From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Sun, 14 May 2000 20:26:14 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Bolinhas Elementares. http://www.egroups.com/message/ciencialist/4729 -----Mensagem Original----- De: "Mikhalkov Beliaev" Enviada em: Domingo, 14 de Maio de 2000 16:20 Assunto: [ciencialist] Bolinhas Elementares. > Quero deixar bem claro, que o que o Sr. Alberto Mesquita Filho, diz é > correto em essecia mas errado em postura. Pelo menos não estou errado em tudo. :-) > Pois os rebeldes, como ele > gosta de dizer, devem sempre contestar para que não haja estagnação da > ciência, mas essa rebeldia nunca deve ser cega a ponto de se desprezar > evidências experimentais. Nunca defendi a rebeldia cega. Não sou marxista [aliás, dizem que Marx também não era :-)]. Sob esse aspecto sou mais popperiano. > E quando essas discussões atingem pontos > falhos da teoria, isso se deve unicamente à evidências que deixam em > duvida o paradigma dominante, Paradigma cheira-me a dogma e dogma não combina com ciência. Aliás, Thomas Khun chegou a confessar, em trabalhos escritos posteriormente a seu livro principal, que seus paradigmas tinham muito de dogma. > neste estágio qualquer nova proposta é > bem vinda, seja ela uma mudança sutil na teoria dominante ou uma idéia > completamente nova. Pois é justamente aí que não concordo. Nenhuma proposta revolucionária é bem vinda. As teorias de Newton somente foram aceitas na Inglaterra bem após sua aceitação na França (há quem diga que foram recusadas para a publicação, o que teria sido feito a revelia com o financiamento de Halley); a equipe Nobel recusou-se a dar o prêmio a Einstein pela teoria da relatividade (ele foi premiado pelo efeito fotoelétrico graças a um empenho muito grande de outros cientistas já laureados); Boltzmann suicidou-se por ter sido ridicularizado por seus pares e até mesmo por seus alunos; Carlos Chagas somente não recebeu o Nobel de medicina em 1921 porque após ter sido indicado, foi alvo de uma maciça campanha de oposição e em um debate na Academia de Medicina foi atacado publicamente por Afrânio Peixoto, Henrique Aragão e Figueiredo de Vasconcelos (Em 1921, era o único indicado e ninguém levou o prêmio). Se você acha que tudo isso está certo, que mais dizer? > O que jamais deve ser feito é dizer que um modelo > não é bem fundamentado só porque alguém imaginou algo alternativo, que > muitas vezes não faz sentido algum. Se não faz sentido algum, porque os acadêmicos têm tanto medo de se manifestar a respeito? Ignorar não é o mesmo que negar. Negar, tanto quanto afirmar, exige coragem. Mas os intocáveis que conheço não têm coragem suficiente sequer para arriscar seu prestígio no combate a algo não faz sentido algum, quanto mais para distinguir o certo do errado. Porque? Quer exemplos? Não sou o dono da verdade mas, tanto quanto você, não tenho medo de expor o que penso. Erro, sim, mas não necessito de paradigmas para ocultar minha mediocridade. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm