From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Thu, 18 May 2000 11:21:05 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Re:Bolinhas Elementares http://www.egroups.com/message/ciencialist/4763 -----Mensagem Original----- De: "Roberto Belisario" Enviada em: Quinta-feira, 18 de Maio de 2000 02:47 Assunto: Re: [ciencialist] Re:Bolinhas Elementares > > Holanda: > > > Se souber me explicar, gostaria de saber como, sem usar os conceitos > > > básicos de mecânica quântica, usando apenas o conceito de > > > bolinhas elementares "clássicas" pode-se explicar as figuras de > > > interferência obtidas quando se realiza a experiência da dupla fenda > > > usando-se um feixe qualquer de partículas. > > Alberto: > > O que eu poderia dizer a respeito e em termos bem elementares, tanto > > para fótons quanto para elétrons, está em > > www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/Usenet/dialogos05.htm . > > estarei aqui para "segurar as pontas" e me defender das > > malhações que se fizerem necessárias. > > Belisário: > Aí vão elas. ... Alberto: Lembro que a questão do Holanda, acima reproduzida, referia-se a "como eu explico" a experiência da dupla fenda através de "minhas idéias". Indiquei uma página Web para evitar repetir o que já comentei inúmeras vezes. Nesta página, além daquilo em que fui questionado não apenas agora como também na época, exponho também meu desagravo para com a física quântica. Porém isso retrata uma opinião de uma época em que, dentro daquele egocentrismo que, em maior ou menor intensidade, trazemos dentro de nós, julguei que os físicos brasileiros estivessem interessados em conhecer "como eu vejo a física moderna". Tratam-se de questionamentos paralelos e de pouquíssima importância para o esclarecimento da dúvida inicial. E a dúvida inicial era "O que você teria a dizer sobre essa experiência, de acordo com suas idéias". O que "eu penso" sobre a física moderna é, portanto, algo secundário e que "hoje" procuro, sempre que possível, deixar de lado. Isto não significa dizer que mudei de idéia a respeito. Não. São idéias que acumulei durante cerca de 20 anos, idéias estas entrelaçadas umas nas outras, e portanto não facilmente reproduzidas em pequenos textos. Por outro lado, e como já disse, não me cabe derrubar a física moderna. O bom cientista é aquele que propõe hipóteses falseáveis a suas próprias teorias, não às teorias dos outros. Ora, se não me cabe derrubar a física moderna, também não me cabe ficar exaustivamente e a todo momento justificando o que penso a respeito dela. Estou convicto de que ela está errada, estou convicto que os físicos quânticos colocam embaixo do tapete milhares de dúvidas cujas explicações nào têm para com uma infinidade de dados experimentais que falseiam suas idéias, estou convicto de que os físicos quânticos criam hipóteses ad hoc em série e num número jamais verificado em nenhuma outra área do conhecimento, estou convicto de que os físicos quânticos fogem do diálogo, estou convicto de que os físicos quânticos não sabem a distinção entre física e matemática, estou convicto de que os físicos modernos promovem a lavagem cerebral nos jovens que entram nas universidades a cada ano e estou convicto de que os físicos modernos refugiam-se nas idéias de Thomas Khun pois que lhe são muito convenientes e a justificarem todos os absurdos apontados bem como inúmeros outros no momento não lembrados e que acumulei (para mim) nos últimos 20 anos. Isto, no entanto, não tem a mínima importância a não ser no sentido de mostrar, para mim mesmo, o que penso a respeito; mesmo porque, como tenho notado, o que penso a respeito não tem interessado a ninguém. Porque então haveria de me dar ao luxo de justificar o que penso se quando imagino ter conseguido atingir meu objetivo uma de duas coisas quase sempre acontecem: 1) o diálogo é encerrado; ou 2) muda-se de assunto. Não digo isso quanto ao nosso diálogo. Aliás, estou na Internet desde 1997 e você é uma das poucas pessoas com quem realmente consegui dialogar, no verdadeiro sentido do termo. É óbvio que, e isso todo popperiano sabe, um diálogo entre dois acaba se esgotando, a medida em que as idéias se fortalecem bilateralmente e atingem o clima de uma aparente infalseabilidade. Algumas convicções persistem de forma inabalável e não há mais como um denunciar falácias no argumento do outro. Às vezes, atingido esse clima, os oponentes passam a se evitar: parece ter sido o caso de Einstein e Bohr. Outras vezes persistem como grandes amigos, ainda que com idéias divergentes. Espero que o nosso diálogo termine assim. Raramente tornam-se inimigos, a não ser quando travam o que poderia ser chamado um falso diálogo. Voltemos à temática. Se estou convicto, para mim mesmo, de que a física moderna é uma balela, não posso meramente ficar esperando que alguma coisa melhor seja colocada no seu lugar. Simplesmente, procuro por essa alguma coisa. Faço teorias apoiadas na experimentação de pelo menos 300 anos. E proponho fatos passíveis de serem observados em laboratório experimental. Respondo por minhas idéias e por meus escritos, mas não por minhas opiniões sobre aquilo que estou convicto que está errado, pois que para isso seria necessário escrever não menos do que um livro de pelo menos 500 páginas o que, certamente, não me levaria a nada, pois contra dogma não há argumento que vença. > Belisário: > Me diga três fenômenos que os físicos quânticos joguem para baixo do > tapete A última vez que me dei ao luxo de responder a questionamentos desse tipo, minhas idéias foram jogadas para baixo do tapete. Enfim, não me interessa julgar o comportamento dos físicos quânticos. Eles são maiores de idade, vacinados, que façam o que julgarem conveniente que seja feito. > Alberto: > Será que a partícula se desdobra em duas, uma real e outra > fantasma, e cada uma passa por um dos orifícios, sofre cada uma a difração > simples, e depois se interferem e, por final, a partícula fantasma > desaparece tão misteriosamente como quando surgiu? Aparentemente é isso o > que acontece. > Belisário: > Não. O que acontece é que o fóton não é partícula. Nem onda. Não tem > partícula nenhuma se desdobrando em duas, simplesmente porque o fóton não > é uma partícula. O que então acontece? Ora, quando translada através das > fendas, o fóton comporta-se como um pulso de onda. E aí passa literalmente > pelos dois orifícios, mesmo sendo um fóton só, exatamente como faz uma > onda (isto não é uma suposição "ad hoc": basta fazer as contas com a > equação de Schrödinger para ver que é isso o que ela prevê). Se o fóton não é o que não é, pergunto então: O que o fóton é? Se bem entendi, você está jogando a dúvida para baixo do tapete, mas isso é minha opinião. Aliás, de uma maneira bem mais sutil, Schrödinger teria chegado à mesma conclusão: "Esperamos que a vacilação de conceitos e opiniões signifique apenas um intenso processo de transformação, que conduzirá finalmente a algo melhor do que as confusas séries de fórmulas que cercam o nosso tema." Note que Schrödinger está se referindo a sua própria equação. > Alberto: > > não deixa de ser uma > > idéia que adapta-se a alguns dos dogmas da física moderna,... > Belisário: > Permita-me interrompê-lo: não há dogmas em Física Moderna. Há > afirmações científicas falseáveis. E há "vacilação de conceitos e opiniões" que refugiam-se (ou são jogadas para baixo do tapete) por trás de uma equação falseável mas que embute inúmeros dogmas a explicarem como o "fóton" faz o que na realidade não faz (passar literalmente pelos dois orifícios). Enfim, eu não concordo com esta linha mas, ao que tudo indica, o conceito de dogma está se tornando algo relativo entre os físicos. Alberto: > Pelo que eu consegui entender, a mecânica quântica não tem como explicar > o que acontece. > Não só não tem como também não quer. Todos os físicos que tentaram > explicar o fenômeno por um raciocínio não abstrato caíram em desgraça > frente a seus pares. Pudera! Chegam a conclusões que, a curto prazo, > condenam a física quântica à insolvência. Belisário: > Alberto, em qualquer livro-texto de Física Quântica básica você acha > uma explicação para a experiência de Young com um fóton de cada vez. A > própria equação de Schrödinger explica perfeitamente por que se dá a > figura de interferência. Que negócio é esse de "a mecânica quântica não > tem como e não quer explicar o que acontece"? É o que penso sobre a física quântica. Mas, volto a dizer: O que penso a respeito da física quântica é muito pouco importante, até mesmo para mim. Como posso valorizar o que penso sobre algo que, por motivos vários, estou convicto de que está errado? O máximo que posso fazer é rebater argumentos. Mas isso, por um lado é cansativo e sem levar a nada e, por outro, torna-me antipático. O que me cabe fazer então é explorar minhas idéias, concatenar minhas hipóteses segundo a lógica da teorização, desenvolver minhas teorias, propor afirmações falseáveis e aguardar os acontecimentos. Quanto ao mais, deixo a quântica para os quânticos. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm