From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Sun, 14 May 2000 11:57:02 -0300 Subject: Re: [ciencialist] As Bolinhas Elementares http://www.egroups.com/message/ciencialist/4724 -----Mensagem Original----- De: "Roberto Belisario" Enviada em: Domingo, 14 de Maio de 2000 00:15 Assunto: Re: [ciencialist] As Bolinhas Elementares > Creio que é exatamente este o procedimento da Física atual: aceita-se as > teorias que temos até as últimas conseqüências; quando não dá mais, então > fazemos as alterações necessárias. É uma questão de método, ditada por > uma, digamos assim, necessidade de ordem e de "sistematicidade" nas > pesquisas científicas. Não sei até que ponto isso possa ser bom para a ciência. Também não acredito nesta "ordem superimplícita" a condenar a criatividade inerente aos jovens "rebeldes" e a beneficiar uma política universitária em franca decadência; pois a evolução da ciência depende da boa orientação destes jovens "rebeldes". E quanto a isso, não preciso dizer mais nada pois que já foi dito por alguém muito mais sábio do que eu, de alguma forma vítima desta "ordem superimplícita", ainda que num contexto diferente: "E como já estou no fim de minha carreira, há um conselho que dou a vocês: não tenham medo, não só de levar pancada, mas também de expor suas idéias. Porque se tiverem medo, nunca poderão criar nada de original. É preciso que não tenham medo de dizer alguma coisa que possa ser considerada como erro. Porque tudo que é novo, aparece aos olhos antigos como coisa errada. É sempre nesta violação do que é considerado certo, que nasce o novo e há a criação. E este espírito deve ser redescoberto pela juventude brasileira." (Mário Schemberg, 1984). > Na verdade, é um tanto simplista dizer que a Física evolui > exclusivamente por esses meios, principalmente nos dias de hoje: > atualmente há muitas teorias com motivações "estéticas", principalmente na > Física das Partículas. Por exemplo, estão procurando uma teoria que reúna > todas as forças fundamentais, não porque haja uma exigência empírica para > isso, mas simplesmente porque não se consegue conceber uma Natureza que > funcione de uma forma diferente para cada espécie de interação. É verdade. Mas ainda assim predomina a sistemática cômoda de privilegiar única e exclusivamente aquilo que funciona, em detrimento de uma infinidade de idéias novas que poderiam também funcionar. E é este comodismo acadêmico que me incomoda. Pois é graças a esse comodismo acadêmico que os departamentos se locupletam com medíocres a propalarem regras que têm, por única finalidade, a do preservação "status quo" a se justificar na manutenção de suas intocabilidades. A física é importante para satisfazer meu "ego". A rebeldia que manifesto na física é importante como exemplo que procuro dar aos jovens universitários que ano-a-ano submeto a um treinamento (iniciação científica) que tem por finalidade nivelá-los aos privilegiados pelo sistema. E nem são estudantes de física e muito menos de medicina, mas de cerca de 30 áreas outras diferentes do conhecimento. > Simplificações excessivas com o objetivo de > tornar a idéia mais nítida ao leigo, mas que desembocam em resultados > infelizes. Conheço físicos que cometem esse pecado regularmente. Dentro do contexto em que essa idéia foi extraída, é possível que você esteja certo. Lembro no entanto que existem condições outras. Conheço cientistas médicos que cometem esse pecado conscientemente e por motivos espúrios, conforme apresentei recentemente aqui na ciencialist (thread: Filosofia da Ciencia; data: 16/04/00). E foram idéias publicadas inúmeras vezes, durante cerca de uma década, em revistas conceituadas e aceitas no mundo inteiro como dignas de crédito e a contar pontos para o que chamamos produtividade acadêmica. Enfim, o mundo é o que é e não o que gostaríamos que fosse. > Obs.: Essas "bolinhas" de que seria composto o elétron, o fóton, etc... > São elas também compostas por outras bolinhas, e assim por diante ad > infinitum? Não. Em minhas imagens de espírito existe também a idéia de átomo de Demócrito, único, indivisível e sem partes. Não é impossível que as "partículas que acompanham a luz" e os neutrinos sejam constituídas por um único átomo de Demócrito. Porém, por motivos outros e ainda não muito bem explorados, acho que não é impossível chegar à conclusão de que estas partículas sejam formadas por dois átomos de Demócrito acoplados tais como estrelas duplas. Dentre esses motivos residiria aquele de se o elétron realmente reage a um campo ou se ele é uma partícula dotada de autopropulsão e meramente orienta-se no campo a que está submetido. Não é fácil responder a essa pergunta, ainda que a primeira vista possa parecer por vezes simples, à luz da riqueza de experiências já efetuadas, por outras apoiada numa idéia ingênua e/ou absurda. O elétron seria, por esta visão, um verdadeiro aeroporto de fótons onde seria quase impossível ao neutrino aterrissar, ainda que pudesse decolar, tal como um helicóptero, que decola de maneira diferente do avião (90 graus de diferença). Lembro ainda que costumo chamar o neutrino por entropino, pois sua existência estaria intimamente relacionada ao que denominamos aumento de entropia do Universo. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm