From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Fri, 31 Mar 2000 01:08:11 -0300 Subject: [ciencialist] Re: tempo encolhe http://www.egroups.com/message/ciencialist/4472 > Alberto e ciencialistas, > > A física pós-einsteiniana, diz que o tempo "encolhe" quando se aumenta > a velocidade. Na antiga e simples expressão v=e/t > não acontece isso? Qual a diferença, ou qual a novidade? > Olá Douglas Eu não sou a pessoa mais indicada para responder suas dúvidas, mesmo porque sou um "físico" newtoniano. Apenas acho que alguém precisa completar a física newtoniana de maneira que ela venha por si só, e sem a apelação para os absurdos aceitos pelos físicos modernos, a explicar algumas aberrações encontradas ao final do século passado (em especial, após a aceitação da teoria eletromagnética de Maxwell). Não obstante, vou reproduzir algo que escrevi há algum tempo. Antes disso vale a pena citar os postulados básicos da teoria da relatividade restrita (ou especial). A teoria aceita como verdadeiras (e portanto sem contestações) as seguintes afirmações: 1) A velocidade da luz no vácuo é a mesma em todos os sistemas coordenados que se movem uniformemente uns em relação aos outros. 2) jTodas as leis da natureza são as mesmas em todos os sistemas coordenados que se movem uniformemente uns em relação aos outros. Vamos agora ao texto: O Tempo Relativo: Imagine que você está na extremidade traseira de um vagão de trem de comprimento e = 1 km e emite, através de uma lanterna, um feixe de luz que será captado por um observador situado na outra extremidade. Como c = e/t (c = velocidade da luz), podemos dizer que o feixe de luz atingirá a extremidade oposta após um intervalo de tempo igual a t = e/c = 1/300000 s (isto em acordo com a teoria da relatividade, pois c = 300000 km/s). Admita, ainda, que o trem se move, em relação à terra firme a uma velocidade igual a 90% da velocidade da luz, ou seja, v = 270000 km/s. Um observador externo ao trem verificará que, em relação ao seu referencial, a luz percorre um espaço L superior ao comprimento do trem; isto porque, estando o trem em movimento, a parede dianteira se afasta do raio de luz (isto seria previsto até mesmo pela teoria clássica). Como pela teoria da relatividade c independe do referencial, o observador externo calculará o tempo percorrido pela luz como t = E/c, em que E é igual ao comprimento do trem mais um fator clássico e dependente de sua velocidade, entrando aqui também um fator relativístico a que alguns costumam chamar por "contração" do trem (isto graças ao postulado 1 citado acima). De qualquer forma, o efeito resultante será que o tempo calculado pelo observador externo ao trem é diferente do tempo calculado pelo observador passageiro do trem (e isto graças ao fator relativístico considerado bem como à constância absoluta de c -- observar que após as correções relativísticas, E continua diferente de e). E, no entanto, ambos mediram o tempo decorrido pela mesma experiência, apenas que observada por referenciais diferentes. A conclusão a que se chega é que, pela teoria da relatividade de Einstein, o tempo é diferente para cada referencial. Ou que os relógios deverão andar em ritmos diferentes. A teoria é totalmente estranha e, eu diria mesmo, absurda, não fosse por uma constatação experimental já praticamente comprovada. Por incrível que pareça, relógios ultraprecisos atrasam-se quando sujeitos a grandes velocidades. Será que a única explicação para a relatividade do tempo é aquela dada pela teoria da relatividade einsteiniana? Afinal, o que é um relógio? [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm PS.: "Contração" e/ou "dilatação" do espaço/tempo são efeitos relativos. Ao que tudo indica, ninguém iria se sentir esmagado ou, então, com a sensação de que o tempo passa mais depressa ao embarcar numa nave relativística (pelo menos após cessar o efeito devido à aceleração). As distorções ocorrem ao compararmos medições efetuadas num referencial com medições efetuadas no outro.