Mensagem
54489 da Ciencialist
de 11/05/2006
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Message 54483 -----
From: "Oraculo"
Sent: Thursday, May 11, 2006 5:35 PM
Subject: [ciencialist] P/ Mauricio - O Principio da
Incerteza
Na
mensagem 54483 da Ciencialist Homero (Oráculo) escreveu:
Quando a relatividade "proíbe" que a matéria atinja velocidades maiores
que a luz, não é porque assim deseja, mas simplesmente porque, ao
calcular a equação E=mc², o resultado é de m = infinito. Ou seja, a
matéria é infinita nessa velocidade. Como a matéria infinita exigiria
(além do esforço de imaginação) energia infinita para ser acelerada,
consideramos que é impossível, proibido, atingir a velocidade da luz.
Sem
pretender contestar nada do que você disse, permita-me demonstrar que é perfeitamente
possível compatibilizar essa idéia (ou pelo menos, essa matemática) com
uma física clássica genuinamente newtoniana. Vou expor o que seria de se
esperar dessa física clássica da maneira como a interpreto.
Imagine
que alguém tenha construído uma nave espacial capaz de viajar,
digamos, a 10% da velocidade da luz. Não seria uma tarefa fácil mas não há
nenhuma teoria por aí a "proibir" esse empreendimento. Pois bem, digamos então
que essa nave espacial contenha um laboratório onde seria possível
medirmos a velocidade da luz como também acelerar elétrons e
verificar, pelo estudo de seus comportamentos, a equação E=mc².
Digamos que nessas condições observássemos neste laboratório uma
situação idêntica àquela encontrada aqui na Terra, porém com algumas
constantes numericamente modificadas. Por exemplo, suponha "por absurdo" que a
velocidade da luz medida nesse laboratório fosse igual a 1,1c, ou seja,
10% acima de c. Esta seria uma das previsões das minhas teorias, se bem
que de checagem impraticável na atualidade (pelo menos da maneira
como exposto acima; indiretamente talvez dê para avaliar essa idéia, mas
ainda não cheguei nesse requinte). Tudo o mais será semelhante,
podendo-se, por exemplo, acelerar qualquer corpo numa velocidade
superior a c, desde que não ultrapasse 1,1c.
Em
outras palavras, o que afirmo em minhas teorias é que a Via Láctea
(nossa galáxia) recebeu um impulso tal que hoje viaja no universo a uma
velocidade igual a c. Ou seja, c não é a velocidade da luz, mas a
velocidade da fonte de luz. Todas as fontes de luz próximas ao "nosso" repouso
estarão numa velocidade próxima à velocidade da Galáxia em relação a um
referencial absoluto newtoniano. Digo também que a fonte não consegue
emitir luz numa velocidade superior a sua própria velocidade absoluta
(este seria o princípio básico no que diz respeito à emissão de
luz por uma fonte). No entanto o laboratório acima considerado recebeu
um outro impulso capaz
de lançá-lo da Terra (e portanto do referencial fixo à Galáxia) numa
velocidade igual a 0,1c. Como a direção não importa (apenas o impulso),
do ponto de vista energético tudo se passa como se esse laboratório
estivesse a uma velocidade igual a 1,1c. Perceba que o que é importante
na física de Newton não é o espaço absoluto e nem o referencial
absoluto, mas sim o movimento absoluto
―embora Newton não tenha deixado isso por escrito, deixou isso implícito
em muitos de seus argumentos ao se referir ao movimento absoluto e suas
causas. Em dúvida vide
O
movimento absoluto e a física de Newton .
Ora, se
tudo se passa, do ponto de vista energético, como se esse laboratório
estivesse a uma velocidade igual a 1,1c, a luz emitida por esse
laboratório seria igual a 1,1c e a constante "universal" de Einstein
neste laboratório seria 1,1c. O limite de velocidade no referencial desse
laboratório será 1,1c e a equação de Einstein nesse laboratório será
E=m(1,1c)². Ou seja, um elétron poderá ser acelerado numa velocidade
superior a c desde que em dois estágios (no primeiro aceleramos a nave
espacial com o laboratório e no segundo o elétron no referencial do
laboratório).
Mutatis mutandis, poderíamos estender isso para qualquer outra
situação e verificar que o limite de velocidade de qualquer corpo seria
infinito desde que o número de estágios fosse infinito. E isso seria
feito sem voltarmos atrás no tempo, pois ao contrário do que dizem
alguns ficcionistas "modernos", jamais nos enxergaríamos chegando, pois
a luz por nós emitida estaria sempre numa velocidade superior a nossa própria velocidade.
Tempo e velocidade são grandezas aparentadas matematicamente, mas esse
parentesco, quando atingimos singularidades fixas ao nosso referencial
(ou seja, o referencial da Galáxia) não modifica em nada o transcorrer
do tempo. Se a matemática nos leva a singularidades (impossibilidade de
ultrapassar c num único estágio), é suficiente
modificar a matemática de maneira a adaptar-se à situação física
(viagens em vários estágios), corrigindo-se a matemática a cada vez que
"saltamos não-quânticamente" de um estágio para outro.
Existem
outros mistérios relacionados ao tempo newtoniano, a ponto de também
podermos justificar a existência de tempos relativos um pouco mais
elaborados do que aqueles imaginados por Newton, mas creio que podemos,
por ora, parar por aqui sob o risco de ninguém entender mais nada
.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com/indice.htm
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.