O fenômeno luz e as falácias relativas às relatividades

1 Colocação do Problema
2 Interpretações Clássicas e Relativistas
3 Relatividade e Senso Comum
4 A Experiência de Michelson-Morley
5 A Transformação Massa-Energia
6 A Dilatação do Tempo
7 Eletromagnetismo e Sistemas Inerciais
8 Outras Aparentes Inconsistências Clássicas


Obs.: As expressões relativista e/ou relativístico(a) serão utilizadas neste artigo a caracterizarem significados relacionados a fenômenos ou efeitos que, na visão dos físicos modernos, seriam explicados somente pela teoria da relatividade de Einstein.

7 Eletromagnetismo e Sistemas Inerciais

7.1  Os fundamentos do eletromagnetismo de Maxwell

        A teoria eletromagnética de Maxwell, conquanto seja uma teoria de campos, apoia-se em dois pressupostos básicos: o conceito de carga elétrica e o conceito de corrente elétrica. Sabemos, há pelo menos 100 anos, que carga elétrica e corrente elétrica associam-se ao que hoje denominamos partículas elementares. Não obstante aceita-se a idéia de que tais partículas seriam constituídas pelo mesmo fluido elétrico apresentado por Coulomb em sua tese primeira (1789). Poderíamos então dizer que a teoria de Maxwell, como é hoje interpretada, é na realidade uma eletrodinâmica de fluidos pois refere-se a campos gerados e/ou a agirem sobre fluidos. E como esses fluidos não existem, a menos que como um modelo teórico a justificar efeitos experimentais e relacionados ao macrocosmo, não há porque estranhar a incompatibilidade encontrada entre o modelo e a física clássica genuinamente newtoniana.

        As incompatibilidades, de fato, não existem. Existem, sim erros de interpretação. À medida que procuramos entender, a partir do modelo teórico de Maxwell, o que é a luz ou o que é um elétron, entidades estranhas ao modelo em si, na realidade estamos supervalorizando o modelo, como se ele representasse a realidade como ela é; ou como se existissem os fluidos elétricos. Nessas condições, e como bem conclui Feynmann, o eletromagnetismo se esfacela. Assim, se tentássemos evoluir por cima deste erro crasso, aceitando a carga elétrica como que composta por um fluido constituído por elétrons, que por sua vez seriam compostos por fluidos constituídos por micro-elétrons e assim por diante, numa regressão sem fim, ao adaptarmos o modelo de Maxwell ao microcosmo, muito provavelmente chegaríamos nos princípios da física quântica. E ao aceitarmos esse reducionismo associado ao conceito de ponto material, argumento esse utilizado por Newton com extrema cautela, certamente chegaríamos a uma suposta incompatibilidade entre o modelo de Maxwell e a relatividade clássica, a fomentar reformulações relativistas, o que foi feito por Einstein.

7.2  Um elétron não fluido

        As falácias apontadas no item anterior clamam pela procura de um eletromagnetismo a se apoiar no conceito de partículas e não no de fluidos elétricos. Este novo eletromagnetismo está proposto em "A equação do elétron e o eletromagnetismo" e uma síntese dos aspectos matemáticos a justificarem o modelo poderá ser encontrado em "Sobre a natureza físico-matemática do elétron". As figuras 13 e 14 propõem-se a colaborar para a desmistificação do elétron como carga elétrica em miniatura, deixando clara a distinção entre as partes (elétrons e condutores) e o todo (carga e corrente elétrica). Um texto bem elementar a respeito, e que surgiu através de uma discussão que mantive na ciencialist (dezembro de 1999), pode ser encontrado em "A teoria do porco espinho".

 

 

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Figura 13: Elétrons em um condutor

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Figura 14: Elétrons em correntes elétricas


7.3  O Sistema Inercial

        Nos dois artigos acima assinalados (item anterior) demonstra-se a total compatibilidade entre a relatividade da física clássica e o eletromagnetismo interpretado sob a idéia de partículas clássicas geradoras de campos eletromagnéticos. Não há porque se persistir no erro de afirmar que o sistema inercial da física clássica difere do sistema inercial do eletromagnetismo. É perfeitamente possível, através de teorias de campo, definir um sistema inercial a compatibilizar-se com a física clássica.

 

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