Flettner 4

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Similaridades entre Campos de Velocidade
e o Campo Eletromagnético

1. Introdução
2. Cilindros Girantes
3. Plataformas Girantes
4. Discussão
5. Apêndices

   

4. Discussão

Conforme visto, as similaridades entre campos de velocidade e eletromagnético ultrapassam os limites do que poderíamos chamar uma coincidência fantástica. Não por outro motivo Maxwell, durante grande parte de sua vida, tentou explicar os fenômenos eletromagnéticos através de analogias hidrodinâmicas. Há que se destacar três empecilhos a dificultar os que se propuserem a persistir neste caminho:

  1. Como explicar, através de um modelo hidrodinâmico, a existência de dois tipos de cargas elétricas? Em que momento ou fase da construção do modelo ocorre a quebra de simetria, e como seria esta quebra?
  2. Como equacionar o eletromagnetismo através de um modelo hidrodinâmico sem apelar para a existência de um éter que desde os tempos newtonianos tem-se mostrado como um meio inútil, teoricamente nefasto e muito provavelmente inexistente?
  3. Como partir de um modelo que se apóia em uma única equação de campo e evoluir para a explicação de uma teoria que se apoia em quatro equações irredutíveis?

Como se vê, a tarefa não é fácil. Mas quem nos garante que a teoria de Maxwell está completa? Não estaríamos tentando percorrer um caminho inverso ao da razão? Ao contrário do que se afirma, as equações de Maxwell nem sempre são válidas: os precursores da mecânica quântica que o digam. A equação de Navier-Stokes, por sua vez, tem-se mostrado até o momento, absoluta. Seria mais lógico então que procurássemos por um modelo eletromagnético que explicasse fenômenos hidrodinâmicos, posto que a hidrodinâmica apóia-se em agentes macroscópicos e o eletromagnetismo, ao contrário, foi concebido com a finalidade de explicar efeitos provocados por agentes do microcosmo interpretados, na época, como flúidos mas hoje sabidamente representados por partículas elementares. Este modelo, caso exista, certamente se mostrará incompatível com a teoria de Maxwell, pois, caso contrário, nem teoria da relatividade nem mecânica quântica justificariam sua razão de existir.

Este é um tema em aberto e que merece um destaque maior por parte da coletividade científica. Para que possamos, quem sabe, um dia, considerar o lamento de Einstein (op. cit.), expresso a seguir, uma curiosidade histórico-acadêmica:

"A história das descobertas científicas e técnicas revela-nos quanto o  espírito humano carece de idéias originais e de imaginação criadora. E mesmo quando as condições exteriores e científicas para o aparecimento de uma idéia já existem há muito, será preciso, na maioria dos casos, uma outra causa exterior a fim de que se chegue a se concretizar. O homem tem, no sentido literal da palavra, que se chocar contra o fato para que a solução lhe apareça. Verdade bem comum e pouco exaltante para nosso orgulho, e que se verifica perfeitamente no barco de Flettner. E atualmente este exemplo continua espantando todo mundo!"

Outras obras consultadas e não citadas no texto:

  • CATTANI, M.S.D., Elementos de Mecânica dos Fluidos, Ed. Edgard Blücher Ltda, São Paulo, 1990.
  • EISBERG, R.M., LERNER, L.S., Física, vol. 3, Fundamentos e Aplicações, Ediciones URMO, Bilbao (Espanha), 1973
  • MESQUITA F.°, A., A Equação do Elétron e o Eletromagnetismo, Editora Ateniense, São Paulo, 1993.
  • PAY, SHIH-I, Viscous Flow Theory, I - Laminar Flow (p. 54 e 55), consultado na biblioteca do IFUSP (não possuo mais dados).
  • PINSKY, M.A., Partial Differential Equations and Boundary-Value Problems with Applications, Mc.Graw-Hill Inc., New York, 1991.