1) Introdução
Existe um princípio oriental que diz que tudo o que existe no
Universo pode ser encarado como constituído por antagônicos complementares, ou seja, o
que chamam de yin e yang [1]. Se o princípio for verdadeiro deveremos encontrar, na física
moderna, o antagônico complementar da incerteza: a certeza. É claro que ela deverá
estar sempre acompanhada de outras incertezas mas, de qualquer forma, creio que é melhor
estudar o certo do que o incerto.
Existe um outro princípio oriental que diz: "No extremo, yin
transforma-se em yang" [2]. Ou seja, se você aproximar o
pólo sul de um imã ao pólo norte de outro (figura abaixo), no extremo da aproximação os dois imãs transformam-se
num só. O que era pólo sul de um imã passa a ser parte do pólo norte; e o que era
pólo norte do outro, passa a ser pólo sul. A mudança se dá apenas nos pólos
que entram em
contato.

Se este segundo princípio oriental for verdadeiro, não apenas para
o magnetismo, no extremo da incerteza devemos encontrar a certeza. E, pelo visto, a
física já atingiu este extremo. E eu também já devo ter cansado o leitor com este tema
e breve mudarei de assunto. Antes que você siga o princípio a risca e ponha todas as
minhas mensagens na "lixeira". Agüente mais um pouco: o suficiente para que eu
tente lhe apresentar a lógica da certeza.
2) O Apriorismo de Heisenberg
O raciocínio de Heisenberg foi brilhante; e acredito mesmo que ele
esteve próximo de dar um passo muito grande em física. Bastava enxergar um "a
priori" desnecessário que estava admitindo e a incerteza teria se esfacelado a seus
olhos; e ele certamente teria enxergado a verdade. Mas por puro azar a sua física,
corpuscular na origem, estava apoiando a outra física: a física dualística. Esta
última já nasceu incerta e, portanto, só poderia deduzir uma incerteza. Apesar de
incerta, "era a única" em que se apoiar na época. Mas, na realidade,
Heisenberg não estava se apoiando na mesma mas apoiando-a. E a satisfação por esta
constatação deve ter bloqueado seu raciocínio.
Heisenberg admitiu implicitamente, em sua teoria, que a posição de
uma partícula somente podia ser determinada através do choque seguido da observação de
propriedades de outra partícula. Acredito que ninguém o criticou por este ângulo pois
este "a priori" é aceito, inconscientemente, por quase todos os físicos
modernos que estudam partículas. Eliminado este "a priori", este tipo de
indeterminação cai por terra.
3) A Informática Elementar
William Gilbert (1544-1603) pode ser considerado o pai da
informática em física. E Newton parece ter sido o primeiro a reconhecer a natureza
imaterial do que costumo chamar por informação motora elementar. E como quase todas as
grandes idéias de Newton, esta também encontrei na gaveta. Pergunto, então: O que é
que passa de uma carga elétrica para a outra quando elas se atraem ou se repelem? E o que
é que passa da Terra para uma pedra, quando esta última cai?
Os físicos modernos responderão que no primeiro caso são os
fótons virtuais e, no segundo, os grávitons. Mas eles nem sabem o que são fótons
reais! Que dizer dos virtuais? E os grávitons são partículas hipotéticas que surgiram
para explicar algumas discordâncias de uma física absurda!
Que me perdoem os defensores da moderna eletrodinâmica quântica [o
orgulho da física do século XX pelas fantásticas determinações de valores de
grandezas abstratas com uma precisão superior a dez casas decimais], mas os seus fótons
são tão virtuais que sequer existem. O que existe não tem nada a ver com o fóton, nem
com matéria e nem mesmo com energia. E não se diga que ninguém chamou a atenção para
este fato:
"É inconcebível que a matéria bruta
inanimada possa, sem a mediação de alguma coisa, que não é material, atuar sobre e
afetar outra matéria sem contato mútuo..."
..............................,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,.............................Isaac
Newton
Se admitirmos que é possível localizar um elétron e mesmo
quantificar seu movimento única e exclusivamente pelo estudo das informações motoras
que ele emite, ou seja, pelo campo de forças que ele gera em sua periferia, ou melhor
ainda, pelas interações de Gilbert, não precisaremos mais preocuparmo-nos com a
incerteza materialista de Heisenberg. E poderemos prosseguir nosso estudo a procura de
incertezas mais racionais.
4) Um Tiro Certeiro, Porém...
[..........[Este item foi atualizado (1999) afim de
adaptar-se à teoria "A equação do elétron e o
eletromagnetismo".
Bohr, como vimos, deduziu a fórmula da incerteza a partir das leis
da "difração" e das relações dualísticas de Einstein-De Broglie. A
coincidência com a dedução quântica da teoria de Schrödinger não é tão
surpreendente quanto à primeira vista possa parecer. Com efeito, é mais um artefato do
que uma coincidência. Tanto a teoria de Heisenberg-Bohr quanto a de Schrödinger são
matematicamente corretas e ambas apóiam-se nos mesmos absurdos físicos. E, portanto, não
poderiam discordar. Simplesmente a teoria de Schrödinger constata um absurdo físico; e a
de Heisenberg-Bohr dá uma interpretação física a este absurdo. É importante observar
que, a partir de sua teoria, Schrödinger dedicou grande parte de sua vida a procurar por
uma maneira de esclarecer este absurdo, enquanto Heisenberg-Bohr contentaram-se em aceitar
o "caráter absurdo da natureza".
A incerteza da "difração" não é muito difícil de ser
explicada quando relacionada a um "feixe homogêneo de corpúsculos". Trata-se,
neste caso, de uma incerteza populacional. Um feixe homogêneo de corpúsculos (um grande
número de corpúsculos distribuídos homogeneamente no espaço e viajando paralelamente
entre si), ao atingir um orifício não mais se comporta como homogêneo. Assim que
anteparo e orifício começam a ser significativos para o estudo do movimento dos
corpúsculos, a homogeneidade se desfaz. Os corpúsculos são diferentemente afetados
pelas bordas do orifício pois estão diferentemente afastados das mesmas e, portanto,
sofrem interações diversas. Após a inflexão temos uma população heterogênea de
corpúsculos quanto à direção e, em seu estudo, deve aplicar-se o teorema da indeterminação, visto em
"Homogeneidade e Incerteza", parte 5.
Mas,... e no caso da luz? O que é a luz, afinal? Se a luz for
composta por corpúsculos, a explicação está dada acima. Onda certamente não é e
apoio minhas convicções em trabalho que publiquei recentemente [A equação do elétron
e o eletromagnetismo, item 7.1]. Muito
provavelmente o que hoje chama-se onda eletromagnética estaria relacionado a algo
referido por Newton, algumas vezes, como "o espírito da matéria", numa
tentativa de evoluir para uma teoria representacional de campo. A onda eletromagnética
seria então um campo mutante e não propriamente uma onda [3]. De qualquer forma, resta
decifrarmos o mistério "Luz". Seria a luz apenas este campo mutante; ou em
determinados casos este campo seria povoado por corpúsculos emitidos concomitantemente?
Haveria matéria na luz? [4] A esse respeito vale a pena reproduzirmos o seguinte texto:
"A
história da busca de uma teoria da luz não está de modo algum concluída. O veredicto
do século XIX não foi final e definitivo. Todo o problema de decidir entre corpúsculos
e ondas ainda existe para a Física moderna, desta vez de uma forma muito mais
profunda e intrincada. Aceitemos a derrota da teoria corpuscular da luz até
reconhecermos a natureza problemática da vitória da teoria ondulatória" [Einstein
e Infeld em "A Evolução da Física", Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1980, p.98].
Resta-nos analisar a complementaridade de Bohr. É óbvio que se a
difração existe apenas em fenômenos ondulatórios, como o som, e a inflexão em
fenômenos corpusculares como um feixe de elétrons, o princípio da complementaridade de
Bohr é tão verdadeiro quanto desnecessário; pelo menos da forma como foi enunciado. A
luz, enquanto tal, jamais será observada como som, nem vice-versa. Resta-nos uma
possível dualidade do tipo aditivo e para a qual precisamos, além de estudar melhor o
fenômeno, verificar se existe ou não uma "surdez" dos aparelhos de medida. No
mais, o que vale é o princípio da certeza de Pitágoras: "O que é, é, e não pode
não ser enquanto for".
5) O Princípio do Fim
Há quem diga que um dos sinais dos últimos tempos será a
preocupação excessiva com a pregação da paz. Pode não ser verdadeiro mas é um
pensamento sábio. Se existem homens de boa vontade preocupados com a paz, isto significa
que vivemos em guerra e visualizamos a autodestruição. Que sejam bem sucedidos os
pregadores da paz mas que se diga também que melhor do que defender a paz é não viver
em guerra e, assim sendo, não se preocupar com a paz.
A mecânica quântica também vem sendo muito defendida. São
inúmeros os artigos referentes à realidade quântica escritos por autores preocupados em
defendê-la. Mas a única coisa que conseguem defender é uma série de fórmulas
matemáticas. Alguns contentam-se em justificar argumentos de um ou outro dos dois
gigantes que há várias décadas duelaram: Einstein e Bohr. Entendem que um dos dois
errou mas não sabem qual; e não querem admitir que talvez os dois possam ter acertado.
Pois saibam que o que houve não foi propriamente uma disputa mas uma discussão amistosa
sob a melhor forma de se construir um campo onde seus sucessores pudessem disputar várias
partidas. Os que não entenderam as regras desse jogo chamam a este campo de mecânica
quântica. Pois saibam que a mecânica quântica não existe. O que existe chama-se
física e esta estuda a natureza real, ainda que admita raciocínios abstratos.
A teoria ondulatória da Luz, com todas as modificações efetuadas
e com todas as teorias que se apoiaram no fenômeno onda-luz, chegou ao fim. É chegada a
hora de recolher os frutos, e não foram poucos, que permaneceram intactos.
Alguns fanáticos pela teoria quântica hão de dizer que estou
blasfemando. Outros continuarão à espera de uma fada madrinha a lhes apontar outra via
de raciocínio não absurda, mas coerente com a lógica quântica; e continuarão na
procura de suas variáveis escondidas. Existem terceiros que já abandonaram esta ilusão
há muito tempo e sabem que fadas madrinhas não existem; sabem também que a tão
propalada teoria quântica é um punhado de equações úteis e que portanto insistem em
funcionar. Ainda não se sabe porque, mas funcionam. Vamos então continuar utilizando-as;
mas que não se diga ser impossível a montanha vir a Maomé. Afinal, nós nem sabemos o
que é essa montanha! Sabemos apenas que ela obedece a determinadas equações
matemáticas. Nada mais do que isso. Mas a matemática não foi feita para atrapalhar a
física nem vice-versa. A matemática jamais modificará a física.
Não me aprofundei na teoria de Schrödinger por motivos óbvios: se
ela parte de resultados falsos e acertou o alvo apenas porque é fisicamente tão inexata
quanto imprecisa, ou seja, um erro compensou o outro, não há porque nos preocuparmos com
ela. Não há duvida que merece uma análise mas deixo isto para quem gosta (mesmo porque,
enquanto o quebra-cabeças não estiver completamente montado, esta análise não será
simples; e após, será totalmente desnecessária). Também não tenho a resposta para
algumas de suas espetaculares predições; mas mesmo que tivesse, não creio que esta
lógica parcial pudesse ser simples a ponto de podê-la encaixar neste trabalho.
Em suma: Vamos acordar para a realidade!
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