O fenômeno luz e as falácias relativas às relatividades
1 Colocação do Problema
2 Interpretações Clássicas e Relativistas
3 Relatividade e Senso Comum
4 A Experiência de Michelson-Morley
5 A Transformação Massa-Energia
6 A Dilatação do Tempo
7 Eletromagnetismo e Sistemas Inerciais
8 Outras Aparentes Inconsistências Clássicas
Obs.: As expressões relativista e/ou relativístico(a) serão utilizadas neste artigo a caracterizarem significados relacionados a fenômenos ou efeitos que, na visão dos físicos modernos, seriam explicados somente pela teoria da relatividade de Einstein.
3 Relatividade e Senso Comum
3.1 Senso comum e obviedade
Nem tudo o que é óbvio é certo mas tudo o que é certo parece-nos sempre ter um lado óbvio. Senso comum, como rotineiramente a expressão é utilizada, refere-se a explicações aparentemente óbvias para o leigo no assunto e nem sempre a corresponderem à realidade descrita pelo especialista. Ao dizermos que o Sol gira em torno da Terra com um período de 24 horas, estamos dizendo uma verdade a apoiar-se no nosso senso comum. O astrônomo, no entanto, tem argumentos outros a convencerem-no de que é a Terra quem está a girar sobre si mesma e a dar-nos esta falsa impressão.
Assim como a física clássica do século XVII desenvolveu-se graças à procura por uma verdade apoiada na experimentação, e não apenas no senso comum, os precursores da física moderna procuraram, por meios não óbvios, explicar certos fenômenos observados no final do século XIX e, "aparentemente", a falsear a física clássica. Realmente, falseavam! Não a física clássica em si mas o que poderíamos chamar "a física do final do século XIX".
Os métodos utilizados pelos físicos modernos, e a contrariarem o senso comum, diferem significativamente daqueles utilizados pelos físicos clássicos. Para um físico genuinamente clássico, não importa de que século seja, observar algo que contrarie o senso comum implica num convite à procura por uma nova explicação, também óbvia, e a caracterizar um progresso no entendimento dos fenômenos naturais. Encontrada a nova explicação, o senso comum se restabelece, posto que observamos agora o fenômeno sobre um novo prisma, como é o caso do giro da Terra sobre si mesma. Para um físico moderno, observar algo que contrarie o senso comum implica no convite à procura por uma justificativa a se adequar a seus experimentos mas nem sempre à razão. Se existir um lado óbvio, ótimo! Se não existir, fabrica-se um novo senso, através de um consenso comum, a contrariar não apenas o senso comum do leigo mas até mesmo aquele do especialista no assunto. E é este o sentido de "senso comum" que um físico moderno procura dar quando afirma que o que distingue a física moderna da física clássica é o fato da primeira ser contrária ao que denomina "senso comum".
Às vezes o consenso comum, por força de vício, "ganha" a condição de "senso comum", ou seja, acostumamo-nos a nos enganarmos. Cria-se então o que poderíamos chamar por "novóbvio", ou seja, "algo aceito como óbvio por falta de coisa melhor". É desta forma que aceita-se hoje como óbvia a constância absoluta da velocidade da luz, a desrespeitar até mesmo as mudanças de referencial. Apenas os jovens, ou calouros no assunto, são os que sofrem durante um curto intervalo de tempo, com a sensação da falta de alicerces sólidos a sustentarem uma infinidade de conhecimentos a se apoiarem neste vazio epistemológico. À medida em que o "novo senso comum" é fabricado, não é raro observar-se a pretensão de alguns a justificarem o surgimento do que consideram uma "nova física clássica". É nesse contexto que alguns tratados de física quântica chegam a afirmar que a teoria da relatividade de Einstein é uma teoria clássica. Estão com isso meramente querendo enfatizar que a teoria da relatividade de Einstein não se encaixa entre aquelas que, por serem não-locais, contrariam o senso comum a incorporar o princípio da indeterminação de Heisenberg; como que, pretensamente, querendo dizer que física clássica é apenas aquela que ignora este princípio, pois os demais princípios da física moderna seriam por demais "novóbvios".
3.2 Porque aceitar a relatividade de Einstein se ela vai contra o senso comum?
Se, por um lado, a teoria da relatividade de Einstein ainda não justificou sua razão de ser, pois não conseguiu mostrar seu lado óbvio, por outro, como afirmam, apoia-se na experimentação e explica fenômenos que, supostamente, não são explicados por nenhuma teoria física clássica. A esse respeito, nunca é demais afirmar que Einstein, praticamente sozinho, e durante mais de trinta anos, tentou sem sucesso justificar a razão de ser de sua teoria. Jamais ignorou que sua teoria era, como efetivamente é, uma teoria incompleta. E por ser incompleta, fica a nos dever inúmeras explicações, por mais que explique o que seria supostamente inexplicável por outras vias.
Dentre as miraculosas explicações da teoria da relatividade de Einstein enfatiza-se as seguintes (tomei esta relação de empréstimo de um diálogo amistoso que mantive na ciencialist, lista de discussão sobre ciência, e que pode ser encontrado na mensagem 4651, tendo sido acrescentado apenas o item 6 -- o diálogo começa na mensagem 4553):
- O fracasso da experiência de Michelson-Morley;
- A transformação entre massa e energia;
- A dilatação do tempo observada no decaimento de partículas elementares velozes;
- As leis do eletromagnetismo são as mesmas em todo sistema inercial;
- A precessão do periélio da órbita de Mercúrio;
- Deflexão da luz por um campo gravitacional;
- Parte da estrutura fina nos espectros atômicos.
Em outras palavras: A teoria da relatividade moderna é aceita não porque tenha firmado sua consistência mas porque não encontrou-se, até o momento, nada que explicasse, sem ferir o senso comum, aquilo que apenas ela tem sido capaz de explicar. Percebe-se então que de nada adianta retratarmos possíveis falácias relativas às relatividades se não conseguirmos demonstrar que uma física a se apoiar no senso comum, qual seja, uma física clássica genuinamente newtoniana, possa explicar o que pretensamente somente seria explicável com argumentos "fabricados" pela física moderna.