|
Alberto Mesquita Filho
Integração II(4):26-30,1996
Direitos autorais requeridos
Reprodução proibida para fins comerciais
Quando
dizemos que a filosofia não nos interessa, o que provavelmente fazemos é substituir uma
filosofia explícita por outra implícita, isto é, imatura e incontrolada. [...]
Esta filosofia caseira [...] supõe que um símbolo, tal como uma equação,
possui significado físico somente à medida que diga respeito a alguma possível
operação humana. Isto equivale a se considerar a totalidade da física como se referindo
a operações, principalmente medições e cálculos, e não à natureza, o que implica
num retorno ao antropocentrismo prevalecente antes do nascimento da ciência.
Mario Bunge [1]
|
Sumário: Sabe-se,
desde as primeiras décadas do século XX, que o elétron, ao contrário de uma carga
elétrica clássica, assume, com grande freqüência, um comportamento anômalo quando de
sua exploração experimental, chegando mesmo a dar-nos a impressão de tratar-se de uma
partícula paranormal. Por vezes parece estar dotado de propriedades que o situam numa
outra dimensão ou num universo paralelo ao nosso. Não obstante, aceita-se, tal e qual um
dogma travestido de paradigma "kuhniano" [2], sua natureza "maxwelliana". Em
outras palavras, excetuando-se tais fenômenos mirabolantes, somente decifrados através
da matemática quântica, admite-se, sem qualquer apelo a uma comprovação experimental
rigorosamente lógica, que o elétron apresenta um comportamento idêntico ao de uma carga
elétrica "coulombiana". Recentemente publiquei uma teoria a respeito do
elétron [3] que se apoia na negação do
paradigma citado. Neste artigo pretendo resumir, ou até mesmo evoluir, alguns tópicos
essenciais da teoria, remetendo, a sua fonte, o
leitor interessado nos detalhes axiomáticos ou heurísticos
1. Introdução
São inúmeras as experiências realizadas no século XX
a sugerir, por um lado, a natureza discreta dos agentes reponsáveis pelos fenômenos
eletromagnéticos e, por outro, a natureza não coulombiana destas partículas.
Contrapõe-se a estas evidências experimentais, a beleza das equações de Maxwell,
frutos de uma teoria que sintetizou e coroou os esforços dos cientistas do século
passado ao caracterizarem o que julgavam tratar-se de um fluido: o fluido elétrico. Hoje
não há mais porque se pensar em fluidos elétricos; e ao supor que o elétron é a
fração elementar da carga elétrica, posto que uma carga elétrica é composta por
eletrons, incorre o físico no mesmo erro que um filósofo ingênuo incorreria se
admitisse que o átomo tem o formato de um avião, posto que um avião é formado por
átomos.
Mas se os eletrons não são cargas coulombianas, como os mesmos
conseguem se agrupar a ponto de originar uma carga elétrica que gera um campo elétrico E
coulombiano? De que forma eletrons e protons se dispõem, num condutor submetido a
uma diferença de potencial, de forma a gerar um campo B dado pela lei de
Ampère-Laplace? Qual é o campo de um elétron, e como e porque tais campos se associam
assumindo disposições maxwellianas? Dentre os campos maxwellianos: Quais
são os lorentzianos? Ou seja, aqueles nos quais um elétron obedece à equação
de Lorentz, como se possuísse uma carga elétrica?
A física moderna não responde a estas perguntas; e nem poderia, posto
que tanto a teoria da relatividade quanto a física quântica se apóiam no absurdo
apontado no parágrafo primeiro desta introdução. Resta-nos então seguir a lógica
clássica, e desta forma, nos itens que seguem, procurarei desenvolver o arcabouço
matemático necessário para que se possa chegar a um eletromagnetismo fundamentado no
conceito de partículas, e não no de fluidos elétricos.
|