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O Elétron Emissor de Informações Eletromagnéticas

1. Resumo e Abstract
2. Introdução
3. Campo Eletromagnético Estático
4. Campos eletromagnéticos estacionários
5. O elétron emissor de radiação eletromagnética
6. A energia das radiações eletromagnéticas
7. O componente material das radiações eletromagnéticas
8. Bibliografia

 

 Alberto Mesquita Filho
Este artigo será brevemente publicado na revista
Integração ensino-pesquisa-extensão
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Reprodução proibida para fins comerciais

 

6. A energia das radiações eletromagnéticas

//////Via de regra aceita-se que "uma carga elétrica acelerada emite radiação eletromagnética". Exatamente neste ponto surgem condições a propiciarem as principais divergências, polêmicas, insatisfações, absurdos e paradoxos que acompanharam a evolução da física do século XX. Já discutimos, em trabalho anterior (MESQUITA, 1993), as condições em que a física moderna "aceita" ou "permite" a não emissão de radiação por um elétron acelerado. Veremos agora o outro lado da moeda: condições em que o teor da radiação emitida por um elétron acelerado entra em conflito com as principais teorias hoje aceitas, em especial no que diz respeito à chamada "reação de radiação" [McDONALD (1998b) e WOODWARD (1998)].

//////A reação de radiação seria a força sofrida pela partícula ao emitir radiação numa direção e sentido específicos e a caracterizar uma perda de massa e/ou energia pela partícula. Por extensão, costuma-se chamar reação de radiação à variação do conteúdo energético da partícula emissora devida à emissão total, mesmo que esta se dê em várias direções concomitantemente. Um caso particular, ainda que de natureza diversa, seria o do fenômeno a gerar a clássica pressão de radiação e a demostrar que a luz, em determinadas condições, está dotada de energia mensurável. Uma revisão recente de McDONALD (1998a) retrata os significados físico e lingüístico dos termos ora apresentados, além de analisar nomenclaturas outras utilizadas pelos vários autores no decorrer dos anos.

//////Verifica-se experimentalmente e demonstra-se, a partir de estudos de Lorentz efetuados entre 1892 e 1903, que um elétron, ainda que emita radiação, não perde energia, ou seja, aparentemente não sofre reação de radiação, quando está sujeito a uma aceleração uniforme (por exemplo, num campo elétrico constante). Por outro lado, condições em que foram constatadas experimentalmente uma modificação do conteúdo energético do agente emissor, coincidem com aquelas em que as idéias de Lorentz prevêem tal variação, quais sejam, aquelas em que o agente emissor sujeita-se a uma variação da aceleração, ou seja, a uma aceleração não constante durante o processo. Aceitarei este fato como evidência teórico-experimental de que existem radiações de conteúdo energético aparentemente nulo e constituídas, única e exclusivamente, por i.e.m. O que as identifica com as demais radiações, e não meramente a uma simples emissão de i.e.m., seria o fato de se expressarem por campos mutantes, a exemplo dos já vistos em itens anteriores, e não redutíveis a campos estáticos ou estacionários quando analisados por seu comportamento observado em referenciais inerciais. Hipóteses alternativas podem ser encontradas em revisões recentes (McDONALD, 1998a e 1998b; e WOODWARD, 1998). Tratam-se de hipóteses via de regra concebidas em caráter ad hoc e sob climas fantasiosos, a expressarem, em última instância, a aceitação apriorística do campo como uma extensão da matéria. O exemplo mais intrigante é aquele do elétron submetido a uma aceleração centrípeta constante em módulo (variação uniforme da direção da aceleração em torno de um ponto central).

//////O estudo de cargas elétricas em plataformas giratórias parece estar em acordo com as idéias propostas por Lorentz para o elétron. A emissão de radiação pelos elétrons constituintes da carga elétrica ocorre concomitantemente com a reação de radiação, constatada pelo freamento da plataforma. Curiosamente, e a negar as expectativas teóricas, como comenta Stirniman (1998), se a plataforma contiver duas cargas iguais, porém de sinais opostos, a simular um condensador, a reação de radiação deixa de ocorrer. Provavelmente, e de maneira até então desconhecida, a presença de uma das cargas afeta a emissão energética da outra, reduzindo-a a zero e deixando atônitos os estudiosos do eletromagnetismo.

//////Visto sob o prisma da nova teoria ora em discussão, não há o que estranhar. O fenômeno simplesmente retrata o comportamento elementar, a ocorrer no microcosmo, e intimamente relacionado com o efeito macroscópico conhecido como indução elétrica. O campo eletromagnético A do elétron (vide MESQUITA, 1993 e 1997) manifesta-se por três efeitos: elétrico, magnético e indutivo; e a indução elétrica nada mais é do que um caso particular, observado em cargas elétricas, do efeito associado ao campo indutivo ou de torques t a agir sobre elétrons.emissor07.gif (2089 bytes)

//////A figura 7 mostra como os elétrons dispõem-se em um condutor esférico ao constituírem uma carga elétrica. Se o condutor estiver fixo a uma plataforma girante, como mostrado na figura 8, a inércia associada à coesão dos elétrons tentará promover um giro do conjunto em relação ao condutor e no sentido oposto ao giro da plataforma. O condutor, por sua vez, promove um arraste dos elétrons muito semelhante àquele produzido por cilindros girantes imersos em meios líquidos (por ex., viscosímetro de Couette). Graças a esse fenômeno, em nada a diferir de um processo viscoso, o condutor ficaemissor08.gif (8519 bytes) sujeito a um torque que se transmite à plataforma promovendo o seu freamento.

//////Se a plataforma girante contiver duas cargas iguais e de sinais opostos, o campo de efeitos indutivos irá agora dispor elétrons e prótons pareados, como mostra a figura 9 (a carga positiva é um pouco mais complexa mas a omissão de sua estrutura não invalida o argumento). Pelo fato dasemissor09.gif (12280 bytes) partículas de uma carga permanecerem fixas e aprisionadas em relação à estrutura da outra carga, e tendo em vista que os condutores estão em repouso um em relação ao outro, neste caso não temos o arraste viscoso e, portanto, não ocorre a reação de freamento, o que concorda com o achado experimental. Neste caso (figura 9) as partículas geradoras de campo eletromagnético permanecem fixas em relação à plataforma, sendo possível imaginar, para cada partícula, um referencial não inercial no qual ela, ao girar, dá origem a um campo estacionário semelhante ao apresentado na figura 4.