From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Sat, 29 Apr 2000 14:27:28 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Re: Re: Re: Mecanismo da Existencia http://www.egroups.com/message/ciencialist/4614 -----Mensagem Original----- De: "Ozelo" Enviada em: Sábado, 29 de Abril de 2000 11:21 Assunto: [ciencialist] Re: Re: Re: Mecanismo da Existencia > aí você sacou uma > do baú que eu ????????? por 'omnia saeculae saeculorum'?????? ;o) Realmente, saiu do baú. ;o) No meu tempo de segundo grau estudava-se latim e algumas expressões arquivaram-se em algum lugar de meu cérebro. Não sei se a grafia está correta mas o sentido de "per omnia saeculae saeculorum" seria o de "por todos os séculos dos séculos. A frase total, então, ficaria: "...poderemos saltar de galáxia para galáxia à vontade, por todos os séculos dos séculos." Quer me parecer que o significado de "século de século" seria equivalente ao de 100 séculos = 10000 anos, ou seja, uma unidade de tempo razoável para o problema em questão. > Assim como deverei ter uma resposta no mínimo verdadeiramente fundamentada > para o meu filho, também deverei chegar ao fim de meus dias, olhar para > trás e ver que minha história pessoal reserva justiça, nobreza e que isto > não é como aceitar: "Eu sei que o mundo deveria ser diferente, mas não é." > Pois acredito mesmo que só que: "Penso que o mundo é nós que fazemos e não > ele a nós.". Mas muitas pessoas simplesmente respondem isso diariamente > com um dar de ombros ou apelando para conceitos religiosos vagamente > relembrados. Concordo contigo mas sinto que "na prática a teoria é outra", ou melhor, na prática surgem teorias outras a complicarem e a tornarem o encontro de uma solução mais difícil do que o previsto. Surgem então: 1) os aproveitadores, a moldarem o mundo de acordo com suas conveniências (os donos do mundo); 2) os acomodados, a se aproveitarem indiretamente das sobras que não são poucas, pois o sistema capitalista exige um mecanismo de troca e, portanto, de pessoas que tenham o que trocar (os inocentes úteis); e 3) o restante da população, a sobreviver a custa de migalhas. Perceba então que aos primeiros não interessa a modificação do mundo; e os terceiros não têm como lutar contra o sistema, pois mal conseguem sobreviver. Restam então os acomodados e o mundo terá, amanhã, o que estes plantarem hoje. E é por isso que costumo dizer que não existe crise no mundo pois crise significa "o ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão, ou vice-versa". O que existe chama-se marasmo. Em termos de Brasil costumo dizer que precisamos acordar o "Gigante" ora "deitado em berço esplêndido". Somos responsáveis, sim, porém nossa tarefa não é simples. Há alguns anos cheguei a escrever: "Sou um privilegiado pois tenho o privilégio de conviver com a miséria sem ser um miserável bem como tenho o privilégio de usufruir da safadeza sem ser um salafrário". A meu ver a saída começa por aí, pelo reconhecimento desse privilégio absurdo. Mas isso, por si só, não basta! E é por isso que eu prego, não apenas em ciência mas também, o lema "revolução permanente", que captei da filosofia da ciência de Popper; e é por isso que combato veementemente o "comodismo" inerente à filosofia de Thomas Khun, pois o que não é bom para o social não pode ser bom para a ciência. E é por isso que eu me rebelo contra o academicismo do século XX a propalar por todos os rincöes que "em time que está ganhando não se mexe". E, além do mais, quem disse que estamos ganhando? Bem, começamos discutindo "Mecanismo da Existência", divagamos muito pelo terreno da ciência, cheguei mesmo a expor aspectos de minha ciência marginal, e você da sua, e retornamos aos problemas existênciais. E é importante que assim seja, como é importante que os acomodados percebam que por detrás das fronteiras "do que é meu" existirá sempre um mundo melhor e maior "e que é nosso". [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm