From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Sat, 13 May 2000 17:31:05 -0300 Subject: [ciencialist] As Bolinhas Elementares http://www.egroups.com/message/ciencialist/4717 O texto abaixo é parte do capítulo de um livro que escrevi em 1983 e publiquei em 1984. Cap. 7: AS BOLINHAS ELEMENTARES 7.1 Introdução Há quem diga que o elétron é uma partícula; há quem diga que o elétron é uma onda; e há quem diga que uma onda por vezes é uma partícula ou que uma partícula por vezes é uma onda. Eu não digo nada. Pudera! Não sou físico. Nem prestei juramento algum que me forçasse a acatar os dogmas de fé da física moderna. Posso imaginar os elétrons como bem o quiser. E, volta e meia, surpreendo-me imaginando-os a percorrer a cadeia de transporte de elétrons responsável pela fosforilação oxidativa. Sim, aquele conjunto de reações de oxidação e redução que nos fornece o ATP ou a energia necessária para que possamos continuar utilizando o pensamento. Outras vezes imagino um fóton penetrando num elétron de uma molécula de clorofila e iniciando um processo que em nada me parece mais complexo do que o trabalho executado por milhares de formigas, a transportar os "quanta" verdes de energia para o seu lar; cada uma carregando não mais nem menos do que o estritamente necessário, dentro de suas possibilidades físicas e naturais. Mas, por mais que tente, não consigo imaginar o elétron como uma nuvem, nem tão pouco como uma "bolinha" carregada com "frações" da unidade "indivisível" de carga elétrica; e muito menos transformar esta "bolinha" numa nuvem. Mas creio ter conseguido suprir esta minha incapacidade intelectiva criando uma imagem "concreta" para o elétron. E, às vezes, "meu elétron" até mesmo coaduna-se com as maravilhosas equações da física moderna; fato este que, não nego, quando constato chega a aumentar a freqüência de meu pulso; até que, de volta ao estado normal de incredulidade científica, opto pela aceitação de tratar-se de mais uma das curiosas coincidências que ultimamente, e com tanta insistência, têm me aparecido. E sinto-me na obrigação de relatá-las na esperança de que alguém melhor preparado do que eu destrua esta imagem; sem, evidentemente, apoiar seus argumentos na aceitação de suposições outras ainda não definitivamente comprovadas; ou então, em erros decorrentes não da imagem criada em si mas da incapacidade óbvia que possuo em "vender o peixe" num mercado para mim de todo estranho. Perdoe-me, o leitor, se ao relatar os frutos de minha imaginação aparento um entusiasmo acima do normal, denunciando uma crendice exagerada no que estiver pregando; bem como um descrédito acima do esperado em suposições outras incompatíveis com a minha lógica. Se me excedo na crítica a determinados argumentos é porque reconheço que é justamente neles que poderão ser encontradas as falhas da minha teoria; e, sinceramente, não faço com a finalidade de ferir ninguém mas sim de estimular um contragolpe capaz de abalar de vez com todas as minhas pretensões em desvendar a natureza íntima da matéria pela via que ora estou trilhando. 7.2 A Física de Partículas Elementares Etimologicamente falando física significa natureza ou ciência das coisas naturais. Se considerarmos a natureza constituída exclusivamente por matéria em movimento, poderemos definir a física como a ciência que estuda a matéria, o movimento da matéria e as conseqüências deste movimento. A definição, ainda que materialista em sua forma, não é em sua essência. A matéria não se movimenta ao acaso mas em obediência a rígidos princípios. A procura destes princípios caracteriza o verdadeiro papel dos físicos. O porquê da obediência a estes princípios, se não para contestá-los ou unificá-los, escapa ao objetivo da física. A física antiga preocupou-se com a busca por estes princípios; a física clássica, embora não os relegasse ao total desprezo, preocupou-se muito mais em explicar o movimento dos corpos materiais que impressionam nossos órgãos dos sentidos. Criou a "física dos sistemas físicos", entendendo-se por sistema físico "a parte do Universo cujos atributos perceptíveis pelos sentidos ou tornados perceptíveis por métodos experimentais, estão sob investigação". Foi mais além, admitindo a miniaturalização total destes sistemas; não se contentou com a conceituação relativa de ponto material de Newton mas extrapolou excessivamente este conceito admitindo a existência de uma física de "bolinhas" elementares que, tal e qual Terra e Lua, atraem-se mutuamente, obedecem a lei da inércia e originam forças de interação semelhantes àquelas que observamos no nosso dia-a-dia; com a única restrição de que não firam leis de conservação de entidades criadas para explicar fenômenos macroscópicos. Quase sempre são pontos materiais; como se um ponto ocupasse lugar no espaço! Como as "bolinhas" recusaram-se a obedecer determinadas leis macroscópicas, a física clássica evoluiu para a física moderna; e esta nada mais é do que uma física de "bolinhas" com várias personalidades: ora comportam-se tal e qual as "bolinhas" clássicas; ora atravessam o "túnel espaço-tempo" evaporando-se aos olhos complascentes de um hipotético observador; e ora se inflamam e, tal e qual os fogos de artifício, cobrem os céus do submundo em que vivem, num espetáculo somente testemunhado por suas semelhantes. Não sou contra a física de bolinhas elementares. Pelo contrário! Acho que é aí que residem os segredos da física macroscópica. Mas a metodologia seguida pelos físicos, tanto clássicos como modernos, na minha opinião está errada. Se nos guiarmos pela lógica suprema, concluiremos que as partículas elementares, ao se agruparem, o fazem de forma a que as leis macroscópicas experimentais sejam obedecidas. E, no entanto, o caminho que se segue é geralmente o oposto: admite-se que as partículas elementares obedecem às leis macroscópicas. Aceita-se "a priori" que um elétron repele eletricamente outro elétron, como se ele fosse uma partícula composta por micro-elétrons distribuídos por sua superfície (P. EKSTRON e D. WINELAND, El electrón aislado, Investigation y Ciencia, n. 49, 1980, p.67); e por ter massa, aceita-se que um elétron atraia gravitacionalmente outro elétron; e se estiver em movimento, criará um campo magnético, pois como uma corrente elétrica o faz, sua unidade elementar também fará. E, no entanto, nada se sabe sobre a gênese da gravitação, da eletricidade e do magnetismo. E ainda que alguns admitam uma origem comum para esses três fenômenos, não me lembro de ninguém que, para explicá-los, mentalizasse uma partícula que somente os originassem quando em conjunto com outras semelhantes. Quando a regra mostra-se inadequada, aí sim, e somente aí, procura-se explicações outras, em geral baseadas em equações matemáticas, e não na natureza íntima da partícula, que justifiquem a aberração encontrada. E não foi de outra maneira que chegou-se à conclusão de que a massa do fóton em repouso é igual a zero, muito embora este repouso seja proibido pela mesma física que o define. Não foi também de outra maneira que chegou-se à conclusão de que o nêutron tem um momento magnético de "spin", muito embora não tenha carga elétrica, o que em termos de física clássica é bastante estranho; e em termos de física moderna é um efeito bastante incomodativo. O "meu" elétron é uma bolinha. Mas não é uma bolinha entre aspas; não é um ponto material; não é uma boinha simples. E por não ser simples, para obedecer a determinadas equações não precisa se transformar num ente complexo que ninguém sabe se é uma onda, uma nuvem, uma quimera; como também não se sabe quando voltará a ser simplesmente uma "bolinha". Sim! O "meu" elétron não é simples, mas não é tão nebuloso. É uma bolinha composta por outras bolinhas, mas não por micro-elétrons. Como também composto por bolinhas é o próton, o nêutron, o fóton, o neutrino, tudo enfim. Até a próxima Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm "O que estamos realmente dizendo é que é muito difícil visualizar o que seja um elétron, porque não há nada em nossa experiência que nos sirva de guia. Portanto, o que a mecânica quântica nos diz é mais ou menos tão profundo quanto isto: um elétron não é como um carro" (J. TREFIL, A Física Desmistificada, Ciência Ilustrada, Edit.Abril, n.10, julho/83, p.79).