/////Em condições normais
eu não sou dado a escrever prefácios, a menos que como algo alegórico; e assim mesmo,
para não fugir ao brasilianismo, ou seja, com o mesmo fito com que um presidente de
escola de samba prepara sua Comissão de Frente.
/////Ao me apossar de um livro cujo prefácio
não foi escrito pelo autor, via de regra, confesso, não o leio. Falha minha. Aliás, às
vezes leio, mas nunca sob a forma de aperitivo ou de antepasto. Conseqüentemente, pelo
menos para mim, a finalidade do prefácio vai por água abaixo.
/////Quando o prefácio é escrito pelo
autor, conquanto interessante, quase sempre traduz obviedades mescladas com uma certa dose
de mistério que somente será decifrado no decorrer do texto. Em geral não exerce a
função de preparar o leitor para a compreensão do livro, posto que o autor está ciente
do costume adotado por uma infinidade de leitores de deixar o prefácio de lado, entrando
de sola no capítulo primeiro. Desta forma procura transferir esta função para uma
introdução sábia e ardilosamente denotada por capítulo 1.
/////Em se tratando de livro didático, o
prefácio presta-se a uma função secundária: a de orientar o professor que o adota.
Não é o nosso caso. Propicia ainda um espaço utilizado pelo autor para exprimir
agradecimentos. Nada que não possa ser anexado à parte. Mas já que estamos aqui, lá
vai: Agradeço sinceramente:
aos professores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo,
IFUSP, por terem me dado condições de expressar matematicamente uma série de idéias
que há cerca de dez anos recusam-se a sair de meu cérebro;
a todos, e foram poucos, os que acreditaram que um dia eu conseguisse
transformar um sonho em realidade; e
ao meu computador que, mesmo sem entender nada, aceitou passivamente
estas e uma infinidade de outras idéias absurdas, felizmente censuradas e apagadas, que
foram surgindo enquanto eu escrevia o texto.
/////Dirá então você: Qual a finalidade
deste prefácio? A verdade, caro leitor, é que por estar escrevendo uma teoria fui
obrigado a adotar uma postura rígida, o que me incomodou profundamente. Aproveitei-me
então deste espaço para relaxar e retornar ao estilo que me deixa mais à vontade. E
para que você não se sinta chateado com o tempo perdido ao lê-lo, penitencio-me
elaborando a seguinte mensagem:
/////Ao escrever este livro espero ter
colaborado para que possamos, um dia, retornar aos tempos em que a física era uma
ciência inteligível. Em busca deste ideal Schrödinger, De Broglie, Dirac, Einstein e
tantos outros nos deram suas vidas. Saibamos então utilizar a trilha legada pelos velhos
mestres.
A.M.F.