento.
Alberto: Perfeito.
E vou além: movimento em relação a um referencial absoluto, único
e imutável. Por exemplo, o referencial de um *hipotético*
big-bang clássico.
Lígia: É...
lá vamos nós ao *absoluto*... pelo jeito intuí certo!
:))
Perfeito. Eu diria apenas que
sob esse aspecto o big-bang está para nós assim como as estrelas fixas
estavam para Newton. Não é impossível que daqui a 300 anos descubram
que o Universo contém milhares de big-bangs, e que o nosso é apenas um
big-banguezinho de um big-sistema-solar e que se move em direção a uma
big-estrela fixa.

Lígia: Ou
o movimento gerando a ausência de movimento, a ação gerando a não
ação (passividade). Mais uma vez a dualidade...
Dualidade me lembra a... Não,
nem vou falar.

Alberto: É
aí que "aposto" em uma outra de minhas teorias a
concluir que o universo é eterno, sem princípio nem fim.
Lígia: Bem,
vamos então tentar entender as consequências de um Universo sem início
nem fim. [...] Assim, de onde seria advinda a matéria a fim
de dar conta da geração de mais e mais elementos no sistema quando
a capacidade "reativa" fosse esgotada? Das cinzas não
se pode recriar madeira... o raciocínio é mais ou menos
este, Alberto... :/
Cortei um bom trecho pois o
assunto retorna posteriormente sob um outro prisma. Conservei a história
das "cinzas" para concordar que apenas das cinzas não se pode
recriar a madeira, mas se dispusermos de tudo o que saiu da madeira,
apenas o segundo princípio da termodinâmica (irreversibilidade do
processo) poderá nos impedir de recriarmos a madeira a partir de cinza
+ fumaça.
Alberto: Cientificamente
falando eu não consigo ver nem início nem fim para o Universo.
Lígia: Mas
não se pode fechar os olhos para o que as pesquisas na base da
observação demonstram: [...] 5. Portanto, caso a matéria
não seja reciclável, ou seja gerada constantemente em locais ainda
não observados,...
É isso aí! Cruzinha na opção
(5). 
Lígia: ...
todas as galáxias visíveis têm seu fim já traçado: suas
estrelas serão tragadas pelo seu núcleo, como num ralo... e
o que restará será apenas e tão somente um buraco-negro ultra
hiper massivo deformando o espaço ao redor de si para todo
sempre... e possivelmente brilhando quando de sua "anulação"
pela emissão contínua a intervalos de tempo de um átomo...
de acordo com Hawking. :)) Esta é a
"morte"g alática em sua mais crua acepção... e
estamos todos fadados a isso, sem exceção.
E o que restará após este
buraco-negro (se é que eles existem de fato) se consumir através de um
processo violentamente irreversível, dada sua dimensão irrisória em
relação ao restante do Universo? Eu diria que em pouquíssimo tempo cósmico
esse buraco negro será totalmente transformado em entropinos, que nada
mais são senão corpúsculos de Newton atípicos. E estes, ou acabarão,
mais cedo ou mais tarde, retornando ao centro do Universo, ou então serão
trocados com entropinos provenientes de outros big-bangs (caso o
Universo seja constituído por múltiplos big-bangs, como ultimamente
alguns já chegaram a suspeitar). É bom deixar claro para os leitores
que estão pegando o bonde andando, que boa parte do que estou falando
reside no campo das especulações. Algumas bem fundamentadas, mas não
deixam de ser especulações.
Lígia:
Os entropinos ou neutrinos teriam
a capacidade de criar uma "teia" de sustentação gravitacional para o
Universo... impedindo-o de se expandir ad infinitum... até aí tudo bem. Mas
e a questão da "matéria prima auto sustentável"? De onde
surgiriam mais átomos de hidrogênio suficiente para a criação de mais estelas e galáxias,
e para onde iriam as galáxias moribundas? Onde está o berçario de novas galáxias se estas que contemplamos estão com seus bilhões
de anos contados? :))
Os entropinos são corpúsculos de Newton, a base da luz e de tudo o
mais. Onde há luz, tudo o mais pode ser recriado, é suficiente que seus
corpúsculos consigam novamente se entrelaçar. Como disse
anteriormente, eles são atípicos no sentido de viajarem de maneira a não
conseguirem penetrar em elétrons. Mas no centro do Universo eles estariam chegando
numa quantidade fabulosa e num meio energético tal a possibilitar que se
reagrupem em novos elétrons, prótons, nêutrons e tudo o mais. O Um dá
origem ao Dois, e o Dois produz o Três e tudo o mais (Lao-Tse). O big-bang clássico
é, ao meu ver, uma fogueira eterna, e o Universo é reciclável e auto-sustentável.
Alberto: Seria essa comunicação uma resposta? Sinceramente não sei e
não vejo como saber, a não ser através da fé e de mais nada.
Lígia:
Veja só: se há um movimento absoluto, se há
um espaço absoluto, se há um "campo de informação de tal movimento absoluto"... vamos somando, há um ponto de onde tais
"absolutos" partem e de certa forma, dada a "regionalidade" do
universo, dividido em setores do absolutamente "macro" ao infinitezimalmente absoluto "micro", entende-se que tal "absoluto"
envolva tais "regionalismos" ou estamos simplesmente
"fora" do salão de baile especulando que música está tocando lá dentro...
:))
Bem, digamos então que existe uma certa lógica além da fé pura e
simples [Já que eu resolvi encarar numa boa a expulsão da Ciencialist, não vejo
mal nenhum em acrescentar mais alguns ingredientes como este
] Neste caso
chegamos naquela idéia de um Universo interligado. Mas eu ainda acho
que isso ainda é muito pouco. Eu consigo até mesmo entender essa interligação
sob um ponto de vista da física newtoniana, mas não consigo evoluir a
partir daí a não ser deixando de lado o método científico. Ou seja, sob
esse aspecto eu fico naquele mesmo impasse que Newton ficou, a ponto de ter
escondido no bolso do colete o seu "espírito da matéria".
Lígia: [...]
Fico imaginando o tamanho de um acelerador de
partículas apto a "quebrar" elétrons... :) Mas tudo bem, eu
sou paciente... :)
Sob certos aspectos eu diria que isso já aconteceu. Afinal, um elétron
e um pósitron não se transformam em raios gama? E em condições especiais
não é possível efetuar a transformação de um raio gama em um elétron mais
um pósitron? O que mais seria necessário? Tão somente aceitar que um fóton
é formado por corpúsculos de Newton. Mas isso não é decorrente de uma
única experiência, mas sim uma série de experiências a justificarem uma
teoria. E um esboço do que poderia vir a ser essa teoria eu já apresentei no
artigo "A Natureza da Luz" ou então em alguns outros artigos perdidos pelo
meu site.
Lígia:
Eu entendi! É apenas o movimento ou a informação
do movimento dos corpúsculos que dá a "consistência" ao
que quer que eles formem. Retire-se o movimento e tudo volta ao
"princípio"... corpúsculos isolados não dotados de capacidade de
"criar" formas... lindo! Assim tudo deve-se à existência de um movimento
absoluto anterior até mesmo às causas... esse pensamento dá vertigem... mas é lindo de ser "contemplado"! Antes que eu me
anime muito... estou certa nessa interpretação?
Parece-me que sim, mas para complementar vou construir aqui uma experiência
de pensamento. Imagine que fosse possível um objeto qualquer ser
colocado instantaneamente e "delicadamente" nessa posição de repouso
absoluto e mais: isolado de possíveis interações com o restante do Universo. Nesse
caso, todas as forças de interação provenientes de suas partículas
elementares desapareceriam, mas o objeto permaneceria com a sua forma graças a inércia.
Todas as suas partículas permaneceriam imóveis. Qualquer esbarrão que
déssemos nesse corpo ele se esfacelaria totalmente, e restariam tão
somente corpúsculos de Newton (ou átomos de Demócrito, se assim o preferir).
É assim que eu vejo a matéria no repouso absoluto. Certamente ela estaria
numa temperatura bem abaixo do que chamamos de zero absoluto, pois o zero
absoluto da termodinâmica relaciona-se a um repouso não no referencial
absoluto, mas num laboratório situado na nossa Galáxia, que viaja numa
velocidade incrível, da ordem da velocidade da luz, em relação a um verdadeiro referencial absoluto newtoniano. No zero absoluto termodinâmico
a estrutura cristalina se mantém (terceira lei da termodinâmica, ou lei
de Nerst) independentemente da inércia.
Alberto: Onde está a gravitação afinal? Não é uma propriedade da
matéria? Mas a partir de que nível da estrutura da matéria? Eu diria que a
gravitação está relacionada à complexidade estrutural do nêutron.
Este, por outro lado, guarda um parentesco íntimo com o próton que, por
sinal, em sua estrutura grosseira (num primeiro zoom após a "visualização
do átomo) assemelha-se muito com o elétron (principalmente pelo fato de
ser uma partícula também girante).
Lígia:
Nossa, eu posso ter tido um insight lendo o que você
escreveu como explicação para a agregação" dos corpúsculos a
criarem um único elétron. A impressão que eu tenho é a de um movimento
constante gerando informações tais que assumam a aparência de partículas
e seus respectivos campos associados, quer de natureza elétrica,
quer magnética, quer gravitacional... a gravitação estaria
inserida no próprio conceito de movimento ou "daquilo que permite que os
corpúsculos permaneçam constituintes de alguma outra coisa", o "movimento constante" é a
chave para a gravitação!
Sim. É bem possivel que você já tenha visto uma figura que está na página
inicial do meu site. Aquilo é o que eu chamo uma dupla de
"quarks" clássicos (espero que os cromodinâmicos quânticos não venham me cobrar
royalties pela nomenclatura utilizada). Os quarks, a meu ver, seriam os responsáveis
pela gravitação. Um quark clássico isolado pode ser visto na figura
ao lado. Cada uma dessas bolinhas verdes é um elétron. Como pela minha teoria o elétron não é uma
carga elétrica em miniatura, não estranhe que três quarks compostos somente
por elétrons (quiçá pósitrons também ¾> seria uma antimatéria
oculta ¾não digo que seja assim, digo que não é impossível que assim seja) possam
se apresentar ora como um próton, ora como um nêutron. Pela observação
destas figuras ainda não dá para perceber como surge a gravitação, mas
perceba que o que você falou faz sentido. Trata-se de um movimento constante, onde
elétrons estão oscilando pareados dois a dois e dão, como resultante,
um aparente giro. Esse giro é ilusório: com uma régua na tela pode-se
perceber isso facilmente. Ou então fixe o olhar em duas bolinhas em oposição,
e note que elas simplesmente oscilam em direção ao ponto central. Em resumo:
prótons e nêutrons seriam formados por quarks clássicos; quarks clássicos
seriam formados por elétrons e elétrons seriam formados por corpúsculos
de Newton. Ou seja, o Universo é constituído tão somente por uma única
partícula fundamental que se associa com suas pares através de um único
campo de informações. A teoria unifica não somente os campos, mas
também a matéria. E acredite quem quiser. Nada numa mão, nada na outra.
Lígia:
Aposto como nunca ninguém se atreveu a "forçá-lo"
a dizer tudo assim abertamente.
Pelo contrário. Pretendem me forçar a ficar calado. Como não
conseguem, ficam me forçando a falar o que eu penso sobre a quântica. Aí eu digo
o que eles querem que eu diga e eles ficam ofendidos. Outros me acham exótico
por ter lido os Principia. Mas quando fui ler os Principia eu já tinha boa
parte da minha teoria montada. Meu insight surgiu quando estava estudando a
relatividade de Einstein e a teoria do Big-Bang, e o que eu sabia de
Newton é o que se ensinava num bom colegial do final dos anos cinqüenta. Agora
estão querendo me checar para ver se eu li mesmo os Principia e a Óptica.
Muito em breve vão descobrir que eu não li tudo
, apenas a
parte
que me interessou (e que por sinal é bastante extensa). Um dia
corrigirei essa minha falha.
Alberto: A nossa Galáxia vai se consumindo em entropinos à medida em
que viaja para os confins do Universo, mas outras galáxias são
reconstruídas a partir desses entropinos que realimentam eternamente o
big-bang.
Lígia:
Aqui está a resposta àquilo que comecei especulando
lá no meio da mensagem...
Sim, eu percebi e foi por isso que cortei boa parte da sua exposição,
mas ela é perfeita ao demonstrar que o Universo não poderia ser estático
e/ou não reciclável, se quisermos pensar em sua eternidade. Por outro lado,
se Deus existir, certamente ele é mais inteligente do que nós e não creio que
iria criar algo que não fosse perene. Parafraseando Newton,
"nenhum poder comum seria capaz de consumir o que Deus Ele próprio, fez na primeira
criação." Perceba então que as minhas teorias atendem a gregos e
a troianos, a céticos e a anti-sépticos.
Lígia:
...quer dizer então que tudo tem origem e fim sempre?
Eu diria que o Universo é reciclável. Ele vai se consumindo e se
renovando continuamente. Os buracos negros (se existirem) seriam lixeiras cósmicas
a triturarem a matéria em sua expressão mais simples, produzindo
entropinos, e estes acabariam retornando para o centro do Universo, completando assim
um ciclo de existência.
Lígia:
De toda forma esta idéia é muito bizarra quando confrontada com a realidade do que é visível...
mas vai daí que o que
é visível não corresponda à realidade...
Pelo visto, bem ou mal a física moderna está caminhando a ponto de
concluir que o Universo tem muito mais coisas invisíveis (matéria
escura) do que visíveis, logo a minha maneira de pensar não está tão distante
dessa possível realidade.
Lígia:
Isso é realmente muito interessante, principalmente
porque não descarta outros aspectos do plano que comumente eu considero "extra-dimensional". Na realidade,
segundo o que você afirma, o tempo e o espaço estariam "interligados"
unicamente pelo movimento desenvolvido pelo que compõe a matéria e as informações
só se transformam em ações quando há uma continuidade entre o
evento desencadeador e o evento resultante.
Sim. O tempo chega a ser considerado um não-essencial importante, ou um
essencial de reserva. Pois se existe movimento, seja ele da matéria,
seja da informação, o que seria o tempo? Aliás, como é que medimos o tempo?
Não é através do movimento? Logo, o essencial é o movimento e não o tempo.
Por outro lado, essa continuidade, que sob certos aspectos aparenta ser
virtual, está dotada de certas particularidades sutis incríveis, quando pensada
em termos de ação-reação. Pois embora ação e reação não sejam fenômenos
instantâneos (a não ser para objetos em contato íntimo), o processo
ocorre como se o corpo que reage "soubesse" o que está acontecendo
naquele exato momento com a outra partícula, pois ele ao mesmo tempo que está
recebendo uma informação, "sabe" que no passado enviou a informação
que agora está agindo sobre o outro corpo. Sob certos aspectos, isso é fantástico, e
se traduz na idéia de um Universo como se estivesse instantaneamente interligado (e tanto mais se esse Universo for eterno, pois
todos os corpúsculos de Newton já estabeleceram contato uns com todos os
demais).
Lígia:
Veja que tal idéia não inviabiliza nem joga para o plano
puramente subjetivo o que se relacione à percepção extra-sensorial.
Volto a falar nisso.
Certamente as nossas células estão em contato com todo o Universo, e
trocando informações ininterruptamente. Resta saber se nós estamos ou
não aparelhados a proceder uma análise dessas informações.
[ ]´s
Alberto
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Mensagem 21158
02/03/2003
----- Original Message -----
msg
21146
From: "Ligia Amorese"
Sent: Friday, February 28, 2003 2:55 AM
Subject: [ciencialist] Re: Mecânica clássica x quântica - 1ª Parte
Lígia: Olá Alberto!!!
Ops! Era o que o Brudna estava esperando para nos expulsar.
Ainda
bem que é carnaval e a essa altura ele deve estar se preparando para sair
no bloco dos cientistas aloprados de Porto Alegre.
Lígia:
Eheheh... vamos à Noosfera que, aliás, está
às moscas ultimamente. O Bulcão sumiu de lá... O Lúcio ídem...
O Geraldo vive postando as respostas dele às refregas de lá nesta lista.
Enfim, zoneou de vez! :))
A Noosfera é muito nova, e apesar do ainda pequeno número de
frequentadores (68) ela vem se mantendo. Se ela durar um ano, certamente deslanchará.
O importante é não desanimar, o que parece ter acometido o Júnior na Livres-pensadores. A L-P era muito semelhante à Noosfera, em
finalidade. Aqui na Ciencialist (287 participantes, hoje), se cinco dentre os mais
ativos entrarem em férias, a lista continua como se nada tivesse
acontecido. Na Noosfera, se um parar de escrever por um mês, a lista terá uma
quebra violenta no número de mensagens. Espero que o Lúcio e o Bulcão
retornem em breve, e que o GiL se recupere definitivamente da LER que vem
apresentando.
Noto ainda, tanto aqui quanto lá, um preconceito injustificável, ora
com relação ao misticismo, ora com relação à ciência, ora com relação
à filosofia, e isto acaba gerando aquelas briguinhas bobas. Ora, se a Noosfera, ao contrário da Ciencialist, optou pelo livre-pensar, isso não
faz sentido. Do contrário ela deixará de ser uma lista eclética, e creio
que esse é o seu ponto alto. Lá eu posso falar em "espírito da matéria"
sem deixar de ser cientista. Aqui, para dizer o mesmo, eu preciso pedir
licença e assim mesmo apelar para a autoridade de Newton. Lá eu posso pensar
em
um Deus hipotético, aqui eu preciso lançar mão do Deus de Einstein
(novamente a autoridade), aquele que não joga dados. Ora, se Newton e Einstein
podiam tergiversar, porque nós não podemos? Em que eles eram melhores do que
nós?
Aos leitores desta thread: Não precisam responder, eu só queria
perguntar.
Não estou me rebelando contra as regras da Ciencialist, simplesmente
tentando mostrar diferenças entre as finalidades estabelecidas para uma
lista e para a outra. Eu posso ser considerado briguento, mas procuro
ser disciplinado. Do contrário já teriam me expulsado a muito tempo, pois
eu digo o que penso e não aquilo que os demais gostariam de ouvir. Diálogo,
a meu ver, tem que se pautar pela discórdia uma vez ou outra, do contrário
as idéias não evoluem. Mas discordar não significa brigar. O importante
no diálogo é aceitar que o outro possa pensar de maneira diferente, e
temos que entender bem essa linha de raciocínio do outro, para podermos
transmutá-la, ou não, para a nossa maneira de pensar. É assim que evoluimos através
do diálogo. Se as idéias convergirem, ótimo! Os dois aprendem com isso.
Se divergirem, melhor ainda! Pois sabemos que um dos dois está errado,
apenas não sabemos qual dos dois. Se existem duas opções, não será melhor
conviver com as duas, ao invés de uma? Mesmo que seja para optar por uma delas?
Pelo visto a turma gosta mesmo é do partido único.
Lígia:
Pois então... Ah, eu tenho uma dúvida e que
"ninguém" (o próprio :) nos ouça: em que eu posso estar faltando com a
memória de Popper de maneira notável inclusive para uma *douta-e-ilustre- professora-d'além-mar*?
Sinceramente eu não sei. Tenho a impressão que Popper foi um dos
poucos acadêmicos que abominava essa postura de "douto-e-ilustre".
Ele adorava andar fora dos trilhos, e certamente já teria sido expulso da
Ciencialist e/ou dos doutos principados acadêmicos, tanto de Portugal quando do
Brasil. Certa vez li um artigo de alguém que fez pós-doutoramento na escola
onde Popper foi professor, na Inglaterra, e o autor desse artigo dizia que a
primeira coisa que um aluno aprendia com Popper era criticar o próprio Popper. Esse era quase que um pre-requisito para o
indivíduo poder se
dizer popperiano.
Lígia:
Tendo visto que o Taborda "venceu" (o que, qual o prêmio?
Também quero!)
O Taborda tentou simular um jogo onde ele era o técnico, o juiz, o dono
da bola, o vendedor de ingressos e quase todos os jogadores ao mesmo tempo.
Eu acabei desistindo desse jogo assim que percebi que ele era também o fabricante e o dono do troféu, e já havia inscrito no mesmo que
ele
seria o vencedor.
Lígia:
e eu estou na berlinda agora faltando com Popper depois de já ter meu nome afixado num
*mural-da-vergonha-de-trás-dos-montes-do-além-Tejo*, penso que estamos, eu e você,
numa mesma nau a naufragar pela "imprecisão do viver" à la
Pessoa... daí o apelo semi-desesperado para que você me elucide. O caso é
que careço de compreender minha falta antes que chovam tamancadas e que "ninguém" as arremesse pela digníssima
:))
Bem, eu não quero entrar nessa briga, mas ouso palpitar que o Taborda
deve ter sido aluno da dona do tamanco.
Ainda bem que ele não usa
tamancos virtuais, mas se usar não faz diferença pois o meu MacAfee
Secury Center lê até maus pensamentos anexados às mensagens.
Alberto:
Mas isso não muda em nada a física newtoniana, pois ele não se comprometeu com essa região
de repouso absoluto. Simplesmente ele assumiu a existência de um
espaço absoluto, em relação ao qual poderia em teoria imaginar esse
repouso absoluto.
Lígia:
Bem, o conceito do Eliseum era bastante enraizado na
época. Interessante é que Giordano Bruno não parece ter tido
dificuldades em imaginar um espaço dinâmico e contentor de vida ao ler as obras
de Epicuro...
Newton certamente leu Epicuro e acho que também não o estranhou. Mas
ele optou por situar essa agitação (ou dinâmica) como algo contido num
ambiente em repouso absoluto. Ele soube muito bem distinguir continente de conteúdo.
O espaço é o continente, ou seja, representa o nada. A matéria e a informação seriam o conteúdo a habitarem esse continente, ou esse
nada existencial. E o movimento absoluto seria algo a testemunhar a existência
desse espaço, manifestando-se através da informação também contida
nesse espaço. De todos esses essenciais o único que efetivamente enxergamos
é a matéria, e esta, apesar de tudo, move-se e recusa-se terminantemente a
parar em relação a esse nada. A conservação do movimento absoluto é a
base de toda a física newtoniana, não somente de suas três leis.
Lígia:
Certo. Bem, casando-se a idéia de um possível
Big-Bang com o conceito de repouso absoluto, que apresenta-se impraticável já
que tudo está em movimento, temos a singularidade como representação
de tal zona? Nossa! Muitos já notaram que levando-se em
conta o fato de o tempo escoar-se lentamente tendendo ao infinito nessas condições, tal situação seria a mais
propícia para explicar o conceito de Eternidade pela ausência do tempo e consequentemente
perfaz uma idéia de "repouso absoluto". Mas duvido
que Newton possa ter "previsto" tal conceito já naquele tempo... é
você quem está pressupondo, não? Ou terei sido eu? A singularidade é
quântica... :/
A idéia de big-bang é bem recente, e não há indícios de que pudesse
ter sido suspeitada na época de Newton. É bem verdade que a idéia de estrelas
fixas foi derrubada por Haley, amigo de Newton, mas isso aconteceu em 1718. A
terceira edição dos Principia foi publicada em 1725 (Newton morreu em
1727), mas creio que Newton não chegou a comentar em nenhum de seus escólios
essa descoberta do seu amigo, mesmo porque, e como eu já disse, isso em nada
modificaria a sua física. Mas daí a se pensar em universo em expansão,
alguns séculos nos contemplam.
Com respeito ao seu parágrafo, alguma coisa realmente é minha e não
de Newton, mas noto que tem muito também de seu, e não sei se teria sido
algum insight atual que você teve ou algo já bem sedimentado. Com respeito
ao tempo, eu diria que ele é uma invenção útil (na física newtoniana
ele pode ser encarado como um essencial de reserva, quando quisermos deixar o
movimento em segundo plano). Não posso dizer que não existe, pois conseguimos medi-lo, logo pela nossa
convenção do que seja existência,
o tempo existe e não só no sentido filosófico (duração), mas também
no sentido científico (reprodutibilidade). O problema da eternidade já é algo
bem mais complicado, mas parece-me ser bem mais simples do que uma involução
histórica em direção a uma possível singularidade inicial, a menos
que essa singularidade seja Deus ou obra de Deus. Com respeito à eternidade, e
com relação ao futuro, o único empecilho seria a segunda-lei da termodinâmica,
mas esse problema já não me incomoda mais, pois considero-o
definitivamente resolvido. Aliás, a esse respeito existe um francês que bolou uma idéia
muitíssimo parecida com a minha mas, veja só, a apoiar-se na
relatividade de Einstein.
Lígia:
Mas é engraçado pretender que a interpretação de
um conceito de absoluto/relativo possa ter dado entender que a Física
Newtoniana apenas levava em consideração referenciais absolutos... eu
entendo que nessas nossas conversas você tem defendido esse seu ponto de
vista que toma por relativo o que normalmente é interpretado por absoluto quando se fala em
Newton... mas se é da forma como
você apresenta, como então mais ninguém chegou a essas conclusões
antes?
As razões são inúmeras. Em primeiro lugar, valorizou-se em demasia o
dogma de Côtes, qual seja, a ação instantânea a distância não mediada
por nada. Esse Côtes foi o editor e prefaciador da segunda edição dos Principia
e, segundo Maxwell, ele andou dizendo no prefácio algumas asneiras que
passaram para a história da física como tendo sido proferidas por Newton. Isso
era muito conveniente, pois havia um preconceito muito grande com relação
a aceitação do "espírito da matéria" newtoniano. Os
seguidores de Newton, com medo de passarem a imagem de místicos, aceitaram a interpretação de Côtes
e destruiram a genuína física newtoniana, ficando apenas com um modelo
de quatro leis que dava certo em condições restritas e satisfatórias
para a época. Isso hoje soa engraçado, pois existe um "espírito quântico"
a justificar cada experiência realizada no século XX e que falseou a física
quântica, mas já houve tempo em que os preconceitos eram de outro
tipo. Lembre-se que por muito menos alguns foram, nessa época, condenados à
prisão e outros a arder nas chamas. Hoje as coisas apenas mudaram de lado: os
candidatos às chamas são aqueles que duvídam dos inúmeros "espíritos
quânticos". Ora, a bem da simplicidade não seria muito melhor
aceitarmos tão somente o "espírito da matéria"?
Em segundo lugar, poucos perceberam que a Óptica de Newton é um
complemento importantíssimo à física de Newton. Deixada a física de lado,
aqueles que se contentaram com o modelo mecânico passaram a julgar a Óptica de Newton
como um acessório de pouca importância. A partir de Young (início do século
XIX) a Óptica de Newton por pouco não chegou a ser considerado um livro apócrifo nos meios
acadêmicos, e somente no século XX, com a redescoberta da luz corpuscular
(ainda que dual) pensou-se em reeditar essa obra magnífica, para que enfeitasse as
bibliotecas dos físicos modernos.
O século XIX foi o século da luz ondulatória. Começou com Young e
terminou com as ondas eletromagnéticas de Maxwell. É interessante notar o
quanto Maxwell relutou em deixar de ser newtoniano, mas ele não quis em hipótese
nenhuma aceitar a idéia dos "espíritos da matéria" e optou
por um éter material para explicar a propagação dos distúrbios eletromagnéticos.
Hoje o éter foi comprovadamente declarado inexistente (experiência de Michelson-Morley), mas as ondas
eletromagnéticas de Maxwell conservaram
o seu status de vibrações de um meio inexistente. Ora, se é para
trabalhar com hipóteses inexistentes, porque não retornar à lógica newtoniana?
Pelo menos Newton conseguiu dar testemunhos experimentais a comprovarem a existência
desse "espírito". Ou não?
Lembro que a experiência de Michelson-Morley surgiu graças ao apelo de
Maxwell para que se detectasse esse éter, pois a não existência falsearia sua
teoria relativa à natureza da luz. Infelizmente Maxwell morreu muito cedo (48
anos) e não pôde consertar a sua teoria sobre a luz que, de maneira inesperada,
acabou sendo definitivamente falseada. O que se seguiu foram os remendos
de Lorentz: absurdos, inconseqüentes e a levarem os físicos para o
atoleiro onde se encontram até hoje.
Lígia:
O que há de errado na forma de perceber a Física de Newton que permita tal erro e
consequentemente a inviabilidade de tais
conceitos para maiores escalas como as do espaço cósmico por exemplo
enquanto a RG parece cair como uma luva?
É suficiente tão somente a introdução do "espírito da matéria"
newtoniano. Em altas velocidades o problema se resume em levar em consideração os
potenciais retardados, não apenas para o eletromagnetismo mas também
para a gravitação. A dilatação do tempo na realidade retrata uma modificação
do ritmo dos relógios. E digo relógio no sentido mais amplo possível. O
nosso metabolismo não deixa de ser um relógio, e ele funcionará em ritmo
diferente em velocidades absolutas diferentes (a velocidade do espírito da matéria,
que regula tudo, depende da velocidade da fonte). Ou seja, os dois gêmeos
do paradoxo dos relógios, quando colocados em velocidades diversas,
realmente envelhecerão diferentemente, e isso é perfeitamente compatível com
uma física 100% newtoniana. E na física newtoniana não há paradoxo
algum, pois em relação a um referencial absoluto saberemos, pelo menos em teoria,
qual dos dois está em maior velocidade (por sinal, esse seria um outro método
de localizar, por extrapolação, o referencial absoluto, obviamente não
com gêmeos). Não preciso dizer que aquela história dos mésons também
admite uma explicação 100% classica. A história de aumento de massa com a
velocidade também é ficção. Um corpúsculo acelerado usa parte da energia
recebida para incrementar seus movimentos internos. Não existe nem aumento de massa
nem criação de matéria, isso é ilusão relativística. Quando o corpúsculo
atinge um calorímetro ele devolve tanto a energia cinética de translação
quanto aquela que incorporou em seus movimentos internos (por exemplo, rotação).
Isso é perfeitamente compatível com a física newtoniana, e
matematicamente já foi demonstrado que isso funciona, pelo menos para os elétrons.
Lígia:
Então vejamos: se há movimento, há o espírito
da matéria e a consequente intercomunicabilidade entre objetos em movimento.
E mais interessante ainda é notar que o conceito desse tal de "espírito
da matéria" é difundido também em certas doutrinas filosóficas
que são encaradas como "ciências ocultas". O conceito de
Karma ( que em sânscrito significa movimento) é basicamente levar em conta que
onde há ação (movimento) há existência e que é pelo fato de existirem/estarem em movimento em relação a um referencial
absoluto que tais corpos podem ser notados como reais... Newton estava fazendo uso de conceitos bastante
interessantes para compreender a essência da matéria. Talvez seja por isso que ele tenha
chegado a respostas tão absolutamente corretas quando da elaboração de
suas fórmulas para movimentos de corpos em sistemas.
Se eu concordar contigo estarei selando a minha expulsão da
Ciencialist, então vou dizer
apenas que ele mereceu o título "post
mortem" de o último dos grandes magos.
Concordo com a sua observação das forças virtuais e não tenho a
acrescentar mais nada a respeito.
Alberto:
O quase impossível, a meu ver, seria fazer com que uma fração significativa de físicos, tanto
teorizadores quanto experimentais, acreditasse nessa idéia,
pois isso é um trabalho para ser feito por muita gente e sem nenhuma
garantia de sucesso.
Lígia:
Principalmente porque as pesquisas estão totalmente
voltadas à confirmação da MQ em todas as suas implicações diretas ou indiretas... sinceramente eu não vejo muita chance dessas
idéias serem questionadas.
Nesse caso não há mais o que
dizer a respeito, pois você entendeu perfeitamente
o que eu pretendi dizer.
Alberto:
Eu diria apenas que sob esse aspecto o big-bang está para nós assim como as estrelas fixas
estavam para Newton. Não é
impossível que daqui a 300 anos descubram que o Universo contém milhares
de big-bangs, e que o nosso é apenas um big-banguezinho de um big-sistema-solar e
que se move em direção a uma big-estrela
fixa. ;-))
Lígia:
Não vamos exagerar... :)) Decididamente eu não
concordo com a idéia de micro-buracos-negros, brancos e muito menos com sequências de BBs...
Bem, o exagero foi proposital.
Mas veja que eu não falei de "micro-buraco-negro" mas sim de múltiplos big-bangs. Essa idéia
é bastante recente e não é minha, e foi proposta como alternativa a explicar
aquela história de que o Universo estaria em expansão acelerada. Enfim, eu
conheço muito pouco sobre o assunto para poder ir além.
Alberto:
É bom deixar claro para os leitores que estão pegando o bonde andando, que boa parte do que
estou falando
reside no campo das especulações. Algumas bem fundamentadas, mas não deixam de ser especulações.
Lígia:
Essa história de múltiplos big-bangs é
interessante. O que Linde propõe é que haja vários universos divididos por linhas divisórias que seriam seus limites imediatos, sendo que em cada
um desses universos toda uma ordem implicando até mesmo em leis diferentes das dos outros
são estabelecidas desde o princípio...
é uma idéia, nada mais que uma idéia... não boto fé nisso não...
:))
Para ser sincero, eu também não, mas não acho impossível.
Os entropinos são corpúsculos de Newton, a base da luz e de
tudo o mais.
Lígia:
Bonita idéia essa... sinceramente. O
problema seria encontrar os entropinos... :))
Eu penso que a constatação de sua existência não será muito difícil,
pois já dispomos de argumentos teóricos a meu ver mais do que suficientes para
caminharmos nessa direção. O difícil será o que virá depois, a
determinação de suas propriedades físicas. Isso deve ser trabalho para
mais de 50
anos, supondo-se um sucesso total.
Alberto: Neste caso chegamos naquela idéia de um Universo interligado.
Mas eu ainda acho que isso ainda é muito pouco. Eu consigo até
mesmo entender essa interligação sob um ponto de vista da física
newtoniana, mas não consigo evoluir a partir daí a não ser deixando de lado o método
científico. Ou seja, sob esse aspecto eu fico naquele mesmo
impasse que Newton ficou, a ponto de ter escondido no bolso do colete o
seu "espírito da matéria".
Lígia:
Mas é justamente essa falta de "interligação"
entre o que é intuído e o que é experimentado que gera todo o conflito armado
entre o que está acontecendo e o que a gente entende pelo que está acontecendo... Parte da minha busca pessoal é justamente
entender o que motiva um místico a apenas agir sem se preocupar com os
detalhes científicos e o que leva um cientista a não se aperceber do que está "por trás" de tudo e continuar agindo. Sem
que haja essa comunicação entre razão e intuição só o que há são membros
dissecados que nada podem alcançar por si mesmos...
A modernidade separou a ciência do misticismo e sem entrar no mérito
da questão digo apenas que o cientista tem que tomar muito cuidado com
seus escritos, pois do contrário será definitivamente condenado ao
ostracismo. A verdade é que a comunidade científica gosta de ser enganada, sem
perceber que *todo* cientista que produziu de fato algo revolucionário para a
ciência começou por valorizar aquele lado místico que todos nós possuímos. Não
existem exceções. O cientista produtor de conhecimentos científicos
tem que saber lançar mão de sua criatividade, logo tem que ser intuitivo e,
acima de tudo, tem que saber separar o joio do trigo. A escola moderna bloqueia
essa criatividade, logo colabora para a manutenção do status
quo. Tanto a direita quanto a esquerda, de Hitler a Stalin ou de Bush a Fidel Castro,
nada mais fizeram senão sufocar essa rebeldia, sem a qual a ciência
fica aprisionada nas mãos do Estado. Os rebeldes sempre foram mal vistos
pelos governantes e a Inquisição sempre existirá enquanto o homem não for
livre para pensar, enquanto não iluminarmos a face oculta da ciência.
Lígia:
É... e depois eu que sou "mística"... :))
Mas de fato, mesmo num conceito que você "abomina", o da
"energia condensada" na forma de matéria não há nada de palpável... além da
luz.
Em todo caso, gosto da forma que você "dá nome aos burros".
A coisa toda acaba sendo mais coerente simplesmente pelo fato de ser explicável até o fim. Isto é, *SE* os corpúsculos de
Newton não
tiverem uma estrutura interna... :))
Rigorosamente falando eu não abomino essa energia condensada, apenas
dou outro nome. Eu aprendi o conceito de energia estudando a física clássica,
e em física clássica energia é um construto, não é uma essência. A
energia retrata uma das maneiras como o movimento se manifesta. Mas assim é porque os
clássicos a definiram para que fosse assim. Os místicos dão outra interpretação à energia. Isso não tem nada de física clássica, mas
sim algo que eles herdaram dos antigos. Não posso dizer que estejam errados,
pois eles adotam a interpretação milenar da palavra, mas também não posso
confundir coisas diversas, apenas porque receberam o mesmo nome. Os místicos
de hoje gostam da física moderna porque acreditam existir aí uma aproximação
com o conceito milenar, mas isso é uma ilusão que a meu ver jamais
sairá do papel.
Alberto: Perceba então que as minhas teorias atendem a gregos e a troianos, a céticos e a anti-sépticos.
;-)
Lígia:
Well, esta é uma postura conciliatória muito
peculiar. A cisão realmente não leva a muita coisa além da discórdia.
E fico feliz por constatar que você está realmente fazendo um bom trabalho. Tem sido mais com o propósito de sondar você que eu venho questionando
ininterruptamente tudo o que eu percebo que dá sustentação aos seus argumentos. E eu até
entendo quem
discorde de você.
Eu também entendo e acho muito natural, pois em condições similares
eu também discordaria. Apenas não aprovo a atitude dogmática e a pobreza
de espírito de muitos daqueles com quem tenho digladiado, na verdadeira
acepção da palavra. Como já disse, eles não querem dialogar, eles querem que
eu concorde com aquilo que eles acham que já sabem. Outros querem me derrubar,
mas como não têm argumento para tal ficam alternando bajulações com pedradas.
Terceiros, como o Taborda, querem me cansar utilizando-se do método da repetição exaustiva.
Felizmente, entre um dissabor e outro
surgem pessoas como você que respeitam e advogam a causa do livre-pensar. Eu só
posso agradecer pelas suas "sondagens", pois sob certos
aspectos, você efetivamente está conseguindo me colocar em xeque, coisa que os demais
não conseguem fazer. E não conseguem porque querem dar o xeque-mate em um
único lance, e mal se dão conta que não sabem jogar xadrez.
Lígia:
Talvez não a nível objetivo mas com toda certeza a
nível subjetivo tal coisa acontece sempre... Só quem pretenda
permanecer fechado a isso, não percebe :)
Alguém já disse que o pior cego é aquele que não quer ver.
[ ]´s
Alberto
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