From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Fri, 14 Apr 2000 17:49:33 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Mecanismo da existencia http://www.egroups.com/message/ciencialist/4549 -----Mensagem Original----- De: "Roberto Belisário" Enviada em: Sexta-feira, 14 de Abril de 2000 09:20 Assunto: Re: [ciencialist] Mecanismo da existencia Olá, Belisário. > Primeiramente, quero desculpar-me por uma mensagem espúrea que apareceu > na lista porque apertei um botão errado. Putz, nem me lembre! Uma vez apertei um botão errado e apaguei todo um CD regravável. Perdi muitas msgs interessantes, além de outros artigos que consegui recuperar, mas tive que redigitá-los. :-( > O Alberto também concorda que Metafísica pode fazer parte da Ciência. Não no sentido absoluto. Na realidade eu estava interpretando a seguinte afirmação do Ozelo: "Até o momento considero questões físicas e metafísicas como partes integrantes de questões científicas...". Por exemplo, o método científico (vide o próximo parágrafo), em si, não é ciência, porém nós o discutimos muito, pois ele é parte integrante da temática que interessa aos cientistas. Muitas questões científicas, por exemplo, implicam a noção de falseabilidade, cujo estudo em si não se situa no terreno da ciência. É importante também lembrar que o tema não faz a ciência mas, sim, a maneira como abordamos a temática (a esse respeito costumo discordar muito de Popper, mas esse já é um tema um pouco mais complexo, e pode ser que seja objeto de discussões futuras). Leonardo da Vinci, por exemplo, em sua "Teoria do Conhecimento, demonstrou ser possível encarar a arte cientificamente. Por outro lado, há alguns anos comecei a desenvolver uma "teoria sobre o método científico" (está um pouco parada, pois fui obrigado a me dedicar a outros afazeres) e acredito ser possível submetê-la aos testes de falseabilidade. Se conseguir atingir esse objetivo, que sei que não será fácil, terei demonstrado que a ciência começa propriamente pelo método científico. Deixo de lado (ainda que não os negue, pois podem eventualmente surgir como corolários) os princípios metafísicos clássicos, como por exemplo, o princípio da causalidade de Kant; e apoio-me unicamente na regra científica fundamental, qual seja, a regra da repetitividade, que é aquela que, realmente, dá consistência à experimentação (pois fenômenos que não se repetem não podem ser verificados em laboratório). A partir daí proponho hipóteses falseáveis (a regra, em si, não seria falseável, pois se o tentar, o que é possível, estarei andando em círculo e cometendo um erro lógico grave pois a falseabilidade decorre da regra). Publiquei a parte inicial desta teoria na revista Integração (1996) e reproduzi há 1 ano no grupo uol.ciencia (hoje uol.educacao.ciencia). > Porém, citando Popper, ele diz que uma das características que distinguem > a Ciência das demais atividades intelectuais é a falseabilidade. Concordo > plenamente. Mas as teorias da Metafísica são falseáveis? Parece-me que > não, pelo menos grande parte delas não é. Espero ter respondido acima. > Talvez eu deva compreender melhor as citações popperianas do Alberto Popper é um filosofo da ciência mas, acima de tudo, é o filósofo da dialética científica. Não é difícil aprender com quem se utiliza do método dialético, visto que o debate, a crítica, o diálogo, etc, são objetos de sua filosofia de vida. Não obstante, às vezes entramos num labirinto com uma única saída e nem sempre é fácil encontrá-la; e ele, como bom filósofo dialético, dificilmente irá nos apontá-la. É como ensinar a pescar ao invés de dar o peixe. Se nos abstrairmos do misticismo ou mesmo esoterismo encontrado na "filosofia" Zen, diria que a filosofia dialética tem muito a ver com a "filosofia" Zen. Também espero que não confundam o que estou chamando por filosofia dialética com a chamada "filosofia da práxis" que, a meu ver, enxerga apenas um lado da verdade e, conseqüentemente, é manca, não podendo nunca representar uma dialética genuína. Parece-me estar faltando aí a sua complementar, qual seja, a "filosofia da teorexis", entendendo-se por "teorexis", além de outras coisas, "a prática da teorização". A filosofia dialética seria, então, a "síntese" entre a "filosofia da práxis" e a "filosofia da teorexis". Parece-me que Gramsci tentou propor essa linha, mas não sei se teve seguidores à altura. Enfim, sou um cientista e não um filósofo da ciência, logo, considere as afirmações deste parágrafo como um palpite de leigo. > Creio que as três idéias de Popper que você colocou acima significam que > não existe uma "receita de bolo" pronta para a descoberta, a verificação e > a confirmação de uma teoria científica, não? Exatamente. > A diferença entre Ciência e Mito estaria então não na receita de bolo - > daí a crítica de Popper ao "Método Científico" - mas na falseabilidade que > a Ciência tem e o Mito não tem. Interpretei correto? Aliás, se > considerarmos que a Ciência deve ser falseável, não estamos colocando a > Metafísica fora da Ciência? Sim à primeira pergunta. Quanto à segunda diria: sim ou não, conforme o sentido que se dê aos termos (veja os comentários feitos nas primeiras afirmações desta mensagem). > > Além das propriedades espirituais da física moderna ("spin", talvez > > "estranheza", talvez "cor", talvez "sabor", talvez "fedor" :)) ) diria > > que o "spin" tem momentos linear e angular. Antes de discutir vou corrigir um erro cometido. A frase deveria terminar com: "diria que o neutrino tem...". Na realidade estou respondendo a uma questão do Ozelo que poderia ser enunciada como: Quais são as propriedades do neutrino? E a resposta, realmente em tom de brincadeira, seria: spin e talvez estranheza, cor, sabor, fedor, etc. Rigorosamente falando, as demais propriedades (exceto a última, fedor) não são próprias ao neutrino mas sim aos "quarks" da Cromodinâmica Quântica. O "talvez" repetido e o "fedor" foram utilizados para enfatizar o tom de brincadeira. Creio que me esqueci do "charme" e, talvez, da "fragrância". :-) > Vou considerar esse "espirituais" como uma brincadeira... :)) Eu não > diria que o spin "tem" momento linear ou angular, o spin é uma > *propriedade* de certas partículas. As partículas, elas sim, podem ter ou > não momento linear e angular. O spin, às vezes chamado "momento angular > intrínseco", tem caraceterísticas muito semelhantes às do momento angular; > mas não consigo ver a relação dele com momento linear (quantidade de > movimento). Entendo a sua estranheza [Nem só os "quarks" têm "estranheza" :-) ] e espero que você tenha entendido o meu erro. Quanto ao "spin" ser ou não uma entidade espiritual, escrevi algo ontem (13/abr/2000) para o "uol.educacao.ciencia" relativo a interpretação errônea que têm-se dado às desigualdades de Bell e a experiência de Aspect e que, segundo a grande maioria dos físicos modernos, teria resolvido definitivamente o problema apresentado por Einstein em 1935 e relativo ao paradoxo EPR. Espero ter justificado plenamente a farsa que envolveu esta "resolução". O artigo chama-se "Teorias Realistas Atuais" e apoia-se numa argumentação ainda não descrita em nenhuma das grandes revistas de física [esta frase é para aumentar o meu índice como "crackpot", que ultimamente anda em baixa :-) ]. Brevemente publicarei o artigo em meu Web Site. Aceito críticas, comentários e sugestões. Se quiserem poderei reproduzi-lo aqui, pois não é tão extenso (20 Kb no total) e pode ser postado em uma ou duas mensagens de tamanho médio. > > (Ozelo) Você encontrou uma partícula Z? > Está bem, eu não encontrei uma partícula Z... :)) Mas um bando de > cientistas já a viu, e sua descoberta está registrada nos artigos das > revistas científicas (G. Arnison et al., Physics Letters, 126B, 398 > (1983)). Não sei se vou ajudar na discussão mas parece-me que o Carlo Rubbia (físico italiano) recebeu o prêmio Nobel por este achado. Descobriu as partículas W+, W- e Z-zero. Saiu até mesmo uma reportagem no New York Times da época intitulado: "Europa 3 x EUA nem Z-zero." > "um míope, obrigado a colocar o objeto mais perto, pode talvez por um > exame próximo descobrir o que não viram muito melhores olhos." Gostei! Como costumo dizer: Todo nós trazemos um pouco da filosofia popperiana em nosso interior e você não faz exceção. Ao Ozelo: Estou examinando com carinho as figuras e o texto que você encaminhou por e-mail. Creio que terei muito a comentar a respeito, aguarde. Talvez demore. "Alguma coisa" me diz que você está no caminho certo, conquanto ainda longe de enxergar a luz do fim do túnel. Obviamente, trata-se de um palpite, pois creio estar em outro túnel, não sendo impossível que seja paralelo ao seu. São muitos os caminhos a nos levarem à verdade científica e a nossa existência é muito efêmera para que possamos percorrê-los em sua totalidade, chegando assim ao fim do túnel. Não obstante, sei que ele está lá, e isso me basta. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm