Ano I, n.º 1 ¾ Maio de 1995

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ESPECIAL - 01

A PESQUISA NA UNIVERSIDADE PARTICULAR

PERGUNTAS E DEBATES

SOBRE O PROFISSIONAL E A PESQUISA

Carla Witter, CW
Kayoko Yamamoto, KI

5) A não aplicabilidade da produção científica prática profissional também pode ser uma questão para uma pesquisa? Por que será que não existe essa aplicabilidade? Pode-se pensar numa função política, enquanto manutenção da repetição de conhecimentos importados?

KI: Sim, penso que é um ótimo tema para pesquisa. Não sabemos por que tantos e tão importantes trabalhos e que foram realizados com empenho e dedicação, permanecem esquecidos e pouco utilizados. A pesquisa poderá esclarecer os motivos de tal situação, a fim de que ela possa ser modificada. Enquanto isso, podemos conjecturar algumas explicações. Quem sabe, talvez, falte aos profissionais o hábito de buscarem, em pesquisas existentes, as respostas para as dúvidas e as dificuldades que encontram em suas atividades. Ou as pesquisas ainda não são devidamente reconhecidas e valorizadas como importantes recursos para obtenção de conhecimentos.

6) A tecnologia de ponta vai substituir o Psicólogo?

CW: Quando eu falei sobre tecnologia de ponta, espero ter deixado claro que existem, em nosso país, áreas que têm tecnologia de ponta. Realmente existem, como é o caso da área de engenharia. Que eu tenha conhecimento, existe no Rio, em termos de engenharia, mecanismos desenvolvidos para segurar pedras para que não caiam nas favelas, etc. Esta é uma tecnologia de ponta e o nosso país é chamado ao exterior para resolver problemas nesse sentido. Então tecnologia de ponta é isso, é você desenvolver uma determinada especialidade. Existem aqui no Brasil áreas em que o número de pesquisas realizadas é tão grande a ponto de quase se poder dizer que estamos desenvolvendo tecnologia de ponta nestas áreas. Um exemplo é o estudo da memória; neste setor muitas pesquisas vêm sendo aqui realizadas. Façamos o seguinte questionamento: Em que a retirada de um pedacinho do cérebro de uma pessoa alteraria a sua memória? Na USP, a nível de Psicologia Experimental, existe um pessoal estudando este assunto com animais: Faz-se uma incisão, retira-se um pequeno pedaço do cérebro e observa-se a alteração do animal para investigar se ele perdeu o aprendizado que teve. Como vêem, existem áreas com grande desenvolvimento, enquanto que em outras tal não acontece. Acho também que é fundamental que se pare e se pense sobre o que o professor Alberto Mesquita pontuou em relação à AIDS. Não adianta nós querermos nos desenvolver numa área, ter uma tecnologia super aperfeiçoada por exemplo na área da memória, enquanto nossas crianças, por exemplo, estão morrendo de fome, ou então não sabem nem escrever. Eu acho que existem outras prioridades, e deveríamos investir muito mais dinheiro em educação do que em outras áreas. A nossa Psicologia, a própria memória, estão sendo muito estudadas e pesquisadas, mas... Até que ponto isso está trazendo benefícios para a nossa sociedade?

Espero ter respondido a questão com os exemplos dados, mas para os que não perceberam, eu quero dizer que a tecnologia de ponta não vai substituir o psicólogo, podem ter certeza, pois somos nós, os psicólogos, ou nós profissionais, cientistas, pesquisadores, que fazemos essa tecnologia.

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