From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Fri, 19 May 2000 21:31:43 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Teorias Realistas Atuais http://www.egroups.com/message/ciencialist/4788 -----Mensagem Original----- De: "Alberto Mesquita Filho" Enviada em: Sexta-feira, 19 de Maio de 2000 18:36 Assunto: Re: [ciencialist] Teorias Realistas Atuais Na msg anterior desta thread, e de minha autoria (Alberto) lê-se, a partir de certo ponto: Belisário: > > É claro que os dois sistemas têm diferenças cruciais. Por exemplo, o > > spin é quantizado, é uma variável discreta, enquanto a posição é uma > > variável contínua. Por isso, uma medição do spin pode resultar num valor > > bem determinado, enquanto que a da posição não. Alberto: A partir daí cometi alguns deslizes não intencionais. Vejamos a autocrítica: > Mas ainda assim fica-me uma esquisitice por trás desse argumento. Vejamos: > No caso da > posição, a outra variável do par conjugado é o momento. No caso do spin > parece-me que os físicos quânticos dão a entender que seria o próprio > spin, apenas que o da outra partícula e medido com o polarizador fixado em > outro ângulo. Não é esquisito isso? Estaríamos falando da mesma coisa? É > como se, no caso da posição, eu desprezasse o par conjugado momento e > pretendesse medir a posição duas vezes, em uma utilizando um orifício > circular e, na outra, utilizando um orifício quadrado, ou então com o > anteparo formando um ângulo com a vertical...!!? Tudo isso está errado. Realmente, mede-se a mesma coisa, mas com a finalidade apenas de xecar se o argumento da experiência EPR faz sentido ou não. Essa experiência (e não a experiência EPR em si) não mede pares conjugados, um em cada lado do sistema, como de maneira errada expus. > Enfim, quero acreditar também que, se "a medição > do spin resulta num valor bem determinado", parece-me que utilizando a > "lógica" de Heisenberg (não sei até que ponto poderia me referir ao > princípio em si) o spin na outra partícula (fosse esse um par conjugado do > primeiro) poderia tomar qualquer valor (estaria totalmente indeterminado), > mesmo que os polarizadores fossem paralelos. Em decorrência do erro acima cometido, a conclusão não faz sentido. Realmente, e até aqui, o princípio de Heisenberg não está em jogo, pelo menos da maneira apontada. > E não me parece ser essa a > conclusão do teorema de Bell, a fixar determinados limites à expectativa > experimental, conquanto meus conhecimentos a respeito tenham se esvaido no > tempo (estudei isso há mais de 10 anos). Parece-me então que, ou a física > quântica tem outra explicação para o fenômeno, que não o princípio de > Heisenberg, ou a desigualdade de Bell extrapola o que seria esperado pela > física quântica. Idem. Reformulando o pensamento, vejo como esquisitice apenas o que já havia apontado em msgs anteriores, ou seja, o fato de compararmos uma experiência derivada de EPR, em que um dos pares conjugados é apresentado na íntegra (posição ou momento -- no exemplo dado foi escolhida a posição, mas poderia ter sido o momento) com outra no qual, pelo menos sob o ponto de vista clássico, despersonalizou-se um dos elementos do par (considerou-se-o pela metade). Mas essa esquisitice foi também apontada pelo Belisário que se referiu à mesma como comparação de variável discreta com contínua, e portanto não estou acrescentando nada que não estivesse implícito em suas considerações. Perdoem-me pela falha e pela leitura desnecessária de um texto sem sentido. Belisário: > > Mas isso não impede que, > > da analogia posta acima, siga-se que é possível abordar os dois > > processos de medida com o mesmo formalismo axiomático da Mecânica > > Quântica - incluindo o princípio da indeterminação, que em ambos os > > casos é o mesmo velho princípio de Heisenberg tradicional. Alberto: > Pois não consigo enxergar dessa forma. O grau de liberdade que você me deu > acima, ao permitir-me enxergar um spin clássico, além de outros fatores, > levaram-me a uma conclusão diversa. Sim, mas através de uma premissa falsa. Parece-me mesmo que neste caso o princípio de Heisenberg nem está em jogo. Ressurge-me então aquela dúvida antiga quanto a um "segundo princípio da indeterminação" e relacionado à conceituação de "spin". Mas, para isso, preciso repensar bem como rever as msgs anteriores, o que farei oportunamente. Belisário: > > (Note que em ambos os casos a medição só é concretizada após a > > partícula bater no anteparo.) > > Para falar a verdade, não vejo muito bem como esse problema do spin > > pode implicar em alguma inconsistência no desenvolvimento do teorema de > > Bell. Alberto: > Pois eu estou cada vez mais convencido de que o teorema de Bell não serve > como critério a justificar qualquer experiência que pretenda confrontar a > física clássica com a física quântica. Mantenho esse trecho, ainda que com menos empolgação. :-)) [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm