O fenômeno luz e as falácias relativas às relatividades
1 Colocação do Problema
2 Interpretações Clássicas e Relativistas
3 Relatividade e Senso Comum
4 A Experiência de Michelson-Morley
5 A Transformação Massa-Energia
6 A Dilatação do Tempo
7 Eletromagnetismo e Sistemas Inerciais
8 Outras Aparentes Inconsistências Clássicas
Obs.: As expressões relativista e/ou relativístico(a) serão utilizadas neste artigo a caracterizarem significados relacionados a fenômenos ou efeitos que, na visão dos físicos modernos, seriam explicados somente pela teoria da relatividade de Einstein.
8 Outras Aparentes Inconsistências Clássicas
8.1. A precessão do periélio da órbita de Mercúrio
A física newtoniana, ao utilizar a idéia de ponto material, bem como, ao desprezar a não instantaneidade na ação a distância entre objetos materiais, assumiu um compromisso com pequenos erros, via de regra desprezíveis. Muitos foram os cálculos efetuados por Newton a contemplarem tais aproximações. Por inúmeras vezes, no entanto, Newton fez questão frizar que estava propondo aproximações a serem válidas apenas e tão somente quando estes erros pudessem realmente ser ignorados. Jamais pretendeu propalar a aceitação de idéias indubitavelmente erradas e hoje consagradas como dogmas de fé, quais sejam, os conceitos de "ponto material" e "instantaneidade de ação a distância". Pelo contrário, deixou claro tratarem-se de "absurdos tão grandes que acreditava que homem algum que tivesse em questões filosóficas competente faculdade de pensar, pudesse cair neles".
Assumir que a precessão do periélio da órbita de Mercúrio viesse se sujeitar a essa aproximação, foi um dos erros crassos cometidos por aqueles que enfeitiçaram-se pelas previsões de uma mecânica não tão elementar quanto supostamente aparentava ser. Sem dúvida, estamos aí frente a uma condição a clamar pelo surgimento de novas idéias, a serem propostas por "homens que tenham, em questões filosóficas, competente faculdade de pensar". E é de se esperar que novos cálculos, não apoiados em aproximações absurdas, venham restabelecer a confiabilidade na física genuinamente newtoniana, pois que esta realmente ainda não nos deu sua última palavra a respeito. Desprezou-se, a meu ver, "aberrações" importantes e capazes, por si só, de "deslocarem" o centro de massa de objetos não puntiformes e levados em consideração como tais. Algo a respeito poderá ser encontrado em "O espaço curvo euclidiano e a relatividade galileana", onde procuro demonstrar como o problema da localidade e da não-instantaneidade podem ser vistos sob um prisma clássico.
8.2 Deflexão da luz por um campo gravitacional
Um raio de luz, ao passar pelo campo gravitacional do Sol, sofre uma curvatura, fenômeno este por inúmeras vezes constatado experimentalmente. De acordo com a teoria da relatividade geral, e nas palavras de Einstein (1), "metade desta deflexão é produzida pelo campo de atração newtoniano do Sol e a outra metade por modificações geométricas (curvatura) do espaço causada pelo Sol". As previsões de Einstein concordam com a realidade físico-experimental, o que não exclui tratar-se meramente de uma coincidência apoiada em regras lógicas formais. Afinal, as variáveis medidas relacionam-se às mesmas grandezas distorcidas logicamente pelos postulados da relatividade especial: luz, espaço e tempo.
É estranho pensar que um raio de luz, ao passar ao lado de um astro gigantesco como o Sol, sofra única e tão somente efeitos de natureza gravitacional, "metade relacionados à gravitação newtoniana e metade relacionados à gravitação da teoria da relatividade geral (curvatura do espaço)". E, não obstante, esta mesma luz, ao aproximar-se de um minúsculo pedaço de vidro, sofre reflexão ou refração graças a "começar a se curvar 'antes' de atingir o vidro" (2), efeito esse desprezado pelos adeptos das teorias ondulatórias da luz; e este mesmo raio de luz, segundo Newton (2), "passando pelo vidro para um vácuo, é curvado em direção ao vidro; e se incide muito obliquamente ao vácuo, ele é curvado para trás no vidro, e totalmente refletido; e esta reflexão não pode ser atribuída à resistência de um vácuo absoluto, mas deve ser causada pelo poder do vidro, atraindo o raio em sua passagem por ele para o vácuo, e trazendo-o de volta".
8.3 A estrutura fina nos espectros atômicos
O problema aqui é bastante complexo e, para os quais, a explicação envolve aspectos relativos à natureza íntima da matéria, da energia e dos campos; e, neste terreno, tudo é mistério. Para os interessados nas previsões da teoria da relatividade geral, seria interessante a leitura sobre o que pensava Einstein (1) a respeito, em 1919 (item c do trabalho indicado). Quanto a regras lógicas e coincidências outras relativas à natureza íntima da matéria, convido-os a que leiam "Uma curiosa coincidência", de minha autoria. Nada do que poderia dizer aqui faria sentido sem que antes decifrássemos, pelo menos em parte, o enigma aí apresentado. Em outros artigos de meu Web Site tento evoluir nesta direção.
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- EINSTEIN, A: Relativity - Appendix III: The Experimental Confirmation of the General Theory of Relativity.
- NEWTON, I: Book Three of the Optiks, em Opticks, Dover Publ.Inc., New York, 1979.