3.2. Teorias Microscópicas:
O relacionamento causa(dqe)-campo(dF) da expressão 3.6, aliado à indeterminação operacional de dqe, fomenta a teorização. Admitamos, então, que o elemento de corrente ids pertença a um condutor öhmico e que possamos variar a corrente i, conservando ds constante. As conseqüências imediatas são dadas pela equação 3.2: dF é proporcional a i. Ora, se dF varia com i, então va e/ou dqe, pela equação 3.6, devem também variar. Três são as possibilidades teóricas:
a) dqe é constante e dF depende apenas de va.
b) va é constante e dF depende apenas de dqe.
c) dqe e va variam com i.
Discutiremos apenas a primeira possibilidade pois esta é a base da teoria de Drude (1900) e Lorentz (1909) da condução elétrica apoiada no modelo dos elétrons livres ou dos "fluidos elétricos incompressíveis". [18].
Segundo o modelo dos fluidos elétricos incompressíveis existe, num condutor, um gás de elétrons que, por si só, não tem nenhum efeito sobre a intensidade do campo eletromagnético, posto que as cargas negativas são compensadas pelas positivas. Estando o condutor imerso num campo elétrico, existiria um arraste das cargas móveis (elétrons do gás) sendo a velocidade deste arraste, va, a única responsável pela origem do campo magnético. O fator dqe da expressão 3.6 teria, como único efeito, modular dF, ou seja, quanto mais elétrons com velocidade va, maior seria o campo magnético que originaria; e dqe depende exclusivamente da estrutura do material condutor. Segundo Tipler [19]:
Este modelo prevê, com sucesso, a lei de Ohm e relaciona a condutividade e a resistividade ao movimento dos elétrons livres num condutor. Esta teoria clássica é útil no entendimento da condução, embora tenha sido substituída por uma teoria mais moderna, baseada na mecânica quântica.
Em outras palavras: a teoria fracassou, necessitando algumas correções, efetuadas ad hoc, que a tornassem compatível com os achados experimentais; e qualquer que seja a interpretação dada pela mecânica quântica ao fenômeno em si, a verdade é que a possibilidade (a) ficou descartada pela experiência.
Podemos então deixar este tópico com uma certeza garantida pela experimentação: o campo magnético de um elemento de corrente depende da carga eletrolítica dqe contida nesse elemento e, conseqüentemente, do número de elétrons que a determinam. Este fato, aliado à simetria cilíndrica do campo, leva-nos, por raciocínio idêntico ao utilizado para a obtenção de C-4, ao seguinte corolário:
C-6: Corollary 6
Em uma corrente elétrica os elétrons viajam com seus eixos polares, em média, coincidentes com a direção da corrente.
a