3.3 Propriedades Eletromagnéticas do Elétron:
À luz das hipóteses 1 a 4 e dos corolários 1 a 6 podemos fazer uma primeira idéia do que seja uma carga elétrica ou uma corrente elétrica. A figura 2 é uma imagem dessa idéia, sobressaindo, na mesma, que os efeitos elétricos de um elétron estão relacionados à sua região polar e os efeitos magnéticos à região equatorial.
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A existência de dois tipos distintos de carga (positiva e negativa) dotadas de partículas elementares diferentes (respectivamente próton e elétron) e mais, cada uma gerando um campo diverso do outro (respectivamente centrífugo e centrípeto), nos permite ir além e concluir: os elétrons (prótons) são dotados de polos distintos -- digamos, frente F e dorso D -- e quando entram na constituição de uma carga elétrica direcionam apenas um destes polos -- digamos, o polo F -- para o exterior. A razão desta preferência direcional será discutida oportunamente.
Figura 3: Simetria quiral elétron-próton
(consideradas apenas as propriedades eletromagnéticas).
O polo F é aquele que, numa carga elétrica, dirige-se para fora.
Os polos direcionalmente afins, de prótons e elétrons, são funcionalmente opostos. Em outras palavras: as partículas elementares do eletromagnetismo têm uma simetria quiral clássica (figura 3). A figura 4 fornece um primeiro esboço do que poderíamos chamar um elétron físico, achando-se também representado um campo de natureza mista. A rigor, não existem dois campos físicos mas apenas um, o campo eletromagnético A (corolário 2), que se manifesta por três, e não apenas dois, efeitos eletromagnéticos. A cada um destes efeitos é possível associar-se um campo secundário: o campo de efeitos elétricos x, o campo de efeitos magnéticos b e o campo de indução t, ou de efeitos indutivos. O termo campo de efeitos, adotado a estes campos secundários, realça a susceptibilidade à observação através de elementos de prova e, conseqüentemente, à mensuração. Nos ítens anteriores já se fez menção aos campos x e b, ainda que de passagem e sem a preocupação de definí-los. Vejamos, por ora, o que seja, em linhas bem gerais, o campo de indução t.
Figura 4: Um primeiro esboço do elétron físico.
x1 and x2: regiões predominantemente elétricas.
b: região predominantemente magnética.
e: raio do elétron (hipotético).
Um corpo neutro imerso em um campo eletromagnético A, dependendo de sua estrutura e do campo considerado, pode eventualmente comportar-se ora como carga elétrica, ora como carga magnética, fenômeno este conhecido desde a antigüidade. O corpo eletriza-se ou magnetiza-se, dependendo das características do campo original. Obviamente, a indução retrata uma acomodação de partículas elementares, fenômeno este muito parecido com o que descrevemos no item 3.1 como elétrons em fuga. Aqui, as partículas movem-se em obediência ao campo externo; lá os elétrons fugiam em obediência ao campo provocado pelos seus semelhantes. Esta fuga, sem sombra de dúvida, é direcionada. Como então um campo de força, seja ele elétrico, seja magnético, pode direcionar uma partícula polar? Seria necessário, acoplado a esse campo, um campo de torques! E é este o campo que mantém os elétrons direcionados numa carga elétrica ou corrente elétrica, conforme exposto na figura 2.