......Em contraste com a gravitação
newtoniana, o eletromagnetismo foi arquitetado levando-se em conta a eletrodinâmica, o
que transparece em duas de suas equações a incluírem o fator tempo (derivadas
temporais). Lamentavelmente, e como foi demonstrado por EINSTEIN
em 1905, a relatividade inerente à teoria de Maxwell era incompatível com a relatividade
da física newtoniana.
......Um dos aspectos fundamentais da
relatividade eletromagnética relaciona-se ao potencial de Liénard e Wiechert descrito
por estes autores, respectivamente, em 1898 e 1900. Este potencial relativístico
--suposto o ideal para representar um ponto material eletricamente carregado e em
movimento-- adapta-se perfeitamente às correções hiperbólicas descritas no item 4, no que diz respeito à localização virtual de seu
agente causal. Como explicar, então, as incompatibilidades entre a física newtoniana e o
eletromagnetismo de Maxwell? Tais incompatibilidades surgem exatamente quando passamos do
eletromagnetismo de pontos materiais para o eletromagnetismo de objetos macroscópicos;
nestes casos, para justificar os conceitos de carga macroscópica em movimento e/ou
corrente elétrica da teoria de Maxwell, o potencial de Liénard e Wiechert, por si só,
mostra-se insuficiente, devendo-se levar em consideração um vetor potencial magnético.
De alguma forma existe uma incompatibilidade entre o ponto material eletricamente
carregado (carga puntiforme) e a partícula elementar propriamente dita a entrar na
constituição de cargas e correntes elétricas; e esta incompatibilidade manifesta-se
quando levamos em consideração o movimento, ou seja, exatamente quando aparece o campo
magnético, supostamente um efeito relativístico. A natureza diversa de integrando
(partícula elementar, admitida como carga puntiforme) e integrado (carga elétrica ou
corrente elétrica), gera conseqüências matematicamente desastrosas que somente se
desfazem às custas dos artifícios relativísticos da física moderna, a corrigirem tais
incongruências; e o preço pago pela introdução destes artifícios foi a
descaracterização da física newtoniana, apontada por Einstein em seu artigo original
(1905) e subseqüentes.
......Como mostrei em trabalho anterior
(MESQUITA, 1993 e 1997), ao reduzirmos mentalmente o ângulo de
observação de uma carga elétrica, esperando, com isso, focalizar seus constituintes
elementares, chegaríamos, pela aceitação da teoria eletromagnética de Maxwell como é
hoje interpretada, a conceber uma identidade estrutural entre as partículas (prótons ou
elétrons) e a carga que as contém. Ora, porque aceitar este reducionismo ilusório e
inerente à teoria de Maxwell --uma teoria feita para fluidos elétricos-- se já está
definitivamente comprovada a existência de partículas eletromagnéticas elementares
dotadas de propriedades outras não encontradas nas cargas elétricas macroscópicas?
Porque conservar a idéia de fluido ao se interpretar as equações de Maxwell?
......Pensemos então no elétron como uma
partícula dotada de um "spin" clássico, qual seja, um verdadeiro giro.
Suponhamos que este elétron, ao se dispor na superfície plana da placa negativa de um
condensador, mantenha seu eixo de giro perpendicular à superfície. Vamos admitir, ainda,
um próton aproximando-se desta superfície com uma velocidade v da ordem de grandeza de
c. Concluiremos então, pelos mesmos argumentos mostrados nos itens anteriores, que a
superfície plana gera, sob o ponto de vista do próton, uma superfície virtual
hiperbolóide. A posição ocupada pelos eletrons virtuais aí imaginados concorda com a
transformação proposta por Liénard e Wiechert. Existe, no entanto, um efeito ainda não
considerado e relacionado à imagem virtual do "spin" clássico, ou seja: Em que
direção se disporá o eixo do "spin" do elétron virtual? Certamente será
numa direção a compatibilizar a relatividade da física clássica com a relatividade do
eletromagnetismo e a resposta deverá sujeitar-se à experimentação.
......Em trabalho anterior (MESQUITA, 1996 e 1997), e
utilizando argumentos relacionados a uma possível aberração direcional, e sem levar a
efeito a superfície virtual aqui considerada, supus a identidade entre
e
(representado na figura 7). Poderíamos, utilizando argumentos outros, pensar num valor de
, ligeiramente diferente de
e tal que o eixo do "spin" do elétron
virtual disponha-se na direção perpendicular à superfície hiperbolóide. Vejamos qual
seria, neste caso, o valor de
.

Figura 7: explicação no texto
......Seja então um elétron situado na
posição (0, y1) da superfície plana representada, na figura
7, por um traço vertical passando por O (a superfície é perpendicular ao plano da
figura); e um próton aproximando-se a grande velocidade (v = 0,5c) segundo uma direção
perpendicular a esta superfície e passando pela origem O(0,0,0) do sistema de coordenadas
considerado. O próton estará sujeito, num dado instante, ao campo do elétron virtual
situado no ponto (x1, y1, 0) da
superfície hiperbolóide, a interceptar o plano da figura segundo a hipérbole dada por

em que a/b = v/c conforme visto no item 4. A
perpendicular à hipérbole no ponto considerado (x1, y1)
é a reta dada pela equação:

e o ângulo
que esta reta
forma com o eixo dos x, conforme representado na figura, é tal que

......Como referido nos parágrafos
anteriores, trata-se de um valor conjectural para
e a ser melhor estudado, tanto sob o ponto de vista teórico
quanto experimental.