From: "Alberto Mesquita Filho" To: Date: Mon, 25 Sep 2000 15:53:57 -0300 Subject: Re: [ciencialist] Sobre tempo http://www.egroups.com/message/ciencialist/6037 -----Mensagem Original----- De: "Agapito Ribeiro Júnior" Para: Enviada em: Segunda-feira, 25 de Setembro de 2000 10:35 Assunto: [ciencialist] SObre tempo > Segundo minhas informações, o universo está em expansão sem a > possibilidade de uma contração posterior. O tempo teve sua origem no > evento inicial, mas, como o movimento permanecerá, parece que o decorrer > do tempo também. Esta é uma das possibilidades da teoria do Big-Bang mas não sei se é a mais aceita, parece-me que não. Apesar de tê-la estudado superficialmente no passado, não sou especialista no assunto e, pelo contrário, tenho uma teoria alternativa a respeito. > Mas se a energia útil do sistema tornar-se em energia incapaz de realizar > trabalho, não veríamos acelerações o desacelerações, ou seja, alterações > na velocidade do universo. Isso está em acordo com a teoria termodinâmica clássica. Decorre do segundo princípio da termodinâmica que a entropia do Universo sempre aumenta, logo sua energia útil diminui. A minha dúvida é se esse dado experimentalmente comprovado para um sistema isolado seria aplicável ao Universo como um todo. Tenho uma teoria alternativa a explicar o aumento da entropia como devida à produção de "entropinos" (provavelmente neutrinos, uma partícula descoberta no século XX, ao passo que a termodinâmica clássica completou-se no século XIX) que seriam emitidos por qualquer matéria sujeita a fenômenos relacionados a atritos (e, conseqüentemente, irreversíveis). Assim, ao esfregarmos as mãos estaríamos emitindo neutrinos para os confins do Universo. Esses neutrinos (entropinos) via de regra não são captáveis pela matéria comum (Bilhões de neutrinos emitidos pelo Sol atravessam, a cada segundo, a Terra de lado a lado sem interagir com seus átomos e moléculas). Em virtude desta produção contínua de neutrinos pelas galáxias, e em virtude dos fenômenos naturais, irreversíveis pela segunda lei, irem sempre ocorrendo no decorrer dos milênios, as galáxias iriam se desgastando indefinidamente. Suponha agora que esses neutrinos, que estariam sempre em produção, fossem por algum motivo atraídos para o centro do Universo (provavelmente atração gravitacional) e para aí estivessem sempre se dirigindo, mais cedo ou mais tarde. Nestas condições, teríamos sempre no centro do Universo um plasma de neutrinos numa quantidade fantástica e em condições de simular um Big-Bang permanente, ou seja, a reconstituir "ad eternum" a matéria original, ou "novos universos" (e desta forma, a segunda lei da termodinâmica não seria universalmente verdadeira, conquanto persistisse verdadeira em "nosso mundo restrito". As galáxias iriam se desgastando do centro do Universo para a periferia e o centro do Universo seria uma usina permanentemente a produzir novas galáxias. E, desta maneira, o Universo seria eterno. Os aspectos teóricos a sustentarem essa idéia estão em "Variáveis escondidas e a termodinâmica", postada em meu Web Site em http://www.ecientificocultural.com/Eletron2/termodinamica.htm. Com respeito à teoria clássica ministrei, em dezembro de 1999, um "quase-curso a distância" pela Internet, "Considerações sobre irreversibilidade e entropia", e que está postado em http://www.ecientificocultural.com/Usenet/term00.htm > Mas, se o tempo está ligado ao movimento, e, o > movimento, na realidade, depender do caráter útil da energia, ainda que > não de sua atuação direta na mudança de velocidade, então o movimento > tenderia a diminuir até parar. O movimento em grande escala sim, pela teoria clássica. Porém em nível molecular, e também pela teoria clássica, o movimento do Universo seria constante (conservação da energia, primeira lei da termodinâmica). Desta forma, o movimento que estaria inicialmente sob certa forma organizado (formação de seres complexos, como as galáxias), tenderia a um aspecto caótico, espalhado e com energia útil cada vez menor(moléculas fugindo do centro do Universo, como em um gás em expansão). > Então o tempo também deixaria de correr como no início. Se > algo assim fosse possível, veríamos a impossibilidade da "eternidade" > tanto no início quanto no fim. Mas se haver movimento em velocidade > constante e indefinido, então o tempo teria um início e não conheceria um fim. Pela teoria do Big-Bang a "eternidade física", mas não a "eternidade temporal", seria impossível. Poderíamos também pensar no tempo como algo relacionado à esse "tempo físico". Aliás, quando se diz que a entropia é a seta do tempo, assume-se essa identidade. Assim, quando não houvesse mais como a entropia aumentar, teríamos atingido o final dos tempos. Não obstante o movimento permanecerá em nível molecular. Pela minha teoria, a gravitação e a existência dos entropinos (neutrinos?) seriam os responsáveis pela reversão da seta do tempo em escala universal. > É assim mesmo? Como espero ter deixado claro, tratam-se de conjecturas teóricas. A teoria do Big-Bang, nos dias atuais, está na moda, mas isso não implica que seja verdadeira. > Outro ponto importante que quero esclarecer. Se o tempo depende de um > estado inicial, significa que não faz sentido imaginar que a matéria > "sempre existiu" ou "pré-existiu" em plasma, pois o tempo não corria. > Sendo assim, a matéria em seu quarto estado seria inicialmente "atemporal". > Isso tal como um axioma, por exemplo do ponto, na geometria. A idéia de tempo inicial também retrata a idéia de um "tempo físico" um pouco diferente do citado no parágrafo anterior (tempo entrópico). Como não conseguimos conceber um tempo sem movimento (e até mesmo, medimos o tempo graças ao movimento), fica-nos aquela sensação física de que não havendo movimento não há tempo. Talvez não faça sentido a noção de tempo sem movimento, mas ainda assim creio que seriam conceitos filosóficos diferentes (tempo e movimento). Se, como expus acima, houver um Big-Bang permanente (ou usina Big-Bang), a idéia de tempo inicial "vai pro brejo" e acaba sendo substituída pela eternidade, o que também é um efeito bastante incomodativo, pois incompreensível. > O ponto não é definível, logo, não faz sentido dizer "desde quando o ponto > existe?". O ponto é, por característica lógica, atemporal. Isso não seria > uma analogia ao plasma inicial? Ponto, reta, plano, presente, frente de onda, são todos conceitos tão incomodativos quanto seus opostos, o infinito, a eternidade, etc. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm