From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Thu, 27 Apr 2000 21:47:26 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Mecanismo da Existencia http://www.egroups.com/message/ciencialist/4605 -----Mensagem Original----- De: "Ozelo" Enviada em: Quinta-feira, 27 de Abril de 2000 13:16 Assunto: [ciencialist] Mecanismo da Existencia > Léo - mensagem 4571: > > "O interessante da coisa é que essa idéia surgiu-me de um > > experimento muito simples em magnetismo. Permitam-me uma breve > > descrição: (...) Afastando ou aproximando o ímã da superfície da água, > > as figuras que se formam --- interessantíssimas --- se mantêm e têm o > > aspecto dos aglomerados mostrados nas figuras postas no site. Vale a > > pena fazer isso." > Achei muito interessante esse experimento! Também achei! Não vejo a hora do webmaster do Léo parar de cometer erros :-)) e botar os resultados do experimento "no ar". Oi, Léo, se estiver na linha não deixe de dar um alô quando tal acontecer. Afinal, não é todo o dia que entro no teu site. :-)) > > "Certamente não é. "Deus não joga dados." :-)" > Só não posso acreditar na liberdade de interferência divina no universo > como algo que provém se um ser inteligente, onipotente e etc. Sob esse aspecto vou repetir algo do anedotário de Bohr e que já coloquei aqui, nos primórdios da ciencialist: Nos meios acadêmicos, Bohr sempre mostrou-se totalmente contra a superstição e/ou coisas do gênero. No entanto, quando alguns de seus colegas foram visitá-lo , depararam com uma ferradura na porta de sua casa. Questionado a respeito, Bohr respondeu: Eu não acredito no poder da ferradura mas dizem que ela dá sorte até mesmo para quem não acredita. :-) A frase de Einstein deve ser interpretada num contexto semelhante: Ela faz sentido mesmo para quem não acredita em Deus. É difícil saber o significado de Deus para Einstein. Aliás, é difícil até mesmo saber qual o verdadeiro significado da relatividade, para Einstein. Costumo dizer que ele foi o principal, se não o único, crítico de suas próprias teorias. Sempre procurou, apesar de sua humildade científica, estar um passo a frente de seus colegas, mesmo seus seguidores. Em vão tentou substituir suas teorias por algo mais consistente para a época, coisa que hoje quase ninguém mais quer tentar fazer. > Mas do ponto de vista da existência de coincidências, acredito sem > dúvidas. Quis dizer que não esperava que a 'curiosa coincidência' fosse > realmente apenas uma coincidência da geometria com o comportamento de > alguns aspectos da natureza, mas que essa 'curiosa coincidência' seja > talvez uma contribuição valiosa para uma definição cada vez mais 'íntima' > e aprimorada da realidade física que observamos hoje. :o) Digamos então que existem princípios naturais a orientarem os caprichos da natureza como, por ex., os princípios de conservação. Sem dúvida, alguma coisa está por trás da não aleatoriedade dos fatos. Não sei até que ponto essa não aleatoriedade interferiria sobre o nosso livre-arbítrio mas imagino que mesmo que exista algum princípio da incerteza consistente, ele deve surgir com a complexidade, nunca em nível elementar como aquele representado pelas partículas da física moderna ou, mesmo, da química (átomos e moléculas). Neste nível sou mecanicista e materialista, ainda que defenda a idéia da existência real do que chamo "informação do movimento da matéria", algo imaterial a corresponder ao chamado "espírito da matéria" por Newton e a participar da gênese dos campos de força, da luz, da propagação do som e da propagação do momento linear em mecânica dos fluidos (campos de velocidade). > ...esses aglomerados não > podem coexistir com a gravitação sem um momento angular adequado. Muitas > partículas ocupando o menor espaço compondo um aglomerado maior do que 13 > esferas realmente sugerem outros 'números mágicos', mas quando este é > dotado de um certo momento angular, as partículas se comportariam como o > achatamento dos pólos ou talvez como as galáxias. Entendo sua dúvida mas muitas vezes me questiono sobre o sentido de momento para uma partícula elementar. Digo isso porque nossa idéia de momento está aprisionada ao conceito de massa inercial e esta, por outro lado, está parcialmente aprisionada ao conceito de massa gravitacional. Por outro lado, creio que a gravitação não seja inata à matéria mas decorrente do movimento da matéria elementar, movimento este acompanhado da emissão de "informações" relativas à sua natureza (giro e/ou translação). Talvez resida aí o aprisionamento entre as duas massas, algo aparentemente estranho e cuja estranheza parece-me ter sido primeiramente apontada por Einstein, ao justificar seu princípio da equivalência (a base da TRG), ainda que amplamente aceita por séculos (a estranheza). > Só podemos considerar a ausência de momento angular para um aglomerado > qualquer se as partículas deste se localizarem simetricamente > eqüidistantes da esfera central, supondo partículas idênticas > infinitamente sólidas ou infinitamente densas gravitando entre si. Pois é aí que as coisas se complicam. Até que ponto esta gravitação existe neste nível e, admitindo-se que sim, que papel significativo ela jogaria em meio a outras interações tais como as eletromagnéticas e a interação forte? Neste terreno, ou procuramos por uma unificação das forças ou quase que poderíamos ignorar a gravitação, se tomarmos a trilha seguida pelos físicos modernos. Por outro lado, a partir de um certo nível, ainda bastante elementar, creio que a gravitação joga um papel fundamental, mas para isso precisaríamos entender perfeitamente o que realmente é a gravitação e o que é o eletromagnetismo. E até que ponto as demais interações não seriam artifícios relacionados a caprichos da natureza, em seu "aparente" jogo de dados. > A saber, apenas discutimos aqui os aspectos dessas partículas com a > gravitação, mas ainda não discutimos a origem desta e nem as concepções > cosmológicas adequadas. Acredito serem fatores determinantes para explicar > o Mecanismo da Existência e a sua suposta relação com este modelo. Falou e disse! Alguma coisa está faltando e, em meio a tantas incertezas, quem acabou triunfando foi o princípio da incerteza. > Se esta força for definida como atrativa, a conclusão da 'forma' assumida > pela menor partícula de matéria deve ser supostamente esférica. Concordo plenamente. E, se podemos simplificar, para que complicar? Realmente você está coerente ao assumir uma geometria esférica para partículas realmente elementares (se é que elas existem). Quis apenas chamar a atenção para o fato de que "se é verdade que Deus joga dados", não é impossível que ele esteja, além do princípio da incerteza, aprontando outras peripécias com a finalidade de nos confundir. Ou não? > Ainda não o fiz, mas devo explicar melhor o caso das circunferências. Veja > que o suposto crescimento da circunferência circunscrita sugere uma força > que aumenta com o aumento da distância entre as circunferências > encostadas. Quando fiz essas considerações, estava também considerando que > a massa e o espaço pudessem ser definidos como alguma espécie de carga. A > idéia é que, se massa atrair massa e espaço atrair espaço, as forças entre > estas diferentes cargas seriam repulsivas. Subtraindo desta força > repulsiva que diminui com a distância a força atrativa que aumenta com a > mesma distância, pensei em explicar a origem da força da gravidade. Mas > apenas considerei as circunferências e não as esferas, como também não > considerei a possível e enorme discrepância entre as quantidades de massa > e espaço observadas no Universo. Como já afirmei em msg anterior, estamos caminhando em túneis diversos, porém paralelos e não muito distanciados. Se conseguir enxergar alguma luz não deixe de me dar um alô e farei o mesmo. :-) Pelo visto, você, como eu, também não acredita numa gravitação inata e inerente à matéria. Porém você está trabalhando em cima de um esquema que eu tenho utilizado após já ter concebido (ainda que não de maneira definitiva) o que chamo gravitação. Quando utilizo o esquema das treze bolas, na minha visão a gravitação e o eletromagnetismo já existem. Procuro então utilizar-me do esquema para decifrar a estrutura dos orbitais protônicos, neutrônicos e eletrônicos. > Entendo, também sou mais euclidiano, mas não totalmente convicto. Isso é bom. Como já disse, o cientista é aquele que duvida para acreditar. > Einstein não parece ter conduzido > seus trabalhos sob um foco orientado pela aplicabilidade matemática? Sim e não. A meu ver Einstein era muito mais físico do que matemático, coisa rara de se encontrar hoje em dia. No entanto, suas idéias nos levam a conceitos difíceis de serem entendidos, a não ser lançando mão de analogias matemáticas. Nota-se que a sua intuição não foi dominada pela matemática. Einstein chegou a afirmar que algumas de suas idéias não podiam ser entendidas fisicamente mas apenas matematicamente. Não obstante, durante toda a sua vida tentou decifrar o que havia de realmente físico nessa matemática abstrata. Hoje aceita-se passivamente que física e matemática se confundem o que, sem dúvida alguma, é um dos maiores absurdos que estão impondo aos jovens que se dirigem aos cursos de física do país e do mundo. > Às vezes me questiono se a nossa matemática é suficiente ou adequada para > explicar o Universo e todos os seus fenômenos. Adequada, sim. Mesmo porque, onde não for sempre haverá um jeito de adequá-la às necessidades físicas. Aliás, Maxwell foi um perito em promover tais adequações. Quanto à suficiência, creio ter comentado o que penso no parágrafo anterior. > Só se considerarmos que a camada mais externa da grande massa aglomerada > no centro do Universo se solidifique proporcionando uma espécie de panela > de pressão gigante. De acordo com a solidificação da massa periférica para > o centro, aí proporcionando o aumento da entropia na massa central e > consequentemente explodindo como se fosse uma grande bomba. Talvez não > tenha entendido bem sua colocação. :o) Com efeito, não. Aliás, eu também ainda não entendi direito. :-) Digamos que o aumento da entropia seja algo aparente e próprio ao macrocosmo mas não ao mundo das partículas elementares. Digamos que os neutrinos sejam as partículas que faltam serem levadas em consideração quando diferenciamos um processo reversível de um irreversível. Chamemo-los então por entropinos. Desta forma, uma transformação irreversível qualquer, como aquelas em que notamos a existência de atrito, por ex., seria acompanhada pela liberação de entropinos. Estes transportariam uma certa quantidade de energia não computada ao identificamos calor com trabalho (primeira lei da termodinâmica). Este fator seria o responsável pelo "aparente" aumento da entropia observado. Ora, mas estou dizendo que estes entropinos irão refazer o Universo, após se reunirem no que você chamou por "panela de pressão gigante". Então, aquela entropia que "aparentemente" desapareceu, "aparentemente" reaparecerá ao dar nova luz ao aglomerado "inicial". Ou melhor, este aglomerado sempre existiu e sempre existirá; e sempre emitirá protogaláxias a se expandirem e a se desgastarem até se transformarem novamente e totalmente em entropinos. As possíveis incompatibilidades entre essa idéia e a primeira lei da termodinâmica são discutidas no artigo "Variáveis Escondidas e a Termodinâmica", de meu Web site. > Se for o caso dos neutrinos realmente existirem e possuírem massa, > consequentemente, serão matéria e devem se atrair. Neste caso, sim. Mas > não sinto que seja de pirar porque há casos que algumas considerações são > refutadas por outras. (risos) ;o) Mas devo dizer que não creio na > existência da criação e sim somente num Universo que sempre existira e > sempre existirá indefinidamente no tempo. Mas essa é exatamente a conclusão a que cheguei com o modelo apresentado. Não existe início nem fim mas apenas a alternância temporal e espacial entre o caos e a ordem. > No Mecânica Relacional, o Assis discuti o paradoxo gravitacional no > capítulo 4. Ele comenta um artigo sobre as concepções cosmológicas de > Newton e segundo este Newton acreditava que o espaço era infinito em todas > as direções e eterno em duração. Acreditava também que a matéria era > finita e ocupava um volume finito envolto por um espaço infinito vazio de > matéria. Na década de 1690 Newton haveria mudado sua concepção defendendo > que a matéria seria infinita e espalhada por um espaço infinito. Nesta década Newton transformou-se em político. Preciso dizer mais alguma coisa? :-)) > O Assim mostra no seu livro que tanto a matéria sendo finita como infinita > existe uma situação paradoxal. > Diz ele que existem três modos de resolver o paradoxo: Se existem três não é impossível que existam quatro, cinco ou seis...:-) Afinal, sequer sabemos o que é gravitação, sequer sabemos o que é a luz, sequer sabemos o que é um elétron, sequer sabemos o que é um neutrino... Sabemos apenas que existem e que manifestam efeitos mensuráveis. Estamos simplesmente "brincando na praia e entretendo-nos com o encontrar, de quando em quando, um seixo mais liso ou uma concha mais bela do que o ordinário, enquanto todo o vasto oceano da verdade jaz inexplorado diante de nós." > Conclusão? Aranha sem perna é surda. :o)) E viva a ciência lusitana. :o)) [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm