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O Movimento Absoluto e a Física de Newton

Alberto Mesquita Filho

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3 - A Informação do Movimento

 

Digamos que os dois pucks, caso estivessem em movimento em relação ao solo, tracionassem a corda. Ou seja, tudo se passaria como se cada um deles estivesse puxando o outro, através da corda, e graças a isso eles mantém seu giro. Se cortarmos a corda eles deixarão de girar e sairão pela tangente, num movimento retilíneo, cada um para um lado. Ou seja, eles giram porque de alguma maneira estão se comunicando, e o canal de comunicação é a corda. Neste caso não existe apenas a mesa (representando ou contendo um espaço) com os pucks (representando a matéria) em movimento, mas também a corda a transmitir bilateralmente uma mensagem do movimento de cada um dos pucks para o outro (informação do movimento). Cada um dos pucks reage a essa informação corrigindo sua inércia, de retilínea para circular. Por outro lado, se o movimento absoluto fosse do observador, e não dos pucks, ao cortarmos as cordas eles permaneceriam girando em relação ao observador mas, rigorosamente falando, permaneceriam em repouso, um em relação ao outro e ambos em relação à mesa ou ao solo. Este giro relativo dar-se-ia independentemente de qualquer comunicação entre os pucks (a tração na corda, neste caso, é nula). É nesse sentido que digo que para pensarmos na possibilidade da existência de um movimento absoluto num sentido não tão light como aquele descrito pela VERSÃO 1, precisamos de outro ingrediente, e esse nada mais é senão a informação do movimento. Ou seja, nesta versão as três hipóteses existenciais (espaço, matéria e movimento) não são suficientes, devendo-se acrescentar mais uma, e quero crer que dei a entender qual seria: a informação do movimento.

Como disse, não estou apresentando o problema resolvido, apenas indicando um caminho a ser percorrido para chegarmos à solução. Mesmo porque, tomei de empréstimo um exemplo de Newton, que por si é complexo e próprio ao macrocosmo, e apenas procurei adaptá-lo aos laboratórios da atualidade. No microcosmo, entre uma partícula e outra, que porventura estejam a girar, uma em relação à outra, não existe nada observável além do espaço, logo não existe a corda a se servir como canal dessa informação de movimento. De qualquer forma, é importante perceber que mesmo na intimidade dos objetos que nos aparentam como contínuos (a exemplo da corda), existe muito mais espaço, ou vazio, entre uma partícula e outra, do que matéria. Logo, entre uma partícula e outra da corda, a informação também trafega por um espaço imenso, o mesmo território onde estaria a informação que mantém a corda coesa e estruturada da maneira que a enxergamos.

 

 Capítulo 4
Uma experiência de pensamento

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