From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Wed, 3 May 2000 06:09:35 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Re: Mecanismo da Existencia http://www.egroups.com/message/ciencialist/4624 -----Mensagem Original----- De: "Ozelo" Enviada em: Terça-feira, 2 de Maio de 2000 09:34 Assunto: [ciencialist] Re: Mecanismo da Existencia > Entendo, mas você acredita que um dia haverá de existir uma teoria > unificada que possa descrever todos os aspectos do Universo? Digo, se > encontrarmos um teoria que dite todas as regras do Mecanismo da > Existência,... Acho muito difícil, nos dias atuais, pensar numa "teoria do tudo" com essa abrangência e a ponto de esgotar possíveis futuras teorizações. Existem algumas tentativas generalizantes, via de regra mal interpretadas pela mídia que acabam gerando polêmicas que nada têm a ver com as teorias que pretendem discutir. Dentre essas idéias generalizantes lembraria as que ocorrem nas seguintes áreas: 1) Em física: poderia citar as tentativas de unificação da mecânica newtoniana com a gravitação newtoniana (século XVII e XVIII) seguida da unificação mecânica-campos e, posteriormente, às custas de um materialismo mecanicista (algo procurado por Maxwell no século XIX, dentre outros), pela unificação de todos os demais ramos da física. No século XX mudou-se o enfoque mas persistiu a idéia de unificação da física, algo tentado tanto pelos físicos relativistas (principalmente Einstein) quanto pelos quânticos, ainda que através de abordagens diversas. Como a física é, dentre as ciências naturais, a mais básica, espera-se que esta unificação possa um dia gerar uma "teoria do tudo" mas, a meu ver, existe muito mais especulação do que verdade nessa afirmação. Eu, em particular, acredito num retorno a uma física clássica totalmente unificada, a explicar todos os fenômenos físicos e a deixar boquiabertos todos os físicos modernos. Tenho trabalhado na procura desta solução. Uma teoria dessas poderia ser muito útil para a química ou biologia mas daí a dizer-se que a teoria em si iria resolver todos os problemas da química ou biologia vai um pouco de arrogância, apresentada por alguns físicos, mesclada com um certo grau de ignorância a respeito da complexidade inerente à química ou biologia. 2) A Teoria Geral dos Sistemas (parece-me que o seu precursor teria sido von Bertalanfy). Também pretende ser uma teoria do tudo mas restrita a classificações e interações entre sistemas. Trata-se de uma temática bastante interessante e, ao contrário do caso anterior, não está restrita, em seus aspectos básicos, essenciais e iniciais, a uma única área do conhecimento. Tanto pode ser desenvolvida por um físico quanto por um biólogo quanto por alguém da área das ciências humanas. 3) As teorias baseadas na evolução da filosofia oriental a se apoiarem no estudo dos complementares antagônicos (yin-yang). É possível por essa linha evoluir para teorias de estados de equilíbrio e de transformações de estados de equilíbrio bastante gerais (não apenas no âmbito da física). Uma boa alternativa a essa linha reside na construção de teorias apoiadas no Princípio de Le Chatelier que tem sido valorizado muito mais como regra mnemônica do que como princípio (os químicos utilizam-no bastante em equilíbrios químicos e, em eletromagnetismo, surge como uma lei que entrou na física "pela porta dos fundos" --> lei de Lenz). Quem segue uma linha paralela a essa, aqui no Brasil, é o Claudio Abreu [que já perambulou aqui pela ciencialist e recebeu paulada de todos os lados - até de mim!!! :o)]. Pois o Claudio Abreu vem desenvolvendo o que chama Teoria Geral da Bidualidade que considero bastante interessante. Também não tem a característica de "teoria do tudo" acima apontada, pois trata-se de uma teoria a orientar no desenvolvimento de, e/ou xecar, outras teorias mas não me parece que pretenda atingir o status de teoria única, a partir da qual nada mais tivesse sentido se fazer (o que seria de se esperar com uma teoria que pretendesse explicar tudo). > mesmo assim não poderíamos ficar acomodados, pois o desenvolvimento da > civilização seguiria com o aprimoramento das tecnologias existentes. É interessante essa colocação. Não acredito que cheguemos um dia a esgotar o conhecimento científico porém, admitindo-se que isso aconteça, ainda assim restará o desenvolvimento da tecnologia. Bem lembrado! > Assim, acredito que a intenção que está por trás de 'em time que está > ganhando não se mexe' é induzir as pessoas a alcançarem resultados > práticos com o que já temos em teoria. Mas a meu ver, a teoria e os > resultados práticos devem agora seguir um desenvolvimento paralelo. Pois é. Vamos respeitar o time que está ganhando mas vamos também procurar derrotá-lo. O que não podemos é admitir a existência do time único a ganhar única e exclusivamente do seu "sparring" e que, no caso da física, seria a física newtoniana (mesmo porque dia chegará em que esta cansará de apanhar). > A impressão que tenho é que tem um 'ar político' circulando pela prática > científica. É mais ou menos por aí? Não é "mais ou menos por aí". É exatamente por aí! Infelizmente existem os "donos da ciência" a propalarem que fazer ciência é como jogar xadrez. E conseguem incutir nos meios universitários que seria absurda qualquer manobra a ir contra as regras que "eles" criaram. E qualquer um que jogue xadrez de maneira "errada" é taxado de subversivo, ou de criança ou, então, não entende nada do assunto. E se de alguma forma este agente subversivo conseguir, com a anuência dos "donos da ciência", modificar as regras, as coisas começam novamente seguindo as mesmas trilhas, apenas que com novas regras. E se você continuar aceitando as regras velhas, dirão que você está esclerosado ou, então, que passou para a segunda infância. Com grande freqüência, e em virtude de interesses próprios e relacionados ao momento político, os "donos da jogo", ainda que nunca tenham jogado, pregam a boa nova a dizer que está na hora de se mudar as regras do jogo. É mais ou menos por aí. > Nosso diálogo fortaleceu em mim a confiança > no aspecto científico que resolvi expor e agora devo me dedicar nos > próximos dias a escrever em detalhes sobre minhas concepções cosmológicas > e seus fundamentos. Fico muito feliz com isso e, ao mesmo tempo preocupado, pois em uma das msgs anteriores você chegou a dizer que iria prestar vestibular esse ano. Digo isso porque conheço a "paixão" que toma conta do cientista quando ele resolve se dedicar a elucidar suas imagens de espírito. De qualquer forma, confio na sua sabedoria. > Em breve apresentarei alguns tópicos decisivos sobre a suposta > relação destas com o modêlo de 13 esferas, o qual dei o nome de 'Azar' > exibido aqui no Ciencialist. Com a ressalva feita acima, aguardarei ansiosamente. > Sou muito grato pela sua atenção e dedicação > nesses assuntos sem qualquer preconceito, o qual destas extraio muita > motivação para a defesa de um pensamento livre. "O futuro do mundo está confiado à juventude. Mas onde os ideais não inflamam o coração, e não firmam a vontade, começa a velhice e a decrepitude." (João XXIII). [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm