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4. Discussão
Conforme visto, as similaridades entre campos de
velocidade e eletromagnético ultrapassam os limites do que poderíamos chamar uma
coincidência fantástica. Não por outro motivo Maxwell, durante grande parte de sua
vida, tentou explicar os fenômenos eletromagnéticos através de analogias
hidrodinâmicas. Há que se destacar três empecilhos a dificultar os que se
propuserem a persistir neste caminho:
- Como explicar, através de um modelo hidrodinâmico, a existência de dois tipos de
cargas elétricas? Em que momento ou fase da construção do modelo ocorre a quebra de
simetria, e como seria esta quebra?
- Como equacionar o eletromagnetismo através de um modelo hidrodinâmico
sem apelar para a existência de um éter que desde os tempos newtonianos tem-se mostrado
como um meio inútil, teoricamente nefasto e muito provavelmente inexistente?
- Como partir de um modelo que se apóia em uma única equação de campo e
evoluir para a explicação de uma teoria que se apoia em quatro equações irredutíveis?
Como se vê, a tarefa não é fácil. Mas quem nos
garante que a teoria de Maxwell está completa? Não estaríamos tentando percorrer um
caminho inverso ao da razão? Ao contrário do que se afirma, as equações de Maxwell nem
sempre são válidas: os precursores da mecânica quântica que o digam. A equação de
Navier-Stokes, por sua vez, tem-se mostrado até o momento, absoluta. Seria mais lógico
então que procurássemos por um modelo eletromagnético que explicasse fenômenos
hidrodinâmicos, posto que a hidrodinâmica apóia-se em agentes macroscópicos e o
eletromagnetismo, ao contrário, foi concebido com a finalidade de explicar efeitos
provocados por agentes do microcosmo interpretados, na época, como flúidos mas hoje
sabidamente representados por partículas elementares. Este modelo, caso exista,
certamente se mostrará incompatível com a teoria de Maxwell, pois, caso contrário, nem
teoria da relatividade nem mecânica quântica justificariam sua razão de existir.
Este é um tema em aberto e que merece um destaque maior por parte da
coletividade científica. Para que possamos, quem sabe, um dia, considerar o lamento de
Einstein (op. cit.), expresso a seguir, uma curiosidade histórico-acadêmica:
"A história das descobertas científicas e
técnicas revela-nos quanto o espírito humano carece de idéias originais e de
imaginação criadora. E mesmo quando as condições exteriores e científicas para o
aparecimento de uma idéia já existem há muito, será preciso, na maioria dos casos, uma
outra causa exterior a fim de que se chegue a se concretizar. O homem tem, no sentido
literal da palavra, que se chocar contra o fato para que a solução lhe apareça. Verdade
bem comum e pouco exaltante para nosso orgulho, e que se verifica perfeitamente no barco
de Flettner. E atualmente este exemplo continua espantando todo mundo!"
Outras obras consultadas e não citadas no texto:
- CATTANI, M.S.D., Elementos de Mecânica dos Fluidos,
Ed. Edgard Blücher Ltda, São Paulo, 1990.
- EISBERG, R.M., LERNER, L.S., Física, vol. 3,
Fundamentos e Aplicações, Ediciones URMO, Bilbao (Espanha), 1973
- MESQUITA F.°, A., A Equação do
Elétron e o Eletromagnetismo, Editora Ateniense, São Paulo, 1993.
- PAY, SHIH-I, Viscous Flow Theory, I - Laminar Flow (p.
54 e 55), consultado na biblioteca do IFUSP (não possuo mais dados).
- PINSKY, M.A., Partial Differential Equations and Boundary-Value
Problems with Applications, Mc.Graw-Hill Inc., New York, 1991.
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