From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Sat, 18 Mar 2000 11:21:42 -0300 Subject: [ciencialist] Re:Filosofia dos antônimos http://www.egroups.com/message/ciencialist/4236 -----Mensagem Original----- De: Sheila Franco. Para: ciencialist@eGroups.com Enviada em: Sábado, 18 de Março de 2000 02:52 Assunto: [ciencialist] Filosofia dos antônimos > Oi todo mundo! Alberto!?..um Oi! pra vc Olá Sheila! Oi pra vc tb. > Interessantíssimo o que expos. Nunca antes havia ouvido falar nessa tipo > de pensamento e gostaria de tentar conhecer um pouco. O assunto realmente é muito interessante mas ao que parece ainda não foi sistematizado e/ou axiomatizado. Trata-se, sem dúvida, de uma lacuna lamentável encontrada na ciência moderna. Pudera! Toda a vez que se toca no assunto, não dá outra: 1) se no âmbito das ciências naturais corremos o risco de sermos considerados místicos e em decorrência, sem credibilidade científica; 2) se no âmbito das ciências humanas qualquer um que fale em dialética seria considerado, há dez anos atrás, comunista, e hoje, saudosista. Mal se dão conta de que a autêntica dialética é milenar e antecede o misticismo e/ou o marxismo. Comecei a me interessar pelo assunto na década de 70 quando me especializei em equilíbrio ácido básico do sangue humano. Em particular, fui adepto e, aqui no Brasil, defensor ferrenho da escola dinamarquesa de equilíbrio ácido básico, o que me despertou a curiosidade para o estudo dos complementares antagônicos, tais como ácido e base, bem como pelo princípio de Le Chatelier que, como afirmei, está bastante relacionado com este antagonismo. Aliás, os dinamarqueses são feras em complementaridade. Como vê, minha repugnância pela física quântica e, em especial, pela interpretação ortodoxa da mesma (escola de Copenhagen), não é de cunho regional. Nas décadas seguintes continuei me interessando pelo problema bem como pela ausência de referências ao assunto em temas em que o antagonismo joga um papel essencial como, por exemplo, o estudo dos campos de força (cargas de mesmo sinal se atraem e cargas de sinal contrário se repelem, e por aí vai). > É possível? Como posso fazer? Não será fácil. Os conceitos da ciência oriental antiga, aqui no ocidente, estão totalmente impregnados de misticismo. Digo, por experiência própria, que não será fácil separar o jôio do trigo. Alguns poucos autores, dentre os que considero respeitáveis (por ex. George Oshawa), não conhecem o suficiente de nossa cultura para conseguirem utilizar uma linguagem apropriada. Seus livros acabam sendo confundidos com aqueles pertencentes à ciência marginal. E, embora saibam separar ciência de misticismo, seus livros também estão infestados de conceitos místicos, o que nem sempre fica evidente ao leitor. E os seguidores destes autores via de regra também não entendem a mensagem e deturpam conteúdos sérios utilizando-os com finalidades outras, quais sejam, justificar a astrologia, a ufologia, a física quântica, a embromologia (com a permissão do Daniel e/ou Renato para utilizar o termo que um deles criou), etc. Dentre os gregos antigos, parece-me que os melhores trabalhos sobre a dialética ficaram perdidos no tempo (talvez um filósofo especialista nos pré-socráticos pudesse comentar melhor a respeito). Há cerca de um ano eu dei uma de autodidata e escrevi vários artigos seqûenciais a respeito para o news uol.ciencia, mas deixei as cópias dos mesmos em disquetes Zip e hoje meu zip-drive está com defeito. Não obstante, se alguém quiser prolongar o debate, estarei à disposição para dizer o que penso sobre o que vier à tona. >Acho que é muito difícil, pois me perece um elo entre uma "lógica do ser > humano" e uma "lógica matemática". Não sei como me expressar para ser > compreendida. Realmente. E ao que tudo indica, trata-se de um elo perdido. De alguma forma o homem já conseguiu, um dia, entrelaçar essas duas lógicas. > Haveria de ser algum campo que use a palavra, abstração que abre caminho > entre sentidos, o imaginado, e concreto perceptível? Ou eu viajei nessa > completamente sentido q há alguma coisa passando por minha cabeça a qual > eu não identifico. Não digo que sim nem que não, muito pelo contrário: Viajar é preciso. > Devo ter ficado zureta. Desculpem qq coisa. > Vou enviar antes que me arrependa. É por isso que eu gosto da Internet. Ela propicia o repentismo, ou seja, é anti-parnasiana por excelência. > Abraços, > Sheila. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm