Diálogos
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Onde estão os cientistas brasileiros?
Tema apresentado para discussão em
news://news.uol.com.br./uol.ciencia em
09/02/98 |
1 |
Participantes |
Mensagens |
Adilson
A. Freitas |
10, 15, |
| Alberto Mesquita
Filho |
1, 3, 9, 14, 19, 20, 24, 27, 29, 32 |
| Antonio Brito |
12, |
| Eloy Labatut |
8, 13, 17, |
| Fabio Augusto da
Costa Carvalho Chalub |
31 |
| Flávio Tadeu |
11, |
| Giovanni Drogo |
4, 7, |
| Lucio de Souza
Coelho |
2, 5, 6, 16, 21, 25, 26, 28, 30, 33 |
| Luis Hamilton |
18, 22, 23, |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Segunda Feira, 9 de Fevereiro de 1998 14:35
No grupo uol.avisos, Edmilson Alves de Moraes escreveu:
Assunto: Engenheiros
Alguem conhece algum news onde se pode discutir assuntos
ligados a engenharia????
Acredito que aqui (uol.ciencia) é o melhor local para deixar a resposta, bem como para
abrir o espaço a discussões.
Então, lá vai:
No servidor "news.internetcom.com.br" existem os grupos:
eng2001.ensino.virtual
eng2001.nova.engenharia
Observação: você vai ter que agitar esses grupos, pois a média de artigos é
aproximadamente 1 a cada dois meses e em geral relacionados a "como conseguir
dinheiro", "erotismo", etc.
Aliás, praticamente não existem grupos acadêmicos movimentados no Brasil. Os
universitários brasileiros (pelo menos os das áreas que tenho procurado - exatas,
biológicas e educação) não escrevem nem em português nem em inglês. Nossos centros
de pós-graduação ignoram a Usenet. Nossos cientistas têm medo de emitir uma opinião
pessoal. Se você não acredita, consulte, por alguns dias, os grupos
brasil.ciencia.capes, brasil.ciencia.cnpq, brasil.ciencia.fisica, etc.
Há alguns anos atrás o saudoso Otto Lara Rezende, imortal das letras (falecido)
escreveu: "O Brasil começou com uma carta, a do Caminha. E a partir daí, ninguém
escreveu mais nada. O brasileiro tem ojeriza de cartas e árvores."
Faço apenas uma correção ao pensamento do Otto. Onde ele diz "O
brasileiro" eu diria "O acadêmico brasileiro". O
news.uol.com.br é uma
prova de que o brasileiro não tem ojeriza de cartas. No entanto, eu gostaria de fazer uma
pesquisa: Quantos, dentre os que utilizam este espaço (o news.uol.com.br) são
acadêmicos, ou seja, "indivíduos que militam em universidades e/ou centros de
pesquisas e/ou entidades equivalentes"?
Pobre o país no qual seus "cérebros" têm medo de se expor à opinião
pública. Será que o MEC, a Capes, o CNPQ, a SBPC, a ABC, etc. não se dão conta deste
absurdo? Onde estão os cientistas brasileiros? [Esta questão eu coloquei em vários
grupos brasileiros por várias vezes, e praticamente não obtive respostas, a não ser de
pessoas que apoiavam o meu gesto]. Não venham me dizer que não existem cientistas no
Brasil. De acordo com as estatísticas existem pelo menos 50.000 pessoas que recebem
salários provenientes do seu imposto de renda para exercer atividades científicas no
Brasil. Pode não ser muito, mas o suficiente para preencher os parcos grupos acadêmicos
que possuimos com uma infinidade de artigos; ou até mesmo os grupos leigos, como este ou
os demais do uol.
[ ]s e espero ter ajudado
Alberto
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2 |
Discussão
que se seguiu ao tema acima apresentado
De: Lucio D. Coelho
Data: Segunda Feira, 9 de Fevereiro de 1998 16:25
Alberto Mesquita Filho
wrote:
[snip]
Faço apenas uma correção ao pensamento do Otto. Onde ele
diz "O brasileiro" eu diria "O acadêmico brasileiro". O
news.uol.com.br é uma prova de que o brasileiro não tem ojeriza de cartas. No entanto,
eu gostaria de fazer uma pesquisa: Quantos, dentre os que utilizam este espaço (o
news.uol.com.br) são acadêmicos, ou seja, "indivíduos que militam em universidades
e/ou centros de pesquisas e/ou entidades equivalentes"?
Eu sou um "acadêmico", sou aluno de Doutorado em Ciência da
Computação na UFMG.
[snip]
Não venham me dizer que não existem cientistas
no Brasil. De acordo com as estatísticas existem pelo menos 50.000 pessoas que recebem
salários provenientes do seu imposto de renda para exercer atividades científicas no
Brasil. Pode não ser muito, mas o suficiente para preencher os parcos grupos acadêmicos
que possuimos com uma infinidade de artigos; ou até mesmo os grupos leigos, como este ou
os demais do uol.
Talvez existam MUITOS freqüentadores dos news de "leigos" que
sejam "acadêmicos". Lembro que um amigo meu que estudava Fisica em Sao Carlos
(o Raul Habesch, talvez você lembre dele de outros artigos) uma vez comentou que ele
reconheceu varios nomes acadêmicos paulistas neste news da UOL.
Acho que grupos de discussão específicos para discutir assuntos
acadêmicos, como os brasil.ciencia.capes, brasil.ciencia.cnpq e brasil.ciencia.fisica que
você citou, não deslancham porque o melhor lugar para discutir assuntos acadêmicos de
maneira formal e em publicações científicas, congressos e seminários. Mas, se você
está a fim de uma discussão informal a respeito de algum assunto científico, é melhor
ir para um newsgroup de "leigos"; você sempre acha discussoes
interessantíssimas aqui nos uol.ciencia.* e, além de discutir assuntos
técnico-científicos com um bom nível, você ainda tem a oportunidade de divulgar
ciência para "leigos".
[ ]s e espero ter ajudado
[ ]s e espero ter ajudado
Alberto
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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3 |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Segunda-Feira, 9 de Fevereiro de 1998 18:41
Caro Lucio
Respeito sua posição em defesa dos cientistas e/ou
acadêmicos brasileiros. Sinceramente falando, eu também pertenço a esta elite cultural
e não me envergonho disto. As raízes do problema que estou aqui colocando são muito
profundas, e me remetem à decada de 70 quando eu participava da formação de médicos
junto ao Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
Quando eu digo que o cientista brasileiro não escreve, não pretendo com isto ofender
os meus colegas. O que quero deixar bem claro é que o nosso sistema de ensino, e isso
começa no primeiro grau, deixa nossos compatriotas amedrontados. Exige-se do acadêmico
brasileiro uma perfeição que não é cobrada em lugar nenhum do mundo. Até mesmo aqui,
no UOL, tenho notado críticas que deixam muito a desejar e que me fazem lembrar do
comercial do garoto que corrigia o seu pai: "Não é um aviãozinho, pai, é um
Phantom F-100".
Sou editor de uma revista acadêmica e noto, com grande freqüência, o medo que o
acadêmico tem de expor os seus erros de português, mesmo sabendo que eu não vou ligar a
mínima para isso, desde que o artigo tenha conteúdo científico. Afinal, a revista tem
uma equipe de revisores de língua portuguesa. Este medo adquire-se na escola brasileira,
e até mesmo na sociedade que tem por costume criticar a forma e ignorar o conteúdo. Se
você está fazendo doutorado, muito em breve deverá apresentar uma tese. Cuidado!
Assisti uma infinidade de defesas de teses. Via de regra, o candidato sabe mais do que a
banca, e isto não representa nenhum demérito à banca, posto que a tese é (ou deveria
ser) do candidato. É comum um membro da banca, afim de "aparecer" para os seus
pares, efetuar críticas aos erros de datilografia, de português, de desenho, de
formatação, etc., e não comentar nada sobre o assunto em foco. Concordo que uma tese
deva ser bem escrita, mas concordo também que alguém que se digna a comparecer a uma
banca tem por obrigação comentar sobre o conteúdo da tese, ainda que com a humildade
(que caracteriza os grandes cientistas) de dizer que não entende muito do assunto, posto
que não milita na "ultraespecialização" do candidato.
Perceba que qualquer um pode escrever uma tese sem erros de português, mesmo que não
domine a língua pátria: é suficiente contratar um revisor competente. O que tem isso a
ver com a tese em si?
Este medo não se restringe a erros de português. Ensina-se, em nossas universidades,
que o brasileiro deve ser perfeito. Ora, isto vai contra a filosofia da Usenet, ou mesmo
da dialética grega. Se eu fosse perfeito, você não precisaria responder às minhas
idéias. Seria suficiente assimilá-las. O diálogo não é devidamente estimulado nas
academias brasileiras.
Procure observar os newsgroups de outros países. Quanta besteira se escreve lá! E
não obstante, quanto se aprende com isso! Quer um exemplo? Dirija-se ao
"sci.physics.relativity" e observe a discussão iniciada em dezembro passado
sobre "crackpot" (134 artigos até hoje) [crackpot = biruta, maluco, pateta =
cientista maluco] ou então "Enemies of science" (62 artigos entre 17 de janeiro
e 6 de fevereiro/98). Perceba que são artigos de interesse geral (você encontrará lá
também muita coisa boa e/ou péssima sobre relatividade). Este grupo, internacional,
recebe aproximadamente 50 artigos por dia. Não me lembro de ver postado neste grupo (bem
como em nenhum dos outros que freqüento), nos últimos meses, algum artigo com a marca
Brasil e que não tenha sido de minha autoria. Não sou um físico relativista, escrevo
muita bobagem, e aprendo muito com isto, pois os estrangeiros mostram-se dispostos a
dialogar comigo, coisa que dificilmente consigo fazer no Brasil, a não ser em grupos não
acadêmicos. Noto também que, embora escreva num inglês péssimo, com freqüência chego
a ser elogiado pelo fato de conseguir me comunicar numa língua estrangeira. Ou seja, os
estrangeiros estimulam até mesmo aqueles que não conseguem escrever com perfeição
(Exatamente o oposto do que se verifica aqui no Brasil). É por isso que os grupos
internacionais ficam, dia a dia, mais procurados. E é pelo oposto que os grupos da capes
e/ou do cnpq não conseguem gerar nada que não seja erotismo, comerciais, "ganhe
dinheiro fácil", etc.
A discussão seria muito mais longa, mas eu gostaria de ouvir a opinião dos demais,
pois não sou o dono da verdade. Espero ter conseguido estimular os colegas que, como
você, se tocaram com o que eu disse. Não quero com isso desmoralizar o meu
país mas, sim, estimular os meus colegas para que deixem de lado a atitude covarde que
aprenderam em nossas universidades. É errando que se aprende. Saiam do pedestal antes que
a esclerose os derrube.
Em resposta a alguns de seus questionamentos:
Eu sou um "acadêmico", sou aluno de Doutorado em
Ciência da Computação na UFMG.
A ciência da computação, por motivos óbvios, é um pouco menos ausente que as
demais. Mas ainda assim os cientistas da área ficam a nos dever muito.
Talvez existam MUITOS freqüentadores dos news de
"leigos" que sejam "acadêmicos". Lembro que um amigo meu que estudava
Física em São Carlos (o Raul Habesch, talvez você lembre dele de outros artigos) uma
vez comentou que ele reconheceu vários nomes acadêmicos paulistas neste news da UOL.
Exceções existem. Perceba que, não fosse o Raul exceção, não haveria lógica na
sua frase "talvez você lembre dele de outros artigos". Seria o mesmo que
localizar uma "agulha no palheiro". Parabéns ao Raul e também a você, Lucio.
Vamos tentar aumentar o número de acadêmicos, afim de que possamos nos reunir não num
grupo de "ciencia", mas num grupo de nossa especialidade; e que não seja só em
"computação".
...o melhor lugar para discutir assuntos acadêmicos de
maneira formal é em publicações científicas, congressos e seminários.
Concordo. Mas não estou me referindo a maneiras formais. Perceba que a ciência
começa pela intuição. E a melhor maneira para estimular insights é através
de diálogos informais. Somente após o insight (ou estalo) é que o cientista
recorre ao método científico; e somente após recorrer ao método científico é que ele
terá condição de submeter seu trabalho a uma "avaliação pelos pares", o que
se dá em congressos, seminários e publicações científicas.
Mas, se você está a fim de uma discussão informal a
respeito de algum assunto cientifico, é melhor ir para um newsgroup de
"leigos"; você sempre acha discussões interessantíssimas aqui nos
uol.ciencia.* e, além de discutir assuntos técnico-científicos com um bom nível, você
ainda tem a oportunidade de divulgar ciência para "leigos".
Concordo também com esta observação. Este grupo é muito bom. O que não significa
que não possam existir outros mais acadêmicos, como soe acontecer no resto do mundo, e
que funcionam. E, importante: muitos estão abertos para os leigos (os grupos não
moderados).
[ ]s
Alberto
PS: Aos críticos formais: Desculpe pelos possíveis erros de português e/ou de
datilografia e/ou de conteúdo. Se eu tivesse tempo para efetuar tais correções, ou
estivesse disposto a gastar dinheiro para que alguém as corrigisse, eu não postaria
neste newsgroup. Ou jogaria fora, por não concordar com o que escrevi, ou então
procuraria um local mais formal para apresentar, como por exemplo, um Congresso de
Educação, uma Revista do ramo, etc.
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4 |
De: Giovanni Drogo
Data: Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 1998 22:25
Infelizmente (e digo isso com a maior sinceridade), tenho
que concordar com o Sr. Alberto. Na pós-graduação brasileira vigora uma espécie de
lei do silêncio que não só protege os incompetentes, mas também tolhe os talentosos.
Sou mestrando da USP, membro da comissão discente, e temos tido uma enorme dificuldade de
manter reuniões mensais (isso mesmo, mensais) entre os alunos. Os simpósios e
seminários que organizamos, por sua vez, recebem um grande número de
"não-acadêmicos", que participam e enriquecem os debates, enquanto os
próprios acadêmicos da USP se ausentam das discussões. A impressão que se pode ter é
a de que ninguém tem nada a dizer a ninguém. Cada qual em sua área, muito bem protegido
pela restrição teórica, evitando discussões mais amplas ("infelizmente, não me
sinto autorizado a discutir tal tema" é o que mais se ouve).
De minha parte, prefiro disparar minhas besteiras, ouvir as críticas, revidá-las
quando é o caso, aceitá-las e corrigir meus pressupostos quando sou convencido, enfim,
ser um "ser vivo" na comunidade acadêmica. Prudência e caldo de galinha não
fazem mal a ninguém, mas, quando em excesso, provocam covardia e anemia.
Abraços a todos do
Giovanni Drogo.
===============
PGP 2.63ia fingerprint: 3140 78C1 3F64 DDD1 7058 109B 04CE 0D11
PGP 5.0i fingerprint: 9EEE AEA1 F92B DCBD C858 E511 EF41 F930 D2A8 5B77
P.S.: Sobre a questão dos "erros de português", não posso ver baixeza maior
que desqualificar alguém por não se utilizar do mesmo discurso que nós. Como diria
Barthes, "que se pare de excluir por motivo de ortografia". Como já disse um
caipira, "num é nóis que num sabe falá, é ôceis que num sabe ouvi".
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5 |
De: Lucio D. Coelho
Data: Terça-feira, 10 de Fevereiro de 1998 17:54
Alberto Mesquita Filho wrote:
Caro Lucio
Caro Alberto
[snip]
Quando eu digo que o cientista brasileiro não escreve, não
pretendo com isto ofender aos meus colegas. O que quero deixar bem claro é que o nosso
sistema de ensino, e isso começa no primeiro grau, deixa nossos compatriotas
amedrontados. Exige-se do acadêmico brasileiro uma perfeição que não é cobrada em
lugar nenhum do mundo. Até mesmo aqui, no UOL, tenho notado críticas que deixam muito a
desejar e que me fazem lembrar do comercial do garoto que corrigia o seu pai: "Não
é um aviãozinho, pai, é um Phantom F-100".
Quero ressaltar que em nenhum momento achei que você estava ofendendo nossos colegas. Na
verdade, quero parabenizá-lo pela sua iniciativa, que considero extremamente saudável; a
sua atitude de fazer os acadêmicos aqui presentes mostrarem a sua cara. Tenho esperança
de que isso possa servir de alento para muitos dos leigos que nos lêem, saberem que o
Brasil não é um deserto científico e que existem cientistas brasileiros.
Acho isso sobremaneira importante especialmente para os jovens - que são uma
significativa parcela dos usuários da Internet. Quem sabe esse nosso debate não pode
estimular alguns deles a abraçar uma carreira científica? Vou abusar um pouquinho da
paciência de vocês e relatar minha própria experiência pessoal nesse aspecto. Desde
criança, sempre fui muito interessado em Ciência e Tecnologia, mas então os
"cientistas" eram para mim entidades semi-lendárias envoltas em mistério,
pessoas vestidas com guarda-pós brancos trabalhando em laboratórios escondidos em algum
lugar - *certamente* fora do Brasil, já que só ouvia falar de cientistas estrangeiros.
Assim, embora a pesquisa científica muito me interessasse, considerava nulas as chances
de me tornar um cientista, já que eu era - de acordo com a imagem que formei na minha
cabeça - um pobre cidadão de um país sem Ciência. Olhando para esse sombrio passado,
acho quase miraculoso o fato de que, ao longo do tempo, eu tenha descoberto que existe
pesquisa científica no Brasil e me tornado um agente desse processo.
Sou editor de uma revista acadêmica e noto, com grande
freqüência, o medo que o acadêmico tem de expor os seus erros de português, mesmo
sabendo que eu não vou ligar a mínima para isso, desde que o artigo tenha conteúdo
científico. Afinal, a revista tem uma equipe de revisores de língua portuguesa. Este
medo adquire-se na escola brasileira, e até mesmo na sociedade que tem por costume
criticar a forma e ignorar o conteúdo. Se você está fazendo doutorado, muito em breve
deverá apresentar uma tese. Cuidado!
Sim, entendo o seu conselho! ;-)
Assisti uma infinidade de defesas de teses. Via de regra, o
candidato sabe mais do que a banca, e isto não representa nenhum demérito à banca,
posto que a tese é (ou deveria ser) do candidato. É comum um membro da banca, a fim de
"aparecer" para os seus pares, efetuar críticas aos erros de datilografia, de
português, de desenho, de formatação, etc., e não comentar nada sobre o assunto em
foco. Concordo que uma tese deva ser bem escrita, mas concordo também que alguém que se
digna a comparecer a uma banca tem por obrigação comentar sobre o conteúdo da tese,
ainda que com a humildade (que caracteriza os grandes cientistas) de dizer que não
entende muito do assunto, posto que não milita na "ultraespecialização" do
candidato.
Sim, concordo, infelizmente já tive oportunidade de observar em ação o personagem
que você descreveu acima, durante defesas de tese que já assisti.
[snip]
Procure observar os newsgroups de outros países. Quanta
besteira se escreve lá! E não obstante, quanto se aprende com isso! Quer um exemplo?
Dirija-se ao "sci.physics.relativity" e observe a discussão iniciada em
dezembro passado sobre "crackpot" (134 artigos até hoje) [crackpot = biruta,
maluco, pateta = cientista maluco] ou então "Enemies of science" (62 artigos
entre 17 de janeiro e 6 de fevereiro/98). Perceba que são artigos de interesse geral
(você encontrará lá também muita coisa boa e/ou péssima sobre relatividade). Este
grupo, internacional, recebe aproximadamente 50 artigos por dia. Não me lembro de ver
postado neste grupo (bem como em nenhum dos outros que freqüento), nos últimos meses,
algum artigo com a marca Brasil e que não tenha sido de minha autoria. Não sou um
físico relativista, escrevo muita bobagem, e aprendo muito com isto, pois os estrangeiros
mostram-se dispostos a dialogar comigo, coisa que dificilmente consigo fazer no Brasil, a
não ser em grupos não acadêmicos. Noto também que, embora escreva num inglês
péssimo, com freqüência chego a ser elogiado pelo fato de conseguir me comunicar numa
língua estrangeira. Ou seja, os estrangeiros estimulam até mesmo aqueles que não
conseguem escrever com perfeição (Exatamente o oposto do que se verifica aqui no
Brasil). É por isso que os grupos internacionais ficam, dia a dia, mais procurados. E é
pelo oposto que os grupos da capes e/ou do cnpq não conseguem gerar nada que não seja
erotismo, comerciais, "ganhe dinheiro fácil", etc.
Já experimentei os newsgroups científicos estrangeiros, mas aí vou discordar de você
porque não os considero *tão* produtivos assim. A impressão que tive (e admito que pode
ter sido uma impressão errônea, causada pela coleta de dados "viciados") foi
de que 90% dos artigos lá postados podem ser classificados como batalhas de vida e morte
entre dois ou mais freqüentadores, cada um querendo provar a todo custo que está certo e
ignorando a argumentação do outro. Em outras palavras, soam como um bando de
cabeças-duras. Posso estar sendo politicamente incorreto ao emitir essa opinião, mas
acho que talvez tenha a ver com a atitude dos americanos (e a maioria dos freqüentadores
me parece ser dos US) de sempre querer vencer em tudo. (Já notaram que um dos piores
insultos para eles e ser chamado de "looser" - perdedor?)
Já aqui no UOL, encontrei finalmente meu, digamos, "news-nicho". Aqui os
debates são na maior parte das vezes conduzidos com respeito pela opinião alheia e com a
mente aberta para novas idéias. É claro que existem as exceções inconvenientes, mas
elas não são as regras, como tive a impressão de ser o caso nos newsgroups científicos
estrangeiros.
A discussão seria muito mais longa, mas eu gostaria de ouvir
a opinião dos demais, pois não sou o dono da verdade. Espero ter conseguido estimular os
colegas que, como você, se tocaram com o que eu disse. Não quero com isso desmoralizar o
meu país mas, sim, estimular os meus colegas para que deixem de lado a atitude covarde
que aprenderam em nossas universidades. É errando que se aprende. Saiam do pedestal
antes que a esclerose os derrube.
Sim! Sim! Apoiado.
A ciencia da computação, por motivos óbvios, é um pouco
menos ausente que as demais. Mas ainda assim os cientistas da área ficam a nos dever
muito.
De fato, ficam. Às vezes me horrorizo ao constatar como muitos dos meus colegas - que
lidam, afinal de contas, com tecnologias de informação - ignoram completamente diversas
oportunidades maravilhosas oferecidas pela Internet, como os newsgroups. Dos vários
colegas do meu Departamento com hábitos "internéticos" conhecidos por mim,
acho que sou um dos dois ou três únicos que visitam newsgroups fora da universidade. A
maioria apenas consulta newsgroups departamentais para saberem notícias como a data
limite de matrícula e outras trivialidades; e diversos grupos departamentais dedicados a
áreas de pesquisa ficam jogados às moscas.
[snip]
[ ]s
[]s
Alberto
PS: Aos críticos formais: Desculpe pelos possíveis erros de
português e/ou de datilografia e/ou de conteúdo. Se eu tivesse tempo para efetuar tais
correções, ou estivesse disposto a gastar dinheiro para que alguém as corrigisse, eu
não postaria neste newsgroup. Ou jogaria fora, por não concordar com o que escrevi, ou
então procuraria um local mais formal para apresentar, como por exemplo, um Congresso de
Educação, uma Revista do ramo, etc.
Acho que muita gente deve estar vestindo as carapuças ao ler seu parágrafo. ;-) Também
acho TERRÍVEL essa mania de criticar erros de Português dos outros. Quilobytes de texto
sao gastos discutindo-se a codificação de uma idéia em um lugar onde a idéia em si
deveria ser discutida.
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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6 |
De: Lucio D. Coelho
Data: Terça-feira, 10 de Fevereiro de 1998 18:04
Giovanni Drogo wrote:
[snip]
Cada qual em sua área, muito bem protegido pela restrição
teórica, evitando discussões mais amplas ("infelizmente, não me sinto autorizado a
discutir tal tema" é o que mais se ouve).
A compartimentalização acadêmica é mesmo um fenômeno lamentável. Tenho a
felicidade de, no Brasil, participar de um grupo de pesquisa que tem sempre reuniões
semanais onde o estado da pesquisa de cada um é exposto e assim todos tem noção do que
a coletividade está fazendo. Mas noto que só existem mais uns dois ou três grupos com
coesão similar no meu Departamento, e cada um é um universo estanque que não sabe o que
os outros estão fazendo.
Só não sei se essa é uma peculiariadade própria do Brasil. No momento, estou
fazendo um estágio de curta duração aqui na University of Pennsylvania, e o
que noto no laboratório onde trabalho é que *cada indivíduo* é um universo isolado,
como as monadas descritas por Leibniz, sem ter qualquer consciência do que os outros
estão fazendo. É claro que vez por outra aparecem palestras e seminários de
divulgação do que cada um está fazendo, e meu orientador aqui tenta sinceramente manter
nosso grupo coeso, mas até agora não tenho visto resultados muito palpáveis como frutos
desses esforços.
[snip]
Abraços a todos do
Abracos!
Giovanni Drogo.
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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| 7 |
De: Giovanni Drogo
Data: Terça-feira, 10 de Fevereiro de 1998 20:36
Lucio D. Coelho escreveu na mensagem
<34E0C0EF.DA9FDB66@grip.cis.upenn.edu>...
Só não sei se essa e uma peculiariadade própria do Brasil.
No momento, estou fazendo um estágio de curta duração aqui na University of
Pennsylvania, e o que noto no laboratório onde trabalho é que *cada indivíduo* é um
universo isolado, como as monadas descritas por Leibniz, sem ter qualquer consciência do
que os outros estão fazendo. É claro que vez por outra aparecem palestras e seminários
de divulgação do que cada um esta fazendo, e meu orientador aqui tenta sinceramente
manter nosso grupo coeso, mas até agora não tenho visto resultados muito palpáveis como
frutos desses esforcos.
Eu falei apenas no Brasil porque realmente não possuo nenhum subsídio para falar
desse fenômeno no resto do mundo. A situação que você descreve, no entanto, confirma
minha suspeita de que a "compartimentalização" do saber é um evento mundial.
Até certo ponto, parece-me inevitável. Para falar de minha área específica, não me
parece absurdo que um lingüista adepto de Chomsky e outro, adepto de Milner, por exemplo,
não tenham muito o que dizer um ao outro, já que partem de pressupostos teóricos muito
diferentes. O problema é quando cientistas que compartilham os mesmos pressupostos
simplesmente não se dão conta do trabalho um do outro. A impressão que fica é que, a
cada nova "tese", a cada novo trabalho, o caminho percorrido é o mesmo. Seria
mais ético, mais fácil, mais coerente, se avaliássemos o caminho que nossos colegas já
percorreram e, se julgarmos conveniente, partirmos do ponto onde ele parou. Assim,
chegaríamos a algum lugar. Mas, infelizmente, como eu disse e você mesmo reafirma, não
é o que ocorre.
Um grande abraço do
Giovanni Drogo.
===============
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| 8 |
De: Eloy Labatut
Data: Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 1998 13:50
Peguei o papo pela metade, mas vou me intrometendo e colocando minhas opinioes.
Bom, primeiramente tudo o que jah foi dito pelos colegas estah correto, porem foram
omitidos alguns fatos que pretendo listar abaixo e espero a opiniao de voces.
- A maioria dos "academicos" naum tem um interesse real pela ciencia, apenas
querem ter um diploma para poder ganhar um pouco mais.
- As ciencias "escolares" (Fisica, Biologia, Quimica, Letras, Filosofia,
Historia, e Geografia - curso esta ultima), geralmente limitam-se a formar licensiados que
naum sabem NADA, se formam levando o curso 'nas coxas' e vao dar aula em alguma escolinha
seguindo o livro (muitas vezes cheio de erros) que o MEC distribui.
- Este desinteresse faz com que a grande maioria use a internet (disponivel nas
universidades) para fins futeis (chats, jogos, etc).
- Os realmente interessados pela ciencia geralmente desconhecem os neswgroups, ou ateh
sabe que eles existem mas naum sabem como usar, limitando-se a trocar e-mails com colegas
de outras universidades.
- Os grupos sobre capes, cnpq, etc, naum sao divulgados, sou bolsista de iniciacao
cientifica do cnpq e nem o meu orientador nem eu sabiamos que existiam estes grupos (na
verdade ja tinha visto uma vez, mas como a unica mensagem foi a minha e ninguem
respondeu... nem lembro mais o nome do servidor).
- Os servidores de news das universidades, geralmente sao abertos apenas para quem eh da
universidade dificultando as discussoes.
Naum estou dizendo que o que descrevo acima eh a causa da preguica mental do
brasileiro, mas se fosse diferente talvez melhorasse um pouco.
Eloy Labatut de Oliveira
PS. os erros de portugues foram conscientes e necessarios, pois sei que nas
universidades, eh muito utilizado Unix, e Linux, o que as vezes faz que as mensagens
acentuadas fiquem ininteligiveis. O que as vezes tambem limita o uso por parte destes.
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| 9 |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Sábado, 14 de Fevereiro de 1998 03:27
Eloy Labatut escreveu na mensagem
<6c2v8s$490@oiapoque2.uol.com.br>...
Peguei o papo pela metade, mas vou me intrometendo e
colocando minhas opinioes.
Fique aa vontade e sede bem-vindo.
A maioria dos "academicos" naum tem um interesse real pela ciencia,
apenas querem ter um diploma para poder ganhar um pouco mais.
Eh verdade. Sob esse aspecto, naum (Gostei do naum) vou nem criticar. Como teria dito a
Erundina, o buraco eh mais embaixo.
As ciencias "escolares"(Fisica, Biologia, Quimica,
Letras, Filosofia, Historia, e Geografia - curso esta ultima), geralmente limitam-se a
formar licensiados que naum sabem NADA, se formam levando o curso 'nas coxas' e vao dar
aula em alguma escolinha seguindo o livro (muitas vezes cheio de erros) que o MEC
distribui.
Creio que voce esta certo, mas isto eh lamentavel. Voce se refere a areas fundamentais,
e que deveriam ser mais valorizadas, a ponto de receberem alunos de alto nivel.
Infelizmente a nossa sociedade naum valoriza suficientemente estas areas, a procura acaba
sendo pequena, a selecao quase naum ocorre, e o nivel cai. Algumas excecoes confirmam a
regra.
Os realmente interessados pela ciencia geralmente desconhecem
os neswgroups, ou ateh sabe que eles existem mas naum sabem como usar, limitando-se
a trocar e-mails com colegas de outras universidades.
Esta eh uma falha que existe mas que pode ser facilmente corrigida. Eh suficiente que a
midia academicista tenha vontade de lutar a favor da solucao. A esse respeito, eu continuo
com a ideia de que o mais dificil eh eliminar a atitude medrosa em se expor, produto do
perfeccionismo exagerado que nossas escolas incutem na cabeca dos alunos.
Os grupos sobre capes, cnpq, etc, naum sao divulgados, sou
bolsista de iniciacao cientifica do cnpq e nem o meu orientador nem eu sabiamos que
existiam estes grupos(na verdade ja tinha visto uma vez, mas como a unica mensagem foi a
minha e ninguem respondeu... nem lembro mais o nome do servidor).
Eu tenho a impressao de que os Conselheiros tanto da Capes quanto do Cnpq tambem
desconhecem a existencia destes grupos. Certa vez eu ja solicitei informacoes sobre o
servidor que mantem estes grupos mas nao obtive respostas. Exporadicamente, recebemos
respostas de algum brasileiro que estuda no exterior e que, talvez por saudade da patria,
acessou um destes grupos. Porem eles nao servem nem como meio de comunicacao entre os
estudantes brasileiros no exterior. Nao sei se existe algum grupo da SBPC, mas se naum
existir acho que ja esta na hora de ser criado. Aposto que seria mais movimentado do que
aqueles citados. Se existir, esta na hora de ser divulgado.
Os servidores de news das universidades, geralmente sao
abertos apenas para quem eh da universidade dificultando as discussoes.
Naum vejo mal nisso, desde que a utilizacao da Usenet pelos academicos naum se
restrinja aa esta "Intrausenet". Esta, a rigor, eh muito mais burocratica do que
academica, como ja se referiu o Lucio numa mensagem anterior.
Naum estou dizendo que o que descrevo acima eh a causa da
preguica mental do brasileiro, mas se fosse diferente talvez melhorasse um pouco.
Eu acho que o brasileiro naum eh preguicoso. Apenas acaba sendo desestimulado pela
propria universidade a se tornar produtivo. A universidade inibe os academicos em seus
contatos sociais. Perceba que naum estou me referindo aa rigidez quanto aa cobranca de
conhecimentos nas provas. Isto eu acho correto, pelo menos enquanto naum existir um
processo melhor de avaliacao de conhecimentos. Mas a universidade deveria tambem estimular
os alunos a que aprendessem pela participacao em discussoes abertas e a que tivessem
coragem para expor uma ideia propria, por absurda que fosse, que soubessem enfrentar seus
pares, enfim, que atingissem a maioridade referida por Kant.
[ ]s
Alberto
PS: Passei a escrever no sistema antigo apos ter verificado que o artigo estava
despertando a curiosidade de alguns academicos. Isto porque sei que muitos academicos
utilizam computadores institucionais que nao leem acentos nem c cedilha. Alias, esta
tatica eh utilizada tambem pelo JC-Email, da SBPC, veiculado diariamente (Se voce quiser
assinar eh so ir para o Web da SBPC -- Eh free).
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| 10 |
De: Adilson A. Freitas
Data: Sábado, 14 de Fevereiro de 1998 11:14
Eloy Labatut escreveu na mensagem
<6c2v8s$490@oiapoque2.uol.com.br>...
A maioria dos "academicos" naum tem um interesse
real pela ciencia, apenas querem ter um diploma para poder ganhar um pouco mais.
Nao sei ateh onde isto pode ser verdade. A situacao economica atual (diga-se os ultimos
10 anos) que estamos vivendo mostra que se alguem estah querendo um diploma para ganhar
mais eh melhor pensar duas vezes antes de cursar algo. Nao sei se podemos usar a palavra
"academico" quando nos referimos aa graduacao. A graduacao nos mostra que temos
opcoes: seguir uma carreira academica (pos graduacao e tudo mais) ou nao. A enfase dada ao
lado mais teorico e menos pratico em alguns cursos publicos eh por causa do vinculo dos
professores com a pesquisa. Se o aluno se nao interessa por esse ponto de vista nao
podemos culpa-lo.
As ciencias "escolares"(Fisica, Biologia, Quimica,
Letras, Filosofia, Historia, e Geografia - curso esta ultima), geralmente limitam-se a
formar licensiados que naum sabem NADA, se formam levando o curso 'nas coxas' e vao dar
aula em alguma escolinha seguindo o livro(muitas vezes cheio de erros) que o MEC
distribui.
Discordo totalmente. Como toda a generalizacao, esta tambem estah errada. Eu faco
quimica na USP e nao sairei como licenciado. Ontem fui na colacao de grau de uma turma de
quimica onde se formaram 43 alunos e nenhum fez licenciatura exclusivamente. De todos, soh
4 sairao como bacharel e licenciado e o resto como bacharel e quimico industrial. Se quem
sai como licenciado nao sabe nada eh porque nao soube aproveitar a graduacao para diminuir
possiveis deficiencias herdadas do 1 e 2 graus, mas aqui entramos em outros problemas...
Este desinteresse faz com que a grande maioria use a internet
(disponivel nas universidades) para fins futeis(chats, jogos, etc).
Isto eh verdade. Muitos idiotas ainda nao descobriram o potencial da rede e perdem a
graduacao com isso, torrando os impostos que pagamos.
Os realmente interessados pela ciencia geralmente desconhecem
os neswgroups, ou ateh sabe que eles existem mas naum sabem como usar, limitando-se a
trocar e-mails com colegas de outras universidades.
Aqui falo pela minha humilde experiencia. Em quimica vamos em muitos congressos,
palestras, etc, o que acaba sendo mais importante do que os news, por exemplo. Alem disso,
alguns servidores de news estao em pessimas condicoes e acabam sendo desativados.
Os grupos sobre capes, cnpq, etc, naum sao divulgados, sou
bolsista de iniciacao cientifica do cnpq e nem o meu orientador nem eu sabiamos que
existiam estes grupos(na verdade ja tinha visto uma vez, mas como a unica mensagem foi a
minha e ninguem respondeu... nem lembro mais o nome do servidor).
Nunca tinha ouvido falar que existia tais grupos. O CNPq deixa a desejar mesmo quando
precisamos de informacoes sobre a entrega de relatorios nossos.
Os servidores de news das universidades, geralmente sao
abertos apenas para quem eh da universidade dificultando as discussoes.
Sorte de quem nao tem acesso, pois nao perde tempo com servicos que nao funcionam
direito.
PS. os erros de portugues foram conscientes e necessarios,
pois sei que nas universidades, eh muito utilizado Unix, e Linux, o que as vezes faz que
as mensagens acentuadas fiquem ininteligiveis. O que as vezes tambem limita o uso por
parte destes.
Obrigado pela solidariedade com relacao aos acentos. Uso Unix e Linux e eh um saco
ficar decifrando as palavras que foram acentuadas, mas eles nao sao limitados :)
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| 11 |
De: Flávio Tadeu
Data: Domingo, 15 de Fevereiro de 1998 03:20
Apenas um complemento para a mensagem de Adilson A.
Freitas, acima:
Os acadêmicos não usam a usenet como deveriam devido ao fato de na maioria dos
servidores existir muito lixo, tipo "como ganhar dinheiro..." e também a uma
grande quantidade de leigos que se metem a cientistas, onde acabam dificultando a parte
séria, então fica mais fácil mandar e-mails para as pessoas que realmente atuam !!
Flavio - Engenheiro quimico -Unicamp
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| 12 |
De: Antonio Brito
Data: Domingo, 15 de Fevereiro de 1998 13:03
Em resposta à msg de Lucio de Souza Coelho, de
10 de Fevereiro de 1998 17:54
Caro Lucio e pessoal do grupo,
Com licensa. Porém o tema me empolga. Não vivo mais no Olimpo acadêmico, embora
gravite em torno dele. Deste modo talvez posso ver as coisas de outros ângulos. A
verdade é: o cientista brasileiro tem medo de se expor. Não se exige tanto. Frequentei
conferencias de ciencia no exterior e vi um sujeito da plateia malhando as ideias de um
premio Nobel. Veja bem o que se discute é a ideia, e não a pessoa. Aqui a pessoa vem
antes de tudo. Se o sujeito é seu amigo, vota com você, tanto faz se ele e competente ou
não. Se ele puder julgar um trabalho seu no futuro, então ele e inatacável. As
posições na universidade sao fixas. O indivíduo que entra como professor em uma
universidade vai morrer nela. Na verdade o critério de contratação na Universidade é:
Este sujeito irá votar com a gente, não representa perigo para o sistema, então ele é
um candidato em potencial, não importa se ele é ou não competente.
Nos Estados Unidos o professor tem que se expor e vender seu peixe a todo momento. O
contrato é por dois anos e se renova. Tanto faz se um indivíduo tem 25 ou 60 anos, o que
importa é quanto de saber, publicação ele irá trazer para o departamento. Se ele ficar
parado, não produzir tanto para a comunidade, como na didática, como na pesquisa ele
fica sem contrato e vai ter que batalhar em outra universidade. Por isto: Para que o
cientista brasileiro tem que se expor, quer na internet, quer para o publico em geral? Ele
só busca coisas que acrescentem algo a sua vaidade, o resto está assegurado. Além do
mais os medíocres irão atacá-lo dizendo que quer aparecer.
Talvez dos jovens que estejam buscando um espaço hoje, possa sair uma nova safra de
cientistas. Porém quando vejo o conformismo da juventude, a ânsia que eles tem para
alcançar um lugar ao sol, ou melhor à sombra, a falta de paixão ao estudo e à pesquisa
dedicada, faz temer pelo futuro. Sou formado na década de 70, onde emprego não era
problema sério e estudava-se porque tinha prazer no estudo e pesquisa. Na época, quem
tinha um pouco de consciência social fazia Licenciatura e Bacharelado, meu caso em
Física e da minha esposa em Biologia.
Hoje nem sei o que se passa com os licenciados ou com a formação de professores de
ciências. Só sei que os professores dos meus filhos são mais conservadores e
reacionários do que os meus professores da década de 60. Não vêem a ciência como algo
dinâmico e têm medo de se expor. Por exemplo: Vendo no Brasil um software de
modelagem química que é uma excelente ferramenta para visualizar moléculas. Disse a
professora de minha filha, de uma escola técnica em química, que poderia ir lá fazer
uma demonstração aos alunos, sem objetivo de vender nada. A professora disse que não
entendia nada de modelamento e não precisava. Como se dizia na década de 70, não existe
nada mais autoritário, conservador e reacionário do que: escola, hospital e quartel.
Dica: veja o site da Unicamp, (www.unicamp.br)
a única com os currículos dos pesquisadores. Você terá uma grande
surpresa. Muita gente considerada "boa" não tem mais do que 3 trabalhos
publicados, em geral a própria tese de doutorado.
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| 13 |
De: Eloy Labatut
Data: Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 1998 03:50
Desculpem se o que falei soou meio generico, mas se
formos analisar o todo (o Brasil inteiro) veremos que a grande maioria faz licenciatura.
Porque? Por que eh mais facil fazer o estagio obrigatorio do que a monografia, muitos
simplesmente naum tem nem capacidade. Substituindo o 'ganhar mais e melhor' por 'ganhar
mais facil o suficiente para viver' tambem eh valido.
Concordo com a definicao de "academico", afinal estar fazendo uma graduacao e
ir assistir aulas naum eh ser academico, mas muitos graduandos sao academicos, por
exemplo, eu(desculpem o egocentrismo : ) ) como jah disse estou no 3o. ano de Geografia,
vou fazer bacharelado e licenciatura, quero dar aulas e tambem trabalhar com pesquisa,
alias so ainda naum dou aulas porque o colegio que queria dar aulas(o mais perto de casa e
onde estudei) naum tinha vaga(por enquanto), tenho uma bolsa de iniciacao cientifica e
estou fazendo uma pesquisa sobre as enchentes em Curitiba. Eh possivel considerar a figura
em questao como academico?
Eu naum disse que o Linux eh limitado (alias estou rodando ele aqui em casa), eu disse
que ele limita as pessoas a utilizarem a Internet, pois para muitos o Linux eh um bicho de
1024 cabecas. ="havera um dia em que todos os computadores usarao Linux. AMEM!"=
O "naum" eh legalzinho mesmo! Para alguns sotaques fica estranho a pronuncia
(mesmo jah sabendo o significado da 'palavra' sempre leio naum como se escreve, ou seja
'naum'). EstE pEssOal do sul eh Estranho neh! ;)
[]'s
Eloy Labatut de Oliveira
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| 14 |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 1998 04:11
Eloy Labatut escreveu na mensagem
<6c8ktv$bv0@oiapoque2.uol.com.br>...
Concordo com a definicao de "academico", afinal
estar fazendo uma graduacao e ir assistir aulas naum eh ser academico, mas muitos
graduandos sao academicos...
... tenho uma bolsa de inicicao cientifica e estou fazendo uma pesquisa sobre as enchentes
em Curitiba. Eh possivel considerar a figura em questao como academico?
O termo academico (ou academia) eh muito generico, mas dia a dia vem adquirindo, nas
universidades, a conotacao que vimos adotando aqui nas discussoes [elemento que participa,
de alguma forma naum mecenica, da producao de conhecimentos]. Sob este aspecto eu diria
que os primeiros [os que apenas fazem uma graduacao] sao apenas universitarios; os
segundos, como eh o caso do Eloy, participam do academicismo no sentido platonico do
termo, e portanto enquadram-se na categoria apontada.
Eu naum disse que o Linux eh limitado...
Naum sei se alguem aqui disse isso, mas naum fui eu. O que eu posso ter dito eh que
muitos computadores lotados em instituicoes de ensino, por motivos que eu desconheco, mas
acredito que sejam de varios tipos, proporcionam dissabores ao usuario quando chega uma
mensagem com acentuacao. Como no passado isto era a regra, pode ser que eu tenha dado a
impressao de estar me referindo apenas a computadores obsoletos. Nao tive esta intencao.
Se o Linux for tao bom assim, que venha logo.
O "naum" eh legalzinho mesmo! Para alguns sotaques
fica estranho a pronuncia(mesmo jah sabendo o significado da 'palavra' sempre leio naum
como se escreve, ou seja 'naum'). EstE pEssOal do sul eh Estranho neh! ;)
Para quem mora em Saum Paulo, Curitiba naum estah taum no sul assim. Como diria o
mineiro, estah logo ali.
Obs: Acima, onde se le mecenica, eh mecenica mesmo, relativo a mecenas, e com acento
circunflexo; naum confundir com mecanica, também com acento, pois o significado muda.
[]'s
Alberto
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| 15 |
De: Adilson A. Freitas
Data: Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 1998 08:07
On Mon, 16 Feb 1998, Eloy Labatut wrote:
Concordo com a definicao de "academico", afinal
estar fazendo uma graduacao e ir assistir aulas naum eh ser academico, mas muitos
graduandos sao academicos, por exemplo, eu(desculpem o egocentrismo : ) ) como jah disse
estou no 3o. ano de Geografia, vou fazer bacharelado e licenciatura, quero dar aulas e
tambem trabalhar com pesquisa, alias so ainda naum dou aulas porque o colegio que queria
dar aulas(o mais perto de casa e onde estudei) naum tinha vaga(por enquanto), tenho uma
bolsa de inicicao cientifica e estou fazendo uma pesquisa sobre as enchentes em Curitiba.
Eh possivel considerar a figura em questao como academico?
Claro que sim. Eu tambem faco estagio em um laboratorio de Fisico-Quimica e pretendo
continuar trabalhando com pesquisa. Tambem considero que estou dirigindo meu curso para um
lado mais academico.
Eu naum disse que o Linux eh limitado (alias estou rodando
ele aqui em casa), eu disse que ele limita as pessoas a utilizarem a Internet, pois para
muitos o Linux eh um bicho de 1024 cabecas. ="havera um dia em que todos os
computadores usarao Linux. AMEM!"=
Eu sei, soh estava brincando :) Um dia ainda veremos esse Windows "qualquer
coisa" sendo queimado em praca puplica.
Adilson A. Freitas
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| 16 |
De: Lucio de Souza Coelho
Data: Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 1998 17:04
Antonio Brito wrote:
Caro Lucio e pessoal do grupo,
Caro Antonio e pessoal do grupo,
Com licensa. Porem o tema me empolga.
A nos tambem!
Não vivo mais no Olimpo acadêmico, embora gravite em torno
dele.
Voce tem certeza de que isto aqui e o Olimpo? Acho que esta mais para as oficinas do
Hefaistos dentro do Vesuvio! ;-)
Deste modo talvez posso ver as coisas de outros
angulos. A verdade é: o cientista brasileiro tem medo de se expor. Não se exige tanto.
Frequentei conferencias de ciencia no exterior e vi um sujeito da plateia malhando as
ideias de um premio Nobel. Veja bem o que se discute é a ideia, e não a pessoa. Aqui a
pessoa vem antes de tudo. Se o sujeito é seu amigo, vota com voce, tanto faz se ele e
competente ou não. Se ele puder julgar um trabalho seu no futuro, entao ele e inatacavel.
As posicoes na universidade sao fixas. O individuo que entra como professor em uma
universidade vai morrer nela. Na verdade o critérios de contratação na Universidade é:
Este sujeito irá votar com a gente, não representa perigo para o sistema, então ele é
um candidato em potencial, não importa se ele é ou não competente.
Confesso que sou completamente ignorante em relacao aos criterios de contratacao e
"manutencao" de professores no Brasil; sua informacao e uma novidade para mim,
como voce disse voce esta nos transmitindo imagens vistas de novos angulos. E com essas
mudancas que o governo vem fazendo com relacao aa contratacao e estabilidade de
funcionarios publicos, existe alguma possibilidade de essa situacao nas universidades
mudar? Ou alguma coisa ja mudou?
Nos Estados Unidos o professor tem que se expor e vender seu
peixe a todo momento. O contrato é por dois anos e se renova. Tanto faz se um individuo
tem 25 ou 60 anos, o que importa e quanto de saber, publicacao ele ira trazer para o
departamento. Se ele ficar parado, nao produzir tanto para a comunidade, como na didatica,
como na pesquisa ele fica sem contrato e vai ter que batalhar em outra universidade.
Certamente, esse e um sistema mais eficiente, e realmente o pessoal daqui e desesperado
por publicacoes e os orientadores tendem a espremer os estudantes ate a ultima gota de
publicacao. No entanto, isso produz um efeito colateral nao muito admiravel: o que eu
chamo de "geracao expontanea de publicacoes"; aas vezes voce acha um cara com
tres ou quatro artigos publicados (em congressos ou periodicos diferentes) que sao
exatamente a mesma coisa, apenas com palavras (principalmente no titulo) ou figuras
mudadas.
[snip]
Talvez dos jovens que estejam buscando um espaço hoje, possa
sair uma nova safra de cientistas. Porem quando vejo o conformismo da juventude, a
ansia que eles tem para alcançar um lugar ao sol, ou melhor a sombra, a falta de paixao
ao estudo e a pesquisa dedicada, faz temer pelo futuro.
Quando entrei na Universidade, e nos anos que se seguiram, nunca gostei muito do modo
como a maioria de meus colegas ou dos novos estudantes encarava o processo. A maioria
escolhia - e, temo, ainda escolhe - que curso iria fazer olhando as "cotacoes de
mercado" para aquele curso ou olhando a facilidade relativa de se passar no
vestibular para o tal curso escolhido.
Sou formado na década de 70, onde emprego não era problema
sério e estudava-se porque tinha prazer no estudo e pesquisa. Na época, quem tinha um
pouco de consciência social fazia Licenciatura e Bacharelado, meu caso em Física e da
minha esposa em Biologia.
No entanto, imagino que o *volume* de gente que entra na Universidade hoje em dia deve
ser maior do que era na decada de 60. Hoje as pessoas *tem* de estudar para conseguir
emprego, de modo que pessoas que nao se interessam em estudo - que, convenhamos, sao a
esmagadora maioria - estao sendo obrigados a adquirir conhecimentos. Embora a motivacao do
estudante medio esteja abaixo do que era nos anos 70, acho que esse maior volume de gente
tem seu lado bom - o nivel de educacao da populacao em geral deve estar crescendo, ainda
que so um pouquinho.
Hoje nem sei o que se passa com os licenciados ou com a
formação de professores de ciencias. So sei que os professores dos meus filhos são mais
conservadores e reacionários do que os meus professores da década de 60. Não vêm a
ciencia como algo dinamico e tem medo de se expor. Por exemplo : Vendo no Brasil um
software de modelagem quimica que é uma excelente ferramenta para visualizar moléculas.
Disse a professora de minha filha, de uma escola técnica em química, que poderia ir lá
fazer uma demonstração aos alunos, sem objetivo de vender nada. A professora disse que
não entendia nada de modelamento e não precisava. Como se dizia na década de 70, não
existe nada mais autoritário, conservador e reacionário do que: escola, hospital e
quartel.
O seu exemplo e mesmo de dar um no de desgosto no estomago! E acho que isso nao vem
acontecendo so com seus filhos. Ao longo de minha vida pre-universitaria, posso contar nos
dedos os professores que tive que eram realmente apaixonados pelo conhecimento que
transmitiam. A maioria apenas reproduzia mecanicamente os conhecimentos, como um gravador.
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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| 17 |
De: Eloy Labatut
Data: Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 1998 03:41
Alberto Mesquita Filho wrote:
Se o Linux for tao bom assim, que venha logo.
Ele eh bom e jah esta dominando o mercado de redes, alem do mais eh gratis, o preco que
vc paga eh pela midia que contem ele (o CD - ver www.cheapbytes.com).
O problema eh que ele naum eh tao bonitinho quanto o Ruwindos mas vc pode
customiza-lo deixando do jeitinho que vc quiser (ver www.sunsite.unc.edu/linux).
Para quem mora em Saum Paulo, Curitiba naum estah taum no sul
assim. Como diria o mineiro, estah logo ali.
Eh mexmo mermao, maix o sutaqui eh diferenti.
Eloy Labatut de Oliveira
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| 18 |
De: Luis Hamilton
Data: Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 1998 11:41
Senhores,
Eu tenho acompanhado esta discussão interessante desde o primeiro artigo e concordo
com o que parece ser a opinião mais geral por aqui: que os cientistas brasileiros são um
tanto quanto "escondidos" e que este NG pode ser um excelente canal de
divulgação do conhecimento (além de outros meios citados).
Ora, ao mesmo tempo, vários dos senhores se colocaram como cientistas ou acadêmicos.
Então, eu sugiro que, sem precisar parar a discussão daquela thread, os senhores
coloquem aqui novas discussões, possivelmente relacionadas aos trabalhos que vêm
desenvolvendo, para realmente estimular os leigos interessados, os estudantes (como eu) e
eventualmente outros cientistas a participarem destas discussões.
[]'s a todos
Luis Hamilton.
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| 19 |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 1998 16:24
Olá, Luis Hamilton
Pensei, ontem (17/02/98) em responder a esta mensagem, mas misteriosamente, algum
"hacker-censor" resolveu consumi-la juntamente com outras que diziam algumas
"verdades" com que nao concordava. Paciencia. Ainda bem que voce reapresentou
seus pensamentos.
Como diria Heraclito, eu nao sou hoje o mesmo que fui ontem. A minha resposta,
portanto, nao serah a mesma que teria dado ontem, ainda que a admiracao e respeito que
mantenho por todos os que postam suas mensagens, aqui no uol, continue a mesma.
Luis Hamilton escreveu na mensagem
<6ceouq$pig@oiapoque2.uol.com.br>...
Senhores,
Eu tenho acompanhado esta discussão interessante desde o primeiro artigo...
Ao que tudo indica, o "hacker-censor" não concorda com sua opiniao a
respeito.
... e concordo com o que parece ser a opinião mais geral por
aqui: que os cientistas brasileiros são um tanto quanto "escondidos"...
Parece que alguem estah querendo mante-los como tais.
...e que este NG pode ser um excelente canal de divulgação
do conhecimento (além de outros meios citados).
Plenamente de acordo.
Ora, ao mesmo tempo, vários dos senhores se colocaram como
cientistas ou acadêmicos.
Somos todos iguais perante o "uol.ciencia". Ninguem eh mais do que ninguem
pelo fato de se considerar cientista ou academico. Se houve alguma tentativa em definir
estes termos, isto se deve pura e simplesmente ao fato de estarmos discutindo algo
relativo ao comportamento relativo aos cientistas brasileiros. De alguma forma
precisavamos definir o "objeto de discussao". E isto levou alguns a se
questionarem sobre se faziam parte ou nao desta "elite". Nao houve, no entanto,
intencao de nenhum dos debatedores em manter a discussao restrita a esse elitismo.
Então, eu sugiro que, sem precisar parar a discussão
daquela thread, os senhores coloquem aqui novas discussões, possivelmente relacionadas
aos trabalhos que vêm desenvolvendo,...
Concordo em termos. Nem tudo o que interessa a um determinado
"ultraespecialista" seria interessante se postado num grupo geral como este.
Acho, no entanto, que possam ser aqui discutidos temas gerais, de interesse a varias
areas, bem como temas relativos a uma area, e de interesse geral --se bem que em doses
passiveis de serem assimiladas por todos.
Continua na msg seguinte
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| 20 |
De: Alberto Mesquita Filho
Data: Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 1998 16:33
Ops...
A mensagem saiu truncada. Aqui vai a continuação:
...para realmente estimular os leigos interessados, os
estudantes (como eu)...
Todos nos somos especialistas em alguns temas e leigos na grande maioria dos demais.
Nao se subestime por ser leigo neste ou naquele assunto.
...e eventualmente outros cientistas a participarem destas
discussões.
Esta foi a minha intencao original.
[]'s a todos
Luis Hamilton.
[]'s a todos
Alberto
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| 21 |
De: Lucio de Souza Coelho
Data: Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 1998 17:36
Luis Hamilton wrote:
Senhores,
Senhores,
[snip]
Ora, ao mesmo tempo, vários dos senhores se colocaram como
cientistas ou acadêmicos. Então, eu sugiro que, sem precisar parar a discussão daquela
thread, os senhores coloquem aqui novas discussões, possivelmente relacionadas aos
trabalhos que vêm desenvolvendo, para realmente estimular os leigos interessados, os
estudantes (como eu) e eventualmente outros cientistas a participarem destas discussões.
Faco minhas as palavras do Alberto de que somos todos
iguais perante o newsgroup e que talvez um tema que interesse a um ultraespecialista -
como e o caso da maioria dos cientistas - nao interesse ao grupo de discussao em geral.
Mas acho que, se falarmos por alto dos trabalhos que estamos desenvolvendo, sem nos
"ultraespecializarmos" na discussao, entao podemos torna-los palataveis para o
grupo.
Por exemplo, no momento estou desenvolvido um sistema de visao por computador que sera
usado para a navegacao de um robo-dirigivel. Funciona assim: uma camerazinha a bordo do
dirigivel capta uma imagem de um objeto com propriedades geometricas conhecidas, transmite
a imagem por radio a um computador e la o sistema, a partir da imagem, descobre qual a
posicao e orientacao tridimensionais do dirigivel em relacao ao objeto.
Por enquanto, meu sistema so pega umas imagens da camera que gravei, mastiga tudo e
devolve a posicao e orientacao, levando 0.2 segundos por imagem. (Logo, acho que em tempo
real o sistema deve trabalhar com 5 frames por segundo.) So isso me deu pano pra manga
pelos ultimos 6 meses, ufa! Agora tenho de cuidar da conexao direta com a camera a bordo
do dirigivel e controle dos motorzinhos com base na informacao do sistema visual, e com
isso la se vao mais meses e meses...
[]'s a todos
[]'s a todos
Luis Hamilton.
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
|
| 22 |
De: Luis Hamilton
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 08:49
Alberto e colegas,
Não existe qualquer demérito em ser leigo ou não ser ultraespecialista, nem foi essa
a minha intenção. Antes da remoção das mensagens pelo UOL, de vez em quando, apareciam
por aqui perguntas interessantes de leigos, algumas das quais eu tentei responder, outras
respondidas por você ou pelo Lúcio (entre outros), e acho que foi bastante proveitoso
pra todos.
Só que, como disse o Lúcio, poderíamos entrar, sem detalhes mais complexos, estar
discutindo e divulgando temas mais profundos. Por exemplo, se houver um leitor
especialista em bioengenharia, eu gostaria de ter mais detalhes sobre técnicas de
clonagem e engenharia genética, num nível que permita entender melhor do que se trata
(sem precisar me preocupar em saber reproduzir a experiência) do que o apresentado pelos
jornais não especializados.
Da mesma forma, o projeto em que o Lúcio está trabalhando é muito interessante. Ele
poderia colocar aqui um pouco mais de detalhes sobre a dificuldade de se estabelecer um
algoritmo para interpretar as imagens: o que ele usa como ponto de referência, qual a
técnica de programação, etc. Não precisa divulgar o trabalho todo, claro, mas poderia
dar também uns links pra pesquisa do assunto. Claro que, no caso dele, temos uma questão
de patente, mas que ele poderia resguardar com cuidado.
São apenas dois exemplos. Eu sou estudante de Física (USP/último ano), mas trabalho
em banco, portanto o máximo que eu posso lançar aqui são algumas dúvidas ou
curiosidades, mas acho que seria um grande estímulo poder discutir o que se está
desenvolvendo pelos verdadeiramente acadêmicos.
Ah, sim, só pra terminar, não achei ruim discutirem sobre o que é realmente um
acadêmico, eu concordei plenamente. Eu não me arrogo sê-lo, pois como já disse, sou
apenas estudante. Mas isto não quer dizer que eu tenha pensado em qualquer momento que
havia uma discriminação no grupo, apenas aproveitei a presença de vocês para sugerir
começar a fazer o que vocês mesmos disseram ser necessário.
[]'s
Luis Hamilton.
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De: Luis Hamilton
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 08:52
Lucio de Souza Coelho escreveu na mensagem
Faco minhas as palavras do Alberto de que somos todos iguais
perante o newsgroup e que talvez um tema que interesse a um ultraespecialista - como e o
caso da maioria dos cientistas - nao interesse ao grupo de discussao em geral. Mas acho
que, se falarmos por alto dos trabalhos que estamos desenvolvendo, sem nos
"ultraespecializarmos" na discussao, entao podemos torna-los palataveis para o
grupo.
É isso aí. Sobre o seu trabalho, que é muitíssimo interessante, agradeceria se
você tiver algum tempo pra dar mais detalhes sobre o processamento de imagens, a
dificuldade em obter um algoritmo para encontrar a localização, os pontos de referência
que você usou, a aplicação prática que você pretende testar, etc, claro desde que
isto não seja um problema de patentes. Se der, uns links de referência também seriam
interessantes.
[]'s
Luis Hamilton.
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De: Alberto Mesquita Filho
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 14:37
Luis Hamilton escreveu na mensagem
<6ch309$grm@oiapoque2.uol.com.br>...
Alberto e colegas,...
Concordo com tudo o que voce diz em sua mensagem e também...
...acho que seria um grande estímulo poder discutir o que se
está desenvolvendo pelos verdadeiramente acadêmicos.
Ja que estamos "abrindo o jogo", vou tentar colocar aqui as minhas areas de
interesse e nas quais posso eventualmente ser util para os amigos e colegas do newsgroup.
Graduei-me em medicina (1968) e logo apos conclui creditos de pos-graduaçao em
fisiologia, sem ter defendido tese (na epoca nao era essencial para a funcao que exercia).
Evolui de maneira nao muito comum pela seguinte rota: Nefrologia ate 1979 (trabalhando
especialmente com Insuficiencia Renal e exercendo um papel muito semelhante ao de
preceptor da disciplina Nefrologia, que na epoca nao era reconhecida como disciplina, mas
apenas um setor da disciplina Clinica Medica) --> Clinico-Quimica, com especial
interesse em Equilibrio Acido Basico (escrevi varios trabalhos sobre o assunto, de 1973 a
1983) --> Fisiologia --> Bioquimica --> Biofisica (lecionei Biofisica e
Bioquimica em instituicao particular de 1978 a 1986) --> Fisica aplicada aa Biologia e
Medicina (ate 1986) --> Fisica pura (de 1983 em diante).
Embora reconheca o valor da ciencia experimental, precocemente fui guindado aa
teorizacao (uma atividade rara no Brasil e muito mais em medicina). Nos anos 70 descobri
que a ciencia nao tem fronteiras e nao me fiz de rogado: procurei adquirir conhecimentos
em tantas areas quantas fossem necessarias para fortalecer minhas ideias. Desta forma, em
1983 percebi que transportava um fisico dentro de mim. Tenho algumas teorias desta epoca
que classificaria como "A fisica na visao de um medico". Afim de equacionar
estas teorias (o curso de medicina nao oferece Calculo (a nao ser na pos, de forma
rudimentar) e muito menos Fis-Mat, cursei Fisica na USP o tempo suficiente (de 1989-91)
para que conseguisse atingir este objetivo (equacionar a teoria).
Algumas de minhas ideias estao expostas no
Espaço Científico Cultural.
Tenho escrito atualmente em ingles (a contragosto) em virtude, dentre outros motivos, ao
conselho que recebi do Professor Newton Costa: "No Brasil voce nao encontrarah um
fisico disposto a (ou com coragem suficiente para) criticar sua teoria" (aquela que
estah apresentada no Web citado). Infelizmente, quatro anos apos este conselho, conclui
que Newton Costa estava com a razao. Recebo, quase que diariamente, criticas de fisicos
de: UK, Romenia, Polonia, Japao, EUA, Mexico, etc. A unica critica que recebi de um
compatriota, que se diz estudante de pos-graduacao em fisica, eu nao teria coragem de
publicar neste newsgroup, sob pena de desmoralizar o razoavel conceito de que goza a
ciencia nacional.
Ha alguns anos atras fui convidado, por um Secretario de Cultura brasileiro, a expor
minha teoria em sua cidade. O Departamento de Fisica da Universidade local recusou-se a
comparecer aa palestra. Ameacado, pelo Secretario, de ter a verba da Prefeitura cortada,
permitiu que eu fizesse a palestra na Universidade, porem proibiu os Professores da casa a
que comparecessem aa palestra, a excecao de um, o chefe do Departamento de
Eletromagnetismo, um dos mais jovens do staff, a representá-los (Muito simpático, por
sinal). Curiosamente, e para agradar o Secretario, lotaram o auditorio com alunos do curso
de Fisica. Porque isso? Estavam com medo de que um estranho os desmoralizassem frente a
seus alunos? Que pais eh esse, em que seus cerebros teem medo de se confrontar, frente a
seus alunos, com um fisico de quinta categoria como eu? Onde estao os cientistas
brasileiros? Onde estao os fisicos brasileiros?
Obrigado, Luis Hamilton, pelo "gancho" oferecido. Acrescento, no entanto,
que, para que possamos atingir o objetivo proposto, o de estimular o brasileiro a expor
suas ideias, eu acho que estah faltando, por parte de nossas "academias", um
pouco mais de respeito aas ideias alheias. No exterior eu consigo, pelo menos, ser
considerado um "crackpot"; no Brasil nem isso.
Como eu disse a um fisico "Net-amigo" do UK (Reino Unido): "Our madness
resides in our courage of showing our ideas. "Ao que ele respondeu: "I love
it."
[ ]s e, novamente, obrigado pelo "gancho".
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De: Lucio de Souza Coelho
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 16:04
Alberto Mesquita Filho wrote:
[snip]
Ja que estamos "abrindo o jogo", vou tentar colocar
aqui as minhas areas de interesse e nas quais posso eventualmente ser util para os amigos
e colegas do newsgroup.
[snip "O Medico e o Fisico" ;-)]
Algumas de minhas ideias estao expostas no
Espaço Científico Cultural. Tenho escrito atualmente em ingles (a contragosto) em virtude, dentre outros motivos,
ao conselho que recebi do Professor Newton Costa: "No Brasil voce nao encontrarah um
fisico disposto a (ou com coragem suficiente para) criticar sua teoria" (aquela que
estah apresentada no Web citado). Infelizmente, quatro anos apos este conselho, conclui
que Newton Costa estava com a razao. Recebo, quase que diariamente, criticas de fisicos
de: UK, Romenia, Polonia, Japao, EUA, Mexico, etc. A unica critica que recebi de um
compatriota, que se diz estudante de pos-graduacao em fisica, eu nao teria coragem de
publicar neste newsgroup, sob pena de desmoralizar o razoavel conceito de que goza a
ciencia nacional.
Alberto, visitei sua pagina e li a introducao do seu artigo sobre eletromagnetismo, e
achei bastante intrigante o conceito de "espaco polarizado" para explicar a
natureza dos campos. Especialmente porque, desde crianca, o conceito de campo, ou de
*como* a Natureza implementa os campos, sempre me deu muito o que pensar. Vou ler e tentar
entender o restante, embora duvide muito que meus conhecimentos de fisica cheguem a tanto.
Enquanto isso, voce poderia tentar expressar sua teoria em palavras, de forma resumida e
compreensivel por todos?
Achei genial sua primeira proposicao sobre a correcao do Principio da Equivalencia -
ainda que o Paul Andersen mostrou uma sutileza que invalida seu argumento. Mas quais foram
os replies aa sua proposicao sobre o elevador de Einstein-Faraday?
[snip]
Obrigado, Luis Hamilton, pelo "gancho" oferecido.
Acrescento, no entanto, que, para que possamos atingir o objetivo proposto, o de estimular
o brasileiro a expor suas ideias, eu acho que estah faltando, por parte de nossas
"academias", um pouco mais de respeito aas ideias alheias. No exterior eu
consigo, pelo menos, ser considerado um "crackpot"; no Brasil nem isso.
Lamentavel! Como alguem ja disse, "A Indiferenca e pior que o Odio.".
[snip]
[ ]s e, novamente, obrigado pelo "gancho".
[]s
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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De: Lucio de Souza Coelho
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 16:12
Luis Hamilton wrote:
[snip]
É isso aí. Sobre o seu trabalho, que é muitíssimo
interessante, agradeceria se você tiver algum tempo pra dar mais detalhes sobre o
processamento de imagens, a dificuldade em obter um algoritmo para encontrar a
localização, os pontos de referência que você usou, a aplicação prática que você
pretende testar, etc, claro desde que isto não seja um problema de patentes. Se der, uns
links de referência também seriam interessantes.
Semana que vem, devo criar uma homepage sobre o projeto dando alguns detalhes a mais -
agora que *tenho* detalhes para colocar por la; notificarei o grupo de discussao assim que
termina-la. Quanto a uma descricao pormenorizada, a nivel tecnico mesmo... Eventualmente,
vou colocar relatorios e/ou artigos tecnicos online na pagina onde listo meus trabalhos (http://www.dcc.ufmg.br/~omni/trabalho/trabalho.htm).
Mas, ai, entra a paranoia de exposicao de ideias que vem sendo criticada aqui: normalmente
eu coloco um artigo nessa pagina *depois* que ele e aceito para publicacao. ;-)
[]'s
[]'s
Luis Hamilton.
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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De: Alberto Mesquita Filho
Data: Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 1998 22:15
Lucio de Souza Coelho escreveu na mensagem
<34EC8220.86C77043@grip.cis.upenn.edu>...
Alberto, visitei sua pagina e li a introducao do seu artigo
sobre eletromagnetismo, e achei bastante intrigante o conceito de "espaco
polarizado" para explicar a natureza dos campos. .... Vou ler e tentar entender o
restante.... Enquanto isso, voce poderia tentar expressar sua teoria em palavras, de forma
resumida e compreensivel por todos?
Procurarei fazer isso nos próximos dias.
Achei genial sua primeira proposicao sobre a correcao do
Principio da Equivalencia - ainda que o Paul Andersen mostrou uma sutileza que invalida
seu argumento. Mas quais foram os replies aa sua proposicao sobre o elevador de
Einstein-Faraday?
Recebi apenas um comentario a respeito, e este nao atingia o cerne da questao, razao
porque optei por esperar outros comentarios antes de publica-lo. Como nao houve
receptividade aa mensagem, estou aguardando para reapresenta-la noutra oportunidade.
Como eu apresentei as duas proposicoes num curto intervalo de tempo: 7/jan:
Einstein Equivalence Principle is wrong? e 11/jan:
Einstein-Faraday's Elevator,
creio que ficou a impressao de que eu estava preparando uma armadilha para os debatedores,
em especial para o Paul Andersen. Com efeito, analisando a proposta com mais detalhes,
conclui que poderia acontecer algo desse tipo. Se eh verdade que "os americanos nao
gostam de perder", eles tinham mais eh que se "fechar em copas". De
qualquer forma, a ideia estah de peh e agora, pelo menos aqui no UOL, com as cartas
abertas. Se alguem quiser fazer algum comentario aqui no UOL, eu terei imenso prazer em
procurar sustentar o dialogo.
Alberto
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De: Lucio de Souza Coelho
Data: Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 1998 14:16
Alberto Mesquita Filho wrote:
Procurarei fazer isso nos próximos dias.
Otimo! Aguardamos sua mensagem.
[snip]
Se eh verdade que "os americanos nao gostam de
perder", eles tinham mais eh que se "fechar em copas". De qualquer forma, a
ideia estah de peh e agora, pelo menos aqui no UOL, com as cartas abertas. Se alguem
quiser fazer algum comentario aqui no UOL, eu terei imenso prazer em procurar sustentar o
dialogo.
Novamente, otimo! Andei pensando sobre o seu elevador de Einstein-Faraday e gostaria de
saber se minhas conclusoes (bastante intuitivas, devo admitir) atingem o cerne da questao
em sua opiniao. Admitindo que as paredes do elevador sejam permeaveis aa radiacao
eletromagnetica (exceto, naturalmente, luz, ja que l'' nao pode visualizar o exterior do
elevador), entao acredito que o observador l'' dentro do elevador detectaria radiacao
eletromagnetica, ja que a carga Q se aproximaria dele em movimento acelerado. Mas nao acho
que isso invalida o Pricipio da Equivalencia. l'' poderia simplesmente pensar que esta
imerso em um campo gravitacional (variavel) e que ha uma carga eletrica positiva caindo em
sua direcao. E, assim, o Principio da Equivalencia, que diz que um frame acelerado e
equivalente a um frame em repouso num campo gravitacional, seria obedecido. O meu
raciocinio esta correto ou cai em mais um daqueles detalhes-armadilha?
Alberto
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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De: Alberto Mesquita Filho
Data: Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 1998 16:34
Lucio de Souza Coelho escreveu na mensagem
<34EDBA53.FDE8200F@grip.cis.upenn.edu>...
Admitindo que as paredes do elevador sejam permeaveis aa
radiacao eletromagnetica (exceto, naturalmente, luz, ja que l'' nao pode visualizar o
exterior do elevador), entao acredito que o observador l'' dentro do elevador detectaria
radiacao eletromagnetica, ja que a carga Q se aproximaria dele em movimento acelerado.
E' verdade. Minha duvida a respeito e' se o eletromagnetismo classico aceitaria este
campo variavel no tempo (radiacao eletromagnetica) no interior de uma gaiola de Faraday.
De qualquer forma, pensarei nesta possibilidade durante o carnaval, desde que a Mangueira
nao esteja na Sapucai.
Mas nao acho que isso invalida o Pricipio da Equivalencia.
l'' poderia simplesmente pensar que esta imerso em um campo gravitacional (variavel) e que
ha uma carga eletrica positiva caindo em sua direcao.
Concordo em termos, pois acredito que esta carga deve exercer algum efeito mensuravel.
De qualquer forma, este eh um novo assunto para me divertir no carnaval. Nada como
dialogar! A gente sempre sai ganhando com isso.
E, assim, o Principio da Equivalencia, que diz que um frame
acelerado e equivalente a um frame em repouso num campo gravitacional, seria obedecido. O
meu raciocinio esta correto ou cai em mais um daqueles detalhes-armadilha?
A primeira vista, sim, exceto pelos senoes que apontei.
Afim de que fique claro, para os usuarios deste news, o que estou(amos) considerando
como armadilha, eu diria que aas vezes, para defendermos um argumento bem estabelecido
(por ex. o Principio da Equivalencia), utilizamos uma ideia que vai contra outro argumento
tambem bem estabelecido (como, por exemplo, a teoria eletromagnetica classica). E aas
vezes existe uma terceira ideia, nao tao bem estabelecida, como por exemplo aquela
apresentada pelo P. Anderson jah citado. E existe ainda uma quarta --visto que sou eu quem
estah apresentando o problema-- e que relaciona-se com a minha teoria, que de alguma forma
confronta-se com as demais (relatividade e eletromagnetismo classico); teoria esta ainda
considerada como "alternativa", e portanto, em hipotese alguma poderia ser
considerada como "bem estabelecida".
O numero de variaveis eh portanto muito grande, e nao raro fazemos afirmacoes que
rapidamente sao derrubadas por alguem que, estando fora da discussao (e aas vezes ateh
mesmo dentro), enxerga coisas elementares que haviamos desprezados numa analise inicial.
Por exemplo: O "duelo" entre Einstein e Bohr acontecido na decada de 30.
Algumas vezes Einstein concordou com ideias de Bohr, a respeito de "a teoria quantica
estar completa" nao porque Bohr tivesse derrubado os argumentos de Einstein, mas
porque Bohr mostrava para Einstein que, a serem verdadeiras suas afirmacoes, a teoria da
relatividade tambem estaria incompleta ou ateh mesmo errada. Por mais que se diga o
contrario, o "Paradoxo EPR" (motivo inicial destas discussoes) ainda nao foi
resolvido, e a incompatibilidade entre as teorias apontadas ainda existe, hoje em extensao
maior do que na decada de 30.
Lucio de Souza Coelho
Alberto
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De: Lucio de Souza Coelho
Data: Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 1998 18:22
Alberto Mesquita Filho wrote:
E' verdade. Minha duvida a respeito e' se o eletromagnetismo
classico aceitaria este campo variavel no tempo (radiacao eletromagnetica) no interior de
uma gaiola de Faraday. De qualquer forma, pensarei nesta possibilidade durante o carnaval,
desde que a Mangueira nao esteja na Sapucai.
Se entendi direito sua duvida, acho que voce esta pensando na propriedade da Gaiola de
Faraday de, apesar de ter paredes carregadas, apresentar campo eletrico nulo em seu
interior. E isso mesmo? Se for, a resposta aa sua duvida e SIM, o Eletromagnetismo
Classico aceita o campo eletrico dentro da Gaiola de Faraday no experimento em questao.
O caso e que o campo eletrico e nulo dentro de um condutor carregado se considerarmos
*apenas* as cargas em sua superficie; esse e um resultado provavel matematicamente por
meio de Calculo Numerico. Mas, se voce considerar uma outra concentracao de carga Q fora
da gaiola (e que nao envolva a gaiola numa superficie Gaussiana), entao alguem dentro da
gaiola vai sentir o campo eletrico dessa carga Q da mesma forma que o faria se a gaiola
nao existisse.
Um efeito parecido ocorre com a gravidade: se o centro da Terra fosse oco, um
observador colocado no centro da Terra nao sofreria atracao gravitacional da *Terra*; mas
ele continuaria sendo atraido pela gravidade lunar!
Concordo em termos, pois acredito que esta carga deve exercer
algum efeito mensuravel. De qualquer forma, este eh um novo assunto para me divertir no
carnaval. Nada como dialogar! A gente sempre sai ganhando com isso.
Como eu disse, vai ocorrer o efeito (mensuravel) do campo eletrico do mesmo jeito.
Espero que voce se divirta com mais essas minhas proposicoes no carnaval.
[snip]
Alberto
Lucio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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De: Fabio Augusto da Costa Carvalho Chalub
Data: Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 1998 22:57
Um assunto que foi levantado pelo Alberto é conhecido
como paradoxo da carga acelerada. Este paradoxo é conhecido e a sua solução é
conhecida. Vou tentar esboçar nas próximas linhas. A solução é um tanto técnica e
meio decepcionante. (Obs.: Não vi o artigo em Los-alamos citado na home-page do Alberto,
mas quando der um tempo dou um pulo lá).
O problema é o seguinte. Suponha uma carga caindo livremente sob ação de um campo
gravitacional e, ao seu lado, um observador também caindo (com a mesma aceleração, é
claro). Um observador na superfície da Terra, em relação a quem ambos caem, detecta a
carga em aceleração e portanto emitindo radiação eletromagnética.
O outro observador, caindo junto com a carga, está em repouso em relação a esta e
portanto não detecta emissão de radiação.
No entanto radiar ou não é um fato absoluto, pois diminui a carga. Quem está com a
razão?
O problema de princípio de equivalência é só dizer que as equações do
eletromagnetismo (eqs de Maxwell) valem em ambos os referenciais, e por tanto ambos os
raciocinios são igualmente válidos. (O princípio de equivalência diz que todo
observador vê a mesma física. É um dos dois postulados da teoria da relatividade - o
outro é a constância da velocidade da luz no vácuo.)
A solução do paradoxo é a seguinte: a carga irradia, mas o observador em queda livre
é incapaz de detectar esta radiação. Agora a solução vai ficar muito técnica.
Considere um diagrama de espaço-tempo, por simplicidade considere métrica de Minkowski.
Iste é um grafico de quatro dimensões onde as três primeiras são o espaço e a última
o tempo (nem sempre é possível dizer quem é espaço e quem é tempo). Por simplicidade
imagine um espaço-tempo bidimensional, ou seja, eixo x é o espaço, eixo y o tempo.
Partindo da origem, onde está localizado o observador parado, trace duas linhas diagonais
em forma de X. Isto divide o gráfico em quatro regiões. A de baixo é o passado (mais
rigorosamente: cone de luz passado) e a de cima o futuro. Considere a carga caindo com
aceleracão uniforme neste gráfico Sua trajetória (neste gráfico) é uma hipérbole na
região da direita. Considerando que a radiação emitida viaja no máximo à velocidade
da luz, então não é possível a esta carga emitir na região da esquerda. Como ela
também (pelos mesmos motivos) não recebe radiação desta região diz-se que ela está
causalmente desconectada. O ponto é que o tal observador está exatamente aí (grosso
modo) (A rigor o movimento dele também é hiperbólico, e não pode ser conectado ao
movimento da carga por uma trajetória admissível da radiação). Como se diz: a carga
emite fora do cone de luz.
Repetindo: a carga emite, mas o observador em queda livre junto da carga não detecta.
Fabio
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De: Alberto Mesquita Filho
Data: Domingo, 22 de Fevereiro de 1998 19:39
Lucio de Souza Coelho escreveu na mensagem
<34EDF3FE.4545E665@grip.cis.upenn.edu>...
Alberto Mesquita Filho wrote:
E' verdade. Minha duvida a respeito e' se o eletromagnetismo
classico aceitaria este campo variavel no tempo (radiacao eletromagnetica) no interior de
uma gaiola de Faraday. ...
Se entendi direito sua duvida, acho que voce esta pensando na
propriedade da Gaiola de Faraday de, apesar de ter paredes carregadas, apresentar campo
eletrico nulo em seu interior. E isso mesmo? Se for, a resposta aa sua duvida e SIM, o
Eletromagnetismo Classico aceita o campo eletrico dentro da Gaiola de Faraday no
experimento em questao.
A gaiola a que me refiro possui uma camada macica de material condutor a isolar um
compartimento interno de outro externo. Nestas condicoes eu acredito que, em condicoes
estaticas, o campo eletrico da teoria de Maxwell, no ambiente interno, eh nulo, tal e qual
o campo em qualquer ponto situado na camada macica e interiormente aa superficie externa
da camada condutora. Qualquer oscilacao deste campo em torno de um valor nulo, promovera
uma redistribuicao de cargas, atraves de um efeito indutivo que eu nao poderia desprezar,
a exemplo do que fiz com a inducao devida aa condicao do problema (movimento). Apos esta
oscilacao, o campo voltara a um valor nulo.
Eh possivel que eu esteja errado, mas creio que a duvida eh bastante elementar e
poderia ser resolvida atraves de uma rapida consulta bibliografica, coisa que no
momento estou impossibilitado de fazer pois meus livros sobre o assunto (teoria de
Maxwell) estao na biblioteca de minha antiga residencia. Se eu estiver errado ficaria
grato a quem pudesse apontar a inconsistencia do pensamento acima apontado.
Voltemos, então, ao questionamento original:
Lucio de Souza Coelho escreveu em 20/02/98:
Admitindo que as paredes do elevador sejam permeaveis aa
radiacao eletromagnetica (exceto, naturalmente, luz, ja que l'' nao pode visualizar o
exterior do elevador), entao acredito que o observador l'' dentro do elevador detectaria
radiacao eletromagnetica, ja que a carga Q se aproximaria dele em movimento acelerado. Mas
nao acho que isso invalida o Principio da Equivalencia. l'' poderia simplesmente pensar
que esta imerso em um campo gravitacional (variavel) e que ha uma carga eletrica positiva
caindo em sua direcao. E, assim, o Principio da Equivalencia, que diz que um frame
acelerado e equivalente a um frame em repouso num campo gravitacional, seria obedecido. O
meu raciocinio esta correto ou cai em mais um daqueles detalhes-armadilha?
Eh verdade. Acredito, ateh prova em contrario, que voce resolveu o paradoxo (o que
seria o mesmo que dizer que nao ha paradoxo). I" detecta radiacao eletromagnetica e
pode eventualmente suspeitar da condicao real, mas nunca concluir ser esta a condicao.
Afinal, ele nao sabe que a gaiola estah eletricamente carregada! Nao eh mesmo? Quanto aa
armadilha, se existir, nao foi colocada por mim, mas por "Aquele que nao joga
dados". Mas... se eu posso suspeitar que uma aceleracao possa ser devida a um campo
eletromagnetico!!!! Serah que estou voltando aas origens da questao? Help!!!! Tem algum
fisico relativista de plantao por aih?
Quanto ao "paradoxo da carga acelerada", termo este utilizado pelo Fabio em
sua mensagem, seria interessante ler a mesma. Com efeito, ele dah uma explicacao tecnica a
justificar o comentado pelo Paul Andersen. Conforme o proprio Fabio diz, "a solução
é um tanto técnica e meio decepcionante". Tanto mais para mim, que sou um pouco
refratario aas dimensoes espaco-temporais da fisica moderna.
[ ]s e bom Carnaval a todos
Alberto
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De: Lúcio de Souza Coelho
Data: Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 1998 16:47
Alberto Mesquita Filho wrote:
A gaiola a que me refiro possui uma camada macica de material
condutor a isolar um compartimento interno de outro externo. Nestas condicoes eu acredito
que, em condicoes estaticas, o campo eletrico da teoria de Maxwell, no ambiente interno,
eh nulo, tal e qual o campo em qualquer ponto situado na camada macica e interiormente aa
superficie externa da camada condutora. Qualquer oscilacao deste campo em torno de um
valor nulo, promovera uma redistribuicao de cargas, atraves de um efeito indutivo que eu
nao poderia desprezar, a exemplo do que fiz com a inducao devida aa condicao do problema
(movimento). Apos esta oscilacao, o campo voltara a um valor nulo.
Esqueci do efeito indutivo! O negócio que eu disse em minha mensagem anterior nessa
thread, de que o campo gerado por Q seria sentido do mesmo jeito dentro de q, valeria *se
o elevador fosse não-condutor e com carga uniformemente distribuídas sobre sua
superfície*. Mas, com indução e condutividade, acho que o campo fica nulo mesmo, como
você falou!
[snip]
[ ]s e bom Carnaval a todos
[ ]s e espero que todos tenham tido um bom carnaval.
Lúcio de Souza Coelho
http://www.dcc.ufmg.br/~omni
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