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7.2 Referenciais próprios e impróprios


        A título de brevidade chamarei por referencial próprio aquele no qual o elétron em estudo mantém P e w constantes. Este é o referencial apropriado para a análise matemática do campo eletromagnético do elétron posto que o mesmo é função de w e r. Em particular, se o referencial próprio for um referencial inercial, o campo eletromagnético do elétron é função apenas destas duas variáveis vetoriais, conforme pode-se avaliar pelo estudo das equações 6.4 e 6.5. No restante deste artigo estudaremos somente campos produzidos por elétrons situados em referenciais inerciais próprios.

7.2.1 Observador situado no referencial próprio (inercial)

        Os campos x e b, quando observados através de referenciais impróprios, manifestam um efeito relacionado a um fenômeno descrito por Liénard (1898) e Wiechert (1900) para os potenciais da teoria de Maxwell. Este efeito deve ser analisado com extrema cautela posto que x e b são funções de duas variáveis (j e w). Ambas contribuições são interessantes, porém  a devida a w assume extrema importancia epistemológica, visto ser aquela que, ao não ser levada em conta, gerou conseqüências funestas para a física clássica [42]. A desconsideração desta parcela, a meu ver, colocou em evidência a pedra fundamental sobre a qual se apoiou a teoria da relatividade de Einstein.

        Vejamos, primeiramente, como j se transforma. Com as considerações feitas no item 6.4, expressas pela equação 6.11, podemos admitir que sendo r um invariante,  h e, conseqüentemente j, transforma-se segundo o algoritmo

h = rc        Û       h' = rc' ,

com c' = c + v, em que v é a velocidade do elétron emissor de i.e.m. e observado do referencial impróprio considerado.

        Vejamos agora como w se transforma. Seja então um observador, situado em um ponto Q de um referencial inercial, e um elétron, situado em P e movendo-se, em relação a este referencial, com uma velocidade v constante. Direi, então, que o versor v manifesta-se ao observador em Q sob a forma de um outro versor v, ou seja, v sofre uma aberração, conservando o seu módulo unitário. Para o cálculo desta aberração, observadas as convenções adotadas na figura 12, deve-se proceder da seguinte forma:

  1. Determinar o ponto P', admitindo-se que "o campo se propaga" radialmente a uma velocidade c, quando analisada do referencial próprio;
  2. unir os pontos P, P' e Q;
  3. traçar por P um tronco de cone com vértice em P e que contenha v em sua superfície, e com eixo na direção PQ;
  4. transladar o cone juntamente com v para P';
  5. rotacionar o cone em torno de P' e segundo um eixo perpendicular ao plano da figura (plano PP'Q) até que o eixo do cone se situe na direção P'Q;
  6. o versor obtido por esta rotação de v é o versor v.

figura12.gif (2205 bytes)
Figura 12: Aberração de v (v Þ v').
P = posição do elétron num instante t em relação a um referencial inercial impróprio onde o elétron viaja a uma velocidade v constante e mantendo v constante, e no qual o observador está em repouso em Q. P' = posição do elétron num instante retardado t' no qual o campo que chega a Q em t foi gerado.

        Como já afirmei em artigo anterior [40, op cit.], o escalar K, da hipótese 1 (e, portanto, o valor absoluto do vetor w), parece conter segredos relacionados aos referenciais inerciais, que somente a física experimental pode decifrar. Seria extremamente interessante verificar se o seu valor absoluto, uma vez definido, permanece ou não idêntico, qualquer que seja o referencial inercial considerado. A variabilidade de K seria um indício fortemente sugestivo a corroborar a intuição de Newton quanto à existência de um referencial absoluto. É de se esperar, no entanto, a observação de K aproximadamente constante para v << c.


7.3. O campo (x, b) do elétron em movimento:

        Conhecidas as transformações conformes para h e v, podemos desprezar os apóstrofos e assumir que os campos x e b de um elétron se expressam por

x = -h Ä v
b =
-h × v

7.1

seja nos referenciais próprios, seja nos referenciais impróprios. Decorre então de 7.1 que, qualquer que seja o referencial inercial considerado, a soma x2 + b2 é uma função relativística clássica de posição:

h2 = x2 + b2

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